Copo de 3: 2019

21 março 2019

Titan of Douro Vale dos Mil branco 2016


Oriundo de vinhas velhas em altitude no Douro, em solos de transição xisto/granito este branco criado pelo enólogo Luís Leocádio, estagiou 16 meses em barricas com agitação de borras finas. Mostra uma complexidade muito delicada e precisa nos aromas, frescura, flores do campo com toque de tisana, esteva em flor, frutos citrinos e de pomar (pêra, alperce), ligeira austeridade mineral (pederneira) num conjunto coeso e de grande qualidade. Muito prazer na prova de boca, com uma acidez que percorre todo o palato, marca o sabor da fruta limpa, ligeira untuosidade que se esbate em notas de levedura muito ligeira. Profundo, complexo e cheio de garra e vida pela frente, custa coisa de 26€ e é daqueles que dá um gozo tremendo no copo mas que irá continuar a brilhar durante muitos anos. 95 pts

19 março 2019

Astronauta Moscatel Galego 2017

Vem do planalto de Alijó o Moscatel Galego (Douro) com que Aníbal Coutinho criou este vinho de preço a rondar os 6€. Um branco fresco e algo contido de aromas, muito preciso e envolto num delicado perfume de camomila, citrinos com ligeiro rebuçado de mentol, todo ele bem equilibrado. Boca a dar uma boa dose de frescura num perfil claramente a pedir mesa, pratos mais delicados na mais alargarda vertente de tapas e canapés que ligam bem com toda a acidez e aromas mais delicados.  88 pts

18 março 2019

A magia das Talhas

O Vinho de Talha é e sempre será um vinho de um povo, um vinho sem terroir, sem castas associadas, acima de tudo é um vinho que carregou e carrega nele a história das gentes. Não fiquemos a pensar que é uma exclusividade nossa, puro engano, afinal este tipo de vinificação veio até nós no tempo dos romanos que a foram deixando um pouco por toda a parte, com eles trouxeram as videiras e a sua arte de fazer vinho, o Vinho de Talha. Esquecida por uns, revivida por outros, a tradição foi-se mantendo até aos nossos dias e não vou arriscar rigorosamente nada em afirmar que o boom do vinho estagiado em barro peca por tardio em Portugal, uma vez que na vizinha Espanha os ensaios e os vinhos lançados para o mercado estagiados em talhas/tinajas de barro já fazem soar as mais altas pontuações dos grandes críticos internacionais. 

Por cá resta-nos acordar do entorpecimento que vivemos, resta afinar arestas e limar conceitos, porque uma tradição não pode sucumbir perante interesses nem ser desvirtuada da maneira como tem acontecido em vinhos certificados onde as talhas em vez de pesgadas são revestidas a epoxi. A cantilena da maneira como o vinho é feita já é por todos mais que conhecida e debitada em playback vezes sem conta. A verdadeira arte por detrás do Vinho de Talha está ralmente nas Talhas, é no seu fabrico onde reside toda  a magia e sem elas, mas acima de tudo sem aqueles que durante séculos as criaram, hoje não teriamos Vinho de Talha nos nossos copos. Das mais pequenas às maiores com capacidades para 8000 litros e que chegam a pesar mais de uma tonelada, aos mais variados formatos conforme a zona de fabrico. Este é um documentário que invoca a memória de todos os que as fizeram e continuam a fazer, uma arte que felizmente não se encontra extinta e que como se pode ver pelo vídeo tem marcado gerações.


17 março 2019

Mamoré de Borba Reserva branco 2017


Se o Mamoré de Borba branco (Sovibor) já é um belo vinho, só podemos ficar satisfeitos quando nos cai este Reserva 2017 no copo, preço ronda os 16€. O lote é Arinto, Antão Vaz e Verdelho/Gouveio que passaram por barrica, dando untuosidade e alguma gordura ao vinho, um bocadinho mais de corpo e presença, mantendo a mesma frescura e elegância que o seu irmão mais pequeno. Precisa de comida por perto, dominado por aromas de fruta de pomar, muito alperce, tangerina, ligeiro floral a perfumar o resto do conjunto numa bonita complexidade. Renova a elegância na prova de boca, com uma boa estrutura e frescura que lhe dão alma e vida para durar largos anos em garrafa. Daqueles brancos para beber sem pressa, com uma sopa de cardos com bacalhau alimado. 91 pts

16 março 2019

Jerez & El Misterio del Palo Cortado

O que bebemos num copo de Jerez não é apenas o resultado da fermentação da fruta, é acima de tudo o peculiar sabor de um sítio mágico onde parece ter sido um local escolhido pelos deuses: Jerez, no sul de Espanha, onde o vinho é criado faz 3000 anos, um local de histórias, lendas e acima de tudo mistérios. Um desses mistérios, é também um vinho mágico: o Palo Cortado.


14 março 2019

Quinta do Cardo Grande Reserva 2014


Há nomes que nos conseguem meter a olhar para uma região face à força da qualidade e diferença dos seus vinhos mas também da qualidade do trabalho do seu marketing e da maneira como comunicam cá para fora aquilo que fazem. Nesta simbiose, que direi perfeita, encontra-se a Quinta do Cardo que orgulhosamente nos mostra o melhor que a Beira Interior nos tem para mostrar no copo nas mais variadas vertentes. O culminar de todo o trabalho surge quando se cria um topo de gama, aquele que enche a alma ao produtor quando nos serve um copo. 

