Copo de 3

24 setembro 2018

Murganheira Reserva Bruto 2013


Encaro este espumante, apesar de haver outros da Murganheira, como a porta de entrada para um mundo fantástico que é o dos seus espumantes. Este é o Reserva Bruto, um lote de Malvasia Fina, Cercial e Gouveio com um estágio prolongado que nos chega às mãos com um preço a rondar os 10€ por garrafa. Aroma muito fresco e citrino, bolha fina com muio equilibrio e finesse. Nesta gama é tudo muito mais directo, sem uma grande complexidade mas ao mesmo tempo torna-se tão fácil de gostar, cativa os sentidos e acima de tudo mete um sorriso nos rostos de quem o vai bebendo. Um grande companheiro de início de conversa ou mesmo para acompanhar durante a refeição. 90 pts

21 setembro 2018

Herdade do Rocim Rosé 2017

Interessante verificar que com a passada do tempo os rosés vão perdendo aquele tom ruby que antes os dominava de norte a sul, para agora se transformarem em algo distinto, leve e pleno de elegância. Aquela metamorfose qual lagarta/casulo/borboleta tem dado origem a vinhos rosé de grande qualidade um pouco por todo o lado. Este Herdade do Rocim 2017 criado com Touriga Nacional e apenas passagem por inox, um amigo da mesa e da conversa, fresco e com boa presença, mas acima de tudo sabe ser elegante. Compra-se por menos de 8€ e com mais um ano de garrafa irá certamente ganhar alguma complexidade. 91 pts

11 setembro 2018

Henriques & Henriques Ribeiro Real Reserva


Este vinho da Henriques & Henriques  (Madeira) e o momento que envolveu a sua prova, são a essência do que é o mundo do Vinho da Madeira, algo único, arrebatador e direi mesmo impossível de acontecer em qualquer outra parte do mundo. Perde-se no tempo o registo capaz de nos dizer com precisão a sua idade, embora tudo aponte para a metade do século 19. Proveniente de vinhas pertencentes ao último dos Henriques, João Joaquim Henriques, e que ficam localizadas na zona conhecida pelo Ribeiro Real (Estreito da Camara de Lobos). Os mais de cinquenta anos que passou em Canteiro tornaram-no concentrado, glicérico, deram-lhe um refinadíssimo e profundo bouquet, ao olhar é percetível aquela bonita coroa esverdeada. O resto é um monumento à casta Verdelho, engarrafado em 1957.

Aroma inenso e muito complexo com aroma da madeira velha onde morou, cera de móvel, toques de laranja/toranja cristalizada, iodo, muita frescura e elegância num conjunto profundo e misterioso. Boca em perfeita sintonia, meio seco, saboroso com a concentração a ser compensada pelo arrasto mineral acompanhado por uma acidez que revitaliza o palato, repete o toque de toranja bem no final da boca. Inesquecível. 96 pts

Monsaraz Licoroso Tinto Premium 2015


Uma novidade da CARMIM (Alentejo) este Licoroso Tinto 2015 com lote de Alicante Bouschet (80%) e Aragonez (20%), posteriormente passou 18 meses em barrica até ser engarrafado onde cumpriu 6 meses de repouso. Ronda os 10€ na loja do produtor e apresenta-se numa bonita garrafa de 500 ml, num perfil maduro cheio de fruta silvestre, notas mentoladas, alguma canela, tudo muito bem casado e em grande equilibrio. Surpreende na boca pela frescura que lhe envolve todo o corpo, torneado e guloso, com as notas da Alicante Bouschet a marcaram toda a passagem, longa e muito persistente. Uma verdadeira surpresa e uma tentação que abrilhante qualquer final de refeição. 92 pts

10 setembro 2018

Fiuza Reserva Sauvignon Blanc 2017


De terras Ribatejanas chega este relançado Fiuza agora sob a designação de Reserva, na versão tinto com Alicante Bouschet e branco onde desponta a casta Sauvignon Blanc. Neste caso o branco, bem peculiar na sua criação onde 10% do lote pertence à anterior colheita com estágio de 6 meses em barrica, os restantes 90% são da actual colheita com passagem por inox, num preço final a rondar os 8€ por garrafa. Não é aquele exemplar estupendo e que serve de montra para a casta, importa que estamos perante um branco fresco e de aromas limpos, com sentimento de ligeira untuosidade no nariz tipo creme de limão, contrastando com a suavidade da barrica e o lado espevitado mais vegetal. Algum corpo com um ligeiro nervo num largo e persistente final. Asseguradamente um dos melhores brancos que provei da Fiuza. 89 pts

05 setembro 2018

Casal Garcia Sweet


De realçar a cuidada apresentação da caixa, de resto vinho é apresentado e passo a citar: " Descontraído, refrescante e fácil de beber, Casal Garcia Sweet desafia-nos a tirar partido da sua originalidade servindo-o bem fresco com duas pedras de gelo e uma folha de hortelã. Um cocktail vínico original e de fácil preparação para os meses mais quentes de Verão."

