O produtor Jacques Puffeney é considerado por muitos como o grande produtor da região de Jura (França). Correm rumores que caminha para a reforma e como terá deixado parte das suas vinhas a um produtor da região, este 2014 será das suas últimas criações. Elaborado a partir da casta local de nome Poulsard, oriunda das vinhas "especiais" em Montigny-les-Arsures, explica o M no rótulo. Assim que nos cai no copo franzimos o sobrolho, parece sumo de romã e mal levamos ao nariz sai aquele uau de surpresa no segundo seguinte. Tonalidade ruby muito aberto, muito fresco com muita fruta o que é bom com predominante maçã vermelha, cerejas a variar entre as mais ácidas e as mais doces, um misto de tudo misturado com um travo herbáceo bem fresco, chá preto. O fundo é mineral, terroso, áspero, mas tudo o que mostra antes é fresco, cheiroso e de uma enorme afinação. Um mundo que como tantos outros vale a pena ficar a conhecer. 89 pts
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29 março 2017
09 novembro 2016
Famille Perrin Réserve Côtes du Rhône Blanc 2014
O vinho em causa não é com toda a certeza o último raio de sol, mas sabe bem e destaca-se pela diferença de aromas e sabores, tendo em conta o que por cá costumamos encontrar. É criado pela família Perrin, cujo nome está associado ao Château de Beaucastel (Chateauneuf-du-Pape) e de onde sai um branco muito especial já aqui mencionado. Nascido como um Côtes du Rhône, o preço ronda os 12€ em garrafeira, resulta de um lote de Grenache Blanc, Marsanne, Roussanne e Viognier. De perfil muito franco, bem definido com ervas aromáticas, floral com tudo muito fresco e bem embrulhado, num misto de fruta de pomar bem madura e sumarenta. Muita harmonia, equilíbrio e frescura no palato, saboroso com ligeira mineralidade a fazer-se sentir no fundo. Acompanhou queijos, enchidos, uma terrina de caça com frutos vermelhos e muita conversa, nem ele se queixou nem nós. 90 pts
12 fevereiro 2016
André Clouet "Grande Réserve" Grand Cru Brut NV
Os Grand Cru de Bouzy e Ambonnay são o epicentro da casta Pinot Noir na região de Champagne, entre os dois a família Clouet dispõe de cerca de 8 hectares. Os vinhos repousam nas caves da família que desde o séc. XVII se dedica à produção de Champagne. Os Champagnes de André Clouet são um mundo à parte que tem passado ao lado dos mais distraídos que quase sempre se deixam levar pelas marcas mais sonantes. Mostram-se como aquilo que são, excelentes peças de ourivesaria com um refinamento fantástico desde o entrada de gama até ao topo da escada. Capta a atenção ao primeiro contacto com uma fresca sensação de mousse de limão, ameixa branca, limpo e de tremenda elegância. Sorrimos e voltamos a rodopiar o copo, mais fruta descascada a lembrar cereja amarela, concentrado de aromas e sabores, mais frescura, mineralidade a dominar o fundo. Boca com enorme elegância e frescura, faz-se sentir a fruta de forma limpa e saborosa, muita finesse com envolvente de mousse e final com boa secura e persistência. Um vinho que se compra online num patamar que ronda os 28€ muito longe da roubalheira que se verifica em Portugal. 92 pts
29 outubro 2014
Château de Fesles - Bonnezeaux 2003
Os vinhos do Loire (França) fazem parte do lote dos meus favoritos, gosto da variedade de estilos que encontramos nas castas Melon de Bourgogne, Chenin Blanc, Sauvignon Blanc ou Cabernet Franc, da belíssima capacidade de envelhecimento que grande parte dos vinhos tem e pela identidade muito própria do local que alguns produtores conseguem sabiamente transmitir através dos seus vinhos.