Este é o Grande Reserva da Quinta do Cardo, criado a partir de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Caladoc, 36 meses de clausura onde apenas os vinhos das melhores barricas foram escolhidos para o lote final. O resultado é um vinho de carácter bem vincado, notas terrosas com fruta vermelha fresca e ácida a despontar, esteva em flor, toque especiado com ligeira austeridade. Profundo ao mesmo tempo misterioso, daqueles que gosta de copos largos para se ir mostrando ao longo do tempo em que rodopia. Na boca o festim continua, perfil claramente a pedir comida, um cabrito no forno ou uma empada de perdiz fazem dele um vinho muito feliz, pela sua estrutura e longevidade, temos vinho para largos anos. Ronda os 30€ em garrafeira. 95 pts

11 março 2019

Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador branco 2014


O Paço dos Cunhas de Santar (Dão) é uma construção de estilo da renascença italiana, mandado construir por Dom Pedro da Cunha em 1609. O vinho sempre ali teve direito a berço, mas foi em meados de 2005 pelas mãos da Dão Sul que sairam os topo de gama Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador, com preço que na altura rondava os 15€ por garrafa. Com o tempo as coisas mudaram, o vinho aumentou a produção, mudou de rótulo e passou a ter um preço que ronda facilmente os 35€ em garrafeira. A qualidade essa está bem presente, num lote em que a base é Encruzado, apoiado na Malvasia Fina e no Cerceal branco com metade do lote a estagiar 12 meses em barricas. Um branco amplo, ainda cerrado de aromas com notas de pederneira, a madeira apenas o arredonda para dar lugar no meio à fruta madura com nota de pão torrado, citrinos variados. Grande elegância com frescura, complexidade com ligeiro fruto seco na boca dando a sensação de alguma untuosidade, que se esbate na fruta mais ácida. Um grande branco do Dão com muita vida pela frente. 94 pts

08 março 2019

Quintas de Borba 2016


O rótulo é recente e chamativo, na loja da Adega de Borba (Alentejo) o preço ronda os 4€ o que se justifica e de que maneira face à qualidade do vinho. O lote é feito com as castas Aragonez, Alicante Bouschet e Syrah, que passaram 8 meses em barricas novas mais 8 meses em garrafa. O resultado é um vinho guloso, com a fruta bem carnuda e suculenta ao comando mas rodeada de notas de especiaria, cacau e balsâmico. Equilibrado no seu conjunto, frescura com porte médio na estrutura que o suporta, dá uma prova de boca a pedir comida regional por perto. Dá prazer a beber e tal como o branco, pelo preço/qualidade é um valor muito seguro para aquele copo ocasional a acompanhar a refeição. 89 pts

Marquesa de Alorna Grande Reserva Branco 2015


Vamos até Almeirim desta vez não para a Sopa da Pedra mas para provar este branco muito especial da Quinta da Alorna e que se apresenta pelas mãos da enóloga Martta Reis Simões como topo de gama da casa. O preço ronda os 20€ por garrafa e o lote das castas que dele fazem parte é um segredo bem guardado, ficamos apenas a saber que o vinho tem uma passagem por madeira nova e usada durate cerca de 8 meses. O aroma é amplo e com toques untuosos de tosta embalados pela frescura da fruta amarela (pêssego, alperce) com um lado mais perfumado e floral a juntar-se ao tom mais amanteigado dado pela barrica. E é neste conjunto de prazer, envolvente, fresco e untuoso que conquista na boca, com grande harmonia e prazer no copo. Um belíssimo branco nascido nas terras Ribatejanas, a pedir por exemplo um bom peixe assado no forno. 94 pts

06 março 2019

Soalheiro Mineral Rosé 2018


No rótulo este Soalheiro Rosé avisa-nos que é Mineral, depois tem a irreverência de juntar Alvarinho com Pinot Noir e o resultado final é de estrondo, um dos melhores rosés que nos pode cair no copo e o preço ronda os 10€. É daqueles vinhos que mal provamos pensamos logo em arranjar espaço na garrafeira para ter umas quantas prontas para o Verão, mais que um rosé é um vinho de desfrute, daqueles que se bebe com prazer e que faz uma grande companhia à mesa. A fruta desfila, airosa com uma brisa fresca a austera de fundo, tem garra e secura, não facilita em nenhum momento mas é nisso que mora o seu encanto, naquele toque de rebuçado de morango e framboesa, com o extra mais citrino da Alvarinho. A harmonia está lá com a delicadeza e tudo o mais, gulodice pura que nos faz beber sempre mais um gole com bichos do mar na grelha ou um sushi mais requintado. 94 pts

28 fevereiro 2019

Graham’s Colheita 1969


A Graham´s não tem tradição neste tipo de Vinho do Porto, pelo que apenas ocasionalmente coloca lotes exclusivos e de pequena quantidade dos seus Colheitas. Para este 1969 Charles Symington provou cada um dos 21 barris e escolheu seis como excepcionais, que deram origem a pouco mais do que 712 garrafas. Aqui entramos no patamar da excelência tal a qualidade do vinho, capta no imediato a atenção pelo bouquet rico e perfumado, enorme elegância com notas de damasco, fruto seco (nozes), especiarias, tom de laranja cristalizada, madeira antiga encerada, amplo e profundo. Boca com muita frescura, envolvente e requintado, parece que nada falha, untuosidade que se prolonga num final macio e longo a invocar notas de especiarias e frutos secos. Um vinho luxuoso que na altura do lançamento tinha um preço a rondar os 350€, hoje pela raridade o preço será sem dúvida mais alto. 97 pts

27 fevereiro 2019

Murganheira Cuvée Especial Bruto 2006



Um dos espumantes que mais prazer me deu beber nos últimos tempo foi este Murganheira Cuvée Especial Bruto, onde a casta Tinta Roriz é vinificada em branco. O que se destaca nele é a finesse com que se mostra, uma grande entrega mas ao mesmo tempo uma delicadeza com bolha fina e mousse que lhe dá uma cremosidade quase aveludada. Pelo meio as notas de estágio, com biscoito e brioche, num conjunto a mostrar-se com muita classe no palato. O preço ronda os 22€ e mostra que podemos ter um grande espumante no copo sem ter de ir até França. 95 pts

