Copo de 3: 2007
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26 janeiro 2019

Quinta da Sequeira Grande Reserva 2007


Oriundo do Douro Superior, este Grande Reserva da Quinta da Sequeira (Vila Nova de Foz Côa) em Magnum, brilhou alto para deleite de todos os presentes à mesa. Nascido de um lote de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Amarela e Tinta Barroca, passou 24 meses de clausura em barricas novas de carvalho francês. O tempo que passou por ele só lhe fez bem, num vinho que quando saiu para o mercado era um verdadeiro colosso indomável, agora temos um tinto adulto e com tudo plenamente integrado e bem afinado. Amplo, rico e complexo, com aromas de fruta macerada bem fresca, ligeira ginja com licor, chocolate preto, aquele travo de esteva mais balsâmico que o envolve. Saboroso e amplo no palato, a marcar a passada a fruta repleta de sabor, num final médio/longo com muito prazer. 93 pts

10 dezembro 2018

Ansgar Clüsserath Trittenheim Apotheke Riesling Beerenauslese 2007


Desde a sua fundação em 1670 que o produtor Ansgar Clüsserath (Alemanha) localizado em Trittenheim (Mosel) é gerido pela mesma família. Nos dias de hoje é Eva Clüsserath-Wittmann, que com o seu pai, toma conta dos destinos desta secular casa. Pode-se dizer que o Riesling está enraizado na alma destas pessoas, tal como o marido de Eva, o produtor Philip Wittmann. Beerenauslese (BA) indica um vinho de colheita tardia onde as uvas foram escolhidas criteriosamente para a sua elaboração, o que quase sempre implica o custo elevado deste tipo de vinhos, este rondará a casa dos 60€.

Um vinho de sobremesa, delicado, harmonioso e conquistador. Mostra ligeiramente o toque da botrytis que se mistura com os tons mais melados e de fruta amarela madura em calda, gengibre fresco ralado, profundo e cativante. Na boca mostra-se com uma bela concentração num balanço com a frescura  a dar vida ao final de boca. Com os 11 anos de vida talvez tenha perdido uma ponta de frescura e de definição, ganhou na complexidade e é puro prazer no copo, quando damos conta já acabou. 95 pts

10 janeiro 2018

Quinta do Noval 2007


O primeiro lançamento deste Quinta do Noval nasceu com a colheita de 2004, este 2007 é a terceira e nasce de um blend de Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinto Cão das mesmas vinhas que dão origem aos afamados Portos. Por ele já passou uma década, foram 10 anos de repouso no escuro da garrafeira, o vinho mostra-se com um bouquet fantástico, afinado, fresco e a invocar um Douro magestoso e de excelência. Preciso e de aromas bem frescos, muita fruta escura com cereja, amora e mirtilo a darem o mote de entrada para os aromas de ervas de cheiro, balsâmico, pimenta rosa, chocolate preto, tabaco seco num fundo terroso/mineral. Grande afirmação de um conjunto amparado por uma belíssima frescura que lhe dá vida na boca, elegância e força com tudo novamente muito bem definido, desfile da fruta madura e suculenta, apimentado e terroso, com final de boa memória. Um belíssimo vinho que está para durar. 95 pts

09 novembro 2017

Dalva Porto Colheita Branco 2007

A C. Da Silva é uma casa de forte tradição no Vinho do Porto, fundada em 1862, bem conhecida pelos seus fantásticos Golden White de 1952, 1963 e 1971. Em prova temos o Colheita White 2007 que será, daqui por uns largos anos em cascos, lançado na série Golden White. Por enquanto podemos deliciar-nos com esta versão mais jovem de aroma elegante e que mistura citrinos cristalizados e geleia dos mesmos, alperce, algum fruto seco a conferir untuosidade ao conjunto com fundo fresco e doce. É um vinho fantástico, o preço ronda os 25€, indicado para abrilhantar o final de uma refeição e também, uma entrada com o pé direio para quem desconhece este tipo de vinho. 93 pts

