Copo de 3: 2000
Mostrar mensagens com a etiqueta 2000. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 2000. Mostrar todas as mensagens

17 janeiro 2020

Poças Vintage 2000


Faz parte do pequeno lote de Vintage que tenho por casa para ir abrindo conforme a ocasião. Pessoalmente não é o estilo de vinho que mais aprecio caindo sempre a escolha no estilo Tawny. Este Poças Vintage 2000 foi aberto, decantado durante uma hora e servido, mostrou aromas complexos onde se mistura a fruta macerada com fruta madura e fresca, compotas, folha de tabaco, ligeiro balsâmico num conjunto já a mostrar sinais de harmonia e suavidade no trato. Tendo outros anos mais recuados desta casa como referência, posso dizer que deveria ter sido guardado mais 20 anos. Deu prazer a quem o bebeu, saboroso e com tudo no sítio, mas nada mais que isso.  91 pts

12 janeiro 2016

Ramos Pinto Vintage 2000

O dia foi especial, de comemoração, um daqueles momentos em que se abrem vinhos que temos vindo a guardar ao longo dos anos para alturas como as que agora relato, especiais. Um Porto Vintage é sempre um vinho carregado de simbolismo e que encerra dentro dele a essência de uma só colheita. Neste caso foi um Ramos Pinto Vintage 2000 que com 15 anos de vida se mostrou numa belíssima forma a dar sinais de serenidade e acalmia, o que implica dizer que perdeu parte da força que teve na juventude e começou a entrar no campo das sensações mais acetinadas. Os aromas deambulam entre frutos vermelhos e negros, com mistura de frutos silvestres, ameixa e cereja muito madura com toque de licor. Fruto da complexidade que foi desenvolvendo ao longo dos anos, surgem os aromas de chocolate preto, pimenta preta e um muito agradável toque balsâmico em segundo plano. Dá uma prova muito elegante e fresca, sem grandes arestas e com retoques acetinados repletos de fruta que se prolonga em companhia de especiarias num longo final. Mostra um grande equilíbrio entre acidez/estrutura/doçura sem quebras o que faz com que desapareça da garrafa num instante. 93 pts

05 junho 2014

Quinta do Noval - Colheitas de sonho


A Quinta do Noval é uma das grandes casas de Vinho do Porto, que não só produz o mais famoso Vinho do Porto Vintage, o lendário "Nacional", como é também a única casa cujos vinhos de topo são exclusivamente single vineyard (i.e., "Quinta"). A história da Quinta do Noval remonta a 1715, altura em que o seu nome surge pela primeira vez nos registos. A área total de cento e quarenta e cinco hectares, que domina o Vale do Pinhão (Cima Corgo), constitui a essência e a alma da Quinta do Noval. Em 1894 (após a devastação causada pela filoxera) a Quinta foi comprada pelo ilustre comerciante António José da Silva. Da Silva deu uma nova vida à Quinta do Noval, com a replantação dos cento e quarenta e cinco hectares de vinha (classificada com letra A), com porta-enxertos americanos. Em 1925, uma muito pequena parte de vinha no coração da Noval (dois hectares) foi selecionada para a tentativa de manter a vinha indígena Portuguesa em porta-enxerto Português (Nacional) como um experimento. O primeiro vinho a ser produzido e vendido resultante destas jovens vinhas foi o Quinta do Noval Nacional Vintage 1931, considerado o mais sensacional Porto do século XX.

O trabalho de António José da Silva foi continuado pelo seu genro, Luiz Vasconcelos Porto, que geriu a empresa durante 30 anos, tendo-se aposentado em 1963. Autor de um vasto programa de inovações, transformou os antigos socalcos estreitos em socalcos mais largos, característica distintiva da Noval, com as suas escadas caiadas de branco.
O estêncil nas garrafas foi pela primeira vez introduzido pela Noval em 1920, tendo sido também pioneira no conceito de Tawnies com indicação de idade (10, 20 e 40 anos) e a primeira casa a lançar um late-bottled vintage: 1954 Quinta do Noval LBV.