26 fevereiro 2019

Kopke Colheita 1937

Quando um vinho desta idade e respetiva complexidade nos cai no copo apenas nos resta o silêncio para que ele nos conte tudo aquilo que lhe vai na alma. Neste caso é um grandioso Colheita datado de 1937, muito complexo cheio de bálsamos, fruta passa (figo, ameixa) bem definida, toque guloso a recordar mel de esteva, caramelo com frutos secos num tom mais de amêndoa, madeira antiga. Envolto numa boa frescura que lhe dá vida, numa boca a preencher o palato de requinte, untuoso com fruto seco, muito equilibrio num final muito longo e delicioso. É o vinho perfeio para um fim de noite tranquilo enquanto se conversa com os amigos. O preço ronda os 490€ por garrafa, tendo neste caso sempre muita atenção para comprar sempre o engarrafamento mais recente, onde a vida e frescura estão mais presentes. 95 pts

24 fevereiro 2019

Olho de Mocho Reserva 2016

A renovação continua a bom ritmo na Herdade do Rocim, sempre pautando pelo rigor e pelo bom gosto, desta vez tocou ao Olho de Mocho Reserva, nome da planta que surge no rótulo e também na vinha que recebe o seu nome, mudar de garrafa e também de rótulo. Para mim é aposta mais que ganha à primeira vista. Conquista no imediato pela sobriedade e imponente garrafa, sem esquecer que estamos a jogar num patamar muitas vezes complicado mas onde facilmente se encontram alguns dos melhores vinhos para ter no copo com relação preço/satisfação fantástica, este é um desses casos.

Consegue vir para casa por um preço a rondar os 15€, num tinto feito com Alicante Bouschet e Trincadeira, estagio em barricas de 500 L de carvalho francês por um período de 16 meses. Por aqui os vinhos já nos acostumaram a ter uma bela frescura que embala toda a fruta que surge em tons maduros, limpos e bastante delineada. O tempo vai limar tudo e fazer com que ganhe uma outra complexidade que por enquanto parece um tanto ou quanto adormecida. Sente-se um conjunto com força, frescura aliada a um toque vegetal/floral da Trincadeira e uma fruta mais gulosa que o vai marcando até ao final longo e persistente. Daqueles vinhos para beber sem pressa ou então com uma perna de javali no forno adornada com um ramo de cheiros, 
o melhor Olho de Mocho Reserva até à data. 93 pts

22 fevereiro 2019

Astronauta Baga Bruto 2015


Seguimos com os Austronauta de Aníbal Coutinho, desta vez em parceria com as Caves da Montanha (Bairrada) foi criado este Astronauta Baga Bruto 2015. Um espumante com preço de 7,50€ que estagiou por longos meses antes do dégorgement. O perfil é gastronómico, muito focado na fruta com boa frescura, amplo com travo ligeiro de cremosidade. Boa secura de boca, fruta de caroço, algumas bagas mais ácidas a marcarem o caminho, ligeirinho na mousse com final a mostrar secura e até alguma austeridade que o faz pedir mesa, peixe/marisco na grelha por exemplo. 90 pts

21 fevereiro 2019

Alento Reserva branco 2017

A Adega do Monte Branco fica em Estremoz, num alto para lá da Quinta do Mouro. O seu dono e enólogo é Luis Louro, filho de Miguel Louro (Quinta do Mouro) e é na sua Adega do Monte Branco que coloca em prática as suas vontades e cria os vinhos à sua imagem. São fortes de carácter mas levam o Alentejo na alma, quem prova este Alento Reserva branco, com o clássico dueto Arinto e Antão Vaz, fica a conhecer um branco do Alentejo com carácter, frescura, mas a alma da terra que o viu nascer não fica deixada de lado. A passagem faz-se em barricas usadas e o vinho mostra-se cheio, mesmo alguma austeridade agora enquanto novo, amplitude e frescura de uma fruta muito sólida e suculenta, sente-se a barrica no fundo sem incomodar mas o suficiente para aconchegar todo o conjunto. Na boca a condizer, bom corpo a preencher o palato de sabor, a frescura dispara com toque citrico a prolongar o final seco com a sensação de austeridade, é menino para acompanhar umas boas pataniscas de bacalhau com arroz de feijão. Preço ronda os 10€. 93 pts

17 fevereiro 2019

Titan of Douro Estágio em Barro 2016


O projecto é muito recente e tem como seu criador o enólogo Luís Leocádio, que muitos conhecem por ser o responsável pelos vinhos da Quinta do Cardo. Foi em Trevões (Douro) que encontrou a alma para este seu projecto, um conjunto de vinhas velhas que dá origem a vinhos fantásticos como este. O vinho teve um estágio de 16 meses em ânforas de barro, resultando num vinho fresco e vibrande nos aromas frutados, fruta vermelha bem suculenta e gulosa com herbáceo fresco, alguma especiaria mas com tudo tudo muito limpo em fundo terroso/barro. Boca a condizer, apimentada com notas de fruta vermelha, apoiada numa bela estrutura com uma bela frescura. Saboroso e prolongado final, a beber ou guardar, preço a rondar os 32€. 94 pts

Passo dos Terceiros 2015


Passo dos Terceiros é uma marca da Sovibor (Alentejo) da qual consta deste vinho de lote com preço a rondar os 9€ e dois monocasta, um Syrah e um Alfrocheiro. Este mostra-se de peito feito, cheio e com boa complexidade, muita fruta madura nos tons silvestres e de alguma ameixa, leve compota e nota de couro. Fresco com corpo para o petisco, a fruta em destaque arredondada mas com alguns taninos a dar sinal que ainda procuram polimento do tempo. 90 pts