14 maio 2017

Quinta da Bica Vinhas Velhas 2007


Só produzido em anos especiais, este Quinta da Bica Vinhas Velhas nasce de uma vinha com cerca de 50 anos com várias castas misturadas, onde se destaca a Touriga Naciona, Baga, Alvarelhão, Jaen e Rufete. Antes de ser colocado no mercado por coisa que ronda os 10€, tem direito a um estágio que ronda os 5 anos. Grande elegância num vinho já em fase adulta que a caminho dos 10 anos, rejubila na sua elegância com perfil clássico em grande destaque. Frescura, fruta ácida com bagas bem suculentas, leve caruma de fundo, bosque, bouquet com muita finesse e longo final. Num grande momento de forma, é um digno exemplar da região onde nasceu. 92 pts

26 abril 2017

Dönnhoff Niederhäuser Hermannshöhle Riesling Spätlese 2008


O produtor Hermann Dönnhoff (Alemanha) é considerado um dos melhores produtores não só da região do Nahe, como de toda a Alemanha. Este vinho nasce de uma vinha chamada Hermannshöhle (A caverna de Hermes),  uma das mais famosas e aclamadas vinhas da região. A vinha com mais de 60 anos é classificada como Grosse Lage (Grand Cru) e vai buscar o nome Höhle que significa gruta, por causa de uma mina situada na vinha, enquanto Hermann deriva de Hermes, o deus dos mensageiros e viajantes. Os solos são de origem vulcânica com presença de rochas ígneas, proporcionando uma atractiva mineralidade aos vinhos. Neste caso o vinho que apenas passa por inox, é marcado pela mineralidade com uma acidez perfeitamente integrada e que nos deixa rendidos aos encantos do seu perfil ligeiro e ao mesmo tempo concentrado. Muito citrino em calda, maracujá, maçã, fundo com algum fruto seco e o toque apetrolado. Tem brilho próprio na pureza de aromas e de sabores, preciso, intenso e ao mesmo tempo acetinado, palato com ligeira untuosidade onde surge um muito ligeiro toque doce. Daqueles vinhos que se torna mais fácil beber do que descrever, porque o prazer esse é do caraças. 94 pts

29 março 2017

Barzen Auslese Feinherb "Edition Alte Reben" 2007


Desafiante é a palavra que melhor descreve este Riesling proveniente de vinhas centenárias plantadas em 1886 na região de Mosel. Num estilo semi-seco é um jogo do gato e do rato entre secura e ponta de doçura da fruta muito limpa e bem madura em tons de nêspera e pêssego de roer. O fundo é seco, em tom mineral com frescura e uma ponta de ligeira untuosidade. Boca a condizer, calmo, sereno com muita elegância e os sabores a desfilarem de pantufas. Num estilo que não cansa e acompanha bem tanto entradas como pisca o olho a pratos de cariz mais oriental, preço a rondar os 20€ em garrafeira online. 90 pts

25 março 2017

Quinta das Marias Reserva Cuvée TT 2007


Era uma vez um vinho que foi provado na altura do seu lançamento e que me agradou o suficiente para ter guardado algumas garrafas. A última foi esta, passou uma década e achei que seria oportuno ver como estaria de saúde este blend de Touriga Nacional e Tinta Roriz. Do interesse e sorriso que despertou mal caiu no copo, o tempo que veio a seguir apenas o ajudou a desconjuntar, por entre a fruta e os toques florais e frescos com leve balsâmicos vem um beliscão do álcool pouco ou nada prazenteiro. Baralhamos e voltamos a dar, confuso, sem saber por onde andar, os aromas parecem que vão tropeçando uns nos outros, melhor na prova de boca onde se mostra mais assertivo. Foi encostado junto de outros tantos, no final da noite ainda fui ver como estava mas já tinha partido. 88 pts

18 novembro 2016

Antonino Izquierdo Vendimia Seleccionada 2007


Mais um que aguardava serenamente a altura de brilhar à mesa, desta vez com uns pasteis de massa tenra foi a vez deste tinto nascido na Ribera del Duero e criado pelas Bodegas Izquierdo. As vinhas com mais de 40 anos, são 100% Tempranillo e alimentam as duas referências que são criados nesta adega, a filosofia assenta na Biodinâmica. Foram cerca de 10.000 garrafas desta colheita de 2007, um tinto que é criado sem pressas, dono e uma enorme elegância onde a fruta madura, muitos frutos silvestres bem ácidos a marcar a passada de todo o conjunto. Pelo meio juntam-se toques de licor, alcaçuz, especiarias e ligeiro balsâmico, tudo envolvo num tom cremoso com cacau e baunilha. Lado a lado com um Rioja, sente-se a diferença para este Ribera del Duero cujo preço ronda os 30€. É sempre bom saber que a identidade da região está patente num vinho cheio de detalhes, dominado por uma elegância em que alia a acidez da fruta, com um excelente trabalho de barrica que o envolve de forma subtil. 94 pts 

