Copo de 3: Moscatel de Setúbal
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03 dezembro 2017

José Maria da Fonseca 'Trilogia' Moscatel de Setúbal


A José Maria da Fonseca é o mais antigo produtor de Moscatel em Portugal sendo os vinhos desta casta um dos seus patrimónios mais raros e preciosos que remonta a 1834. O Trilogia é a todos os níveis um vinho único e muito especial, mas também irrepetível, resultante de três das melhores colheitas do século XX, 1900, 1934 e 1965. Os vinhos que dele fazem parte envelheceram em pipas usadas de carvalho até à data do primeiro engarrafamento, foram cerca de 14.000 garrafas que se colocaram no mercado em Outubro de 1999. Agora restam apenas 2400 desta edição rara e especial, que saltam para o mercado com nova imagem e preço a rondar os 300€.

Mas e o que podemos esperar de um vinho como este quando nos cai no copo ? Denso, untuoso, carregado de caramelo e notas de passas de fruta, melaço, frutos secos e a meio termo o toque de vinagrinho para espevitar o nariz, muita harmonia entre acidez/doçura que convidam a sempre mais um trago. A complexidade deste vinho é tremenda sendo capaz de um copo perfumar toda a sala de jantar, muito tabaco, terciários de luxo tal como a prova de boca com uma entrada cheia de força, untuosidade e quase que se mastiga num final interminável. É um vinho que nos faz esquecer do tempo e são poucos os que o conseguem fazer. 99 pts

09 maio 2016

100 Anos de Moscatel - Edição Limitada José Maria da Fonseca


É na Península de Setúbal que fica localizada uma das mais antigas denominações de origem controlada (D.O.C.) de Portugal – a região do Moscatel de Setúbal, cuja demarcação se iniciou em 1907 sendo confirmada e concluída em 1908. Geograficamente delimitada pelos concelhos de Setúbal, Palmela, Montijo e a freguesia do Castelo pertencente ao município de Sesimbra. O Moscatel de Setúbal é feito a partir da uva que lhe dá o nome, faz parte do quarteto fantástico de fortificados Portugueses ao qual se juntam o Vinho do Porto, Madeira e Carcavelos. Os seus encantos perdem-se no tempo, com o papel da empresa José Maria da Fonseca a ser fundamental uma vez que é produtor no activo desde 1834, tendo um património único no mundo de vinhos moscatéis. Apreciado por reis e pelo povo, este autêntico tesouro que segundo Léon Douarche é “ O Sol em garrafa”. Já no tempo do Rei Dinis I de Portugal (1261-1325) que o Moscatel de Setúbal tinha fama, sendo exportado em grande quantidade para Inglaterra ou para França onde Luís XIV não o dispensava nas festas que dava em Versailles.

Feitas as devidas apresentações, a casa José Maria da Fonseca decidiu lançar em edição limitada uma caixa contendo quatro vinhos datados que no total perfazem 100 anos de Moscatel. Uma verdadeira tentação para todos os enófilos, custa 39,90€ na loja online do produtor, que podem assim provar e comparar quatro vinhos de excelente qualidade e de tão rara produção. Os Moscatel de Setúbal são colocados no mercado a partir de 2 anos de idade, podendo ostentar na rotulagem o ano de colheita, ou as indicações «10 anos de idade», «20 anos de idade», «30 anos de idade» e «Mais de 40 anos de idade», desde que o vinho em causa, ou cada uma das parcelas do lote que o originou, tenha no mínimo a idade indicada. Existe ainda o designativo Superior que não sendo este caso, é apenas atribuído a vinhos com um mínimo de cinco anos de idade e que tenham obtido na câmara de provadores a classificação de qualidade destacada. Neste caso o que temos no copo são quatro exemplares: 10 Anos, 20 Anos, 30 Anos e Mais de 40 Anos de idade.


 Moscatel de Setúbal 10 Anos: Dotado de uma grande frescura, muita fruta com laranja cristalizada em destaque, ligeira compota, flores, figo seco com algum fruto seco (nozes) a começar a mostrar-se. Amplo e ao mesmo tempo muito bem equilibrado, envolvente com uma bonita complexidade. Grande equilíbrio entre as notas da juventude com aquilo que já mostra de um vinho com mais idade.