Em anos excecionais, determinados lotes de vinho com grande potencial de envelhecimento são postos de lado e colocados em barricas. Apenas em determinado momento a Noval decide engarrafar parte dessas Colheitas. O resto é mantido em barricas onde o vinho irá ganhar toda uma nova dimensão em fases posteriores do seu envelhecimento. Os Porto Colheita da Noval são verdadeiras raridades, combinam requinte e elegância, sendo a expressão máxima dos Tawnies com idade e tal como um Porto Vintage assumem as características específicas do respetivo ano de colheita. A legislação exige um estágio mínimo de sete anos em casco, embora na Quinta do Noval apenas sejam comercializadas após 10 a 12 anos de envelhecimento.

António Agrellos, o diretor técnico da Quinta do Noval desde 1994 e um dos grandes "Wine Blenders" do vinho do Porto, conduziu-nos num fantástico passeio pelos Colheitas da Quinta do Noval.

Quinta do Noval Colheita 2000
Mostra toda a classe de um Tawny jovem e cheio de vida, com espírito adolescente, que nos conquista pela energia e presença. Exibe uma boa complexidade, com um bouquet intenso e bem definido, fruta cristalizada, nozes e tabaco, num conjunto jovem, fresco e revigorante. Complexo e doce no palato, fresco e preciso, revela uma estrutura elegante e um final harmonioso e persistente. 92 pts

Quinta do Noval Colheita 1995
Um tawny a caminho da fase adulta, numa nova dimensão com aromas mais evoluídos e de maior complexidade e profundidade. Bem definido nos aromas, mostra uma bonita complexidade, caramelo, frutos secos (nozes e avelãs), especiaria doce, fruta cristalizada (laranja, limão, damasco). Corpo médio, elegante, untuosidade e boa acidez, tudo num final longo e persistente. 93 pts

Quinta do Noval Colheita 1976
Um vinho temperamental que nasceu na era do Punk Rock. Envolto em rebeldia, é certamente o vinho mais exótico da prova ao melhor estilo Ramones. Hey! Ho! Let's go! - The Anthology. Muito boa complexidade, caixa de charutos, resina, frutas secas e caramelo. Medianamente encorpado e persistente na boca, suave como seda, apresenta nuances de especiarias num longo final. 95 pts

Quinta do Noval Colheita 1971
A saudade exprime um sentimento muito próprio quando sentimos falta de algo de que gostamos. Este é um daqueles vinhos que deixa saudade. Pura sedução, dominado por uma encantadora complexidade, especiarias, caramelo, passa de uva e frutas cristalizadas. No palato é de uma enorme riqueza e elegância, tem uma frescura fantástica que o envolve com notas de especiarias num final longo e persistente. Um vinho fantástico. 98 pts

Quinta do Noval Colheita 1964
Tal como em 1964 as admiradoras de bandas como Beatles ou The Rolling Stones saltavam e gritavam de entusiasmo, ao provar este vinho apeteceu-me fazer exatamente o mesmo. Intrigante e ao mesmo tempo conquistador, mostra-se dominado por uma refinada complexidade, aroma delicado e pleno de harmonia, com notas de nozes, passa de uva e da madeira velha onde estagiou. Apeteceu-me ficar toda a tarde a cheirar este vinho. Boca de grande nível, quase veludo, cheio e saboroso, com enorme frescura para a idade que tem e com um final muito longo. Espectacular. 99 pts

Quinta do Noval Colheita 1937
O ano de 1937 foi marcado pela coroação do Rei George VI de Inglaterra, data em que a ponte Golden Gate (São Francisco) foi também inaugurada e J. R. R. Tolkien publica 'The Hobbit'. Apenas um vinho como este poderia estar à altura de tamanhos acontecimentos. Estrondoso tawny velho a mostrar uma fantástica complexidade, fruto seco, grande definição, especiarias, marmelada, caixa de tabaco e madeira velha. Palato luxuoso, com uma belíssima acidez. Tudo muito equilibrado com camadas de sabor que nos guiam num final interminável e sedutor. 97 pts