14 fevereiro 2019

Palácio da Brejoeira Alvarinho 2017


O Alvarinho do Palácio da Brejoeira nasceu pelas mãos de Amândio Galhano na colheita de 1976 e cedo ganhou o estatuto entre as referências da altura. Passados 40 anos a realidade trouxe uma nova vaga de produtores e um consequente aumento da oferta/qualidade dos vinhos brancos Portugueses. O preço ronda os 17 ou mais euros e está completamente desfazado da realidade e da concorrência mais próxima. No copo mostra-se algo estático e demasiado directo para o que pedem por ele, é isto e ponto, fresco com aroma citrino, alperce, erva cidreira num conjunto aprumado, leve secura de fundo e um final curto. Falta-lhe confirmar no copo um estatuto que já teve e do qual parece viver. Este 2017 pareceu-me ainda assim um pouco melhor que o 2016 pelo que a nota indica isso mesmo. 90 pts

Encontro Special Cuvée 2013

Da Bairrada mais propriamente da Quinta do Encontro onde brilha a enologia do carismático enólogo Osvaldo Amado, sai este renovado Cuvée 2013. Como não podia deixar de ser, este belíssimo espumante é criado a partir da casta Arinto, tão amada pelo enólogo que a tão bem sabe trabalhar. E nota-se bem a mão do mestre criador, num espumante que passou 48 meses em cave e 3 meses após degorgement para sair para o mercado com preço a rondar os 30€. Um topo de gama que também mudou de imagem, agora mais sóbria, mas o vinho continua cheio de classe e a mostrar-se com um aroma floral muito fresco, biscoito de limão, com ligeira cremosidade e uma ligeira gordurinha a fazer-se sentir. Na boca o pão torrado marcado pela frescura da fruta, creme de limão com notas frescas, num conjunto persistente e cheio.  93 pts

13 fevereiro 2019

Barros Colheita 1950


De volta ao Vinho do Porto com mais um Barros Colheita, depois de já ter aqui colocado o Barros Colheita 1974 volto agora com o Colheita 1950 com o preço a rondar os 300€ a garrafa. Um vinho com rebordo ligeiramente esverdeado a indicar a idade, sente-se a complexidade a transbordar para fora do copo, melado com aroma cheio de frutos secos, madeira velha com ligeira nota fumada e até alguma austeridade em fundo. Grande elegância com frescura, profundo e envolvente conjunto a marcar o palato com sabores vincados mas ao mesmo tempo harmoniosos e delicados. Perfeito a acompanhar um bolo de noz com caramelo. 96 pts

12 fevereiro 2019

Murua Gran Reserva 1995


Recuamos no tempo e vamos buscar um Rioja "clássico", um Gran Reserva das Bodegas Murua (Rioja) de 1995. Elaborado a partir das locais Tempranillo, Graciano e Mazuelo de vinhedos com 60 anos de idade, passou 26 meses em barrica e mais 36 meses em garrafa antes de ser colocado à venda em primeur. A tonalidade já dá os sinais da passagem do tempo com aquele granada translúcido que cativa o olhar, depois é o desfilar da sua complexidade fina e delicada, bouquet rico em terciários com muito tabaco, cacau e a baunilha da barrica fina muito bem integrada. A fruta em tons de frutos do bosque, desfila de salto alto, esguia e fresca, profundo com travo vegetal seco em fundo especiado. Elegante e de boa persistência, daqueles vinhos que é sempre um prazer ter no copo. 93 pts

11 fevereiro 2019

Reichsgraf von Kesselstatt Scharzhofberger Tonel 19 Auslese 2014


O produtor é Reichsgraf von Kesselstatt (Alemanha) e a vinha Scharzhofberger (Saar) é uma das mais famosas e cobiçadas da região, o estilo de vinho é Auslese (Selecção Especial) com a designação de Grosse Lage (funciona como se fosse um Grand Cru da Borgonha), o que quer dizer que neste caso são as melhores uvas da melhor parcela que o produtor tem desta vinha. Quanto ao vinho é algo de maravilhoso, cativador e lascivo, açúcar queimado com laivos de gengibre, calda de alperce, bonitas notas de citrinos em geleia, muito docinho mas embalado por uma untuosidade que o envolve ao mesmo tempo que é fresco. Boca aveludada, muito saboroso com a fruta a destacar-se, untuosidade ligeira com gengibre e notas de laranja. Está para durar mas é complicado resistir a tentações como esta. 95 pts

Sierra Cantabria Organza 2016


Nasce na Rioja, no produtor Sierra Cantabria (Rioja) pelas mãos do reputado enólogo Marcos Eguren. Um daqueles vinhos que para muitos pode ser considerado de excesso, porque a madeira onde passou 9 meses, os 6 primeiros com as borras, abraça a fruta e o conjunto mostra-se sumptuoso, com curvas, tem a sua gordurinha bem à mostra é um facto. Mas tem a frescura e o equilibrio que o torna atraente, nas notas de fruta tropical ligeira com fruta de pomar e caixa de especiarias. Bonita complexidade de um conjunto formado por 50% Viura, 30% Malvasia e 20% Garnacha Blanca. O preço é simpático e ronda os 16€. 93 pts

09 fevereiro 2019

Paço de Teixeiró Avesso 2017

Depois da Quinta do Côtto (Douro) o Paço de Teixeiró é a propriedade da família Montez Champalimaud na região dos Vinhos Verdes. A imagem foi recentemente alvo de uma renovação tal como os vinhos, como é o caso deste extreme da casta Avesso, que se mostrou uma verdadeira surpresa. Destaca-se pelo vigor da fruta madura e limpa (pêssego, laranja, ligeiro tropical), flores brancas, mas acima de tudo pela elegância com que conjuga tudo, a barrica onde estagiou durante 12 meses com direito a 5 de battonage deu-lhe um pouco de gordura e corpo, num conjunto de belíssimo efeito. O resultado é um vinho sério mas muito apelativo que nos convida para acompanhar à mesa pratos de marisco/peixe grelhado, preço a rondar os 17€. 92 pts

