Copo de 3: 2003
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10 janeiro 2020

Quinta do Carmo Reserva 2003


Fui vasculhar na garrafeira e decidi que era tempo de abrir este Quinta do Carmo Reserva da colheita de 2003. O vinho nasceu da joint venture existente na altura entre o grupo Lafite Rothschild e a Bacalhôa Vinhos de Portugal. O lote composto por Aragonez, Castelão, Trincadeira, Syrah e Cabernet Sauvignon com longa passagem por madeira. O vinho em nada se compara com os da actualidade, aqui a respirar muito mais os ares de Bordéus. Qualidade muito alta num tom de requinte e saber estar, taninos no sítio, aprumado mas com a fruta ainda a mostrar frescura e vigor. Depois uma complexidade que se desdobra em camadas, caixa de especiarias com um bouquet elegante e convidativo. A idade deu-lhe finesse, boca ainda com vigor, muito sabor da fruta a vincar o palato num final sedoso e apimentado. Apenas resta enaltecer o prazer que dá neste momento a acompanhar um Beef Wellington.

16 abril 2018

Dona Maria Reserva 2003

Em 2006 quando provei este vinho escrevi o seguinte: Há mais de 130 anos que se produz vinho na Quinta Dona Maria ou Quinta do Carmo, é na colheita de 2003 que vemos o regresso ao activo daquele que é o seu actual proprietário, Júlio Tassara Bastos depois de nos ter deixado no passado com os famosos Quinta do Carmo Garrafeira 1985, 1986 e 1987, reconhecidos pela sua grande qualidade. Com um lote composto com Alicante Bouschet (50%), Aragonês, Cabernet Sauvignon e Syrah, com direito a fermentação em lagares de mármores e um ano de estágio em barrica de carvalho francês, sendo engarrafas 17.300 garrafas.

Doze anos depois volto a ele, agora em formato Magnum, para me deliciar com um vinho adulto, cheio de vida e num excelente momento do forma. O que se destaca é a finesse de todo o conjunto, a fruta surge ainda fresca e vivaça com uma capa acetinada de geleia que lhe confere um toque guloso, especiarias e um ligeiro balsâmico a meio. O fundo mantém o mesmo toque terroso e austero, prometendo que irá continuar em forma durante mais alguns anos em grande. Bebe-se e dá vontade de continuar, demasiado apelativo para que se consiga resistir em servir mais um copo. A noite era festiva e o vinho fez parte dela. 96 pts

22 março 2016

Tinto da Talha Grande Escolha 2003 a 2010



Desta vez rumo à vila de Redondo, mais propriamente à Roquevale que fica na estrada para Estremoz entre Redondo e a Serra D´Ossa. A empresa possui duas herdades num total de 185 hectares, a Herdade da Madeira Nova de Cima vocacionada para a produção de tintos onde despontam os solos de xisto e a Herdade do Monte Branco com solos de origem granítica mais vocacionada para a produção de brancos, onde está sediada a adega. A empresa que hoje se assume como a segunda maior empresa privada do Alentejo, a produção ronda os 3 milhões de litros por ano e é liderada pela enóloga Joana Roque do Vale.

O mundo do vinho e Joana Roque do Vale sempre andaram de mão dada, desde a infância em Torres Vedras onde os seus bisavôs eram produtores. Após a revolução de Abril o pai de Joana, Carlos Roque do Vale decide mudar-se para a vila de Redondo para tomar conta das duas herdades do sogro (que em 1970 já tinha iniciado a plantação de vinha na zona de Redondo). A Roquevale iria nascer em 1983 de uma sociedade entre Carlos Roque do Vale e o seu sogro. O caminho de Joana estava traçado, o mundo do vinho era a sua segunda casa, daí até fazer o seu estágio curricular na Herdade do Esporão foi um ápice. Aprendeu com os melhores, como coordenador de estágio teve o engenheiro Francisco Colaço do Rosário e o enólogo Luís Duarte que já na altura era também consultor da Roquevale. Terminado o curso começou a trabalhar na empresa da família onde iria assumir pouco tempo depois a enologia da empresa.

Um produtor com marcas bem conhecidas dos consumidores onde se destacam nomes como Terras de Xisto, Tinto da Talha ou Redondo. O vinho agora em destaque foi durante largos anos considerado como o topo de gama da empresa, o Tinto da Talha Grande Escolha que nos mostra as duas melhores castas de cada colheita. A prova em formato vertical começou com o 2003 e foi até ao 2010, mostrando em todas as colheitas um vinho que encarou com naturalidade a passagem do tempo, sem sinais de desgaste ou velhice acentuada. Sempre com direito a passagem por barricas novas, durante as primeiras colheitas destaca-se a assídua presença da Touriga Nacional que ia intercalando com Aragones ou Syrah, daria lugar depois à Alicante Bouschet que combina com Syrah ou Aragones sendo 2009 o único que junta Touriga Nacional com Alicante Bouschet.