Moscatel de Setúbal 20 Anos: O salto na qualidade e também na paleta de aromas e sabores é notável. Todo o bouquet é dotado de uma belíssima intensidade que o faz perfumar a mesa e mesmo a sala, as notas de laranja aparecem mais evoluídas e a tender para a compota, com toque melado, ligeiro vinagrinho que espevita e aquela untuosidade do fruto seco, ao fundo parece estar aquele aroma dos cascos centenários. Na boca é uma delícia, intenso, amplo, conquista o palato pela acutilante frescura e imponente forma de estar, um vinho fantástico.

Moscatel de Setúbal 30 Anos: Um perfil de grande complexidade que se mostra profundo, ao mesmo tempo intenso e cativador. Torna-se complicado não deixar de ter o nariz enfiado no copo. Muitas notas de fruta citrina (laranja) confitada, caramelo, nozes, ligeiro vinagrinho, folha de tabaco, passa de figo. Boca arrebatadora mas novamente dotada de um notável equilíbrio de forças onde a acidez parece dançar com a doçura.

Moscatel de Setúbal 40 Anos: É o apogeu desta prova e um deleite para os sentidos. Um vinho de compêndio tal a maneira desempoeirada com que se mostra, se alguma vez ouvimos falar de o que seria um Moscatel de Setúbal com muita idade aqui está o exemplo disso mesmo. As boas vindas são dadas pelo toque de vinagrinho, o suficiente para espevitar o nariz, de seguida a untuosidade esperada com aromas de mel e figos secos, laranja cristalizada com fruta passa (figo, tâmaras) e muita frescura a envolver todo o conjunto. Na boca novamente a frescura, a madeira velha onde estagiou, especiarias, folha de tabaco, fruto seco e a geleia de compota, todo ele concentrado mas nada pastoso e dotado de uma enorme energia e harmonia de conjunto. Inesquecível.

29 março 2016

Alambre Moscatel Roxo 2010


A última novidade a ser lançada pela José Maria da Fonseca no que a Moscatel diz respeito foi este Alambre Moscatel Roxo 2010. Um Moscatel Roxo de entrada de gama a permitir o acesso a um público mais alargado (custa 12,49€ em grande superficie comercial) uma vez que os generosos feitos a partir desta casa são por regra mais caros que os restantes. Assim resolveu-se apresentar um Moscatel Roxo mais jovem e moderno, fresco, directo e sem toda a complexidade e mesmo densidade que por exemplo um Roxo 20 Anos nos apresenta. É um vinho com a qualidade que o produtor em causa já nos acostumou, mas que se bebe de forma descontraída em fim de tarde no terraço com os amigos. E esta abordagem mais directa faz falta porque nem tudo na vida tem de ser encarado de fato e gravata, em tom formal porque o vinho que nos deitam no copo assim o exige. Por aqui e neste caso com o Alambre Moscatel Roxo 2010 vive-se um clima festivo, num conjunto que da maneira como se mostra convida a isso mesmo, fresco, apelativo, conjuga o trio doçura/acidez/concentração de tal forma que se torna um sucesso imediato à mesa. 91 pts

04 fevereiro 2016

José Maria da Fonseca Trilogia

A José Maria da Fonseca é o mais antigo produtor de Moscatel em Portugal sendo os vinhos desta casta um dos seus patrimónios mais raros e preciosos que remonta a 1834. Para celebrar a entrada neste século foi criado um vinho único e muito especial, o Trilogia, resultante de três das melhores colheitas do século XX, 1900, 1934 e 1965. Os vinhos que dele fazem parte envelheceram em pipas usadas de carvalho até à data de engarrafamento, foram cerca de 14.000 garrafas que se colocaram no mercado em Outubro de 1999. O preço tem vindo a subir , na loja online do produtor vende-se a 138€ uma vez que a quantidade disponível cada vez é mais reduzida. E o que podemos esperar de um vinho como este quando nos cai no copo ? Denso, untuoso, carregado de caramelo e notas de passas de fruta, melaço, frutos secos e a meio termo o toque de vinagrinho para espevitar o nariz, muita harmonia entre acidez/doçura que convidam a sempre mais um trago. A complexidade deste vinho é tremenda sendo capaz de um copo perfumar toda a sala de jantar, muito tabaco, terciários de luxo tal como a prova de boca com uma entrada cheia de força, untuosidade e quase que se mastiga num final interminável. É um vinho que nos faz esquecer do tempo e são poucos os que o conseguem fazer. 99 pts

