Copo de 3

17 janeiro 2020

Poças Vale dos Cavalos 2009


A Quinta Vale de Cavalos (Numão) no Douro Superior foi adquirida em 1988 pela Casa Poças. Este vinho é criado a partir das castas 50% Touriga Nacional, 20% Touriga Franca, 20% Tinta Roriz, 10% Tinta Barroca com passagem apenas de 30% do lote em barrica usada. O preço demasiado tentador anda nos 7€, num tinto cheio de classe e carácter que apetece beber. O tempo não lhe fez estragos, afinou e refinou todo o conjunto que se bebe com grande prazer à mesa, sempre num tom fresco e elegante com a fruta em destaque e um bouquet airoso a dar sinais de que a evolução em garrafa foi bastante positiva. Abra-se pois neste momento com um arroz de pato para alegria de toda a mesa. 91 pts


Poças Vintage 2000


Faz parte do pequeno lote de Vintage que tenho por casa para ir abrindo conforme a ocasião. Pessoalmente não é o estilo de vinho que mais aprecio caindo sempre a escolha no estilo Tawny. Este Poças Vintage 2000 foi aberto, decantado durante uma hora e servido, mostrou aromas complexos onde se mistura a fruta macerada com fruta madura e fresca, compotas, folha de tabaco, ligeiro balsâmico num conjunto já a mostrar sinais de harmonia e suavidade no trato. Tendo outros anos mais recuados desta casa como referência, posso dizer que deveria ter sido guardado mais 20 anos. Deu prazer a quem o bebeu, saboroso e com tudo no sítio, mas nada mais que isso.  91 pts

14 janeiro 2020

Indígena 2018


O Bio anda na boca do povo, o frenesim instalou-se a bem de um modo de vida sustentável e saudável, para tal o produto Bio é uma base fundamental. Este modelo à muito que tem vindo a ser seguido por muitos produtores de vinho, acredito que outros por necessidade de negócio tenham de enveredar por este caminho porque o negócio a isso obriga. Mas por outro lado temos produtores que antes das modas sempre os ouvimos falar em que o modelo seguido era o Biológico. A Herdade do Rocim sempre teve isso em conta, os cuidados não são apenas na aparência cuidada dos seus produtos mas também esses cuidados começam na vinha. 

Neste caso o Indígena 2018 é o primeiro tinto bio que sai da adega do Rocim com o certificado de Agricultura Biológica, sendo o vinho apenas estagiado em tanques de cimento e com um preço a rondar os 12€. O resultado é frescura e pureza da fruta, mesmo muita fruta carnuda e suculenta com ameixas e bagas negras a explodirem de sabor na boca, ligeira austeridade com chá preto a dar uma secura que se faz sentir no final de boca. Boca saborosa e cheia de frescura com tudo em grande harmonia a dar uma belíssima prova. De uma casa que é uma referência este não podia fugir à regra. 91 pts

13 janeiro 2020

Miogo Espumante Reserva 2017

A marca Miogo surgiu em 1999 e pertence à  empresa Vinhos Norte, com as suas origens na Quinta do Miogo em Guimarães. Comemora na colheita de 2019 os seus 20 anos de história e nada como brindar à saúde e sucesso da empresa, com o seu mais recente Espumante Reserva 2017 oriundo da zona dos Vinhos Verdes com base nas castas Arinto e Loureiro. Um espumante com preço a rondar os 13€, a mostrar-se alegre e bem aprumado de aromas, capaz de boas ligações com queijos secos, marisco e peixe fumado. Ligeirinho na cremosidade, mostra muita e boa fruta fresca com tons mais citrinos e em fundo um lado mais verde com tom de maçã e erva cortada. Tem tudo para brilhar à mesa em boa companhia. 90 pts