Original publicado a 30 abril 2014 in Blend - All about wine

14 fevereiro 2013

Quinta da Espinhosa Reserva 2000


Desencantado algures num leilão pouco concorrido na altura, vinho proveniente do Dão, zona com fama onde apenas os grandes nomes parecem ter direito a ser conhecidos, provados e nomeados, os mais pequenos morrem como nascem, na sombra de um esquecimento que nunca foi lembrado. Das duas uma, ou por sorte damos com alguns nomes ou nada feito, apenas nos resta ir ao local e procurar... talvez com sorte a coisa se encontre.

Ora Quinta da Espinhosa, desconhecia por completo, a curiosidade em conhecer o produto aliado aos anos que já tinha face ao preço de saldo a que saiu, levou-me à comprar duas caixas. Com o vinho já na mão resolve-se investigar mais um pouco, fica-se a saber que foi feito por um dos mestres da enologia do Dão, Magalhães Coelho, de igual modo que o vinho seria fruto de um blend de Touriga Nacional com Tinta Roriz. Recentemente dei com as novas colheitas, bastante interessante o branco, num registo exuberante e exótico, a sair do enclave aromático da região, quanto aos tintos foram uma agradável surpresa que irei voltar a falar deles.

Cativante desde o momento em que cai no copo, tem brilho próprio, alguns dirão que é o brilho da Serra, que é a austeridade da zona que lhe marca a alma, cujos aromas frescos e de frutos silvestre marcam toda a prova. Um vinho que cresce no copo, toque de caruma de pinheiro (bálsamo), flores roxas, bagos de pimenta e ramo de cheiros, algo terroso, fumo, cacau, tudo muito composto. Boca a complementar a prova, saboroso e fresco, amplo e com passagem calma, onde a secura ainda parece estar lá no fundo a pedir por comida bem temperada, qual pernil de porco no forno. É vinho que não cansa, que gosta de ser bebido e bem acompanhado, que tenho de impor a mim mesmo um travão para que consiga ir guardando algumas garrafas em casa. 91pts

13 outubro 2009

Esporão 2000 1º Prémio da Confraria dos Enófilos do Alentejo

"Virgem com o menino, S. Bartolomeu e Sto Antão, sob a Anunciação" é o nome da obra de António Pires, natural de Évora e o primeiro pintor Português com obra identificada, datando a pintura de 1410, podendo ser apreciada no Museu de Évora.
Esta obra foi adquirida pela Finagra - Herdade do Esporão em parceria com a Fundação Banco Comercial Português e o Instituto Português de Museus.
Feita a apresentação da obra que ilustra o vinho em prova, o Esporão 2000 1º Prémio da Confraria dos Enófilos do Alentejo, convém explicar que este mesmo vinho sempre foi falado com alguma dose de mistério pelo meio, dentro de portas era conhecido como o "vinho santo", alguns até já o teriam visto, mas muito poucos o teriam provado.
A verdade é que o vinho mal chegou a estar à venda, visto ter sido absorvido por completo pela Fundação Banco Comercial Português, talvez como contrapartida pela dita parceria conjunta que levaria à aquisição da obra. Mas o que interessa é realçar a raridade do dito cujo, e após a sua inesperada aparição numa apresentação recente, convém destacar a sua qualidade e respectivos atributos que mostrou durante toda a prova, e são bastantes.
No final da prova senti-me feliz por ter finalmente privado com aquele que seria até aquele momento, o único 1º Prémio da Confraria dos Enófilos do Alentejo que ainda não tinha tido a oportunidade de provar, e em boa hora o fiz... óbvio que no final fica sempre aquela ponta de nostalgia e vontade de o voltar a encontrar, mas os "milagres" não acontecem todos os dias.