11 novembro 2015

Alambre Moscatel de Setúbal 2010

O nome Alambre ecoa nas bocas dos apreciadores de Moscatel de Setúbal faz décadas, o seu nome significa âmbar e a sua tonalidade amarelo dourado apenas o confirma. É o mais novo e também o mais acessível Moscatel que a José Maria da Fonseca coloca no mercado, com a qualidade que sempre o diferenciou da concorrência e que é chancela deste histórico produtor. O preço ronda os 5€ e dá a conhecer a todos os apreciadores um Moscatel de Setúbal na força da juventude, dominado pelos aromas característicos a laranja cristalizada, alperce seco, ligeiro caramelo com toque de fruto seco num misto de doçura/frescura muito apetecível. 90 pts

26 maio 2015

Colecção Privada Domingos Soares Franco Moscatel de Setúbal 2004


Nasceu na José Maria da Fonseca fruto de uma investigação que durou cinco anos de ensaios com quatro tipos distintos de aguardente: neutra, Cognac, Armagnac e 50/50 Cognac Armagnac. Resultado foi que prevaleceu a escolha no Armagnac pela subtileza, frescura, complexidade e harmonia que mostra durante a prova. O envelhecimento é feito em cascos de madeira usada, sem estágio posterior em garrafa pois não evolui após o engarrafamento.

Sem ter todo aquele porte mais denso e melado que os exemplares mais velhos e de categoria Superior, este Coleção Privada Domingos Soares Franco 2004 banhado em Armagnac mostra-se fresco e delicado, ao mesmo tempo que desperta o lado mais guloso. Muita tangerina, caramelo, alperce, tília, muito bem composto com um palato forrado de sabor, elegante e suavidade da fruta com caramelo e calda de laranja, acidez muito presente até final. Despedida longa e persistente, numa belíssima harmonia entre as sensações tanto do aroma como do palato. Para mim que sou guloso é parceiro ideal com uma torta de laranja. 94 pts

09 fevereiro 2015

Bacalhôa Moscatel de Setúbal Superior 2001


A história da Bacalhôa Vinhos de Portugal começou em 1922 com a fundação da João Pires & Filhos, Lda., mas apenas nos anos setenta com a entrada de António d’Avillez para o comando a empresa começaria a engarrafar as suas próprias marcas. Corria o ano de 1982 e a enologia estava a cargo da ainda hoje enóloga da casa, Filipa Tomaz da Costa, foi nessa altura que surgiram marcas de renome como o Quinta da Bacalhôa, Má Partilha, Catarina e Cova da Ursa. A produção de Moscatel daria em 1983 o pontapé de saída e desde cedo os vinhos ganharam fama face à qualidade e acima de tudo a consistência apresentada colheita após colheita sempre com um preço demasiado aliciante.

Um desses exemplos mais recentes é este excelente Bacalhôa Moscatel de Setúbal Superior 2001, um vinho que passou oito anos em barricas usadas no envelhecimento de whisky de malte. O designativo Superior é atribuído a vinhos com um mínimo de cinco anos de idade e que tenham obtido na câmara de provadores a classificação de qualidade destacada. Relembro que este vinho se encontra em grande superfície comercial com preço a rondar os 15€, uma verdadeira tentação face à qualidade.

No primeiro impacto destaca-se a frescura do conjunto, muito bem delineado e apelativo, rico e complexo, com a flor de laranjeira e a sua geleia laranja amarga, muita fruta em passa com figo, damasco, frutos secos, ligeiro ranço, tudo numa bonita complexidade que o envolve. Boca harmoniosa, sente-se de imediato o toque de laranja, ranço, muita frescura com corpo envolvente, untuoso com nozes caramelizadas e geleia de laranja amarga em fundo persistente e bastante saboroso. Companheiro perfeito para sobremesas que combinem chocolate com laranja. 95 pts

24 outubro 2014

Alambre 20 Anos

Portugal é o único país do Mundo capaz de colocar à mesma mesa três generosos tão distintos e ao mesmo tempo de classe Mundial, provenientes de três regiões fantásticas e únicas. Estes vinhos são o Vinho do Porto, Vinho da Madeira e obviamente o Moscatel de Setúbal.