12 janeiro 2020

Esporão Reserva 1999


Uma double-magnum (3 Litros) de Esporão Reserva 1999 foi o vinho que decidi abrir pela passagem de ano. Este é sem dúvida alguma o formato e a altura ideal para ser aberto num jantar com um número alargado de amigos. Abertura com alguma antecedência revelando desde logo um vinho adulto e em grande forma, dando uma prova ao nível do melhor que os Esporão Reserva me têm acostumado. Não foi necessário esperar muito por ele, apesar das idas e vindas para atestar o decanter, afinal a maior volumetria da garrafa atrasa o efeito da passagem do tempo permitindo que o vinho se aguente por muito mais tempo na sua melhor fase de consumo. Muita fruta silvestre ainda com frescura a passear pelo copo, ao lado aromas de caixa de especiarias com folha de tabaco, travo de canela, pimenta e compota de ameixa numa toada mais gulosa. Já aveludado no trato, cheio de finesse e uma frescura que lhe percorre todo o corpo. Muita classe neste tinto que mereceu os maiores elogios de todos os presentes, os grandes vinhos são assim.

10 janeiro 2020

Quinta do Carmo Reserva 2003


Fui vasculhar na garrafeira e decidi que era tempo de abrir este Quinta do Carmo Reserva da colheita de 2003. O vinho nasceu da joint venture existente na altura entre o grupo Lafite Rothschild e a Bacalhôa Vinhos de Portugal. O lote composto por Aragonez, Castelão, Trincadeira, Syrah e Cabernet Sauvignon com longa passagem por madeira. O vinho em nada se compara com os da actualidade, aqui a respirar muito mais os ares de Bordéus. Qualidade muito alta num tom de requinte e saber estar, taninos no sítio, aprumado mas com a fruta ainda a mostrar frescura e vigor. Depois uma complexidade que se desdobra em camadas, caixa de especiarias com um bouquet elegante e convidativo. A idade deu-lhe finesse, boca ainda com vigor, muito sabor da fruta a vincar o palato num final sedoso e apimentado. Apenas resta enaltecer o prazer que dá neste momento a acompanhar um Beef Wellington.

09 janeiro 2020

Casa da Passarella A Descoberta branco 2017

Os malabarismos sociais estão, mesmo que de forma inconsciente, presentes na vida diária de todos nós. Muitos fazem disso vida, escrevinham artigos de opinião que não passam de isco social para fomentar conversas inócuas, outros porque o modo de vida cartilheiro sempre foi o de cair nas boas graças de quem lhes mete um convite no bolso e continuam a debitar cada vez notas mais altas. Quem fica perdido no meio de tudo isto são os vinhos que realmente bebemos e compramos, que vão ficando arredados da nossa opinião porque importa mais mostrar que se bebeu a novidade. 

Este é um desses exemplos, custou coisa de 4€, que se desmarca pela diferença e continua a ser uma das apostas a ter aqui por casa. A Casa da Passarella (Dão) dispensa apresentações, a qualidade dos vinhos fala por si e este mesmo que "barato" é um belíssimo branco para se bebericar durante a refeição. Lote de Encruzado, Malvasia e Verdelho com passagem apenas pelo inox, o resto é a franqueza da fruta e dos tons mais perfumados de flores e folhas verdes, ligeirinho na austeridade que a brincar nos oferece um conjunto muito franco e apelativo. 90 pts

08 janeiro 2020

Quinta da Fonte Souto branco 2017

Por mais que se queira disfarçar ou assobiar para o lado, o Alentejo continua a estar na moda e desta vez nem vou falar do vinho de talha mas sim da corrida ao que parece ser o novo "el dorado" do vinho nacional, a Serra de São Mamede (Portalegre). Num ápice vimos Cartuxa, Sogrape e mais recentemente a Symington, comprarem Quintas de nomeada naquela região. Neste caso a Symington comprou a Quinta da Queijeirinha que será mais reconhecida pelos vinhos Altas Quintas que ali eram criados por João Lourenço. Agora nas mãos da Symington os novos vinhos mostram novos nomes, rótulos, aromas e sabores. Em prova o primeiro branco ali criado de seu nome Quinta da Fonte Souto branco 2017, maioritariamente Arinto com um toque de Verdelho, preço a rondar os 12€. 