05 fevereiro 2019

Astronauta Vinhas Velhas 2015


No Planalto de Alijó, de vinhas velhas nasce pelas mãos de Anibal Coutinho este Douro 2015, passando apenas por madeira usada que não lhe marcou a alma e assim ficou com toda a frescura e juventude de uma fruta gulosa e suculenta. Daqueles vinhos que são feitos para se beber sem preconceitos ou efeitos, é complexo, ganha com o tempo de copo uma graciosidade muito própria que cativa e nos faz ir bebericando mais um copo. A passagem por madeira, deu-lhe uma ligeira gordurinha que lhe arredonda suavemente os cantos, o resto é um vinho de refinada complexidade, bom corpo com secura no final a pedir comida por perto. Não procure aqui um Douro estruturado, seco e terroso, marcado pelas estevas, de dentes cerrados como as lajes de xisto. Aqui o que há para mostrar é outro lado e precisa de ser entendido e respeitado como tal, o preço a rondar os 8€ é uma tentação, uma verdadeira surpresa. 91 pts

01 fevereiro 2019

Murganheira Chardonnay Bruto 2008


Faz parte da gama de excelência das Caves da Murganheira, que como já aqui foi dito, prima por um estágio bem prolongado de todos os seus espumantes. Em prova o Chardonnay Bruto colheita de 2008, preço a rondar os 20€, é um grande espumante cheio de classe e muito prazer para dar no copo e sobretudo à mesa. É excelente para abrir com amigos ao jantar, para acompanhar uma boa conversa, sempre delicado sem querer dar muito nas vistas mas com uma precisão de relógio suiço. Aqui nada falha, a fruta de pomar bem limpa e madura com o toque mais evoluido e untuoso em tons de brioche e torrada com manteiga. Envolve no palato, fresco e ao mesmo tempo que mostra a fruta envolve com uma mousse ligeira e cremosa, sempre cheio de requinte. 94 pts

27 janeiro 2019

Vinho de Talha... a verdade escondida

Foto retirada do site: http://vinhodetalha.vinhosdoalentejo.pt
Não importa os anos com que lido com este tipo de vinho, que para alguns é como um brinquedo novo, não importa as vezes que o vi ser feito bebido ou provado, importa que o fenómeno das talhas reapareceu faz menos de uma década, e que de supetão deu-se uma corrida louca e desenfreada que colocou produtores de norte a sul de Portugal a correrem todo o Alentejo à procura de talhas, não importa tamanho, idade ou feitio... desde que fosse uma talha a festa está feita. Para os que não conseguem ter uma das centenárias, inventaram-se umas mais modernaças para não estragar a brincadeira. Depois grande parte desses vinhos nasce de forma confusa e direi de uma forma adulterada e vai contra aquilo que sempre foi e sempre caracterizou o vinho de talha. Há vinho que apenas toca ao de leve na talha e passa para o inox e é de talha, é de talha aquele outro em que apenas uma % do que lá foi feito é misturado com outro estagiado em madeira, pelo que me arrisco a dizer que é tudo menos o autêntico vinho de talha. O engraçado é que quem certifica (CVRA) por um lado diz uma coisa mas na hora de colocar o selo diz outra. Senão vejamos, no site dedicado ao Vinho de Talha podemos ler que:

Fotografia: Talhas Pesgadas, autoria Sovibor
"A Impermebiabilização da Talha

A talha, por ser porosa, necessita de um revestimento que a torne menos permeável. O método tradicional de impermeabilização é a “pesga” ou a “pesgagem” da talha, isto é, a rebocagem da mesma com resina de pinheiro a que se chama de pez louro. Nas tabernas e adegas particulares também há quem utilize tintas com efeito impermeável (tinta epoxi para revestimentos cerâmicos) que podem ser colocadas pintando o interior da talha. Todavia, estas tintas criam um isolamento de tal forma absoluto entre o barro e o mosto vínico, que não permitem que a talha cumpra a plenitude da sua função, não sendo portanto uma alternativa viável por não manter a marca nem o carácter típico desta forma clássica e natural de vinificação."

O insólito é que lendo o que a CVRA escreve no seu portal dedicado à promoção do vinho de talha, ficamos a saber que: “... a talha com epoxi... não cumpre a plenitude da sua função, não sendo portanto esta uma alternativa viável." É a mesma CVRA que no seu "regulamento" diz o seguinte:

"2. Das práticas enológicas Na elaboração do «Vinho de Talha» serão seguidos os métodos tradicionais e as práticas e tratamentos enológicos legalmente autorizados, devendo adoptar-se obrigatoriamente os seguintes processos:
a) desengace das uvas é obrigatório;
b) a fermentação terá lugar em talhas ou potes devidamente impermeabilizados;"

 Procurei esclarecimento junto daquela entidade e fui informado que é possível o uso de epoxi, contrariando aquilo que surge no site por eles criado para promoverem a dita tipicidade deste vinho. Relembro mais uma vez quanto ao epoxi: " não sendo portanto uma alternativa viável por não manter a marca nem o carácter típico desta forma clássica e natural de vinificação". 

Chego portanto à conclusão que perante tanto produtor a querer ter o seu "Vinho de Talha" e dado que pesgar as ditas não é para qualquer um, o vale tudo para ter o vinho certificado e com a máquina do marketing a rolar, se engole a tradição que por um lado se apregoa mas na altura que interessa, se deixa na gaveta. Deixo pois as seguintes questões:
- Não está o consumidor a ser ludribiado quanto à autênticidade do Vinho de Talha que compra, quando este é feito numa talha revestida a epoxi, que fugindo à tradição e que segundo site oficial, não é uma alternativa viável ? 
- Em que ponto ficam todos os produtores que seguem a preceito as regras e a tradição face aos restantes ? 
- Se forrar uma talha a inox, assegurando que fica devidamente impermeabilizada, o vinho pode ser certificado pela CVRA como Vinho de Talha ?