O que mais gostei foi o 2010 Aragonês/Touriga Nacional que mostra uma dupla em perfeita harmonia num conjunto cheio de vida com muita fruta madura, algum vegetal presente, tudo em perfeita harmonia. Amplo, guloso, exuberante com ponta de rusticidade, num bom registo fiel à região e a pedir comida por perto. Muito bom está o Aragonês/Alicante Bouschet 2008 que mostra um conjunto cheio e guloso, cacau, fruta sumarenta com pingo de doçura, tudo balanceado e fresco, bálsamo de segundo plano com muito sabor no palato, equilibrado e com taninos a marcarem ligeiramente o final. Seguido bem de perto pelo 2003 junta Touriga Nacional/Aragonês que sendo a primeira colheita mostrou-se em muito boa forma a juntar a uma fruta vermelha ainda madura uma bonita frescura de conjunto com bálsamo fino, couro, especiarias, tudo em corpo médio ainda com energia e final longo. O Tinto da Talha Grande Escolha 2009 junta Touriga Nacional/Alicante Bouschet, inicio com vegetal fresco e fruta madura e de apontamento mais doce, de início algum químico, tudo muito novo cheio de garra e bastante sabor, boa frescura mas final um pouco mais curto do que se esperava.

O Aragonês/Syrah 2007 é de todos aquele que menos conversa, cerrado com aroma químico de início, cacau, pimenta, fruta envolta em geleia, frescura a envolver tudo com boca saborosa, rebuçado de morango em fundo com balsâmico num conjunto bem estruturado com bom suporte e persistência. Um vinho com muito ainda para dar e que certamente está em fase de arrumações. Da colheita 2004 Syrah com Touriga Nacional saiu um tinto com fruta vigorosa, muita pimenta com chocolate de leite, arredondado e coeso, ligeiro vegetal de fundo. Mostra a fruta bem limpa e saborosa, cereja ácida, amora, bom de se gostar. Para o fim ficaram as colheitas 2005 Touriga Nacional/Aragonês que se mostrou de todos o vinho mais aberto e espaçado, tímido mas a mostrar o cunho Roquevale bem patente. Muito melhor na prova de boca, que se fosse de igual gabarito no nariz, seria um caso muito sério. Por fim o que menos gostei, o Syrah/Touriga Nacional 2006 que despejou no copo aromas químicos com vegetal acentuado, num conjunto agreste, muita nota fumada, rusticidade a fazer-se sentir. Ligeira frescura na boca com alguma fruta em corpo mediano e sem ter a mesma prestação que os outros irmãos de armas.

17 abril 2015

Villa de Corullón 2003


Álvaro Palacios é nome de culto no mundo do vinho, desde a família na Rioja para o Priorato onde se lançou em 1990 e ganhou estatuto de lenda, depois juntou-se ao sobrinho Ricardo Perez e catapultou para as bocas do mundo uma casta e a respectiva região até então meio desconhecida, a Mencía na DOC Bierzo. A aposta foi claramente nas vinhas velhas daquela região, nomes como Fontelas, Las Lamas, Moncerbal, San Martin ou La Faraona cedo ganharam estatuto entre os mais grandes, disputados pelos sete cantos do mundo, caros e raros. De entrada de gama o Pétalos de Bierzo, seguido deste Villa de Corullón nascido de três velhas parcelas entre os 60-100 anos, cujo preço ronda os 35€.

Não tendo sido dos melhores anos deste vinho, destaca-se no imediato a limpeza de aromas, fresco e muito puro na fruta (groselha, cereja, framboesa) com lavanda, alcaçuz, tudo bem delineado com madeira plenamente integrada. Bem perfumado com notas de violetas, especiaria de fundo, algum caramelo de leite a conferir sensação de arredondamento. Boca com muita presença e frescura da fruta, cheio de sabor e vivacidade, coeso, especiado no fundo com leve bálsamo. Muita elegância e equilíbrio num vinho de grande classe. 93 pts

29 outubro 2014

Château de Fesles - Bonnezeaux 2003

Os vinhos do Loire (França) fazem parte do lote dos meus favoritos, gosto da variedade de estilos que encontramos nas castas Melon de Bourgogne, Chenin Blanc, Sauvignon Blanc ou Cabernet Franc, da belíssima capacidade de envelhecimento que grande parte dos vinhos tem e pela identidade muito própria do local que alguns produtores conseguem sabiamente transmitir através dos seus vinhos.