Destaca-se a qualidade da fruta (citrinos, pomar) bem fresca e airosa em harmonia com tom mais untuoso dado pela barrica, mas mantendo toda a frescura e vigor de um Arinto de grande qualidade. O perfume da Verdelho vai surgindo em segundo plano, muita erva de cheiro, tom mais vegetal e fresco, grande equilíbrio de conjunto, numa boca que pede comida por perto. 91 pts

05 outubro 2019

Herdade do Rocim Amphora branco 2017


Segue as pisadas do Amphora tinto, tanto na qualidade como na apetência que mostra e mostram este tipo de vinhos para acompanhar uma refeição. Neste caso o vinho de talha em branco, criado a partir das castas Antão Vaz, Perrum, Manteudo e Rabo de Ovelha que foram vinificadas de maneira tradicional em talhas de barro pesgadas. O resultado é um branco que nos enche as medidas, gastronómico, fresco, com aromas e sabores bem vincados e limpos, brinca a fruta com os apontamentos vegetais e o lado mais seco e austero com alguma resina e cera de abelha. É uma perdição a acompanhar uns carapaus fritos com migas de tomate. 91 pts

30 setembro 2019

Herdade do Rocim Amphora 2017


Passo a passo a Herdade do Rocim consolidou o seu projecto, é nos dias de hoje uma referência com uma imagem ao nível da qualidade dos vinhos que nos coloca à disposição. Quando pouco se ouvia falar do Vinho de Talha, eis que foi a Herdade do Rocim responsável por um ressurgir de algo "esquecido" e que apenas tinha à altura um vinculo de "artesanato" típico de certas zonas. Com o passar do tempo esse acordar fez despertar outros tantos projectos que hoje nos brindam com grandes Vinhos de Talha. Este que aqui coloco é o Amphora tinto de 2017, um lote de Moreto, Tinta Grossa, Trincadeira e Aragonez cujo processo de vinificação é o tradicional com passagem por talhas. O perfil tem vindo a ser afinado e a cada colheita que passa, muita fruta vermelha com algum vegetal bem fresco, suculento e a puxar para a mesa, mostra-se muito limpo de aromas e com uma fantástica vontade de se beber com um assado de borrego. Ronda os 15€ em garrafeira. 91 pts

28 setembro 2019

Marquês de Borba 2018



Dispensa apresentações este tinto criado por João Portugal Ramos nas terras de Estremoz e que sempre soube manter um perfil de vinho acessível mas ao mesmo tempo com uma qualidade bem acima da média. O preço a rondar os 5€ faz dele uma escolha acertada. Aqui o que se encontra é um tinto marcado pela frescura da fruta, sempre muito limpa e rechonchuda, a passagem por madeira dá um ligeiro toque de complexidade e arredonda um bocadinho os cantos mas continua a mostrar vigor e energia na companhia dos mais variados pratos da nossa gastronomia. 90 pts

10 setembro 2019

Mamoré de Borba Vinho de Talha Branco 2018


Sovibor (Alentejo) afirma-se em três colheitas como produtor de referência no Vinho de Talha tal a qualidade dos vinhos que ali são criados pelas mãos do enólogo António Ventura. Este 2018 foi o melhor branco no I Concurso de Vinho de Talha realizado este ano. O preço a rondar os 22€, destaca-se pela definição de aromas que as uvas de vinhedo velho onde brilha a casta Antão Vaz. Um vinho de memória, a mesma memória e história que as talhas onde nasceu transportam dentro de si. Conjunto que se esbate em notas de cera de abelha a dar alguma untuosidade, tangerinas, flores e tisana. Na boca claramente a pedir comida, marcado pela fruta, novamente o toque ceroso, textura muito marcante com frescura e secura que lhe prolonga o final. 93 pts
 
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