07 novembro 2016

Reichsgraf von Kesselstatt Scharzhofberger Riesling Kabinett 2007

Compramos, guardamos e ficamos à espera de uma ocasião especial em que quase sempre o vinho afinou no tempo as  arestas mais espigadas. Este não foge à regra e é daqueles que deviam morar em todas as garrafeiras dos apreciadores de bom vinho. Vem da Alemanha este Riesling com preço a rondar os 17€ a garrafa, mais propriamente do produtor Reichsgraf von Kesselstatt, um dos grandes lá do sítio. Um vinho oriundo de uma vinha mítica, Scharzhofberg, situada numa encosta bem íngreme (inclinação a rondar os 35-60%) e fresca, cujos 6,6 ha são divididos por outros tantos produtores sendo este um dos que mais área detém.

É pois aquilo a que se pode chamar um Kabinett de compêndio, a mostrar aromas delicados, muito focado numa fruta fresca e bem madura (pêra e alperce em calda), ligeiro apontamento mineral em pano de fundo. Grande elegância de conjunto que apetece cheirar uma e outra vez, mostrando um misterioso lado mineral segundo plano. Todo ele muito harmonioso na boca, combina a bela acidez com o notável equilíbrio entre componentes doçura/acidez/fruta. Termina longo e com boa persistência. 92 pts

22 março 2016

Tinto da Talha Grande Escolha 2003 a 2010



Desta vez rumo à vila de Redondo, mais propriamente à Roquevale que fica na estrada para Estremoz entre Redondo e a Serra D´Ossa. A empresa possui duas herdades num total de 185 hectares, a Herdade da Madeira Nova de Cima vocacionada para a produção de tintos onde despontam os solos de xisto e a Herdade do Monte Branco com solos de origem granítica mais vocacionada para a produção de brancos, onde está sediada a adega. A empresa que hoje se assume como a segunda maior empresa privada do Alentejo, a produção ronda os 3 milhões de litros por ano e é liderada pela enóloga Joana Roque do Vale.

O mundo do vinho e Joana Roque do Vale sempre andaram de mão dada, desde a infância em Torres Vedras onde os seus bisavôs eram produtores. Após a revolução de Abril o pai de Joana, Carlos Roque do Vale decide mudar-se para a vila de Redondo para tomar conta das duas herdades do sogro (que em 1970 já tinha iniciado a plantação de vinha na zona de Redondo). A Roquevale iria nascer em 1983 de uma sociedade entre Carlos Roque do Vale e o seu sogro. O caminho de Joana estava traçado, o mundo do vinho era a sua segunda casa, daí até fazer o seu estágio curricular na Herdade do Esporão foi um ápice. Aprendeu com os melhores, como coordenador de estágio teve o engenheiro Francisco Colaço do Rosário e o enólogo Luís Duarte que já na altura era também consultor da Roquevale. Terminado o curso começou a trabalhar na empresa da família onde iria assumir pouco tempo depois a enologia da empresa.

Um produtor com marcas bem conhecidas dos consumidores onde se destacam nomes como Terras de Xisto, Tinto da Talha ou Redondo. O vinho agora em destaque foi durante largos anos considerado como o topo de gama da empresa, o Tinto da Talha Grande Escolha que nos mostra as duas melhores castas de cada colheita. A prova em formato vertical começou com o 2003 e foi até ao 2010, mostrando em todas as colheitas um vinho que encarou com naturalidade a passagem do tempo, sem sinais de desgaste ou velhice acentuada. Sempre com direito a passagem por barricas novas, durante as primeiras colheitas destaca-se a assídua presença da Touriga Nacional que ia intercalando com Aragones ou Syrah, daria lugar depois à Alicante Bouschet que combina com Syrah ou Aragones sendo 2009 o único que junta Touriga Nacional com Alicante Bouschet.