Em Anjou-Saumur reside a melhor expressão da uva Chenin Blanc, a pequena Coteaux du Layon alberga duas fantásticas AOC, Quarts de Chaume e Bonnezeaux, exclusivas para vinhos doces de topo. Em destaque o Chateau de Fesles 2003, um belíssimo vinho onde surge a botrytis acompanhada de um fantástico equilíbrio entre a riqueza da fruta e a acidez. O vinho conquista no imediato, envolvente e sedutor, untuoso e delicado com notas de pêssego e laranja, noz moscada, baunilha, fundo a desvendar a botrytis de forma subtil e muito elegante a mistura entre sensação de cremosidade com toda a frescura de uma fruta muito limpa e rodeada de aromas muito bem detalhados. Não compromete em momento algum, untuoso no palato, forra tudo com saborosas notas de fruta, especiarias, calda de fruta bem fresca, aveludado mas profundo e delicioso... uma tentação pois quando o copo esgota procuramos por mais uma gota na garrafa. 94 pts
08 dezembro 2013
Domaine des Baumard Quarts de Chaume 2006
É um dos segredos mais bem guardados no que a vinho doce diz respeito, nas vinhas de Chenin Blanc plantadas ao longo do rio Layon (Loire), fica um local muito especial, a appellation Quarts de Chaume. É daqui que sai o topo de gama do Domaine des Baumard, num local com condições favoráveis ao desenvolvimento da Botrytis, aqui na colheita 2006. Famoso e ao mesmo tempo controverso o Domaine des Baumard conseguiu com este vinho criar um verdadeiro monstro sagrado com poucos rivais à altura, basta provar o 2005 para se entender aquilo que falo. Um vinho que podendo ser bebido no imediato vai durar e ganhar bastante com o tempo em garrafa, o prazer esse está mais que garantido com todo o detalhe e rendilhado associado às mãos de um dos grandes mestres. Paga-se um preço a rondar os 45/50€ depende da colheita em causa por uma garrafa de 0.75cl que vale cada cêntimo tendo em conta a excelência com que nos presenteia.
Delicado e preciso, fruta muito pura e madura (alperce, pêssego, clementina, manga) envolto em calda fina e cheio de frescura com toque evidente de botrytis, flores, enorme complexidade de fino rendilhado, invoca sensação de untuosidade. Apetece cheirar uma e outra vez sem parar, na boca entra macio e envolvente, conquistador com sabor e frescura, guloso, lascivo, harmonia e finesse, mineralidade a dominar o pano de fundo. Muito puro, muito singelo mas com belíssima presença de todas as suas componentes onde dá primazia a uma fantástica harmonia de conjunto. Bebe-se até ao fim da garrafa, ficamos a olhar para os amigos e sorrimos, olhamos para o copo e despejamos a última gota, grande vinho. 95 pts
25 novembro 2013
Clos Floridène blanc 2012
É no terroir de Graves (Bordéus) dominado pelo cascalho e de forte presença calcária, que nascem vinhos brancos de enorme qualidade e com forte personalidade. O Clos Floridene, criado por Denis Dubordieu, apelidade como o mestre dos brancos de Bordéus, tem como base um lote de 52 % Sauvignon Blanc - 47 % Sémillon - 1 % Muscadelle com direito a passagem por madeira. Este branco seco tem a amabilidade de envelhecer nobremente, muito sereno ganha com cada ano de garrafa, por agora o 2012 mostra um nervoso miudinho de como quem ainda anda a decorar o guião. O preço varia conforme o local, mas encontra-se com preços que variam entre os 15-19€.