Em Anjou-Saumur reside a melhor expressão da uva Chenin Blanc, a pequena Coteaux du Layon alberga duas fantásticas AOC, Quarts de Chaume e Bonnezeaux, exclusivas para vinhos doces de topo. Em destaque o Chateau de Fesles 2003, um belíssimo vinho onde surge a botrytis acompanhada de um fantástico equilíbrio entre a riqueza da fruta e a acidez. O vinho conquista no imediato, envolvente e sedutor, untuoso e delicado com notas de pêssego e laranja, noz moscada, baunilha, fundo a desvendar a botrytis de forma subtil e muito elegante a mistura entre sensação de cremosidade com toda a frescura de uma fruta muito limpa e rodeada de aromas muito bem detalhados. Não compromete em momento algum, untuoso no palato, forra tudo com saborosas notas de fruta, especiarias, calda de fruta bem fresca, aveludado mas profundo e delicioso... uma tentação pois quando o copo esgota procuramos por mais uma gota na garrafa. 94 pts

09 abril 2014

Quinta dos Roques Garrafeira 2003

Nome maior em Portugal e referência obrigatória no que toca à região onde nasce, o Dão, a Quinta dos Roques será com toda a certeza dos mais consistentes produtores em solo nacional. Ao longo de mais de duas décadas a produzir vinhos fantásticos a Quinta dos Roques tem tido a capacidade de marcar o percurso enófilo de muita gente. Um dos grandes vinhos que ali é criado e o esplendor máximo no que a tintos diz respeito é o Garrafeira, surge nos anos noventa e aqui em prova na colheita 2003. Destaca-se desde logo a frescura e complexidade que debita no copo, simbiose perfeita entre o músculo mais moderno e a elegância mais clássica tão característica da região. Fruta muito limpa, cheio de vivacidade, boa compota, mato rasteiro, caruma de pinheiro, profundo e perfumado. Na boca é uma festa, cheio de harmonia, acidez a tomar conta do palato com muitas bagas silvestres bem sumarentas, especiaria, bergamota, amplo em grande estrutura, no caminho do acetinado em final muito longo. Um hino à região e um dos melhores pontas de lança que Portugal tem para oferecer. A beber até à última gota com um cabrito assado no forno. 96 pts

18 março 2014

Gouvyas Vinhas Velhas 2003

Gouvyas Vinhas Velhas é nome grande do Douro injustamente esquecido pelas lides enófilas dos tempos modernos, fruto do reboliço causado por paixonetas de ocasião. A Bago de Touriga é uma pequena empresa duriense liderada por Luís Soares Duarte e João Roseira, os vinhos que criam expressam o terroir único do Douro. Para este Vinhas Velhas foram seleccionadas parcelas de vinhedo com mais de 60 anos localizados no Cima Corgo (Vale de Mendiz e Soutelo do Douro). A produção final deste Vinhas Velhas é reduzida sendo esta a garrafa nº 2139 de um total de 3150 num vinho onde pontifica o carácter bem vincado da região, com raça e carácter, mas muita elegância. 

A evolução ao longo destes quase 11 anos foi e continuará a ser muito positiva, pois toda a sua estrutura indica que foi feito para durar... como perdura no final de boca e no palato. É complexo, intenso, cheio de nervo com a fruta escura (amora, cereja) a mastigar-se tão sumarenta e madura, azeitona, terroso, especiarias, esteva em flor na bonita austeridade que emana. O vinho dá voltas e voltas no copo, precisa de tempo e de paciência, a frescura que o rodeia faz que apeteça mais um e outro copo, a conversa vai longa, os sorrisos à mesa confirmam a sua grandiosidade. 94 pts
Fotografia & Receita

08 janeiro 2014

Adega Borba Cinquentenário Grande Escolha 2003

É o vinho comemorativo dos 50 anos daquela que é a mais antiga Adega Cooperativa (Borba) da região e ao mesmo tempo a referência neste momento em todo o Alentejo para não dizer mesmo de Portugal. Como exemplo disso e mostra da enorme renovação que ali se tem feito, nada melhor que um vinho deste gabarito capaz de se catapultar para o lote dos melhores do Alentejo. Nos 10 anos que tem de vida foi perdendo toda a pujança inicial, serenou e ganhou um saber estar que apenas o tempo é capaz de proporcionar, agora mais adulto está mais vinho, direi que na fase ideal para ser bebido com enorme prazer, sem nunca deixar de mostrar o sotaque da terra que o viu nascer.

Com um aroma muito bem definido, fresco e com fruta bem presente, terroso e especiado num todo onde a madeira já se acomodou faz muito, bom de cheirar e melhor de beber. Na boca repleto de elegância, frescura, harmonia entre componentes, muito sabor da fruta, folha de tabaco, licor de mirtilos, acidez presente a percorrer todo o palato num final persistente e duradouro. E para o acompanhar foi feito a pedido um assado de borrego no forno, o vinho e todos os presentes agradeceram. 94 pts

10 abril 2013

Esporão Private Selection 2003

E quase sem dar por isso tinha este vinho a cair-me no copo, do outro lado um sorriso de orelha a orelha perguntava-me o que achava eu do dito líquido. Aquele sorriso matreiro que não me engana, tal como tu o vinho em causa também não o faz, são os dois grandes amigos de longa data, o vinho e quem o serve, a complexidade que envolve o copo faz com que também eu lance um sorriso, este é Um Grande Vinho. Depois desligamos da realidade, tudo à volta fica quieto, somos nós e o que está a rodopiar no copo, cheira-se, prova-se, calamos e pensamos, sussurramos umas palavras, escrevinhamos no caderno , procura-se um pouco do suculento naco de novilho que tinha ido ao forno para acompanhar e continuamos felizes e contentes pela noite dentro.