26 janeiro 2019

Quinta da Sequeira Grande Reserva 2007


Oriundo do Douro Superior, este Grande Reserva da Quinta da Sequeira (Vila Nova de Foz Côa) em Magnum, brilhou alto para deleite de todos os presentes à mesa. Nascido de um lote de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Amarela e Tinta Barroca, passou 24 meses de clausura em barricas novas de carvalho francês. O tempo que passou por ele só lhe fez bem, num vinho que quando saiu para o mercado era um verdadeiro colosso indomável, agora temos um tinto adulto e com tudo plenamente integrado e bem afinado. Amplo, rico e complexo, com aromas de fruta macerada bem fresca, ligeira ginja com licor, chocolate preto, aquele travo de esteva mais balsâmico que o envolve. Saboroso e amplo no palato, a marcar a passada a fruta repleta de sabor, num final médio/longo com muito prazer. 93 pts

25 janeiro 2019

Mamoré de Borba 2016


Dando continuidade à prova dos novos vinhos da Sovibor (Borba), surge o Mamoré de Borba 2016, na linha do 2015. Um vinho com preço a rondar os 6€ e que se mostra bastante amigo da mesa, algo que se verifica em toda a gama do produtor. Neste caso temos um tinto muito franco de aromas, carregado de frutos silvestres, fresco e elegante com notas de cacau e balsâmico muito ligeiro em pano de fundo. Mostra-se muito pronto a ir à mesa, já com elegância, alguma macieza dada por uma fruta rechonchuda e repleta de sabor, apesar de ainda ir durar uns anos em garrafa, com um final de boa persistência. 90 pts

24 janeiro 2019

Marquês de Marialva Baga Reserva 2014

Para muitos será um porto seguro, daqueles que não falha e que se costuma ter por casa, mas para outros passa despercebido, mais agora que nas últimas colheitas sofreu uma bela mudança de imagem. A Adega de Cantanhede (Bairrada) continua a colocar no copo do consumidor vinhos que dão prazer a beber, que nas suas mais variadas gamas nos dão um gozo tremendo bebericar mais um copo deste ou daquele vinho. Este é o Marquês de Marialva Reserva, um 100% Baga com estágio em barricas e posterior estágio em garrafa, o preço ronda os 6€. De momento temos um tinto guloso, com a madeira a bailar com uma fruta suculenta e macia, toque de cacau, baunilha da madeira que lhe arredonda os cantos. No palato escorre equilibrado, saboroso e com um toque de austeridade a pedir tempo em garrafa. 91 pts

22 janeiro 2019

Conciso branco 2016


O topo da gama dos vinhos Niepoort criados no Dão, mais propriamente da Quinta da Lomba onde predomina o vinhedo velho. Como castas como Bical, Encruzado, Malvasia entre outras, o vinho estagiou 20 meses em barricas usadas de 500 litros. Vai na terceira edição e o preço ronda os 16€ por garrafa, num estilo sempre muito fresco e preciso. Bonitas notas de fruta de caroço marcam o ritmo, com toques de pederneira, ligeira erva de cheiro em fundo com arredondamento suave dado pela madeira. Muitas energia num conjunto a mostrar uma bonita complexidade e um pronunciado final de boca, saboroso e com secura a pedir comida por perto. 93 pts

20 janeiro 2019

El Duende de Andrés Herrera 2010

El Duende de Andrés Herrera é um tinto feito com a casta Syrah, com uvas da zona de Borba mas pensado à moda Australiana, não chegam a ser 1500 garrafas deste Grande Reserva 2010, a 25€ a garrafa. André Almeida é filho de pai português e mãe espanhola, nascido na linha do Estoril foi na Herdade da Murteirinha (Estremoz) que se estabeleceu, estudou em Évora e os vinhos nasceram todos na região, grande parte oriundos de vinhas velhas propriedade do seu sogro. São vinhos todos eles peculiares e cheios de salero, vinhos com garbo, bom porte mas sempre a pedirem comida de bom tom por perto. Este mostra-se opulento e fresco, raçudo com elegância da fruta negra um pouco a acusar o toque macerado (a graduação ajuda neste toque), alguma pimenta preta, folha de tabaco seco, ligeiro perfume de violeta que paira no ar muito sibilante. É um vinho de impacto, investe e não se fica, grande estrutura suportada por uma boa acidez, a dar sinais de estar num belo momento para se beber com pratos de temperamento forte. 92 pts

18 janeiro 2019

Club Lealtanza Reserva Rioja 2005


Das Bodegas Altanza (Rioja) sai este Club Lealtanza Reserva Rioja 2005. Um vinho que nasceu para ser exclusivo do Club dos clientes mais especiais do produtor, mas que se estreou no mercdo com esta colheita. São apenas 48.000 garrafas de um 100% Tempranillo de várias parcelas de vinhedo, algumas com idade a rondar os 80 anos. O preço de mercado para as novas colheitas ronda os 20€. É um tinto com os taninos bem postos, elegante e profundo, todo ele bem aprumado com complexidade e capacidade de sedução. A fruta com muitas bagas em tom escuro, escorre madura e fresca, pelo meio notas de especiaria, cravinho, ervas de cheiro com toque untuoso da passagem de 18 meses que teve por madeira (mais 24 meses em garrafa) a envolver o conjunto. Mostra boa frescura no palato, ainda com garra a pedir mais algum tempo de garrafa. Saboroso e com a fruta bem presente, chocolate negro, musculado e com uma bela presença, fundo erroso com final prolongado. É vinho para acompanhar pratos de carne com bom tempero. 93 pts