O Moscatel de Setúbal é um vinho generoso com Denominação de Origem Protegida (DOP) reconhecida desde 1907. No entanto, na José Maria da Fonseca a produção destes vinhos remonta a 1834 o que possibilita ter um património inédito de vinho moscatel em stock.O Alambre 20 Anos é elaborado a partir da casta Moscatel plantada em solos argilo-calcários, que da produção anual vê uma parte ser destinada ao envelhecimento mais prolongado em cascos de madeira usada na mítica Adega dos Teares Velhos (Vila Nogueira de Azeitão). O vinho em causa é uma referência obrigatória e um dos meus favoritos, tendo lugar indiscutível entre os melhores vinhos doces de Portugal, com um preço que a rondar os 24€ lhe dá uma invejável relação preço/satisfação. Fruto de um conjunto de grandes envelhecidos e lotados com mestria, resulta um blend de 19 colheitas em que a mais nova tem pelo menos 20 anos e a mais antiga perto de 80 anos.

Muito complexo e intenso. Elegante, com notas de frutos secos e fruta passa, laranja cristalizada, mel, ligeiro vinagrinho, envolto em frescura e harmonia. Boca com grande presença, gordo mas com bastante frescura, macio com travo melado e de fruta, num final maravilhoso. É o par perfeito para acompanhar o final da noite com um bom chocolate negro com laranja ou simplesmente para abrilhantar um jantar de amigos em grande classe. 96 pts

Publicado em Junho 19, 2014 Blend All About Wine

29 junho 2013

J.M.S. Moscatel Superior 1993


Em jeito de homenagem a seu pai, António Saramago achou que era altura de lançar no mercado um Moscatel de gabarito. Este Senhor do Vinho que trata o Moscatel como poucos, meteu mãos à obra e com toda a sua mestria colocou no mercado 1000 garrafas deste precioso néctar. Para os interessados o vinho custa 30€ e pode ser comprado na loja online do produtor.

Considero algo complicado descrever um vinho destes, a complexidade que encerra faz com que andemos literalmente à deriva por entre um mar de cheiros e sabores, resta a cada um de nós encontrar as palavras que melhor o definem. Faz-se notar no imediato pelo modo como se apresenta assim que entra no copo, tonalidade âmbar com laivos acobreados a mostrar sinais da boa evolução que o tempo já despoletou, casca de laranja caramelizada, geleia, leve vinagrinho, bálsamo, caixa de especiarias, sensação de untuosidade e frescura. Na boca é envolvente, amplo de sabor intenso e conquistador do palato, laranja caramelizada com muito boa frescura, untuoso e rica harmonia de conjunto, final de grande persistência. Um grande vinho para terminar em beleza o final de noite, a sós ou acompanhado. 95 pts

07 maio 2013

Malo Moscatel de Setúbal 2007




Lembro-me como se fosse hoje no dia (já vai longe) em que vi este vinho numa prateleira de uma grande superfície. A razão pelo qual o comprei na altura, foi o preço que relembro ser 3,99€. Não demorou muito a ser colocado no frio e provado mais tarde, o que aconteceu foi que no dia seguinte fui comprar mais umas garrafas para ter por casa, a razão mais que evidente mora na qualidade do dito Moscatel.

Quando cada vez mais se procura a melhor relação preço/satisfação não há grandes desculpas para não beber vinho de qualidade bem acima da média.. Este Malo Moscatel de Setúbal 2007 é disso exemplo, a casta está bem presente no aroma com casca de laranja cristalizada juntamente com toques de a lembrar chá verde, fruto seco e creme de pasteleiro, algum caramelo, com tudo isto sente-se uma ligeira austeridade no aroma que lhe dá aquele sentido de força e pujança no nariz. Por vezes os mais baratos desta casta tornam-se demasiado forçados e acabam por derrapar, aqui o que temos é um vinho muito bem feito e capaz de proporcionar momentos de prazer.