O que mais gostei foi o 2010 Aragonês/Touriga Nacional que mostra uma dupla em perfeita harmonia num conjunto cheio de vida com muita fruta madura, algum vegetal presente, tudo em perfeita harmonia. Amplo, guloso, exuberante com ponta de rusticidade, num bom registo fiel à região e a pedir comida por perto. Muito bom está o Aragonês/Alicante Bouschet 2008 que mostra um conjunto cheio e guloso, cacau, fruta sumarenta com pingo de doçura, tudo balanceado e fresco, bálsamo de segundo plano com muito sabor no palato, equilibrado e com taninos a marcarem ligeiramente o final. Seguido bem de perto pelo 2003 junta Touriga Nacional/Aragonês que sendo a primeira colheita mostrou-se em muito boa forma a juntar a uma fruta vermelha ainda madura uma bonita frescura de conjunto com bálsamo fino, couro, especiarias, tudo em corpo médio ainda com energia e final longo. O Tinto da Talha Grande Escolha 2009 junta Touriga Nacional/Alicante Bouschet, inicio com vegetal fresco e fruta madura e de apontamento mais doce, de início algum químico, tudo muito novo cheio de garra e bastante sabor, boa frescura mas final um pouco mais curto do que se esperava.

O Aragonês/Syrah 2007 é de todos aquele que menos conversa, cerrado com aroma químico de início, cacau, pimenta, fruta envolta em geleia, frescura a envolver tudo com boca saborosa, rebuçado de morango em fundo com balsâmico num conjunto bem estruturado com bom suporte e persistência. Um vinho com muito ainda para dar e que certamente está em fase de arrumações. Da colheita 2004 Syrah com Touriga Nacional saiu um tinto com fruta vigorosa, muita pimenta com chocolate de leite, arredondado e coeso, ligeiro vegetal de fundo. Mostra a fruta bem limpa e saborosa, cereja ácida, amora, bom de se gostar. Para o fim ficaram as colheitas 2005 Touriga Nacional/Aragonês que se mostrou de todos o vinho mais aberto e espaçado, tímido mas a mostrar o cunho Roquevale bem patente. Muito melhor na prova de boca, que se fosse de igual gabarito no nariz, seria um caso muito sério. Por fim o que menos gostei, o Syrah/Touriga Nacional 2006 que despejou no copo aromas químicos com vegetal acentuado, num conjunto agreste, muita nota fumada, rusticidade a fazer-se sentir. Ligeira frescura na boca com alguma fruta em corpo mediano e sem ter a mesma prestação que os outros irmãos de armas.

04 julho 2015

Quinta do Portal Late Harvest 2007

Foi o primeiro a ser produzido na Quinta do Portal (Douro) e é até à data o melhor de todos, o tempo serenou-lhe os ânimos e catapultou esta colheita tardia para um caso muito sério. Não se consegue ficar indiferente ao ouro líquido que nos escorre para o copo quando o servimos, depois é um turbilhão de sensações com a frescura a envolver uma sensual gulodice. Perfumado com notas de casca de laranja cristalizada, frutos amarelos com alperce em destaque e com fundo infusão de ervas. Invade o palato numa onda de untuosidade com o toque de doçura suficiente, nem mais nem menos, muito elegante e com um longo final de boca. A servir fresco e a deixar-se render aos seus encantos, o complicado vai ser conseguir arranjar este 2007 a não ser que tenha a sorte de ter alguma perdida no fundo do armário. 93 pts

25 abril 2015

Quinta de Val da Figueira Vintage 2007


Quando no final de um almoço me foi colocado à frente um Porto Vintage 2007 da Quinta de Val da Figueira, eu sinceramente desconhecia o nome do produtor, mas a alegria e o sorriso foi imediato após o primeiro sorvo. Como curiosidade no Douro uma Figueira é sinal que existe perto um curso de água.

A Quinta em causa não é recente, a sua história estende-se a 1759, com a Quinta localizada na margem direita do rio Douro ali bem perto do Pinhão. A propriedade figura no famoso mapa do Barão de Forrester, ganhando nova vida nos anos de 1878/1979 com a plantação de vinhedo após a devastação da filoxera, contando na atualidade com um total de 16 hectares onde a principal área de vinha a encontrar-se na família dos atuais proprietários há três gerações e algumas vinhas adjacentes há cinco gerações. A produção anual ronda as 110 pipas com os vinhos a serem vinificados em lagares de granito com pisa a pé.