Em grande este Private Selection da Herdade do Esporão, tal como a frescura que ainda debita passados 10 anos do seu nascimento (2003), a fruta (nos tons do morango, cereja e ameixa) limpa, redonda e carnuda, suculenta e de travo já adocicado mas muito limpa e definida, coisinha boa portanto. Pela sua alma (Alicante Bouschet com Aragonês) corre o vento morno da planície Alentejana, alguma compota, cacau, baunilha, especiarias com pimenta preta e toque vegetal/bálsamo a lembrar hortelã. Um vinho cheio de coisas boas, muito elegante, com vigor e uma bela profundidade e frescura de aromas. Boca a condizer, frescura, muito bem estruturado, balanceado por uma enorme harmonia e passagem cheia de sabor no palato, fruta, cacau, pimenta preta, largo, complexo, saboroso e até pecaminoso. É um vinho que dá muito prazer beber nesta altura, que nos convida a mais um copo, muita vivacidade durante toda a sua prova, boa definição e uma frescura que parece não querer quebrar. Viva o Alentejo. 95 pts

25 fevereiro 2013

Pelada 2003


Foi na passada sexta-feira que me juntei com um grupo de amigos no Restaurante A Tendinha, para um fantástico jantar onde o artista principal foi o Cabrito à Padeiro que ali se faz com enorme mestria. O desfile de vinhos foi grande e bem ritmado, com todos a merecerem tempo de copo, alguns mais que outros, decantação para os mais tímidos e todos os mimos necessários para que brilhassem ao mais alto nível. Um dos grandes vinhos da noite foi o Pelada 2003 (Álvaro de Castro), um vinho muito especial até porque não teve mais nenhuma colheita depois desta.

Um Grande vinho do Dão, um vinho cheio de aromas e sabores que remetem para aquilo que eu procuro e gosto de encontrar no que por ali é ou deveria ser feito, simplesmente fora de modas, direi que é um perfil clássico feito por um mestre daquela região, Álvaro de Castro. Resultou da procura de um perfil adulto de uma região que o parece ter vindo a perder, foi-se buscar a Touriga Nacional, as Vinhas Velhas (50%) e Tinta Roriz, depois estágio em barrica de carvalho francês e o resultado é este vinho fantástico. O Pelada 2003 é envolvente, elegante, feminino nos seus contornos e encantos, com tudo bem coeso e a mostrar um bouquet bastante bonito, caruma de pinheiro, perfume floral, depois um aconchego morno da barrica com chocolate de leite e baunilha. A fruta (frutos do bosque, bagas) aparece ainda com alguma frescura, para mim estará agora no seu auge e a dar uma prova de grande gabarito, na prova de boca é sedoso, corpo médio, frescura e enorme harmonia com uma boa persistência final. Vinho que encantou e deliciou todos os presentes, o tempo que brincou no copo apenas lhe fez bem e quando chegou o Cabrito à Padeiro, brilhou como poucos naquela noite o conseguiram. 
Quero mais vinhos do Dão assim... 92pts
Cabrito à Padeiro (Restaurante A Tendinha)

14 dezembro 2012

Alion 2003

Foi bebido com enorme prazer por um pequeno grupo de amigos, em noite grande este foi um dos que ajudou a abrilhantar a festa. Para os mais distraídos este vinho é pertença do grupo Vega Sicilia, que decidiram vai para largos anos produzir um vinho mais moderno mas de inegável qualidade, mais acessível e que proporcionasse bastante prazer ao consumidor. Nasceu assim o Alion nas Bodegas Alion, também ele filho da Ribera del Duero, proveniente de vinhedo 100% Tempranillo com idades compreendidas entre os 25/30 anos. Passou 13 meses em barrica e o restante estágio em garrafa, vinho sumptuoso e de enorme classe. Gosto de vinhos com esta pureza de aromas, onde se sente a fruta de forma limpa, sem nada em cima ou ao lado, está ali e pronto, depois venha o resto com muita harmonia e boa presença. Aqui é isto que temos, a fruta, framboesa, cereja, coisas boas, com acidez presente que se acopla ao refinado bouquet, café expresso bem cremoso, leve ponta vegetal a recordar chá preto, cacau e algum regaliz no fundo. Dá gosto rodopiar no copo e voltar a cheirar, todo ele muito detalhado e refinado, refinado bouquet com a entrada de boca a mostrar-se amplo e frutado, a ocupar todo o espaço, todo o palato preenchido por um vinho que dá um gozo tremendo a beber. Sente-se que tem presença, mas ao mesmo tempo é sedoso e fresco, sumarento e guloso... um deleite para os sentidos. Final longo e persistente. Ainda sou do tempo em que se comprava com alguma facilidade na casa dos 35€... hoje em dia a procura aumentou e o vinho passou para a casa dos 45€. Resultado da fama aliada a uma invejável consistência, colheita após colheita, porque este... é dos que duram. 95 pts