Esporão 2000 1º Prémio da Confraria dos Enófilos do Alentejo
Castas: Alicante Bouschet - Estágio: n/d - 14% Vol.

Tonalidade granada escuro de concentração média com ligeiro atijolado no rebordo.

Nariz a conseguir cativar bastante desde o primeiro impacto, apresentando um refinado bouquet que nos enche o nariz, de boa intensidade. Começa com ligeiro apontamento químico que rapidamente dá lugar a fruta bem madura, limpa e sem caroço. A madeira está fina e discreta, colocando em jogo tudo o que de bom deveria proporcionar ao vinho, dá-lhe firmeza, encanto e complexidade: especiarias finas, vegetal seco, café torrado, folha tabaco, e leve toque floral que dá entrada a nota balsâmica (eucalipto) muito delicada. Gosta de passear no copo, mostra sinais de boa evolução e durabilidade durante toda a refeição, oscilando entre aromas mornos e frescos, um vinho cheio de nuances e apontamentos. Os 9 anos de vida notam-se bem mais na leve auréola acastanhada do que propriamente nos aromas, onde o que perdeu em energia ganhou claramente em complexidade.

Boca com entrada fresca e arredondada, o primeiro impacto é de fruta bem madura aliada a uma boa dose de frescura, seguida de especiaria, vegetal, tabaco e café creme. A plena integração da madeira aporta ao vinho uma grande finesse em toda a prova de boca, aliando harmonia e frescura com uma boa espacialidade, mostrando bom equilíbrio entre aromas e sabores. Mantém-se firme no copo durante bastante tempo, com a acidez presente e balancear-se muito bem tanto com a fruta como com a madeira, num final de persistência média/alta.

Se tinha guardados na memória vinhos como o Esporão Garrafeira 1990 ou o Garrafeira 1997, e um pouco mais abaixo o Reserva 1996, este Esporão 2000 conseguiu arrebatar o primeiro lugar e tornar-se no vinho mais marcante que tive a oportunidade de beber feito por este prestigiado produtor de Reguengos de Monsaraz. Temos aqui a grandiosidade de uma casta que considero a casta do Alentejo, aliada à excelência de um produtor. É um daqueles casos que não me importava nada de ver como está de saúde daqui a uns 4 anos. 18

18 maio 2009

Vinha Paz Colheita 2000

Os vinhos “Vinha Paz” , são produzidos e engarrafados por António Canto Moniz, cuja família se dedica a produzir vinhos no Dão há mais de 150 anos. As uvas são provenientes das vinhas de Leira da Tremoa e da Barra em Silgueiros, Viseu, são vinificadas nas centenárias adegas da Casa da Carreira Alta em Oliveira de Barreiros, também em Viseu.

São vinhas na encosta Norte do Dão com exposição sul nascente numa área respectivamente de 7,5 e 3 ha, onde se podem ver as Vinhas Velhas com mais de 40 anos e Vinhas Novas com 5 anos, recentemente reestruturadas. As castas dominantes são: a Touriga Nacional, Jaen, Alfrocheiro Preto e Tinta Roriz.

A vinificação é feita há já cinco gerações na adega da Casa da Carreira Alta onde ainda se utilizam os lagares centenários de granito e a tradicional pisa a pé. São elaborados dois tipos de vinhos, o “colheita do ano” que resulta de um “blend” com as castas Touriga Nacional, Alfrocheiro Preto e Tinta Roriz e o “reserva”, tendo como casta dominante a Touriga Nacional (cerca de 80%).

Um produtor que a cada passo/colheita que vem dando/lançando, se torna cada vez mais uma referência a seguir na região dos vinhos do Dão, e nos vinhos de Portugal. Feita que está a apresentação para os apreciadores mais "distraídos", resta colocar em prova aquele que foi o primeiro colheita desta casa.

Vinha Paz Colheita 2000
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro Preto, Tinta Roriz. - Estágio: Estágio em pipas de Carvalho americano e francês. - 13% Vol.