É daqueles vinhos prontos para a festa, o público feminino então está mais que conquistado. Abre-se uma garrafa e enquanto houver vinho a conversa e a boa disposição durante o jantar estão garantidas. Não disfarça que é Verde, tem um ligeiro "pico" gasoso que se funde com uma charmosa acidez e aquela pontinha de gulodice que os 70 gramas de açúcar residual lhe conferem. Custa coisa de 3,99€ em superfície comercial e é asseguradamente um doce e fresco animador de festas.

30 agosto 2018

DSF Verdelho 2017


Um daqueles brancos que se vai num piscar de olhos com uma mesa repleta de petiscos variados, servido fresco em ambiente descontraido. Um Verdelho com alguma garra, que se mostra maduro e bem fresco, vincado nos sabores mas com grande equilibrio e um final longo e vegetal. Esse mesmo tom vegetal fresco a lembrar a rama de tomate que parece ter desaparecido de grande parte dos vinhos, conseguimos encontrar aqui. Provavelmente a melhor edição até à data, com um preço que ronda os 10€ na loja do produtor José Maria da Fonseca. 90 pts

29 agosto 2018

Friedrich Wilhelm Gymnasium Riesling Trocken 2017

Um daqueles vinhos que nos acaba por saltar para a mão porque no Aldi a promoção já tinha terminado, como é normal o tuga não bebe vinho que nem sabe dizer o nome, por isso acaba por ficar ali um amontoado de garrafas ignoradas. Resultado da brincadeira, as que havia ficaram a coisa de 1,89€ cada garrafa, um escandalo que não dá para pagar a uva mais a garrafa e mais o transporte. Vem do Friedrich Wilhelm Gymnasium e deve ser o genérico da casa, sendo aquilo que se procura num Riesling e é aquilo que se paga para ter no copo, um Riesling que sabe e cheira ao que é e sem merdices pelo meio. É seco, tenso, não é daqueles de se ficar de joelhos mas cumpre bde forma satisfatória com um final daqueles austeros que repuxa a língua com aquela austeridade mineral que tem e alguns dizem ser pura invenção de quem prova. No rescaldo são 11,5% Vol. com uma rosca que equiparo a maneira como abre à maneira como se esvazia a garrafa ao jantar a acompanhar uma massada de corvina, fácil. 88 pts

28 agosto 2018

Marquês de Borba Vinhas Velhas branco 2017


É a novidade mais recente de João Portugal Ramos pelas terras de Estremoz (Alentejo) este Marquês de Borba Vinhas Velhas tinto e branco. Neste caso o branco que leva Arinto, Antão Vaz, Alvarinho e Roupeiro num estágio de 8 meses em barricas para acondicionar tudo muito bem. E não falha, aliás nunca falha seja qual for o vinho que dali saia. O rigor, a frescura aliada a uma harmonia que se funde com um toque de gulodice dada pela baunilha da madeira, aquele fundo de fruta bem suculenta e ácida que nos deixa a xuxar na lingua. Por momentos divago e penso se este é assim como será se alguma vez tivermos um Marquês de Borba Reserva branco ? Por enquanto vou-me regalando com este belo branco com preço a rondar os 13€. 91 pts

16 agosto 2018

Quinta dos Roques Cerceal branco 2017


Daqueles brancos que começa calmo e muito sereno, sempre num tom fino e muito delicado, mas vivo e cheio de frescura. Não anda a encher o copo de perfumes desconcertantes, alinha pelo diapasão da elegância, frescura e precisão de aromas e sabores. O domínio citrino espalha-se com algum vegetal fresco, fundo mineral, coeso e de rasto persistente. 12€ 90 pts

12 agosto 2018

Quinta da Aveleda Alvarinho 2017


Um Alvarinho da Quinta da Aveleda que se apresenta bem harmonioso, talvez demasiadamente harmonioso e aveludado, que faz com que a casta perca energia e fique mais parada do que o costume. O preço ronda os 5€ para um vinho de fácil agrado, tem tudo para se gostar dele, frescura, fruta no ponto, perde-se depois naquela falta de energia e presença que o faria agitar um pouco mais os sentidos. 89 pts

11 agosto 2018

Justino’s Malmsey 1933


O que torna únicos os Vinhos da Madeira é a maneira como a longevidade coabita com uma complexidade/frescura difícil de encontrar noutro local. Sente-se pelo perfil da casta que o resultado é mais guloso que os vinhos das outras castas da Madeira. Grande complexidade com notas de caramelo de leite, passas de figo, laca, frutos secos, elegância entre conjunto e aquela acidez necessária que lhe dá enorme vida, café moído, caixa de charutos, especiarias, tudo muito bem pronunciado numa perfeita harmonia entre nariz e boca. Palato com passagem fresca, arredondado com aquela pontinha doce no final que o torna pecaminoso. 95 pts
 
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