Todo ele puro, repleto de fruta branca, notas de limão maduro e rechonchudo e alguma flor, pêssego, pelo meio mostra leve tosta, croûtons, com final marcante e muito mineral (pederneira). Vinho sério, cheio de sabor, secura com o fruto de caroço a marcar presença, pêra bem rija, tenso com corpo médio e todo ele a mostrar elegância e pureza. Apesar da prova que dá ser muito boa está claramente virado para brilhar daqui por um par de anos, dizem que é feito para a barreira dos 10 anos, eu não sei se o consigo aguentar tanto tempo assim no descanso da cave. De momento, servido com dupla decantação, brilha a acompanhar um Arroz de Lingueirão. 92 pts
21 fevereiro 2013
Dominique Cornin Pouilly-Fuissé 2008
A Borgonha cobre aproximadamente 175 km de Chablis no Norte até Beaujolais no Sul. Com excepção de Chablis, isolada do resto da região, as vinhas são quase contínuas. Há várias AOCs e é em Mâconnais mais especificamente na sua appellation Pouilly-Fuissé (a mais conhecida) que a conversa se vai centrar. O produtor é Dominique Cornin, a quarta geração de uma família desde sempre ligada à terra e ao vinho, cada uma das parcelas que possui contam a história da sua família, vinhas que foram plantadas entre 1909 e 1965, nos solos calcários da região. A intervenção é a menos possível, segue as leis da biodinâmica como tantos outros da região, pouca produção, respeito pelo solo, muito pouca madeira e quase sempre usada, com o inox e o cimento a fazerem parte da grande parte dos vinhos.
Vinho com nervo, seco, mineral a lembrar pederneira, com fruta madura e bem limpa apesar da forma delicada como se mostra cativa e mostra muita boa qualidade, pêra, citrinos com limão em destaque e leve melado. Na boca de cantos arredondados pela idade, suponho que em novo seria todo ele bem mais tenso, agora mais calmo e dialogante, com sabores bem delineados, aparece ananás maduro e mais uma vez a mineralidade marca e arrasta no palato até final. Numa mistura com bela acidez cítrica, é um vinho do qual não me importarei de voltar pois é na mesa que se mostrou mais à vontade. Só mostra que se pode beber um bom vinho da Borgonha sem ter de deitar a casa pela janela. Para o acompanhar fui buscar inspiração à Catalunha, optei por fazer um Romesco de Peix, 90 pts
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| Photo by Miguel Pereira |
20 março 2010
Château Caillou 2005
O Château Caillou fica situado em Barsac, um dos 5 municípios que fazem parte da Appellation d´Origine Contrôlée abreviada por A.O.C. Sauternes (ao sul de Bordéus). Segundo a classificação de 1885 é um Grand Cru Classé, nesta perspectiva ainda temos acima os Premiers Crus e o Premier Cru Supérieur exclusividade do mítico Château d´Yquem.
A propriedade foi comprada por Joseph Ballan em 1909, hoje ainda se mantém na família, com os 13 hectares de vinha a manterem-se tal como tinham sido classificados em 1855, num total de 6600 plantas por hectare, distribuindo-se por 90% Sémillon e 10% Sauvignon Blanc em solos calcários. A produção varia entre as 22.000 e as 26.000 garrafas por ano.
A propriedade foi comprada por Joseph Ballan em 1909, hoje ainda se mantém na família, com os 13 hectares de vinha a manterem-se tal como tinham sido classificados em 1855, num total de 6600 plantas por hectare, distribuindo-se por 90% Sémillon e 10% Sauvignon Blanc em solos calcários. A produção varia entre as 22.000 e as 26.000 garrafas por ano.
Castas: Semillon, Sauvignon Blanc - Estágio: fermentação em barricas novas com envelhecimento durante 24 a 30 meses. - 13,5% Vol.
Tonalidade amarelo dourado pálido de mediana intensidade.
Nariz com aromas de boa intensidade, frescos, limpos, delicados e a mostrar finura de trato. Citrinos em grande parte cristalizados (limão e tangerina), mel, ananás em calda, gengibre fresco, lemongrass com leve nota fumada em fundo.
Boca com corpo mediano/baixo, boa acidez a contrabalançar com uma doçura que se mostra suave, direi mediana, num todo delicado, subtil, com fruta fresca e alguma untuosidade/cremosidade a meio palato. Recortes ao nível do encontrado no nariz, citrinos frescos, gengibre fresco, em boa espacialidade com final de boca de persistência média.