Tonalidade ruby escuro de média concentração, apresentando um ligeiro atijolado no rebordo (sinais dos tempos).

Nariz marcado por notas de vegetal seco (chá preto, musgo, caruma pinheiro), toque floral no campo das violetas seguido de ligeiro animal que por ali resolveu andar a revolver a terra. É no meio deste fino e fresco bouquet, que temos a fruta em modo de framboesas, groselhas e cerejas, bem consolidadas por um bálsamo vegetal. A madeira é o fio condutor que apesar de fina e discreta faz a ligação entre todos os seus componentes, de forma muito eficaz.

Boca a mostrar um vinho fresco, aveludado com finas matizes que variam desde a fruta bem madura e limpa, aos toques de bacon com vegetal seco. Um conjunto que nos presenteia com uma belíssima frescura durante toda a passagem de boca, em corpo médio e bem delicado, aprumado em tudo aquilo que nos mostra e como o mostra, num final de boa persistência.

Pela maneira bastante correcta como se mostrou e comportou, direi que se encontra num momento alto da sua forma, talvez o tal ponto ideal de consumo.
Um vinho com alma e personalidade, prestigia a região que o viu nascer, mostrando também uma capacidade de evoluir bastante positiva. É um vinho com um preço que deverá rondar os 9€, revelando-se uma aposta muito sólida para um consumo a médio/longo prazo, visto que melhora substancialmente com algum tempo de guarda.
16

14 maio 2009

Protos Reserva 2000

Bodegas Protos foi a adega pioneira da Ribera del Duero, a primeira que até viria a dar nos anos 80 o seu apelido à D.O. Ribera del Duero.
Protos vem do Grego, Primero, e foi de facto a primeira, corria o ano de 1927, quando um grupo entusiasta e empreendedor de viticultores iniciou aquilo que hoje é um império, em que ano após ano se expande cada vez mais, e goza de uma imagem fortíssima a nível de mercado.

Foi durante os anos 30 e a merce da Expo Barcelona 1929, que a adega se projecta definitivamente a nível internacional, com a atribuição das medalhas de ouro aos vinhos de 1927 e 1928.
Já nos anos 60 com as necessidades de expansão das salas de estágio, são iniciadas obras para as caves de estágio que se encontram localizadas nas entranhas de uma das fortificações mais importantes da comarca, o Castelo de Peñafiel, cuja imagem surge nos rótulos dos vinhos do produtor.
O reconhecimento máximo ocorre nos anos 80, quando o seu apelido, Ribera del Duero, é utilizado por toda uma zona, para assim identificar o Conselho Regulador da respectiva D.O.
O crescimento desta adega continua até que em 1995 se aumenta a área de estágio para um total de 8,500 barricas, depósitos inox de 1,2 milhões de litros e uma sala de garrafas com 5.000 m2.
Nos tempos que correm, terá sido inaugurada a nova adega, cuja foto é testemunha.

Protos Reserva 2000
Castas: 100% Tinto Fino - Estágio:18 meses em barricas de carvalho americano e francês, posteriormente 24 meses em garrafa. - 13,5% Vol.


Tonalidade granada escuro de concentração média.

Nariz acomodado, sereno, com um bouquet elegante a mostrar uma grande afinidade entre madeira, que se mostra fina e bem entrosada no conjunto, com o toque de fruta negra (groselhas, ameixa) bem madura e com drop de licor, acompanhadas de ligeira tosta, baunilha, caixa de tabáco e caramelo. Um vinho que não se cheira, mas que se dá a cheirar, diplomata a senhor do ''seu nariz'', sem espalhafato assume uma ligação com especiaria e vegetal seco perdido em fundo, a lembrar chá preto com algum balsâmico.

Boca de entrada amena, harmonioso, fruta com boa presença a igual modo que na prova de nariz, madeira bem integrada num conjunto de corpo médio. Mostra presença de tosta, vegetal seco, uma boa acidez presente a conferir a frescura suficiente durante toda a passagem de boca, com especiarias e ligeira secura em final de média persistência.

