Copo de 3: Quinta do Noval
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10 janeiro 2018

Quinta do Noval 2007


O primeiro lançamento deste Quinta do Noval nasceu com a colheita de 2004, este 2007 é a terceira e nasce de um blend de Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinto Cão das mesmas vinhas que dão origem aos afamados Portos. Por ele já passou uma década, foram 10 anos de repouso no escuro da garrafeira, o vinho mostra-se com um bouquet fantástico, afinado, fresco e a invocar um Douro magestoso e de excelência. Preciso e de aromas bem frescos, muita fruta escura com cereja, amora e mirtilo a darem o mote de entrada para os aromas de ervas de cheiro, balsâmico, pimenta rosa, chocolate preto, tabaco seco num fundo terroso/mineral. Grande afirmação de um conjunto amparado por uma belíssima frescura que lhe dá vida na boca, elegância e força com tudo novamente muito bem definido, desfile da fruta madura e suculenta, apimentado e terroso, com final de boa memória. Um belíssimo vinho que está para durar. 95 pts

19 novembro 2017

Quinta do Noval Colheita 1937


O ano de 1937 foi marcado pela coroação do Rei George VI de Inglaterra, data em que a ponte Golden Gate (São Francisco) foi também inaugurada e J. R. R. Tolkien publica 'The Hobbit'. Apenas um vinho como este Quinta da Noval Colheita 1937 poderia estar à altura de tamanhos acontecimentos. Estrondoso tawny velho a mostrar uma fantástica complexidade, fruto seco, grande definição, especiarias, marmelada, caixa de tabaco e madeira velha. Palato luxuoso, com uma belíssima acidez. Tudo muito equilibrado com camadas de sabor que nos guiam num final interminável e sedutor. 97 pts

05 junho 2014

Quinta do Noval - Colheitas de sonho


A Quinta do Noval é uma das grandes casas de Vinho do Porto, que não só produz o mais famoso Vinho do Porto Vintage, o lendário "Nacional", como é também a única casa cujos vinhos de topo são exclusivamente single vineyard (i.e., "Quinta"). A história da Quinta do Noval remonta a 1715, altura em que o seu nome surge pela primeira vez nos registos. A área total de cento e quarenta e cinco hectares, que domina o Vale do Pinhão (Cima Corgo), constitui a essência e a alma da Quinta do Noval. Em 1894 (após a devastação causada pela filoxera) a Quinta foi comprada pelo ilustre comerciante António José da Silva. Da Silva deu uma nova vida à Quinta do Noval, com a replantação dos cento e quarenta e cinco hectares de vinha (classificada com letra A), com porta-enxertos americanos. Em 1925, uma muito pequena parte de vinha no coração da Noval (dois hectares) foi selecionada para a tentativa de manter a vinha indígena Portuguesa em porta-enxerto Português (Nacional) como um experimento. O primeiro vinho a ser produzido e vendido resultante destas jovens vinhas foi o Quinta do Noval Nacional Vintage 1931, considerado o mais sensacional Porto do século XX.

O trabalho de António José da Silva foi continuado pelo seu genro, Luiz Vasconcelos Porto, que geriu a empresa durante 30 anos, tendo-se aposentado em 1963. Autor de um vasto programa de inovações, transformou os antigos socalcos estreitos em socalcos mais largos, característica distintiva da Noval, com as suas escadas caiadas de branco.
O estêncil nas garrafas foi pela primeira vez introduzido pela Noval em 1920, tendo sido também pioneira no conceito de Tawnies com indicação de idade (10, 20 e 40 anos) e a primeira casa a lançar um late-bottled vintage: 1954 Quinta do Noval LBV.

Em anos excecionais, determinados lotes de vinho com grande potencial de envelhecimento são postos de lado e colocados em barricas. Apenas em determinado momento a Noval decide engarrafar parte dessas Colheitas. O resto é mantido em barricas onde o vinho irá ganhar toda uma nova dimensão em fases posteriores do seu envelhecimento. Os Porto Colheita da Noval são verdadeiras raridades, combinam requinte e elegância, sendo a expressão máxima dos Tawnies com idade e tal como um Porto Vintage assumem as características específicas do respetivo ano de colheita. A legislação exige um estágio mínimo de sete anos em casco, embora na Quinta do Noval apenas sejam comercializadas após 10 a 12 anos de envelhecimento.

António Agrellos, o diretor técnico da Quinta do Noval desde 1994 e um dos grandes "Wine Blenders" do vinho do Porto, conduziu-nos num fantástico passeio pelos Colheitas da Quinta do Noval.