Neste vinho o destaque vai para uma linha de elegância associada a uma delicadeza de conjunto, aquilo que mostra parece surgir de forma algo dissipada (não queria dizer apagada... mas talvez algo polida) sem perder qualidade mas ao mesmo tempo também não permite grandes entusiasmos à sua volta. Fora isto, torna-se bastante agradável de se beber, o problema é que a meu ver pelo preço pedido exige-se mais qualidade, aqui falamos num vinho que ronda os 42€ (preço da Wine Time) o que o torna obviamente um vinho caro para as sensações que nos oferece. Alguns colheita tardia nacionais em nada lhe ficam a dever, no que toca a qualidade, obviamente que o perfil é diferente mas por muito menos €€€€ o prazer que dão é muito mais compensador. 15,5 - 89 pts
17 março 2010
Chateau Caillou d´Arthus 2005
Mais um vinho proveniente de Bordéus, desta vez é um Saint-Émilion Grand Cru de nome Chateau Caillou d´Arthus 2005. Queria deixar uma não muito detalhada chamada de atenção, pois neste caso (Saint-Émilion) o simples facto de um vinho ostentar Grand Cru no rótulo no que a qualidade diz respeito pouco tem de relevante, podendo iludir por isso os menos esclarecidos no acto da compra. Os vinhos que realmente se destacam ou direi mesmo, aqueles que interessam nesta "appellation" são aqueles que são classificados (Classés) por uma espécie de comité que classifica os Domaines pelas visitas que faz e pelas provas realizadas das últimas 10 colheitas, neste caso a classificação de 2006 tem em conta as colheitas desde 1993 a 2002, que depois são divididos nos topo como os Premiers Grands Crus Classés A ou B, e Grands Crus Classés. O Grand Cru surge naqueles que não são sequer classificados, e a diferença entre um vinho que ostente Grand Cru com um que não tenha essa indicação é apenas devido à aplicação da lei da dita "appelation" que permite a um produtor colocar Grand Cru no rótulo apenas e só por detalhes da vindima, ter um mínimo de 11% Vol. e vindimar um máximo de 40hl/ha enquanto o que não tem Grand Cru no rótulo tem um máximo de 45hl/ha. Portanto um vinho pode ostentar Grand Cru que pouco significa no que a qualidade toca...
Chateau Caillou d´Arthus 2005
Castas: n/d - Estágio: n/d - 14% Vol.
Tonalidade ruby escuro de concentração média.
Nariz um pouco cerrado ou mesmo pouco comunicativo, sem grande intensidade, comedido, fruta escura com notas de groselha e cereja, tudo limpo e fresquinho. O vinho é todo ele fresco, talvez mais vegetal que frutado, com alguma especiaria presente, azeitona, barrica aporta alguns fumados, conjunto fino e com alguma harmonia.
Boca delicada, fruta presente com vegetal fresco (rama do tomate), alguma secura dada pelos taninos presentes, mediano de espacialidade, consegue agradar pela facilidade que mostra na prova, sem grandes complicações pelo meio, em final de boca de persistência média.
Um vinho que cresce ligeiramente no copo quando nos é servido, aguenta-se e começa lentamente a murchar, parece que perde força quando mais se precisa dele. Falando simples, é um vinho que se bebe bem mas que no final da garrafa esquecemos do que bebemos, não cria empatia, não é um daqueles vinhos que apetece comprar nem sequer é boa compra pelo preço indicado na Wine-Time, onde ronda os 20€. Não basta dizer Bordéus e ostentar Grand Cru no rótulo para ser garante de sucesso nem de alta qualidade, o preço esse é sempre puxado e o consumidor infelizmente cai na esparrela... há casos em que mais vale investir a sério €€€€€ do que ficar arrependido. Mais uma vez enalteço e destaco, há vinho Made in Portugal mais barato e melhor que este genérico... 15 - 87 pts
Castas: n/d - Estágio: n/d - 14% Vol.