15 outubro 2012

Pêra Manca 2003

Mataram o Pêra Manca.
Foi a completa desolação após aqueles 5 segundos que me levaram do céu ao inferno, o vinho que tantas boas memórias me faz invocar no pensamento, literalmente morreu, não é mais o mesmo... aquela enxovia que se prostrou no meu copo não podia ser Pêra Manca. Nada ali me fazia recordar o 94, 95, 97 ou mesmo o tremideiro 98. Não chego a entender as razões da mudança, o porquê da mudança, afinal de contas este 2003 é um vinho a preto e branco que por azar encontrei no meu copo naquela fatídica noite, um vinho sem a graça que os anteriores mostravam ter, falta de alma e daquela fantástica solidez de fruta e madeira exótica que nos envolvia o nariz e o a palato, nada ali mostrou ser o que já foi, resulta triste mas apesar da qualidade que tem é apenas igual a tantos outros que ficou cansado, de aroma desgastado pelo tempo e com uma boca mortiça e sem chama, pouca definição ou complexidade e fugaz presença no final... deixou de ser o clássico do Alentejo para ser um mutante travestido de velho clássico. Paz à sua alma...

01 março 2011

Château La Tour Blanche 2003

Em 1855 o Governo Imperial Francês pediu que os melhores vinhos expostos na Exposição Universal de Paris fossem sujeitos a uma classificação, o Bordeaux Syndicat des Courtiers classificou os vinhos com base em décadas de estatísticas comerciais, 26 chateaux de Sauternes e Barsac foram classificados como de vindimas de primeira ou segunda classe, o Chateau La Tour Blanche ficou classificado no top dos Premiers Crus da Appellation de Sauternes.
O Chateau La Tour Blanche nasceu no século XVIII, fica situado no coração da appellation de Sauternes, uma appellation com 2100 hectares que inclui as localidades de Barsac, Bommes, Fargues, Preignac e Sauternes. As três uvas tradicionais são Sémillon, Sauvignon e Muscadelle, sendo que no Chateau La Tour Blanche temos 83% Sémillon, 12% Sauvignon e 5% Muscadelle.
Em prova a colheita de 2003,  uma colheita considerada histórica, Verão quente permitiu uma excelente maturação da uva, com chuva a 6 e 7 de Setembro a permitir o aparecimento da podridão nobre de forma homogénea nas várias parcelas de vinha, dando origem à vindima a 15 de Setembro. Com uvas de excelente qualidade e alto nível de concentração vistos apenas 50 anos atrás, seria preciso voltar a 1929 ou mesmo a 1893 para poder comparar. Apresenta-se com 13,1% Vol. um açúcar residual de 178 g/l sendo produzidas 2,915 caixas com preço por unidade a rondar os ...
Estes são os vinhos que são reconhecidos por todos os enófilos a nível Mundial, são autênticos campeões de arena, esqueçam os "docinhos" que se vão fazendo em Portugal, aqui estamos diante daqueles que realmente interessam, inimitáveis e inesquecíveis. De todos os Sauternes Premiers Crus até hoje provados, este mora no topo seguido de muito perto pelo Rieussec.

É com um aroma característico/clássico destes vinhos que somos brindados logo de inicio, a intensidade é muito boa, a botrytis faz-se notar muito bem num conjunto onde a pureza da fruta na forma de alperce maduro, citrino, tudo a mostrar-se de enorme qualidade, com frescura e ao mesmo tempo concentração, pelo meio ainda toque de mel, alguns frutos secos, passa branca e toque floral, complexidade luxuosa com leve sensação de untuosidade. O embrulho de tudo isto é notável, rico na complexidade com boa profundidade de aromas, conjunto que mostra vida e alegria durante todo o tempo que mora no copo. Cheirar é o que mais apetece fazer num vinho como este, simplesmente uma delícia que não cansa.

Na boca, médio de corpo mas enorme de alma, entra com toque de casca de laranja, equilibrado e untuoso, é um grande vinho pleno de elegância e pureza, mousse de pêssego, frescura muito bem calibrada, pleno de finesse com a doçura em grande harmonia com a frescura da fruta, muito presente na boca todo ele se mostra participativo de inicio ao fim, é puro prazer no palato, aqui como no nariz mostra algumas notas de especiarias muito finas. Final longo e persistente, com toques de pêssego e novamente a botrytis a deixar-nos com um prolongado adeus.

