Copo de 3: 2019

18 junho 2019

Monsaraz Premium 2014


Sobressai ao falar-se dos vinhos da CARMIM o perfil clássico a que o Reguengos Garrafeira dos Sócios nos acostumou ao longo de décadas. Este Monsaraz Premium vem mostrar um perfil mais moderno, mas ao mesmo tempo requintado e sedutor. O vinho em causa passa por madeira que o marca sem alarido, apenas o suficiente para envolver com elegância, aconchegando a fruta bem carnuda e suculenta em tons negros e silvestres, o cacau com notas de licor de cereja e café. Boca cheia de sabor, bom volume e marcante no palato com rasto suculento da fruta, as notas de mocaccino a aveludarem e arredondar os cantos. A frescura presente dá-lhe vida e profundidade, um belíssimo tinto com preço a rondar os 25€. 94 pts

Domaine des Herbauges Château de la Pierre Muscadet Côtes de Grandlieu Sur Lie 2018



Ora um branco vindo de França, mais propriamente do Loire, criado a partir da casta Melon de Bourgogne. O produtor é o Domaine des Herbauges e o vinho nasce no Château de la Pierre a partir de uma vinha velha com idade a rondar os 70 anos de idade. Apenas estagiado em inox, com batonnages periódicas entre 8 a 14 meses, até ser lançado no mercado. É um branco muito focado na fruta com tom tropical e raspas de citrinos, boa frescura a embrulhar tudo com fundo mineral. Boca com a fruta a mostrar-se logo de inicio, certinha, limpa e a conferir bom travo para terminar fresco e seco. Uma daquelas compras perfeitas para acompanhar uns mexilhões ao natural, uma sardinhas assadas, umas conquilhas ou uma salada de polvo, tudo possível por um vinho de perfil clássico bem divertido de se ter no copo e que se deixa beber com bastante satisfação. Preço a rondar os 3,99€. 90 pts

17 junho 2019

Quinta do Ameal Escolha branco 2016


A Quinta do Ameal (Ponte de Lima) é sinónimo de vinhos brancos de altíssima qualidade onde disponta a casta Loureiro. Este é o Escolha, lote fermentado em barrica usada que acaba por ganhar uma complexidade extra, porque a longevidade essa já é uma garantia dos vinhos deste produtor. Apareceu-me com uma nova roupagem, muito puro de aromas e sabores, fiel ao que sempre foi e a mostrar os atributos com que facilmente cativa os consumidores, equilíbrio, uma belíssima frescura e um extra de corpo ligeiramente mais cheio a pedir uma boa caldeirada. São 16,50€ num daqueles brancos que é um prazer ter no copo e na garrafeira por muito tempo. 93 pts

07 junho 2019

Romano Cunha 2010


Os vinhos de Mário Romano Cunha (Mirandela) são vinhos com uma vontade muito própria onde podemos afirmar como dizem do lado de lá da fronteira, com os taninos bem postos. São vinhos onde o tempo é que manda, por isso não se estranhe que depois da colheita de 2009 tenha saido o 2008 e só agora o 2010, preço na casa dos 20€. Um tinto que invoca castas como a Tinta Amarela, Tinta Roriz e Touriga Nacional que estagiaram em madeira por algum tempo. Quando olho para estes Romano Cunha não consigo deixar de me lembrar dos Ultreia (Bierzo) também criados por Raúl Pérez. 

A qualidade da fruta sempre muito elegante, fresca e com grande definição aromática, aliada a uma madeira que soube fazer o seu trabalho, afinando e dando suporte a um conjunto amplo e muito agradável. Bonita a complexidade, com notas de cacau, flores e vegetal fresco, explodem as frutas silvestres com elegância e frescura, saboroso e com boa intensidade, evolui de forma calma e serena no copo. Está para durar e encantar, haja coragem para as manter guardadas. 94 pts

31 maio 2019

I Concurso de Vinhos de Talha 2019 - Vencedores

No passado dia 25 de Maio, decorreu nas instalações da Sovibor o I Concurso de Vinhos de Talha 2019. O Concurso contou com a presença de 31 vinhos e teve como objectivo escolher o melhor de cada categoria, Branco e Tinto. Foi unânime a decisão final do júri que ditou como vencedores: 

MELHOR VINHO DE TALHA BRANCO
Mamoré de Borba Vinho de Talha Branco 2018

MELHOR VINHO DE TALHA TINTO 
Mamoré de Borba Vinho de Talha Tinto 2018





I Concurso de Vinhos de Talha 2019

O Júri (esquerda para a direita): João Canena, Joaquim Arnaud, João Alabaça, Pedro Hipólito, Gilberto Marques, Francisco Brito, João de Carvalho (organização), Carlos Janeiro, Pedro Mota, Paulo Amaral, Sandra Alves, Rita Tavares (organização), António Ventura e Luís Sequeira.