Tonalidade ruby escuro de concentração média.
Nariz um pouco cerrado ou mesmo pouco comunicativo, sem grande intensidade, comedido, fruta escura com notas de groselha e cereja, tudo limpo e fresquinho. O vinho é todo ele fresco, talvez mais vegetal que frutado, com alguma especiaria presente, azeitona, barrica aporta alguns fumados, conjunto fino e com alguma harmonia.
Boca delicada, fruta presente com vegetal fresco (rama do tomate), alguma secura dada pelos taninos presentes, mediano de espacialidade, consegue agradar pela facilidade que mostra na prova, sem grandes complicações pelo meio, em final de boca de persistência média.
Um vinho que cresce ligeiramente no copo quando nos é servido, aguenta-se e começa lentamente a murchar, parece que perde força quando mais se precisa dele. Falando simples, é um vinho que se bebe bem mas que no final da garrafa esquecemos do que bebemos, não cria empatia, não é um daqueles vinhos que apetece comprar nem sequer é boa compra pelo preço indicado na Wine-Time, onde ronda os 20€. Não basta dizer Bordéus e ostentar Grand Cru no rótulo para ser garante de sucesso nem de alta qualidade, o preço esse é sempre puxado e o consumidor infelizmente cai na esparrela... há casos em que mais vale investir a sério €€€€€ do que ficar arrependido. Mais uma vez enalteço e destaco, há vinho Made in Portugal mais barato e melhor que este genérico... 15 - 87 pts
16 março 2010
Chateau Le Crock 2005
Pertence à família Cuvelier (Château Léoville-Poyferré) desde 1903, o Château Le Crock fica situado entre o Château Cos d’Estournel e o Château Montrose. Conta com 32,5 ha de vinhedo com 65% Cabernet Sauvignon, 25% Merlot, 2% Cabernet Franc e 8% Petit Verdot. Depois de 1994 entrou Michel Rolland dando consultadoria aos Domaines Cuvelier, resultando com isto em 1999 um grande investimento no que toca à qualidade dos vinhos produzidos, que resultaria em 2003 na atribuição do titulo de Cru Bourgeois Supérieur.
Para todos aqueles que perguntam o que é Cru Bourgeois, é uma classificação que surgiu nos vinhos na península de Médoc, para classificar os primos pobres dos parentes mais aristocratas (classificados em 1885) da zona. É apenas e só uma designação de qualidade, nada mais, e também uma maneira de promover os menos conhecidos, englobando 3 categorias, os Cru Bourgeois Exceptionnel, Cru Bourgeois Supérieur e Cru Bourgeois. O vinho em causa está classificado segundo a última classificação feita em 2003 (entretanto anulada) como um Cru Bourgeois Supérieur.
Para todos aqueles que perguntam o que é Cru Bourgeois, é uma classificação que surgiu nos vinhos na península de Médoc, para classificar os primos pobres dos parentes mais aristocratas (classificados em 1885) da zona. É apenas e só uma designação de qualidade, nada mais, e também uma maneira de promover os menos conhecidos, englobando 3 categorias, os Cru Bourgeois Exceptionnel, Cru Bourgeois Supérieur e Cru Bourgeois. O vinho em causa está classificado segundo a última classificação feita em 2003 (entretanto anulada) como um Cru Bourgeois Supérieur.
Castas: Cabernet Sauvignon 60%, Merlot 25%, Cabernet Franc 10%, Petit Verdot 5% - Estágio: 12 a 18 meses em barricas novas renovadas cada ano a 30% - 13,5% Vol.
Tonalidade ruby escuro de média/alta intensidade
Nariz com muita fruta vermelha bem madura e fresca (amora, groselha), pequeno apontamento de licor das mesmas, com chocolate e alguma geleia que dá um toque adocicado à fruta, num bouquet fino/delgado e de mediana intensidade. Alguma tosta da barrica, baunilha discreta, camurça, especiaria (pimenta preta) e toque vegetal seco em fundo.