17 janeiro 2019

Herdade do Rocim Brut Nature Rosé 2016

Nova colheita deste Brut Nature Rosé da Herdade do Rocim que surge com nova roupagem, preço a rondar os 14€, equipado apenas com a casta Touriga Nacional. Teve dégorgement após um estágio de 12 meses sobre a própria borra. Espumante que apresentando-se algo tímido nos aromas inicais ganha uma interessante evolução no copo, com fruta madura em fruta de caroço, tudo num plano delicado com toque de biscoito a dar cremosidade, acidez a contrabalançar sem no entanto mostrar grande acutilância. Na boca uma ligeira e cremosa mousse dá entrada ao tom da fruta, fina e fresca, mas tudo delicado apesar de ser vincado e com algum nervo que o faz manter a presença enquanto dura no copo. 91 pts

Gorrondona Txakoli 2015


Começar por explicar que Txacoli não é nome de uma casta mas sim de um estilo de vinho produzido neste caso na D.O. Txacoli de Bizkaia (País Basco). Este branco oriundo das Bodegas Doniene Gorrondona, faz-nos entrar num novo mundo de castas em que a sua composição consta de 83% Hondarrabi zuri (zuri significa branco), 10% Hondarrabi zuri zerratia, 4% Munemahatsa, 3% outras.  A proximidade ao mar do vinhedo com mais de 30 anos, marca o perfil deste branco com aromas que lembram as conchas, os búzios, ouriços do mar, algas, num tom iodado, ao mesmo tempo salino e vegetal a recordar a salicórnia com lugar para uma toranja bem madura. Um surpreendente branco cheio de secura e mineralidade, com uma interessante vivacidade e frescura que faz um acompanhamento quase perfeito com uma selecção de sushi sem questionar o marisco e tudo o que é peixe e marisco. Preço a rondar os 12€. 91 pts

15 janeiro 2019

Dão Rótulo branco 2017


Segundo nos informa a Niepoort, este branco é oriundo de várias vinhas velhas de castas brancas, indo mais além da casta Encruzado, predominante na região. O Rótulo branco é o resultado de um blend de castas, quase esquecidas, como Borrado das Moscas, Rabo de Ovelha, Cercial, entre outras. Sem qualquer influência de barrica, é daqueles brancos que se mostra muito franco e fresco nos aromas de fruta de pomar fresca e suculenta, floral e ligeiro herbáceo que debita com ligeireza no copo. Na boca deixa-se beber com enorme leveza, apesar da boa acidez que junta com a fruta dá um conjunto apetecível de uma lasca de queijo, mais um naco de presunto e meia conversa para a garrafa ficar vazia. O preço ronda os 6€ numa aposta muito afinada e pronta para a mesa. 88 pts

13 janeiro 2019

Mamoré de Borba branco 2016


A Sovibor (Alentejo) foi recentemente comprada e literalmente remodelada de cima a baixo, desde ao espaço da adega aos próprios vinhos, tudo mudou para melhor. O que havia para restaurar foi restaurado, acompanhado pela instalação de um conjunto de imponentes talhas. O exemplo disto mesmo é a qualidade que agora começa a surgir com vinhos cheios de vida, frescura, mas acima de tudo cheios de carácter e aquele toque de diferença que por vezes tanto procuramos. As uvas oriundas de vinhas velhas, apenas 30% fermenta em barrica, o resto fica em inox. O resultado final é um vinho de aroma cativante e até guloso nas notas de geleia de laranja, flores, citrinos com alperce. A madeira arredonda-lhe o espírito e confere uma graciosa untuosidade no palato, muito ligeira mas que combina bem com a acidez e a presença da fruta. Tudo equilibrado e pronto a dar prazer à mesa com gastronomia local. Vende-se por coisa de 6€ na loja da adega. 90 pts

12 janeiro 2019

Quintas de Borba branco 2017


Nova marca da Adega de Borba (Alentejo), cujas uvas oriundas das Quintas dos associados dão origem a esta nova gama. Desperta a curiosidade pela boa apresentação da garrafa, na loja do produtor o preço não passou dos 4€ a garrafa. Roupeiro, Arinto e Verdelho foram as castas escolhidas, o vinho é elegante, jovam e fresco, com muito citrino a conferir aromas frescos e florais, fruta de pomar, conjunto frutado e muito harmonioso. Boca com boa frescura, fruta presente ligeira untuosidade num tom atractivo com ligeira secura no final. Uma bela surpresa para um consumo diário com qualidade bem acima da média. 89 pts

11 janeiro 2019

Murganheira Único Bruto 2013


Inserido na categoria dos Especiais das Caves da Murganheira, este espumante Bruto é exclusivamente feito a partir da casta Sauvignon Blanc, com um preço a rondar os 20€. É certamente um espumante diferenciado do que normalmente encontramos neste patamar de qualidade, muito equilibrio como é nota deste produtor mas também as interessantes notas que a casta aporta a esta versão. Tudo muito refinado, dominado pela fruta limpa em tons citrinos (limão, toranja), algum vegetal com fruto seco e tosta pelo meio. Puxa pela acidez e depois somos brindados com uma mousse fina no palato que nos reconforta e prolonga o prazer. Uma proposta aliciante e diferente do que é normal, por isso até mesmo única. Os mexilhões servidos ao natural com umas gotas de limão e coentros finamente picados fizeram o resto da festa. 91 pts

09 janeiro 2019

H.M. Borges Boal 15 Anos


Mais um belo vinho oriundo da casa H.M.Borges (Madeira), desta vez um 15 Anos da casta Boal com preço a rondar os 31€ por garrafa. O vinho obviamene que é uma belíssima porta de entrada para os 20 e 30 Anos da mesma casa, apesar aqui se mostrar um Boal de bouquet muito bem composto e cheio de fruto seco com ponta de calda, caramelo de leite, num tom fresco e muito untuoso e envolvente. Pleno de sabor no palato, prolongado pela boa acidez e pelo sabor meio doce  da fruta passa com algum toffee.  92 pts