Quinta do Noval Colheita 2000
Mostra toda a classe de um Tawny jovem e cheio de vida, com espírito adolescente, que nos conquista pela energia e presença. Exibe uma boa complexidade, com um bouquet intenso e bem definido, fruta cristalizada, nozes e tabaco, num conjunto jovem, fresco e revigorante. Complexo e doce no palato, fresco e preciso, revela uma estrutura elegante e um final harmonioso e persistente. 92 pts

Quinta do Noval Colheita 1995
Um tawny a caminho da fase adulta, numa nova dimensão com aromas mais evoluídos e de maior complexidade e profundidade. Bem definido nos aromas, mostra uma bonita complexidade, caramelo, frutos secos (nozes e avelãs), especiaria doce, fruta cristalizada (laranja, limão, damasco). Corpo médio, elegante, untuosidade e boa acidez, tudo num final longo e persistente. 93 pts

Quinta do Noval Colheita 1976
Um vinho temperamental que nasceu na era do Punk Rock. Envolto em rebeldia, é certamente o vinho mais exótico da prova ao melhor estilo Ramones. Hey! Ho! Let's go! - The Anthology. Muito boa complexidade, caixa de charutos, resina, frutas secas e caramelo. Medianamente encorpado e persistente na boca, suave como seda, apresenta nuances de especiarias num longo final. 95 pts

Quinta do Noval Colheita 1971
A saudade exprime um sentimento muito próprio quando sentimos falta de algo de que gostamos. Este é um daqueles vinhos que deixa saudade. Pura sedução, dominado por uma encantadora complexidade, especiarias, caramelo, passa de uva e frutas cristalizadas. No palato é de uma enorme riqueza e elegância, tem uma frescura fantástica que o envolve com notas de especiarias num final longo e persistente. Um vinho fantástico. 98 pts

Quinta do Noval Colheita 1964
Tal como em 1964 as admiradoras de bandas como Beatles ou The Rolling Stones saltavam e gritavam de entusiasmo, ao provar este vinho apeteceu-me fazer exatamente o mesmo. Intrigante e ao mesmo tempo conquistador, mostra-se dominado por uma refinada complexidade, aroma delicado e pleno de harmonia, com notas de nozes, passa de uva e da madeira velha onde estagiou. Apeteceu-me ficar toda a tarde a cheirar este vinho. Boca de grande nível, quase veludo, cheio e saboroso, com enorme frescura para a idade que tem e com um final muito longo. Espectacular. 99 pts

Quinta do Noval Colheita 1937
O ano de 1937 foi marcado pela coroação do Rei George VI de Inglaterra, data em que a ponte Golden Gate (São Francisco) foi também inaugurada e J. R. R. Tolkien publica 'The Hobbit'. Apenas um vinho como este poderia estar à altura de tamanhos acontecimentos. Estrondoso tawny velho a mostrar uma fantástica complexidade, fruto seco, grande definição, especiarias, marmelada, caixa de tabaco e madeira velha. Palato luxuoso, com uma belíssima acidez. Tudo muito equilibrado com camadas de sabor que nos guiam num final interminável e sedutor. 97 pts

Original publicado a 30 abril 2014 in Blend - All about wine

15 abril 2012

Cedro do Noval 2007


Volto aos vinhos do Douro, volto aos vinhos de mesa deste mítico produtor de Vinho do Porto, a Quinta do Noval, desta vez por mais uma excelente razão, o Cedro do Noval da colheita de 2007. Este é o segundo vinho, logo abaixo do vinho com nome da Quinta, o Quinta do Noval, o Cedro é vinho que perdeu o DOC para passar a ser Regional Duriense, a razão é a  casta Syrah ter sido incluída no lote a 35% mais Touriga Nacional, Touriga Franga e Tinto Cão. Vão nadar em  carvalho francês durante 18 meses até que ficam na clausura da garrafa e pronto a ser consumido ou guardado.