Boca de entrada suave e fresca, corpo médio com a fruta a mostrar-se ao nível do nariz, chocolate e travo vegetal (eucalipto), sente-se fragilidade mas ao mesmo tempo segurança, um vinho simples mas bem feito, com taninos finos e presentes a darem ligeira secura ao conjunto, num vinho que parece ficar um pouco acanhado no seu todo em final de boca mediano.
Que é um vinho bem feito não há duvidas, tem a sua dose de interesse, mas sem grande complexidade ou mesmo presença quer de aromas ou de sabores, pede-se um pouco mais de presença a nível de nariz e de boca, mais intensidade, mais garra, mais volume... mais alma e a nota final seria outra. Tudo aqui me pareceu querer ficar num plano algo discreto, não destoa mas também não apaixona, direi que é dos que voa baixinho considerando alto o preço pedido pela Wine Time (cerca de 34€) para a qualidade apresentada e neste caso não precisamos de sair de Portugal para encontrar melhor e bem mais barato.
15,5 - 89 pts
15,5 - 89 pts
18 fevereiro 2010
Château Monbousquet 2001
Nos dias que correm cada vez mais é preciso saber onde investir o dinheiro no que toca a vinho de qualidade. Digo isto porque na realidade há cada vez mais gato por lebre e vinhos que custam pequenas fortunas revelam-se com a idade, autênticos flops bafejados muitas vezes por "publicidade" enganadora. Ninguém duvidará que é o factor tempo que define um grande vinho de um vinho que supostamente deveria ser grande, até porque pelo preço a isso obrigava. Em Portugal também se corre cada vez mais esse risco, alguns dos vinhos parecem querer andar na moda e de vez em quando lá se "inventa" uma qualquer maravilha enológica carregada de madeira e/ou de fruta confitada com uma boa injecção de acidez para castigar aquele açúcar residual que teima em sair das marcas... resultado ? Vinhos que após o segundo copo está tudo farto, vinhos que em vez de ganharem atributos perdem-nos, mesmo quando alguns teimam em dizer que refinou afinou e melhorou, onde claramente a fruta perdeu vigor ou quando não entra logo em modo compota, confitado, e a boca já foi deixando metade das coisas boas que tinha pelo caminho. Faz alguma confusão verificar que em sites internacionais alguns desses nossos vinhos aparecem com a indicação de PAST MATURITY, enquanto outros do mesmo ano e vindos lá de fora, em que o preço muitas das vezes é igual ou inferior a indicação é Mature ou Not Ready... será que lá fora entendem de tudo menos dos nossos vinhos ? Será que cá dentro é que temos razão e lá fora anda tudo enganado ? Porque é que as notas cá dentro são de 18 valores (95 pontos) e lá fora não passam dos 91 pontos (16,5 valores) ? Afinal o que falha no meio disto tudo ?
Um dos vinhos que me levou a escrever tudo isto foi um Château Monbousquet 2001, que pelo preço que pedem por ele e pela prova que deu, é sem dúvida uma aposta mais que segura para se beber agora ou daqui a mais uns anos, a garantia de que vai estar melhor é o que o distingue de tantos outros do mesmo preço e ano que já ficaram pelo caminho. Em jeito de pequena apresentação, as origens do Chateau Monbousquet remontam a 1540, mudou de mão várias vezes, tendo sido construído definitivamente em 1779, ganhou fama no século 19 e quando esteve na posse do Conde de Vassa-Monviel que deteve a propriedade entre os anos 1858 e 1877, viu a área de vinha ser aumentada tal como a produção.