Um Vintage 2007 servido pelo seu proprietário João Cálem Hoelzer, que desde os anos 90 tomou as rédeas da Quinta de Val da Figueira dando seguimento ao trabalho do seu Pai, Alfredo E. Cálem Hoelzer e de seu Avô, Alfredo Leopoldo Holzer que adquiriu a Quinta em 1930. Os vinhos na altura eram vendidos para a Cálem mas nos dias de hoje são vendidos para a Symington ficando apenas uma pequena parte que é rotulado como Quinta de Val da Figueira. Cheio de classe e sem aquela amálgama excessiva e chata de frutos do bosque em compota, tinha a essencial frescura mas não enjoava, antes pelo contrário. A finesse que mostra ter cativa a que se beba mais um pouco, a conversa ia-se desenrolando, o vinho com o tempo ganhou complexidade, abriu as portas a outros encantos, a sobremesa tinha chegado e este Vintage estava a saber tão bem que já não lhe tirei mais a vista de cima. 93 pts

20 abril 2015

Nossa branco 2007

A inexistência de uma fotografia no formato habitual do Nossa branco 2007 apenas vem mostrar a raridade do vinho, a produção foi muito reduzida e as poucas vezes que foi "documentado" nas mais variadas redes sociais. Na realidade este vinho faz parte do período mais "experimental" de Filipa Pato ou aquela altura onde ainda se estava a ensaiar o que mais tarde se veio a afirmar como marca. Portanto o Nossa 2007 branco foi o primeiro, um vinho feito com as castas preferidas tanto de Filipa como do seu marido William, a Encruzado (Dão) e a Bical (Bairrada). 

A atravessar um grande momento, precisa do seu tempo para desenvolver toda a complexidade e dentro da sua "estranheza" conquista pela profundidade e identidade muito própria. Na riqueza da fruta, citrinos e pêssego, junta caruma de pinheiro, cera de abelha e um fundo bastante mineral, ao mesmo tempo mostra uma sensação de untuosidade que envolve todo o conjunto. Bem fresco na boca, sem ser pesado mostra nervo e a fruta bastante madura, rebuçado de limão, untuosidade em final longo. As duas castas dançam de forma harmoniosa, com muito bom perfume e uma capacidade invejável para brilhar à mesa... como foi o caso com um fantástico Arroz de Sapateira. 93 pts

18 fevereiro 2015

Quinta da Vegia Superior 2007

Estamos perante um dos grandes vinhos de Portugal, nascido no Dão pelas mãos da Quinta da Vegia onde o produtor João Pedro Araújo notou que na colheita de 2007 um lote se mostrava de forma Superior aos restantes, o vinho foi ficando "esquecido" até chegar a altura de ser colocado no mercado. Um vinho emocionante com preço que ronda os 40€ e que conseguiu captar o que de melhor a região tem para dar. Diga-se de passagem que era o vinho que faltava à Quinta da Vegia, exemplar de pura elegância, pejado de charme e complexidade com centro cheio de frutos do bosque, muitas bagas, tudo muito sumarento e com uma frescura deliciosa, leve toque de geleia e flores, todo o ambiente característico dos grandes vinhos do Dão, desde o mato rasteiro ao toque de caruma, um vinho que nos envolve e nos deixa a pedir mais e mais. Não perdoa, reina à mesa como só os grandes sabem fazer, neste caso foi um pernil de borrego no forno que o acompanhou, foi beber e chorar por mais. 96 pts

13 janeiro 2015

Júlio B. Bastos Garrafeira Alicante Bouschet 2007


Ainda por terras de Estremoz, saindo da Quinta do Mouro viro à esquerda e rumo em direção a Monforte, um pouco antes da zona dos Supermercados na saída de Estremoz viro à esquerda na placa que indica Agroturismo. Um pouco mais à minha frente fica a Quinta Dona Maria, que segundo conta a história foi adquirida em tempos por D.João V para oferecer a uma cortesã, Dona Maria, por quem estava perdidamente apaixonado. Esta Quinta é também conhecida como Quinta do Carmo, pois numa época posterior à edificação da casa, construiu-se uma capela datada de 1752, que foi dedicada e consagrada a Nossa Senhora do Carmo. O vinho foi sempre parte integrante da Quinta, juntamente com os seus imponentes lagares de mármore, mas seria apenas nos anos 80 com enologia de João Portugal Ramos que Júlio Bastos, o atual proprietário, iria começar a comercializar os seus vinhos, com destaque para os fantásticos Garrafeira Quinta do Carmo 1985, 1986 e 1987, onde despontava a casta Alicante Bouschet. A ligação desta casta à Quinta Dona Maria surge com um dos seus antigos proprietários, John Reynolds (Herdade do Mouchão) casado com Isabel d´Andrade Bastos.