A qualidade está mais que patente, janela escancarada para um Douro com toques de clássico, duro e austero mas ao mesmo tempo um Douro carismático e charmoso, mais moderno e sedutor onde a frescura lhe enche a alma. No seu bonito toque de modernidade, fruta escura muito madura, limpa e pura, cereja e groselha, carregado de especiaria e mineralidade, madeira a caminho do ponto certo (está quase) com os seus contributos de qualidade acima da média, fumado, cacau e leve tabaco. Vinho cheio, profundo, um gozo a cheirar e a rodopiar no copo, por entre o rendilhado da fina e bem composta rede de aromas, uma nota de bálsamo... ali mesmo dos Cedros da Noval. Leve-se à boca para na sua entrada com fruta cheia de força e energia, um vinho cheio, que mostra vigor e garra, ao mesmo tempo um embalo prazenteiro, leve ponta de geleia pelo meio, alguma ameixa mais tocada, um vinho que na companhia de um cabrito no forno nos delicia. Vai buscar a ligação com as ervas e as especiarias, a acidez controla a gordura do assado. Vem refinando com o tempo, todo ele muito aperaltado e envolvente, passagem de boca com harmonia, alguns taninos ainda presentes em final médio/longo, mostrando-se um excelente vinho para a qualidade e preço apresentado, relembro que o preço ronda os 15€ tornando a compra bem apetecível. Mais aberto e dialogante que o seu irmão mais velho, não deixa de ser aquilo que é... um belíssimo vinho do Douro. 93 pts

11 janeiro 2011

Maria Mansa 2004

Depois de já ter falado aqui no Maria Mansa branco, e da surpresa que se revelou a quando da sua prova, eis que volto com a versão tinta do Maria Mansa. O produtor é a Quinta do Noval, situada na estrada que liga o Pinhão a Alijó, cerca de um quilómetro antes de Vale de Mendiz, a Quinta do Noval distingue-se pela beleza dos seus terraços. Proveniente de uvas de letra A dos agrestes socalcos do coração do Douro, de entre as castas típicas da região, predomina na sua constituição a Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional.

O resultado é um nariz de boa intensidade com aroma fresco com fruta madura em tons de frutos do bosque (amora preta) e fruta de caroço (ginja) ligeiramente compotadas e misturadas com cacau, esteva seca, apimentado com ligeiro balsâmico de fundo. Muito bem desenhado e a dar uma prova muito satisfatória

Boca equilibrada de mediana estrutura, arredondado e macio, com a fruta de qualidade a desfazer-se a meio palato, boa frescura de conjunto, novamente toques de cacau morno, secura vegetal e especiaria sem incomodar pois o vinho mostra uma leve sensação de cremosidade/conforto a meio. Harmonia com a prova de nariz num todo muito pronto a beber.

Um vinho em grande momento para ser consumido, talvez um pouco "Novo" Douro mas nem por isso deixa de dar prazer à mesa. É certamente uma aposta ganha para todos aqueles que dele se aproximarem, será difícil  resistir-lhe até porque o preço comedido ajuda à tentação, ronda os 8€. Curiosamente são vinhos pouco falados estes Maria Mansa, vinhos que não captam atenção dos holofotes da fama, não entendo a razão uma vez que a boa relação preço/qualidade é muito boa tanto no tinto como no branco. 16 - 90 pts

11 dezembro 2010

Maria Mansa branco 2009

Vinho branco feito na Quinta do Noval, no coração da Região Demarcada do Douro, proveniente das zonas altas da região, com predominancia das castas Malvasia Fina, Viozinho e Gouveio. Foram engarrafas 10.500 garrafas, mostrando-se com 13% Vol. e um preço a rondar os 6,50€.

Maria Mansa branco 2009

Nariz que me chamou a atenção logo no primeiro instante, não por ser demasiado exuberante, mas sim pelo arrumo e aprumo com que se mostra, desde a fruta de bela qualidade, nas vertentes mais citrinas embora com alguma fruta de caroço e de polpa branca em pouca quantidade, cheiro e rebuçadinho muito leve. O conjunto é fresco e bastante interessante de se seguir, mineralidade a marcar todo o fundo do vinho com sensação de fumado muito ténue, mostrando pelo meio uns rasgos vegetais.

Boca com rasgos de frescura da fruta, muito bom comportamento tal como muito bem delineado, mineralidade, percepção de um pedaço de fruta mais arredondado a meio palato numa bela passagem, muito equilibrado, fresco, corpo mediano em final médio/longo. Sintonia com a prova de nariz, prazenteiro e um vinho que se veio a revelar uma bela surpresa.

Foi aquilo que posso chamar de surpresa, este foi um dos vinhos que nas provas dos brancos de 2009 mais me piscou o olho, gostei bastante da prova que deu a solo e da prova que deu à mesa, polivalente desde a temperatura inicial de serviço até com um pouco mais de calor... deu-se bem com o tempo que passou no copo, agradável, fresco, com alma e saber estar. O preço a rondar os 6,50€ torna-o bastante apetecível e apetece ter mais algumas em stock para ir abrindo. Estranho que se fale tão pouco deste vinho, quer no papel quer na net... 16 - 90 pts
 
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