08 janeiro 2019

Reguengos Garrafeira dos Sócios 2013


Foi das mãos de João Portugal Ramos que na colheita de 1982, na Carmim (Alentejo),  nasceu o primeiro Reguengos Garrafeira dos Sócios. Desde então tornou-se um clássico, mesmo com os seus altos e baixos de forma, somando uns quantos pequenos ajustes no rótulo que sempre lhe conseguiram manter o traço original. Com a colheita 2013 no copo, o vinho mostra um Alentejo nos tons mornos da fruta embalada por boa frescura, compota, especiarias nuns toques de tabaco seco, ligeira fruta em passa. Um vinho robusto, cheio e roliço que dá muito prazer a beber neste momento. Um tinto que na tentativa de manter aquela linha mais sóbria e clássica que sempre o marcou, se desviou ligeiramente para aquele lado mais moderno e apelativo, tornando-o quiçá um pouco mais polivalente perante os consumidores. O preço ronda os 18€ por garrafa num vinho que vai ganhar certamente com o tempo de garrafa, como é seu costume, mas que de momento dá muito prazer a ser bebido com um assado de borrego. 92 pts

07 janeiro 2019

Maçanita Os Canivéis branco 2016


Foi sem sombra de dúvidas um dos melhores brancos que bebi em 2018 este Maçanita Os Canivéis 2016, oriundo de vinhedo ancestral e feito pelos irmãos Maçanita. Neste como noutros casos, recomendo a decantação prévia de meia hora para o vinho entrar em pleno no copo e a festa ser ainda maior. Enche com toda a complexidade dada pela vinhas velhas, pela quantidade de mais de uma dezena de castas misturadas. Naqueles toques de fruta (pomar, citrinos) madura, limpa, recantos plenos de mineralidade e um toque de cêra de abelha que na sensação de untuosidade vai enrolando todo o conjunto que desliza pela palato. A frescura está à altura de um grande vinho, pleno de carácter com juventude e austeridade sentida ainda que de forma ténue em fundo. Para beber ou se conseguir aguentar umas em casa. 95 pts

Quinta de Pancas Special Selection Cabernet Sauvignon 1997

Caramba, que afronta, uma pessoa vir aqui colocar um vinho de 1997 quando a grande maioria quer é mostrar a última novidade que conseguiu sacar a um qualquer dos novos produtores. Na verdade e para os muitos que desconhecem, este é um clássico e um vinho icónico, daqueles que fizeram parte do crescimento enófilo (pelo menos do meu), da partilha de momentos à mesa ou até mesmo das primeiras compras em lojas da dita especialidade. Esta foi bebida recentemente e mostra o potencial que a Quinta de Pancas (Lisboa) tem para nos dar e mostrar o lado mais Bordalês da "coisa". Portanto pegamos nos descritores da casta, juntamos-lhe o carácter mais Lusitano e por isso um pouco mais acolhedor com toda a complexidade que o caracteriza, a fruta fresca, carnuda, ainda viva e todo um conjunto cheio de finesse que nos ajuda a matar muita saudade de momentos que já não voltam. A nota já pouco interessa porque depende de garrafa para garrafa, mas nesta de tão sublime que estava não sobrou uma gota.

Quinta do Cardo Vinha Lomedo Síria branco 2014


Na renovada Quinta do Cardo ( Beira Interior), nasce um branco muito especial feito da casta Síria proveniente de uma única vinha, a Vinha Lomedo. Dos meses que passa em barrica nem sinal, plena integração dando aquela ligeira untuosidade que o envolve num complexo ramalhete de frescura com destaque para os citrinos com recordações a tangerinas, limão, ervas de cheiro com flores do monte. O fundo é ligeiramente austero, pede "coisas" com gordura do tipo lombos de bacalhau no forno regados com bom azeite e broa de milho. O tempo que lhe dei em garrafa só ajudou a afinar e ganhar a complexidade com que nos brinda no copo. É puro prazer ser bebido neste momento da sua vida, mesmo com a nova colheita já aí a espreitar, com preço a rondar os 22€ a garrafa. 94 pts

06 janeiro 2019

Herdade do Rocim 2016


Não é novidade para ninguém e para muitos até se poderá mostrar na actualidade como um dos vinhos da moda. O certo é que a Herdade do Rocim (Alentejo) nada nasceu feito e tudo foi feito em pouco mais de uma década com o erguer do seu vinhedo, adega, retocou os rótulos e estilo dos vinhos apresentados. Nos últimos anos renasceu por ali o espírito das talhas e a revolução foi o passo seguinte. Não há dúvidas que hoje a Herdade do Rocim é um dos mais sólidos projectos e que deve ser seguido bem de perto pela qualidade dos seus vinhos. Este é o mais recente colheita, o Herdade do Rocim, preço ronda os 8€ e mostra-se fiel a si mesmo como sempre nos tem acostumado. É fresco, a fruta está presente, limpa e airosa, com aquele toque morno da planície que lhe marca a alma. Um daqueles tintos que nos ajuda a serenar o espírito ao fim de semana. 90 pts

04 janeiro 2019

Rótulo Dão 2016



Desejando um fantástico 2019 para todos, começo o ano com este Rótulo Dão da Niepoort colheita de 2016, criado a partir de Baga, Jaen, Tinta Roriz e Tinta Pinheira. O vinho compra-se a coisa de 6€ a garrafa e facilmente permite fazer a festa de copo em riste perante caras risonhas de amigos e família. O perfil dito tradicional, mostra um tinto fresco e descomprometido que sendo leve no trato, é pouco rebuscado na formalidade, emparelha-se com uma avantajada quantidade de pratos da nossa gastronomia. Muita é a fruta que vinca o palato, fundo com ligeira frescura vegetal e ligeira austeridade num saboroso final. Depois de aqui ter provado a sua colheita inaugural, este pareceu-me um pouco melhor. 89 pts
 
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