Copo de 3

12 agosto 2019

Monte de Seda 2018


A poucos quilômetros de Alter do Chão fica situada a Herdade de Vale Barqueiros de onde nos chega este seu Monte de Seda tinto da colheita de 2018. Um vinho com preço a rondar os 4€ a mostrar-se muito focado na frescura da fruta que surge bem vincada tanto no aroma como no sabor. Algum vegetal na boca a dar secura mas de imediato a fruta a ligar bem com ligeiras mais gulosas de compota e algum cacau que lhe dão algum peso e sabor. Correto e muito amigo da mesa. 88 pts

05 julho 2019

Couquinho Superior branco 2018


A Quinta do Couquinho fica localizada no Vale da Vilariça (Douro Superior) e pertence à família Melo Trigo há mais de dois séculos. O nome dos seus vinhos surgiu associado nos primeiros lançamentos aos vinhos da Lavradores de Feitoria, empresa da qual a Quinta do Couquinho foi sócia fundadora. Apenas em 2002, os vinhos ganharam marca própria. Este vinho surge pela mão do enólogo João Brito e Cunha que escolheu as castas Viosinho e Rabigato oriundo de vinhas velhas. Resulta num branco elegante e com uma bela frescura de conjunto onde se destaca um dominante travo de vegetal fresco acompanhado por algum floral e um tom mais mineral e fumado em fundo, dando à fruta o segundo plano. Uma frescura que perdura na boca num conjunto sempre muito equilibrado e preciso, ao mesmo tempo sem excessos e com um bom final. Ronda os 11€ por garrafa e será uma aposta interessante para peixe com alguma gordura passado pela grelha. 90 pts

21 junho 2019

Quinta de Baixo Poeirinho Baga 2015


Da glória que viveu no passado, a Bairrada tem vindo lentamente a tentar cativar a atenção dos consumidores. Nos últimos anos é de assinalar a tentativa de revitalizar a região, com alguns novos nomes a surgirem no panorama Bairradino que se vieram a juntar a nomes sonantes daquela zona e com isso alguns dos seus produtos foram ganhando algum destaque. Este vinho é disso exemplo, da famosa Quinta de Baixo, agora nas mãos da Niepoort. Aliado ao carácter bem vincado que mostra ter, tem o preço que por estas bandas ainda não se compara por exemplo aos Douro da mesma casa, a festa pode ser muito interessante como é o caso deste Poeirinho 2015 cujo preço ronda os 27€. Um vinho que dá um tremendo gozo no copo, pleno de fruta vermelha, expressiva com tom austero a mostrar ligeiro vegetal fresco acompanhado de alguma caruma. Corpo coeso e expressivo, ao mesmo tempo preciso e harmonioso, cheio de vida e sabor, fresco e com nervo que o suportará longos anos em garrafa. Neste momento é um deleite com umas burras estufadas. 95 pts

18 junho 2019

Monsaraz Premium 2014


Sobressai ao falar-se dos vinhos da CARMIM o perfil clássico a que o Reguengos Garrafeira dos Sócios nos acostumou ao longo de décadas. Este Monsaraz Premium vem mostrar um perfil mais moderno, mas ao mesmo tempo requintado e sedutor. O vinho em causa passa por madeira que o marca sem alarido, apenas o suficiente para envolver com elegância, aconchegando a fruta bem carnuda e suculenta em tons negros e silvestres, o cacau com notas de licor de cereja e café. Boca cheia de sabor, bom volume e marcante no palato com rasto suculento da fruta, as notas de mocaccino a aveludarem e arredondar os cantos. A frescura presente dá-lhe vida e profundidade, um belíssimo tinto com preço a rondar os 25€. 94 pts

Domaine des Herbauges Château de la Pierre Muscadet Côtes de Grandlieu Sur Lie 2018