É um Ribera de boa estirpe, muito elegante e afinado, não defrauda e dá uma prova muito consistente. Após 9 anos de vida, mostra-se em boa forma, mostrando-se com um bouquet de fino recorte, com preço a rondar os 20€. Liga bem com carnes vermelhas ou carnes brancas, e acompanhou muito bem um confit de pato.
16

04 dezembro 2008

Condado de Haza 2000

Alejandro Fernández, o aclamado maestro da Tempranillo ou também conhecido como o Sr. Pesquera, é a viva imagem de um homem que se fez a si próprio, um homem que desde criança alimentou o sonho de ter a sua própria adega e fazer grandes vinhos. Seguindo a tradição familiar, aprendeu com o seu pai, Alejandro elaborava vinho todos os anos a partir dos vinhedos familiares, mas teve de esperar até ao ano de 1972 para ter a sua própria adega, um pequeno lagar de pedra do Séc XVI, onde realizava quase todo o processo. Só passados 10 anos, é que a adega Pesquera acabaria por ter o aspecto que tem nos dias de hoje, onde o antigo lagar ainda se mantém.
Foi a meados dos anos 80 que Alejandro Fernández descobre uma ladeira abandonada nas margens do rio Duero/Douro, que segundo ele parecia reunir condições para se transformar numa das melhores vinhas da região, obviamente da casta Tempranillo a que mais gosta e domina como ninguém.
Foram precisos 3 anos de negociações com os donos para que se pudessem adquirir as ditas parcelas individuais que perfaziam a encosta. Foi em 1989 que se plantaram os primeiros 80ha, e contando nos dias de hoje com cerca de 200 ha, fazendo o nome da Quinta referência à terra próxima de seu nome Haza. A primeira vindima seria de 93, mas a primeira colheita seria em 94 sendo elaborados na adega Pesquera, e apenas em 1995 estaria completo o hoje conhecido Condado de Haza.
O grupo Pesquera inclui entre outros, El Vínculo (La Mancha), Dehesa La Granja, Pesquera e o Condado de Haza do qual se deixa a nota de prova do seu crianza 2000.

Condado de Haza 2000
Castas: 100% Tempranillo - Estágio: 18 meses em carvalho americano e 6 meses em garrafa - 14% Vol.


Tonalidade ruby escuro de média intensidade.

Nariz a mostrar desde o principio um vinho de perfil que arrisco em chamar clássico, face ao que os vinhos mais recentes da Ribera del Duero apresentam. Os 8 anos já se notam no conjunto, mostrando fina complexidade num todo bastante polido, talvez um pouco polido a mais, com a fruta vermelha bem madura embora algo diluída num toque de licor e ligeiro envernizado. O fundo é todo ele, forrado a finas madeiras, baunilha e algum couro de boa qualidade, com caramelo de leite e cacau em pó, num conjunto de fina complexidade.

Boca fina e equilibrada, ainda mostra boa dose de fruta madura com frescura bem doseada, num corpo algo delgado de concentração. Especiarias muito leves de segundo plano, com algum cacau e notas de licor. Perde-se um pouco no final de boca, em persistência média/baixa.

Sem dúvida alguma que este vinho deveria ter sido bebido nos seus primeiros anos de vida, ainda assim deu uma prova satisfatória. O que perdeu em força conseguiu ganhar em finesse, embora se mostre um pouco desgastado principalmente na prova de boca, com a fruta pouco dialogante e a acidez a não acompanhar durante toda a passagem de boca. É um vinho que na mais recente colheita deverá andar na casa dos 8-10€ e acompanha muito bem carnes vermelhas na grelha. O trabalho a nível de madeiras nos vinhos deste grupo é sem dúvida notável.
15,5
 
Powered By Blogger Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-Noncommercial-No Derivative Works 2.5 Portugal License.