Copo de 3: Esporão
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22 janeiro 2016

Quinta dos Murças Reserva 2011



É do Esporão e vem do Douro, mais propriamente da Quinta dos Murças, este Reserva 2011 que nasce de vinhas com quase meio século de história. A vinificação teve direito a passagem em lagares de granito com pisa-a-pé e posterior passagem por madeira durante 12 meses. O resultado é um grande vinho, daqueles que uma vez agarrados ao copo não dá vontade de o largar. Complexo e com uma bela intensidade, um vinho cheio de carácter com o Douro bem vincado, fruta madura muito limpa e em grande destaque que combinam com ervas de cheiro, balsâmicos, especiaria e ligeira grafite em fundo. A elegância e harmonia surgem também no palato, uma prova cheia de sabor com a fruta bem firme em destaque, bom volume com taninos finos a acenar em pano de fundo.Um belíssimo vinho para beber agora com uma perna de cabrito no forno ou guardar por uns bons anos. 94 pts

26 junho 2013

Assobio 2010


É um vinho feito à medida do consumidor, que transporta a visão do Douro por um dos grandes mestres da enologia que temos aqui no rectângulo. O Assobio 2010 é fruto da terceira vindima do Esporão na Quinta dos Murças, produzido na nova adega com parte do lote (20%) estagiou durante seis meses em barricas novas e usadas de carvalho francês e americano. Preço a rondar os 6€, justo face à qualidade apresentada, um vinho franco que nada esconde e tudo quer mostrar com muita serenidade, frescura e harmonia de conjunto. 

Sente-se a fruta fresca e bem madura, groselha preta e cereja, nada de gorduras pelo meio com ligeiro toque de rama verde, cantos arredondados pela passagem por madeira. Na boca é elegante, de corpo mediano e boa passagem no palato, final médio onde a fruta volta a ter lugar de destaque. Um vinho muito bem feito, muito apelativo e fácil de gostar e beber, a frescura e o peso da fruta são o seu elemento chave, no fundo mostra uma ponta de secura que o empurra para a mesa a acompanhar por exemplo um bom naco de novilho na grelha. 89 pts


25 junho 2013

Quinta dos Murças Reserva 2008

É o topo de gama resultante da incursão da Esporão em terras Durienses com a compra da Quinta dos Murças, que surge no mercado em formato Reserva. Um vinho capaz de mostrar todo o potencial e complexidade das vinhas velhas desta região, teve direito a todos os mimos que a região concede, desde a pisa a pé em lagar de granito ao estágio (12 meses) nas melhores barricas de carvalho Francês e Americano.

Este Reserva 2008 apresenta-se com vénia, elegante e de aprumada complexidade, fruto da sua enorme classe. Elegante de aromas, fruta (groselha, amora, cereja) fresca e muito bem delineada com banho de chocolate, baunilha e ervas de cheiro. Envolvente e cativante, desdobra-se no copo com o passar do tempo, profundo com toque balsâmico, folha de tabaco, toque fumado. Um belíssimo vinho do Douro, com uma prova de boca a condizer com o que já foi escrito, estrutura coesa mas muita finesse, frescura e sabor da fruta a marcar bem a passagem no palato. A ligeira secura que mostra ter no final é um bom presságio para os tempos que ainda pode dormitar na garrafa, mas resistir-lhe agora é complicado.

O preço ronda os 20€ e justificam plenamente o investimento, um vinho que se pode beber agora ou daqui por um bom par de anos. Um regresso a uma zona que o enólogo da casa (David Baverstock) tão bem conhece, o resultado só poderia ser este belíssimo vinho. 94 pts

Carrillera de Ternera de Aliste a baja temperatura al vino tinto y setas de Sanabria (Restaurante El Rincón de Antonio - Zamora)

10 abril 2013

Esporão Private Selection 2003

E quase sem dar por isso tinha este vinho a cair-me no copo, do outro lado um sorriso de orelha a orelha perguntava-me o que achava eu do dito líquido. Aquele sorriso matreiro que não me engana, tal como tu o vinho em causa também não o faz, são os dois grandes amigos de longa data, o vinho e quem o serve, a complexidade que envolve o copo faz com que também eu lance um sorriso, este é Um Grande Vinho. Depois desligamos da realidade, tudo à volta fica quieto, somos nós e o que está a rodopiar no copo, cheira-se, prova-se, calamos e pensamos, sussurramos umas palavras, escrevinhamos no caderno , procura-se um pouco do suculento naco de novilho que tinha ido ao forno para acompanhar e continuamos felizes e contentes pela noite dentro.