Ora um branco vindo de França, mais propriamente do Loire, criado a partir da casta Melon de Bourgogne. O produtor é o Domaine des Herbauges e o vinho nasce no Château de la Pierre a partir de uma vinha velha com idade a rondar os 70 anos de idade. Apenas estagiado em inox, com batonnages periódicas entre 8 a 14 meses, até ser lançado no mercado. É um branco muito focado na fruta com tom tropical e raspas de citrinos, boa frescura a embrulhar tudo com fundo mineral. Boca com a fruta a mostrar-se logo de inicio, certinha, limpa e a conferir bom travo para terminar fresco e seco. Uma daquelas compras perfeitas para acompanhar uns mexilhões ao natural, uma sardinhas assadas, umas conquilhas ou uma salada de polvo, tudo possível por um vinho de perfil clássico bem divertido de se ter no copo e que se deixa beber com bastante satisfação. Preço a rondar os 3,99€. 90 pts

17 junho 2019

Quinta do Ameal Escolha branco 2016


A Quinta do Ameal (Ponte de Lima) é sinónimo de vinhos brancos de altíssima qualidade onde disponta a casta Loureiro. Este é o Escolha, lote fermentado em barrica usada que acaba por ganhar uma complexidade extra, porque a longevidade essa já é uma garantia dos vinhos deste produtor. Apareceu-me com uma nova roupagem, muito puro de aromas e sabores, fiel ao que sempre foi e a mostrar os atributos com que facilmente cativa os consumidores, equilíbrio, uma belíssima frescura e um extra de corpo ligeiramente mais cheio a pedir uma boa caldeirada. São 16,50€ num daqueles brancos que é um prazer ter no copo e na garrafeira por muito tempo. 93 pts

07 junho 2019

Romano Cunha 2010


Os vinhos de Mário Romano Cunha (Mirandela) são vinhos com uma vontade muito própria onde podemos afirmar como dizem do lado de lá da fronteira, com os taninos bem postos. São vinhos onde o tempo é que manda, por isso não se estranhe que depois da colheita de 2009 tenha saido o 2008 e só agora o 2010, preço na casa dos 20€. Um tinto que invoca castas como a Tinta Amarela, Tinta Roriz e Touriga Nacional que estagiaram em madeira por algum tempo. Quando olho para estes Romano Cunha não consigo deixar de me lembrar dos Ultreia (Bierzo) também criados por Raúl Pérez. 

A qualidade da fruta sempre muito elegante, fresca e com grande definição aromática, aliada a uma madeira que soube fazer o seu trabalho, afinando e dando suporte a um conjunto amplo e muito agradável. Bonita a complexidade, com notas de cacau, flores e vegetal fresco, explodem as frutas silvestres com elegância e frescura, saboroso e com boa intensidade, evolui de forma calma e serena no copo. Está para durar e encantar, haja coragem para as manter guardadas. 94 pts

31 maio 2019

I Concurso de Vinhos de Talha 2019 - Vencedores

No passado dia 25 de Maio, decorreu nas instalações da Sovibor o I Concurso de Vinhos de Talha 2019. O Concurso contou com a presença de 31 vinhos e teve como objectivo escolher o melhor de cada categoria, Branco e Tinto. Foi unânime a decisão final do júri que ditou como vencedores: 

MELHOR VINHO DE TALHA BRANCO
Mamoré de Borba Vinho de Talha Branco 2018

MELHOR VINHO DE TALHA TINTO 
Mamoré de Borba Vinho de Talha Tinto 2018





I Concurso de Vinhos de Talha 2019

O Júri (esquerda para a direita): João Canena, Joaquim Arnaud, João Alabaça, Pedro Hipólito, Gilberto Marques, Francisco Brito, João de Carvalho (organização), Carlos Janeiro, Pedro Mota, Paulo Amaral, Sandra Alves, Rita Tavares (organização), António Ventura e Luís Sequeira.


O vinho de talha é uma paixão que me acompanha vai para mais de 20 anos. A um grande amigo que já partiu, devo grande parte deste entusiasmo e deste saber que tão pacientemente me foi passando nas longas conversas que tinhamos. Mas com o tempo ficou sempre um desejo que finalmente consegui transformar naquilo que foi a maior prova de Vinhos de Talha feita até hoje e que contou com 31 vinhos de produtores de todo o Alentejo, o I Concurso de Vinhos de Talha, realizado no passado dia 25 de Maio nas instalaçãos da Sovibor (Borba).