Gosto da intensidade controlada com que se mostra, da subtileza e sensação de untuosidade e aconchego que nos transmite. Na boca confirma-se tudo, enche o palato de sabor, muita laranja num toque acre e ao mesmo tempo doce, prolonga-se de modo untuoso e persistente no final. Por tudo isto é neste momento residente habitual do meu frigorífico, a ligação com salada de frutas a doces variados é muito boa, a ligação com chocolate negro com laranja é excelente. 92 pts

12 maio 2012

Vinhos de uma vida... António Saramago


Quero com este texto prestar a minha homenagem a um dos grandes nomes da Enologia de Portugal e do Mundo, o seu nome é António Saramago. Formado pelo Instituto Superior de Enologia de Bordéus, é produtor e enólogo consultor de vários outros projectos. A marca que deixa nos vinhos que elabora é precisa, metódica, atinge com mestria de relojoeiro Suiço a excelência em alguma das suas criações. Os vinhos que fez e que continua a fazer com aquele savoir-faire da escola de Bordéus, grande exemplo com os "seus" Tapada de Coelheiros, ou os encantos dos seus vinhos na Serra de Portalegre ou até mesmo os vinhos que criou na Adega Cooperativa da Granja. Se acham isto pouco então ainda se poderá acrescentar a mestria como domina os Moscateis, a arte que imprimiu em alguns dos grandes da casa José Maria da Fonseca e que nos dias de hoje cria com a sua própria marca. É muito mais que um enólogo, é um  Mestre, alguém que tem a capacidade de nos fazer sonhar, que nos cativa com a sua voz serena e pausada, que nos inunda com a sua sabedoria, com a paixão com que fala dos seus vinhos e dos vinhos que gosta.

Foi num destes dias que a seu convite me desloquei a sua casa, uma prova muito especial, privada e apenas para alguns sortudos em que para além de tudo se ficou a conhecer a obra de vida de um Senhor do Vinho.

Conversa amena, os vinhos iam desfilando e provando à medida que se ia ouvindo e questionando, são já 50 anos de dedicação em que se abordou a sua paixão pelo Moscatel, pelos vinhos da sua terra Palmela e pela sua passagem no Alentejo. A prova começou pelos vinhos de Palmela, os António Saramago Reserva, vinhos de excelente relação preço/qualidade onde brilha a casta Castelão de vinha velha que António Saramago defende e aprecia, temperada com alguns pingos de Alicante Bouschet... todas as colheitas a mostrarem vinhos com raça, bastante frescura e uma capacidade de nobre evolução de se lhe tirar o chapéu. São vinhos que precisam de tempo, não é vinho para enófilo apressado. Atualmente no mercado está o Reserva 2009 naturalmente o mais austero, fruta sólida, especiaria com madeira ainda que suave bem presente. Tudo muito jovem com grande alarido, denso, enrugado na boca, vegetal e por refinar e aprumar o seu conteúdo... é e vai ser grande. O 2007, vivaço, seco e estruturado, muito rico com frescura da fruta limpa e viva, mais domesticado que o 09 embora ainda com tempo nas pernas. Nos finalmente o 2005 e o 2003 que seria na altura o Escolha Palmela, o 2005 é um vinho em que se sente claramente o perfil Reserva mas muito pronto a beber, tudo mais calmo, cacau, pimenta, refinado e refrescante bálsamo vegetal e fruta serena com cereja, enquanto isto o 2003 está na sua plenitude, fino, fresco, com muita coisa boa a aparecer no nariz e na boca, saboroso e fresco... claramente todos eles a mostrar que a Castelão é uma casta a ter muito em conta. Por último nesta senda, o Escolha Alentejo 2001, vinho com uvas ali de Ferreira do Alentejo, apesar da prova contida com alguma frescura mostra que já teve melhores dias, perde muito ao lado dos outros colegas.


Ainda no Alentejo e rumando a Portalegre, o topo de gama de António Saramago de nome Dúvida. Este vinho surgiu na colheita 2005 e é lançado apenas quando se entende que deve ser lançado, aqui nesta prova esteve o 2008, um grande vinho do Alentejo ali da zona que o viu nascer, é vinho sem grande modernismo... remexe a memória com outras coisas que se beberam vai para largos anos ali daquela zona, ainda austero mas permitindo boa aproximação, o bouquet é magnético e tem a capacidade de atrair o mais desprevenido, flores, fruta madura, madeira, tudo muito lá... tudo muito fácil e ao mesmo tempo complexo. Um grande vinho do Alentejo a acompanhar muito de perto nos próximos tempos... dito isto deu-se um salto até à Herdade do Porto da Bouga onde se provou o Garrafeira 2003, este vinho mora nas prateleiras das grandes superfícies, pessoalmente foi o que menos me disse, algo impessoal e achei de fraca atitude, nada do que as primeiras colheitas que dali vi sair me tivessem mostrado ou acostumado, saudoso 2002. Depois foi entrar nos históricos, em que brilhou bem alto o Tapada Coelheiros 1996. Para último ficou a prova de dois vinhos Moscatel, o Reserva 2007 a mostrar-se um moscatel fresco, frutado e de consumo mais descontraído, por outro foi provado a estrela da companhia o JMS Superior 1993. Todos os vinhos vão ser alvo de prova mais detalhada, a ser colocada a devido tempo.
Deixo aqui o meu agradecimento e os parabéns pelos 50 anos de fantásticos vinhos que tão bons momentos  acompanharam e proporcionaram.