Uau que vinho tão bom, é o que se costuma dizer quando se prova algo deste gabarito, o preço nem sequer chega a assustar, por 40/50€ consegue-se comprar uma garrafa de 0.75 de puro luxo no copo. A proporção de prazer que dá ao beber é igual à velocidade com que desaparece na garrafa... servido fresco, seja com entradas em que brilhará com foie gras, ou mesmo numa sobremesa nunca muito doce para não se sobrepor ao vinho, ligando bem com fruta, este é um  Sauternes de excelência e um hino ao que deve ser um colheita tardia. 19 - 97 pts

25 fevereiro 2011

Château de Beaucastel Vieilles Vignes Blanc 2003

É deveras interessante a maneira como vamos educando e refinando o nosso gosto ao longo do tempo, para isso contribuem alguns  amigos que temos à nossa volta e que nos ajudam nessa tarefa, que transpiram conhecimento e que o gostam de partilhar, provar com eles são autênticas aulas de enofilia, a todos eles só tenho que agradecer. A aventura faz parte da vida, no imenso mundo de vinho que é a França, optei por começar nos brancos do Vale do Loire e depois passei para o Vale do Rhone, tenho tido o privilégio de ir conhecendo alguns dos maiores produtores e vinhos feitos nas duas regiões, não todos mas os suficientes para saber o que de bom por ali se faz, os preços que pedem é que não permitem grandes deslizes, convém precaver e apostar naqueles que nos dão garantias, mesmo assim os vinhos do Vale do Rhone são dos que melhor RPQ apresentam. Só depois de estarmos algo mais à vontade poderemos entrar no jogo da aventura, do experimentar... eu para isso ainda não tive muita coragem.
Mas deixem-me mergulhar num dos grandes nomes do mundo do vinho, situado em Courthezon no Sul do Vale do Rhone, mais concretamente na appellation de Chateauneuf-du-Pape fica o Château de Beaucastel. Conta com 400 anos de história e cerca de 110 hectares de vinha, depois de 3 gerações é a família Perrin ( na actualidade Jean-Pierre e François Perrin) que toma conta dos destinos de Beaucastel desde 1909. Os vinhos que ali são produzidos fazem as delícias da enofilia mundial, a gama é composta pelos Coudoulet em versão branco e tinto, e depois pelos Beaucastel, branco e tinto e finalmente pelos direi especiais, o Beaucastel Hommage a Jacques Perrin e o branco Beaucastel Vieilles Vignes.
O Vieilles Vignes, lançado em 1986, é considerado como o melhor branco do sul de França, proveniente de 3 hectares de Roussanne em que a idade das vinhas passa os 75 anos de idade. As uvas são apanhadas à mão, prensagem pneumática com clarificação do mosto, a fermentação decorre 50% em madeira e 50% em inox, com estágio de 8 meses. A produção é inferior a 500 caixas, coisa pouca para um mundo sedento de o ter nas mãos, a elevada procura aliada à elevadíssima qualidade faz com que seja caro, não tão caro como os topos da Borgonha, mas o seu preço ronda com facilidade os 80€. Não tenho presente a informação se os brancos desta região são de longa ou média guarda, mas neste caso dizem os sommeliers que o vinho deverá ser bebido nos seus primeiros 4-6 anos de vida para depois o deixarmos dormir e só voltar a acordar até que tenha 12-15 anos. Todo um portento num vinho de raro perfil e excepcional qualidade. Em prova o 2003, que se apresenta com 13,5% Vol.

No aroma é complexo e envolvente, delicado e com uma grande harmonia de conjunto, madeira plenamente integrada, muito cativante e cheio de coisinhas boas, fruta muito limpa e madura, daquela que cada vez se encontra menos, cheiroso na tropicalidade, pêra, pêssego, sensação de marmelada fresca com mel muito puro e fino. O vinho é muito cativante, direi viciante também, surgem notas de pão torrado, óleo de noz, tudo a conferir uma boa profundidade, com evolução de grande nível no copo, flores e algum vegetal (chá verde). Intrigante ? Diferente ? Personalizado... Único.

Boca de entrada fresca acompanhada de leve untuosidade com boa espacialidade. Toque leve de calda, vivacidade da fruta, tudo muito limpo e esclarecido, alta costura, anisado com a tal frescura suave durante toda a passagem de boca, de sabores concentrados em harmonia digna de registo. Complementa-se com flores e novamente um toque melado, o fundo é forrado a mineralidade. Parece entrar com tudo muito organizado, dentro da boca quase que dá para ir notando cada coisa a seu tempo, os sabores ficam colados aqui e ali e vem a acidez que limpa tudo para no final dominar a mineralidade.

Cheio de detalhes, pleno de encantos, companheiro de luxo para pratos delicados, Galinha da Índia com Couve é um exemplo, um branco memorável e a entrar directamente para os lugares de topo. No meio de tudo isto não posso deixar passar as sempre presentes memórias de um amigo que tanto gostava desta casta. 19 - 97 pts