O Concurso foi um sucesso onde a principal regra ditava que apenas vinhos oriundos de talhas pesgadas poderiam participar. A prova foi cega e bastante animada, com muito debate entre provadores, muita partilha de opinião face à alta qualidade de todos os vinhos que participaram. Os melhores de cada mesa foram apurados para a finalíssima, com cada jurado a dizer qual o seu preferido e a contagem feita por todos, assim nunca haveria enganos e o vencedor seria claro e inequívoco. No próximo post irei divulgar quais os dois vinhos que foram considerados Melhor Vinho de Talha tinto e Melhor Vinho de Talha branco.

Quero deixar um agradecimento muito especial ao Sr. Fernando Tavares à Rita Tavares e ao Engº Antonio Ventura que tornaram possível tal acontecimento, um obrigado à Joana Garcia (Queijaria Monte da Vinha) ao Joaquim Arnaud (Charcutaria) e ao Fontainhas Dias (Fotografia). O último agradecimento vai para todos os que gentilmente acederam ao convite para fazerem parte do júri. Para o ano há mais.

30 maio 2019

Soalheiro ALLO 2018


Do produtor dos vinhos Soalheiro (Vinho Verde) sai a nova colheita do ALLO, Alvarinho e Loureiro, cujo preço bem catita se situa perto dos 5€. A relação preço/satisfação é de elogiar uma vez mais, o vinho mostra-se num nível de qualidade a que sempre nos tem acostumado, sem falhas, nariz exuberante e cativador para depois dar uma prova de boca com uma frescura capaz de harmonizar com pratos de peixe ou marisco numa qualquer mesa em dia de mais calor.  90 pts

16 maio 2019

Cistus Reserva 2015


Produzido na Quinta do Vale da Perdiz (Douro) perto de Torre de Moncorvo localizada já no Douro Superior, tem o lote dominado pela Touriga Nacional seguida da Tinta Roriz e da Touriga Franca. Passou 17 meses em barricas. Um vinho com preço a rondar os 10€, intenso e carregado de fruta madura com evidente toque de licor a envolver todo o conjunto, envolvente com notas de chocolate preto e um travo de esteva em flor confere alguma rusticidade no fundo. Na boca é a fruta madura e com compota, doseado na frescura em companhia de alguma austeridade em pano de fundo. Os 15% que apresenta fazem-se notar com o tempo no copo, passando uma rasteira e o vinho fica algo desequilibrado perdendo a boa postura inicial. 89 pts

09 maio 2019

Mamoré de Borba Vinho de Talha branco 2017


A Sovibor (Alentejo) renasceu e rejuvenesceu a sua alma cinquentenária, as suas instalações foram totalmente renovadas e as novidades surgem em cada recanto. A aposta no Vinho de Talha foi total e o resultado é surpreendente pela qualidade que os vinhos desde a primeira colheita apresentaram. Este é a segunda edição do Branco, preço a rondar os 22€, que nasce a partir de vinhedo velho onde brilha a casta Antão Vaz. Um vinho capaz de invocar memórias, conversas e mesmo recordar pessoas que o tempo já levou, um vinho de memória, a mesma memória e história que as talhas onde nasceu transportam dentro de si. Pesgadas com resina de abelha, processo mais dispendioso e menos duradouro mas que não marca tanto o vinho como as antigas pesgagens, muitas vezes a "sequestrarem" os vinhos com aromas e sabores mais vincados e menos apetecíveis. 

Aqui o que encontramos para além da pureza da fruta de caroço já com alguma calda, é a frescura que se esbate em notas de cêra de abelha a dar alguma untuosidade, tangerinas, flores e tisana, ligeiro fumado. Na boca claramente a pedir comida, marcado pela fruta, novamente o toque ceroso, textura muito marcante com frescura e secura no fim a pedir umas iscas ou uns pezinhos de coentrada. 93 pts
 
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