Os anos passaram e após a venda da marca Quinta do Carmo ao grupo Bacalhoa, Júlio Bastos decidiu relançar em 2003 os vinhos com o nome Quinta Dona Maria. Recuperou o vinhedo mais antigo de Alicante Bouschet e na colheita de 2004, com enologia de Sandra Gonçalves, decidiu homenagear o seu pai, Júlio Bandeira Bastos com o lançamento do primeiro Garrafeira Dona Maria.


Júlio B. Bastos Garrafeira Alicante Bouschet 2007 é o resultado da escolha das melhores uvas das vinhas velhas (50 anos) de Alicante Bouschet, pisadas em lagares de mármore e posteriormente estagiado em barricas novas de carvalho francês durante 14 meses.Um portento de vida e classe, liquorice, tinta da china, denso e profundo com enorme frescura e definição, envolvente com uma complexidade invejável num vinho que apesar dos seus 7 anos ainda está muito novo. A fruta silvestre muito madura, limpa, envolta numa capa de notas balsâmicas, onde a barrica integrada aconchega um conjunto de luxo de traço Alentejano. Boca a condizer, sente-se um conjunto firme, intenso e ao mesmo tempo harmonioso, profundo e conquistador num final muito longo. Um hino à região e ao passado glorioso desta casa. 96 pts

28 dezembro 2014

Quinta da Pellada Primus 2007

Ando farto de provar vinhos demasiadamente novos, daqueles que alguém sempre diz "isto precisava de mais uns anos em garrafa" mas que por motivo das pressas acabamos por ver o dito aberto e a cair nos copos. Este Primus surge com sete anos de vida, a mostrar mais uma vez que com tempo tudo muda e neste caso para melhor. O aperto inicial que mostrava deu largas a uma complexidade bonita e muito cativante, as castas são a Encruzado e mais umas quantas que moram nas vinhas velhas que estão ao cuidado do produtor Álvaro de Castro (Quinta da Pellada) sediado no Dão. 

O vinho tem brilho próprio, ainda que uns furos abaixo de colheitas mais recentes como 2009 ou 2011, aqui já com o tempo a mostrar os seu caprichos, num bouquet refastelado com notas de cera de abelha, mineralidade, melão, flores, barrica muito ténue com ligeiro melado pelo meio, tudo muito harmonioso e sem desequilíbrios. Na boca debita uma enorme prestação, saboroso, mineralidade que o coloca algo tenso num final com frescura que revitaliza o palato, ligeiramente frutado, longo e a dar uma prova de grande categoria neste momento. Acompanhado por Bacalhau com Migas de broa e grelos. 93 pts

17 novembro 2013

Termeão Pássaro Branco 2007

Rezam as lendas contadas por alguns aventureiros que lá por detrás das montanhas mora uma terra que dá vinhos de sonho, por lá tudo será maravilhoso e muitos nunca mais de lá saíram tamanho o feitiço e poder das terras de Pinot e Chardonnay. Não fará muito tempo que tive oportunidade de provar alguns tintos de lá oriundos, vinhos que as pessoas à minha frente se acotovelavam para levar um simples gole à boca, naquele primeiro lote de frascos poucos foram os que me enfeitiçaram... corro o risco de afirmar que este Termeão da Campolargo (Bairrada), um lote bem nacional composto por Touriga Nacional e Castelão, se mostra bem melhor que alguns daqueles básicos Borgonheses. O tempo que leva de garrafa fez-lhe maravilhas e transformou o vinho num misto de elegância, frescura, perfume e prazer, com uma fruta em leve toque doce e muito limpa. Custou face ao que mostra a bagatela de 6€ numa grande superfície, 91 pts

10 outubro 2013

Maximin Grünhauser Herrenberg Riesling Kabinett 2007

Não me canso de falar sobre aquilo que gosto, não é a primeira vez nem sequer a última que elogio os vinhos Maximin Grünhauser, propriedade da família Von Schubert (Mosel). Em regime de monopólio, os 19 ha da parcela Herrenberg dominada pela ardósia vermelha dão origem a vinhos mais suaves, fruta mais presente e redonda com acidez menos presente do que os vinhos mais austeros e minerais nascidos na parcela vizinha de nome Abtsberg. Vinhos onde o rendilhado de aromas parece fruto da mais alta costura, nada parece falhar e dão sempre um gozo tremendo a quem os bebe, feitos para apreciar e sorrir, ganhando complexidade e refinando aromas e sabores na passada do tempo são vinhos assim que uma vez provados e conhecidos se torna complicado não querer voltar a ter nova experiência.