Em grande este Private Selection da Herdade do Esporão, tal como a frescura que ainda debita passados 10 anos do seu nascimento (2003), a fruta (nos tons do morango, cereja e ameixa) limpa, redonda e carnuda, suculenta e de travo já adocicado mas muito limpa e definida, coisinha boa portanto. Pela sua alma (Alicante Bouschet com Aragonês) corre o vento morno da planície Alentejana, alguma compota, cacau, baunilha, especiarias com pimenta preta e toque vegetal/bálsamo a lembrar hortelã. Um vinho cheio de coisas boas, muito elegante, com vigor e uma bela profundidade e frescura de aromas. Boca a condizer, frescura, muito bem estruturado, balanceado por uma enorme harmonia e passagem cheia de sabor no palato, fruta, cacau, pimenta preta, largo, complexo, saboroso e até pecaminoso. É um vinho que dá muito prazer beber nesta altura, que nos convida a mais um copo, muita vivacidade durante toda a sua prova, boa definição e uma frescura que parece não querer quebrar. Viva o Alentejo. 95 pts

12 novembro 2011

Assobio 2009

Depois de uma breve paragem volto novamente ao activo, desta vez com um vinho para espairecer, completamente para assobiar para o lado e tentar esquecer a maldita crise... bebe-se lindamente sem se dar por ele, é um prazer garantido à mesa por quem o sabe fazer como poucos, Esporão pois claro, agora em solo do Douro numa aposta feita vai para 3 anos com a compra da Quinta dos Murças. 

Este belo Assobio é feito com as castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, com 20% deste lote a estagiar em barricas novas de carvalho francês e americano durante 6 meses. Engarrafado em Novembro de 2010 e colocado à venda por um apetecível preço que ronda os 6,50€


É o chamado vinho ready to drink, puxar da rolha, deitar no copo e deixar fluir a conversa com a comezaina na mesa, ele encarrega-se do resto. Bebe-se a primeira a segunda e a terceira, que os amigos gostaram, tudo isto num vinho fresco e focado na fruta limpa bem vermelha e madura, saborosa, quiçá gulosa e assente num travo da especiarias com boa barrica e aquele toque vegetal agreste que se encontra nos vinhos tintos do Douro. Na boca complementa-se com o nariz, boa estrutura e volume, não se complica e agrada bastante em final de boa persistência.


Gostei bastante deste Assobio que mostra uma grande RPQ, a beber desde já mas não se perde se ficar esquecido um par de anos... mas agora sabe tão bem, porquê guardar ?
89 pts

Esporão Reserva branco 2009

Este e os restantes rótulos da respectiva colecção da autoria da artista plástica Joana Vasconcelos, serão porventura dos melhores rótulos que alguma vez vi numa garrafa de vinho de Portugal. Dito isto passo a dissertar sobre o Reserva em modo branco do Esporão, colheita 2009, um branco que nas suas primeiras colheitas tinha uma maior presença de madeira, o conjunto era bem mais redondo e um pouco mais torneado com a fruta a sentir-se mais "grossa" encorpada.

Recentemente a coisa tem vindo a afinar e refinar, o conjunto está a tornar-se mais fresco, mais desafiante e menos compacto, menos pacato se assim se pode dizer, este 2009 foi provado a primeira vez antes mesmo do seu lançamento oficial, mostrando na altua muita e boa fruta madura (maçãs, limão, laranja, pêra) muito fresca, flores e alguma relva, com leve carga mineral e boa estrutura. Passado mais algum tempo voltei a ele com mais duas garrafas abertas, um vinho a mostrar-se muito mais adulto e maduro, refinada complexidade, tudo no seu devido lugar e perfeitamente integrado, nesta altura o pargo assado no forno ligou na perfeição. Mais recentemente em pleno Agosto voltei a abrir mais 2 garrafas e o vinho já não se mostrou tão bem, algo por ali já se desconjuntava, pedia ajuda para ser bebido o mais rapidamente possível, o que antes estava no devido sítio começava então a desmoronar-se e a ficar empilhado o que lhe tirava desde logo grande parte do prazer que antes transmitira, mostrando-se desta forma um vinho torpe e sem graça. Recentemente abri a última garrafa quase como tira teimas e a desilusão foi completa, o vinho está completamente diferente do que havia provado da primeira vez, a meu ver mudou para algo que não me agrada, fruta madura de mais para a idade que tem, acanhado, apático e sem a frescura ou vivacidade que já teve, lembro bem a boa forma que outros Reservas brancos mostravam com alguns anos em cima, o 2007 chegou a fazer-me as delícias, cheguei mesmo a guardar alguns exemplares para usufruir dessa mesma complexidade que ganha em garrafa... neste caso dou-me por feliz por ver que os bebi num contra relógio contra o tempo de vida útil, é altura de começar a pensar no Reserva 2010 que está por aí a chegar.
 
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