É em 1993 que Gerard Perse (Chateau Pavie) toma conta do Chateau Monbousquet, levando a cabo uma renovação de fundo no que toca ao sistema de drenagem, cave de envelhecimento e equipamento topo de gama, colocando os seus vinhos cada vez mais em lugares de destaque, tendo passado para Grand Cru classé em 2006. A idade média das vinhas rondará os 28 anos e a enologia está a cargo de Michel Rolland, produzindo-se deste 2001 cerca de 150 mil garrafas.
Um dos vinhos que me levou a escrever tudo isto foi um Château Monbousquet 2001, que pelo preço que pedem por ele e pela prova que deu, é sem dúvida uma aposta mais que segura para se beber agora ou daqui a mais uns anos, a garantia de que vai estar melhor é o que o distingue de tantos outros do mesmo preço e ano que já ficaram pelo caminho. Em jeito de pequena apresentação, as origens do Chateau Monbousquet remontam a 1540, mudou de mão várias vezes, tendo sido construído definitivamente em 1779, ganhou fama no século 19 e quando esteve na posse do Conde de Vassa-Monviel que deteve a propriedade entre os anos 1858 e 1877, viu a área de vinha ser aumentada tal como a produção.
É em 1993 que Gerard Perse (Chateau Pavie) toma conta do Chateau Monbousquet, levando a cabo uma renovação de fundo no que toca ao sistema de drenagem, cave de envelhecimento e equipamento topo de gama, colocando os seus vinhos cada vez mais em lugares de destaque, tendo passado para Grand Cru classé em 2006. A idade média das vinhas rondará os 28 anos e a enologia está a cargo de Michel Rolland, produzindo-se deste 2001 cerca de 150 mil garrafas.
Castas: Merlot (60%), Cabernet Franc (30%) e Cabernet Sauvignon (10%) - Estágio: 18 meses em barricas novas - 13,5% Vol.
Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.
Nariz que nos invade com notas de fruta negra bem fresca e madura (groselha, cereja e amora), com toque de licor de groselha presente com o tal "regaliz". Um vinho que se mostra algo fechado de início, mesmo com ligeira nota terrosa a dissipar com tempo de copo, mostra boa complexidade e profundidade, vegetal seco a lembrar caruma de pinheiro, grão de café, especiaria (pimenta preta), tabaco, toque fumado com a madeira plenamente integrada, num conjunto que mostra harmonia, frescura e complexidade.
Boca com boa estrutura, sente-se um vinho fresco e levemente encorpado, mas ao mesmo tempo a mostrar sinais evidentes de nobreza. A fruta marca presença ao mesmo nível do sentido no nariz, fresca, bem madura, fruta que quase nos sentimos a trincar na boca, tudo isto acompanhado por um travo de pimenta preta, vegetal seco, café e pontinha de licor de groselha perdido no meio de tanta coisa boa. Sente-se ainda um leve fumado, uma leve tosta, a madeira está toda ela discreta mas a fazer o que lhe compete, num todo que mostra um belíssimo equilíbrio entre a força (no sentido de que tudo se sente muito vivo e com vontade de se mostrar) e a harmonia do conjunto, tal como a frescura que acompanha o vinho de uma ponta à outra, que juntamente com uns taninos finos e ainda com algumas pontas por limar lhe conferem certamente mais uns bons anos pela frente. Tudo em final de boca onde se realça a fruta em persistência média/alta.
É certamente um valor mais que seguro e que merece estar na garrafeira de todos os apreciadores de bom vinho, o preço pode não ajudar na altura da compra pois falo de um vinho que pedem em Portugal cerca de 45€ por garrafa, encontra-se lá fora mais barato, mas há por aí tanto vinho que não merece o preço e continua a ser vendido. Este certamente é aquilo que podemos apelidar de um vinho sério, com alto pendor gastronómico. Certamente se irá pensar que há vinhos com a mesma nota que custam bem menos €€€ que este, certo, mas neste caso falamos de França - Bordéus - Grand Cru - Longevidade - Qualidade - Prazer - Mesa. 17 - 93 pts
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