16 dezembro 2009

Quinta da Murta fermentado em barrica 2003

Foi a convite do enólogo Hugo Mendes, que visitei recentemente a Quinta da Murta (Bucelas).
A Quinta da Murta é uma propriedade vinícola com 27 hectares, situada a 2,5 km de Bucelas e aproximadamente 20 km a norte de Lisboa. A propriedade possui 14,5 hectares de vinha, implantadas a 250 metros de altitude nas encostas do vale da ribeira do Boição, onde beneficia de solos, exposição e de microclima com características próprias. São constituídas por encepamentos das castas Arinto, Rabo de Ovelha, Touriga Nacional e Syrah, produzindo vinhos brancos DOC Bucelas e tintos Regional da Estremadura. A primeira colheita data de 1994. A Quinta está inserida na Rota dos Vinhos, constituindo também um destino de turismo rural, nas vertentes de provas, vendas de vinho e eventos, oferecendo um enquadramento paisagístico de belo impacto.
Após uma visita bastante animada pelas instalações, sempre acompanhado pelo Hugo Mendes, jovem dinâmico e bastante apaixonado em fazer e mostrar o que faz, que no final da visita tinha já preparada uma prova alargada tanto em referências da casa, como espaçada em várias colheitas. Que melhor maneira de verificar o comportamento de cada marca ao longo do tempo senão esta, e da qual resultaram algumas notas de prova que irei colocar aqui. Agradecer em meu nome e da minha mulher, pela simpatia e atenção prestada. Em jeito de conclusão, no geral pode-se afirmar que o peculiar terroir que ali encontrámos se manifesta tanto nos brancos como nos tintos, notando-se nos brancos um perfil mais seco, fresco, limonado e com ligeira austeridade mineral em fundo, enquanto os tintos mostram uma Touriga Nacional menos expressiva, coesa e de abordagem menos fácil que tantas outras que por aí andam, mas com igual pendente mineral em fundo. São vinhos com identidade bem marcada, à espera de serem conhecidos aqui mesmo ao virar da esquina.

Quinta da Murta fermentado em barrica 2003
Castas: Arinto - Estágio: barricas novas carvalho francês durante 3 meses, com batonage - 12% Vol.

Tonalidade amarelo dourado de média concentração.

Nariz a mostrar aroma com evidentes notas de evolução, toque petrolado ligeiro, envolvente na calda/melado e fruta cristalizada, sensação de untuosidade com frutos secos torrados. Fruta ainda com alguma vivacidade, sente-se frescura, citrinos (limão, lima), flores brancas, tudo muito arranjadinho numa fina complexidade, com toque mineral de fundo.

Boca com acidez bem presente logo na entrada, o vinho tem uma boa sensação de untuosidade que se conjuga com fruta a lembrar limão, floral e fruto seco. Mostra-se de corpo mediano e fresco, fina complexidade e secura, num final longo e marcadamente mineral, estando em plena sintonia com a prova de nariz.

Já tinha tido o prazer de o provar, voltei a encontrar-me com ele e ainda bem. Arriscaria a dizer que é dos melhores exemplares que provei, com idade, da região de Bucelas, um vinho ainda com vivacidade tanto de acidez como da fruta. O tempo fez-lhe maravilhas, lapidou-o e deu-lhe outros encantos que fizeram as minhas delícias durante a prova. Poderia aguentar mais algum tempo em cave, mas é nesta altura que o vou querer aproveitar com um pargo assado no forno. 16 - 90 pts

05 abril 2009

Baltasar Gracian Tempranillo Viñas Viejas 2003

Do produtor BODEGAS SAN ALEJANDRO (D.O. Calatayud) , uma cooperativa fundada em 1962, composta actualmente por 350 sócios e 1100 ha (variando entre os 750 e 900 metros de altitude, onde castas como Garnacha, Tempranillo, Macabeo, Merlot, Syrah e Cabernet marcam presença) com uma produção total média de 4.600.000 Kg, situada em Miedes, na província de Zaragoza, no vale de Perejiles, a 758 m. de altitude.
O nome da Cooperativa vem do nome de San Alejandro, cujos restos mortais se encontram depositados no Convento das Reverendas Concepcionistas Franciscanas, e cujo rótulo se inspira no relicário venerado pela confraria mais antiga da terra, situado na Igreja de San Blas.

O resultado são vinhos apetecíveis e bem feitos, onde se alia um toque de modernidade com algo do passado e onde se joga com preços e imagem sempre atraentes. Recordo que o vinho em prova não passou dos 7€.
São vinhos que sempre encontrei prontos a consumir após saírem para o mercado, mas que costumam melhorar nos primeiros 2 anos de guarda, apesar do exemplar em prova já ter passado o tempo recomendado como de consumo óptimo (seria neste caso 2007)... ou seja, o vinho entrou na fase descendente e convém aproveitar enquanto é tempo. Foi o que fiz...

Baltasar Gracian Tempranillo Viñas Viejas 2003
Castas: 100% Tempranillo - Estágio: 10 meses em barrica - 14,5% Vol

Tonalidade granada escuro de concentração média/baixa com ligeiro toque atijolado no rebordo.

Nariz a mostrar aquilo que já se esperava, um vinho onde os aromas tocam quase sempre nos planos secundário e terciário. A fruta vermelha algo espaçada, mistura-se com compotas, toque de baunilha com queima da tosta, algum envernizado. Sente-se no seu todo um conjunto que a nível da expressividade mostra já algum desgaste.

Boca melhor que a prova de nariz, o vinho mostra ainda alguma vivacidade, com toques de fruta e compota da mesma. Acidez ainda que curta percorre o vinho por completo, balanceando com a tosta e algum caramelo que se faz notar no fundo. Pouco mais tem que dizer, a espacialidade é mediana e o final de boca médio/baixo.