23 outubro 2011

José Maria da Fonseca Evento Wine Bloggers


Digam o que disserem, pensem o que pensarem a verdade é que a comunidade de wine bloggers tem vindo a crescer e a ganhar cada vez mais consistência e importância junto dos eno-consumidores e por seu turno junto dos produtores de vinho. O trabalho totalmente independente e sem cabos de ligação à máquina dá uma total liberdade aos bloggers de vinho, a tal voz do consumidor para o consumidor, a tal voz de alguém que comunica directamente com os seus sem ostentar galões de qualquer coisa.Fala-se abertamente, fala-se sobre o que se quer, avalia-se livremente o que se quer, escreve-se por gosto e não por obrigação, são vozes e palavras visitadas a nível global e não local, por milhares de pessoas que em número suplantam qualquer edição revisteira... sim são os eno-bloggers e vieram para ficar. Grande parte dos produtores nacionais começam a dar a importância que esse grupo veio a construir e a merecer com o passar do tempo, hoje em dia é já uma confirmação e para mim é um orgulho e uma enorme alegria quando vejo todo esse trabalho ser recompensado desta forma.

Foi no passado dia 22 de Outubro que o produtor José Maria da Fonseca abriu portas para receber os Wine Bloggers realizando um evento dedicado aos mesmos a fim de poderem provar as mais recentes novidades no mercado, conhecerem a sua história e respectivas instalações, seguido de um almoço de convívio cheio de enormes surpresas. Para mim seria a segunda vez que ali entrava, rever todo aquele património único no Mundo, respira-se história em cada recanto, o conhecer mais do que os vinhos mas sim as instalações é uma obrigação para qualquer enófilo, desde passar pela sala onde repousam os Torna Viagem, admirar a Casa das Bonecas ou vaguear pelas várias adegas, desde a imponente Adega do Periquita até à escura e misteriosa Adega dos Teares Velhos onde repousa a Frasqueira.

Como todo o Peregrino de Santiago o chegar ao destino, ao final do Camino e aquele estar-se perante a Catedral é um preencher de alma enorme, um completar de uma vontade... o poder percorrer aquela a que considero a Catedral do Vinho Moscatel vulgo Adega dos Teares Velhos é uma dessas mecas enófilas... eu enófilo me confesso, pois é um daqueles locais especiais que estamos fartos de ver em livros e revistas, que aparecem na TV mas que depois quando lá chegamos sentimos que um tal vazio se preencheu. O que ali mora são sem sombra de dúvida vinhos de status Mundial, não me venham com a conversa do melhor do mundo só porque tem um selo colado na garrafa... não, é mentira, os Melhores do Mundo moram naquela fantasiosa escuridão, naquelas madeiras velhas que respiram décadas com sonhos por engarrafar ou servir de base para outros tantos sonhos bons que qualquer enófilo gosta e quer ter nem que seja por uma vez na vida.

A prova de vinhos contou com a presença do Engº Domingos Soares Franco, que guiou todos os presentes pelos melhores vinhos da casa, novos lançamentos ou vinhos já no mercado, desde os brancos aos tintos, pelo meio dois curiosos e estimulantes tira teimas acerca da casta Verdelho Vs Verdejo e outro onde deu para comparar as diferenças de fermentação da casta Grand Noir em Lagar, Cuba e Talha, terminaríamos as provas com Moscatel e Bastardinho. O evento iria terminar num almoço de confraternização, acompanhado por 3 ícones da casa e onde iríamos ter uma enorme surpresa e um verdadeiro privilégio, que deixou a todos com um enorme sorriso na cara, mas tudo isto será contado no seu devido tempo com direito a artigo próprio. 

Para finalizar quero deixar os meus mais sinceros agradecimentos à empresa José Maria da Fonseca, no nome de Sofia Soares Franco e do Engº Domingos Soares Franco pelo fantástico dia que me proporcionaram.
 
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