Belíssima envolvente de conjunto, na sua tonalidade de limão maduro, mostra ao início aquele toque de borracha nova de pneus, rodopiando dá lugar a fruta roliça e cheirosa. Sempre muito elegante, delicado na mineralidade, tudo aqui mais airoso e menos austero que o Atsberg, fruta de caroço (pêssego, damasco) madura e sumarenta que se mistura com citrinos (limão), pelo meio uma sensação de calda de fruta. A mesma calda suave está presente na boca, misturando-se com boa dose de frescura, corpo muito elegante e ao mesmo tempo com elevada persistência. Um vinho que desaparece rapidamente da garrafa, perfeito para final de refeição com uma sobremesa delicada à base de fruta. 92 pts

11 setembro 2013

Domaine des Baumard "Clos Ste.-Catherine" 2007

Esta é uma paixão antiga, daqueles vinhos que nos deixam um sorriso que se partilha com aqueles que mais se gosta de ter ao lado, Baumard é para mim sinónimo de génio do vinho e um dos melhores produtores do mundo no que a brancos diz respeito. Independentemente de toda a conversa que façam à volta do tema são estes vinhos que me dão um prazer imenso, é no Loire que encontro os brancos que melhor se encaixam no perfil de vinho que gosto e também para o tipo de cozinha que costumo fazer em casa. Tudo isto serve para confrontar a ideia de que os melhores vinhos do Mundo não são os definidos pelo gosto de outra pessoa, os melhores do mundo são aqueles que nós gostamos e o Loire é um dos recreios que gosto de frequentar.

Um desses produtores que não me farto de recomendar a todos os meus amigos, é o Domaine des Baumard, que fica situado a norte da appellation Coteaux du Layon, perto de Quart de Chaume. Criado em 1634, altura em que se plantaram as primeiras vinhas pelos antepassados de Florent Baumard (actual proprietário), foi apenas em 1955 que Jean Baumard toma conta do Domaine, adquire parcelas na appelation de Quarts de Chaume em 1957, e Savennières em 1968. Desde essa altura que se tem vindo a notabilizar como produtor, até que em 1990 é o seu filho Florent Baumard que toma controlo do Domaine, elevando ainda mais a qualidade e o reconhecimento dos vinhos ali produzidos. É um dos aclamados mestres da casta Chenin Blanc, e um dos mais reputados produtores do Loire e de França, com destaque mais que justo para os seus vinhos e a qualidade que imprime quer a nível de terroir quer a nível de qualidade em todas as gamas. O destaque vai obrigatoriamente para os brancos secos e doces, desde as appellations de Savennières, Coteaux du Layon e Quarts de Chaume, onde contrariamente a outros, nenhum branco tem passagem por madeira. Em Coteaux du Layons temos o Clos de Ste Catherine e o Cuvée Le Paon. Enquanto o primeiro provem de uma vinha de solos arenosos o segundo é fruto de uma selecção de uvas atingidas por podridão nobre e apenas é feito nos melhores anos. Como topo de gama temos o Quarts de Chaume, da melhor vinha do produtor.

Este Catherine é um vinho com uma belíssima acidez que se combina com uma fina capa de mel e limão. Sensualidade a rodos, sente-se mineralidade, tudo muito detalhado com alta definição nos aromas, alperce, maçã, toque de botrytis, tília. Na boca todo ele é classe, delicadeza, um rigor e precisão aqui e ali, acidez muito presente a contrabalançar a suave sensação de doçura, arredondado com passagem levemente adocicada o suficiente para se tornar pecaminosa em final muito longo e persistente. O preço ronda os 32€ por garrafa, não sendo barato vale cada cêntimo. 94 pts 
 
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