Claramente na fase descendente da sua vida, já esteve muito melhor, mas obviamente não é vinho de grandes guardas. Fico aliviado por não ter mais nenhum exemplar destes em agonia na minha garrafeira.
14

01 fevereiro 2009

Quinta Vale d´Agodinho Grande Escolha 2003

Quinta Vale d´Agodinho Grande Escolha 2003

Castas: Touriga Nacional (30%), Touriga Franca (25%), Tinta Roriz (15%) Tinto Cão (5%), Tinta Barroca (5%), Outras (20%) - Estágio: 8 meses em pequenas barricas de carvalho francês - 15% Vol.


Tonalidade ruby escuro de concentração média.


Nariz de boa intensidade, aromas maduros com fruta vermelha achocolatada, ao lado de toque compotado. No tom morno que apresenta inicialmente e dos seus 15% junta-se o toque vegetal com balsâmico juntamente a especiaria e baunilha, reveladores de uma barrica plenamente integrada com o conjunto que confere alguma profundidade ao aroma.


Boca de entrada fresca com a fruta a marcar presença de imediato, novas notas de compota, cacau e vegetal. Boa dose de elegância sentida durante a sua passagem, apesar de dar a sensação de ligeiramente adocicado, mostra perfil arredondado onde a frescura marca presença num final harmonioso de persistência média.


É um vinho que mostra um lado Duriense mais guloso e mais maduro, onde os 15% que apresenta não se notam no copo mas apenas ao final da noite ao levantar. Apesar do toque mais ''guloso'' o vinho não satura durante a prova como se poderia esperar, sendo bom companheiro para a mesa petisqueira.
15,5

02 dezembro 2008

Quinta das Tecedeiras Reserva 2003

A Quinta da Teixeira Velha, localiza-se na região do Cima-Corgo, em Ervedosa do Douro no concelho de São João da Pesqueira, era o nome pelo qual a quinta era conhecida até ao final do século XIX, altura em que adoptou o nome de Quinta das Tecedeiras. O nome remonta ao passado quando a quinta esteve na presença do condado de S. Pedro das Águias e por tal habitada por freiras e monges. Nesse tempo o cultivo do linho era o produto mais rentável, que tecido pelas freiras (tecedeiras) garantia o sustento da comunidade.
Nos dias de hoje, a Quinta conta com uma totalidade de 66ha onde 15ha são de vinha (100% castas tintas), onde 5 ha tem mais dde 80 anos (com mistura de castas, Tinta Amarela, Tinta Roriz, Touriga Nacional Souzão, Rufete, Touriga Franca e Tinto Cão) e os outros 10 ha vinha com 20 anos de idade, estando a ser plantados mais quatro, mantendo o encepamento já existente. A primeira vindima foi feita em 2001, na antiga adega entretanto reformulada respeitando e aproveitando as infra-estruturas aí existentes.
Na foto do lado temos a flor que aparece no rótulo, nada mais que a flor do linho.

Quinta das Tecedeiras Reserva 2003 Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Barroca, Tinta Amarela. - Estágio: fermentação maloláctica decorreu em barricas de carvalho francês, aí permanecendo 10 meses. - 14% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.

Nariz com aroma de bela intensidade, parece querer mostrar ao início umas ligeiras notas químicas que se dissipam rapidamente, mostrando um conjunto de fino recorte e de bela complexidade, onde aromas vegetais a recordar o aroma da esteva e da carqueja, se juntam a uma fruta bem madura (cereja, groselha) com ligeira compota presente. Complementa-se com o travo das especiarias (cravinho, pimentas) entrelaçado na ligeira brisa floral (violetas), denotando uma barrica muito bem acomodada, diga-se de passagem que se mostra de enorme elegância, aportando notas de baunilha, cacau e algum café moído, recordando novamente a sensação morna e de alguma cremosidade presente no mocaccino, com todo o seu consequente envolvimento no restante conjunto, num final fresco que consegue juntar um ligeiro toque balsâmico.

Boca de estrutura bastante harmoniosa, frescura presente durante a prova numa toada ligeira mas mais que suficiente, num todo que se mostra com fruta (groselha, amora, cereja) bem presente. Envolvendo-se o conjunto com notas de especiaria, mocaccino aqui também bem presente aportando as sensações de cremosidade, tal como na prova de nariz. A passagem de boca é bastante afinada e de bela espacialidade, com taninos bem comportados em fundo de recordação balsâmica, com final de persistência média/alta.

Com a produção a rondar as 6.000 garrafas e um preço a rondar os 20-25€, grandiosa relação preço/qualidade diga-se de passagem, fazem deste vinho uma aposta mais que obrigatória, fonte de prazer assegurado enquanto novo ou mesmo após tirar umas férias na nossa garrafeira. Assumidamente este é um dos meus vinhos de eleição, e é pena que fique muitas vezes afastado das mesmas luzes da ribalta que outros vinhos, assumidamente mais caros, têm costantemente direito.
17,5
 
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