O vinho de talha é uma paixão que me acompanha vai para mais de 20 anos. A um grande amigo que já partiu, devo grande parte deste entusiasmo e deste saber que tão pacientemente me foi passando nas longas conversas que tinhamos. Mas com o tempo ficou sempre um desejo que finalmente consegui transformar naquilo que foi a maior prova de Vinhos de Talha feita até hoje e que contou com 31 vinhos de produtores de todo o Alentejo, o I Concurso de Vinhos de Talha, realizado no passado dia 25 de Maio nas instalaçãos da Sovibor (Borba).

O Concurso foi um sucesso onde a principal regra ditava que apenas vinhos oriundos de talhas pesgadas poderiam participar. A prova foi cega e bastante animada, com muito debate entre provadores, muita partilha de opinião face à alta qualidade de todos os vinhos que participaram. Os melhores de cada mesa foram apurados para a finalíssima, com cada jurado a dizer qual o seu preferido e a contagem feita por todos, assim nunca haveria enganos e o vencedor seria claro e inequívoco. No próximo post irei divulgar quais os dois vinhos que foram considerados Melhor Vinho de Talha tinto e Melhor Vinho de Talha branco.

Quero deixar um agradecimento muito especial ao Sr. Fernando Tavares à Rita Tavares e ao Engº Antonio Ventura que tornaram possível tal acontecimento, um obrigado à Joana Garcia (Queijaria Monte da Vinha) ao Joaquim Arnaud (Charcutaria) e ao Fontainhas Dias (Fotografia). O último agradecimento vai para todos os que gentilmente acederam ao convite para fazerem parte do júri. Para o ano há mais.

30 maio 2019

Soalheiro ALLO 2018


Do produtor dos vinhos Soalheiro (Vinho Verde) sai a nova colheita do ALLO, Alvarinho e Loureiro, cujo preço bem catita se situa perto dos 5€. A relação preço/satisfação é de elogiar uma vez mais, o vinho mostra-se num nível de qualidade a que sempre nos tem acostumado, sem falhas, nariz exuberante e cativador para depois dar uma prova de boca com uma frescura capaz de harmonizar com pratos de peixe ou marisco numa qualquer mesa em dia de mais calor.  90 pts

16 maio 2019

Cistus Reserva 2015


Produzido na Quinta do Vale da Perdiz (Douro) perto de Torre de Moncorvo localizada já no Douro Superior, tem o lote dominado pela Touriga Nacional seguida da Tinta Roriz e da Touriga Franca. Passou 17 meses em barricas. Um vinho com preço a rondar os 10€, intenso e carregado de fruta madura com evidente toque de licor a envolver todo o conjunto, envolvente com notas de chocolate preto e um travo de esteva em flor confere alguma rusticidade no fundo. Na boca é a fruta madura e com compota, doseado na frescura em companhia de alguma austeridade em pano de fundo. Os 15% que apresenta fazem-se notar com o tempo no copo, passando uma rasteira e o vinho fica algo desequilibrado perdendo a boa postura inicial. 89 pts

09 maio 2019

Mamoré de Borba Vinho de Talha branco 2017


A Sovibor (Alentejo) renasceu e rejuvenesceu a sua alma cinquentenária, as suas instalações foram totalmente renovadas e as novidades surgem em cada recanto. A aposta no Vinho de Talha foi total e o resultado é surpreendente pela qualidade que os vinhos desde a primeira colheita apresentaram. Este é a segunda edição do Branco, preço a rondar os 22€, que nasce a partir de vinhedo velho onde brilha a casta Antão Vaz. Um vinho capaz de invocar memórias, conversas e mesmo recordar pessoas que o tempo já levou, um vinho de memória, a mesma memória e história que as talhas onde nasceu transportam dentro de si. Pesgadas com resina de abelha, processo mais dispendioso e menos duradouro mas que não marca tanto o vinho como as antigas pesgagens, muitas vezes a "sequestrarem" os vinhos com aromas e sabores mais vincados e menos apetecíveis. 

Aqui o que encontramos para além da pureza da fruta de caroço já com alguma calda, é a frescura que se esbate em notas de cêra de abelha a dar alguma untuosidade, tangerinas, flores e tisana, ligeiro fumado. Na boca claramente a pedir comida, marcado pela fruta, novamente o toque ceroso, textura muito marcante com frescura e secura no fim a pedir umas iscas ou uns pezinhos de coentrada. 93 pts

07 maio 2019

Quinta do Côtto Vinha do Dote 2015


Cada vinho conta uma história diferente, a história deste Quinta do Côtto (Douro) começa na vinha velha com mais de 80 anos que lhe dá origem, a Vinha do Dote. Uma vinha que chegou à família Champalimaud via dote de Rosa Carolina Pinto Barreiros, aquando do seu casamento com António Montez Champalimaud, em 1865. Rosa viria a fundar, em 1922, a empresa Montez Champalimaud Limitada. Em sua homenagem, esta vinha velha foi cuidadosamente recuperada e batizada, simbolicamente, como Vinha do Dote. Posso dizer que o vinho é tão bonito como a história da vinha que lhe dá origem, um tinto estagiado 15 meses em barricas usadas e ronda os 20€. Dotado de um aroma muito fresco, perfumado com notas de frutos vermelhos, leve terroso com sinal de austeridade, complexidade fina num todo delicado e a dar muito prazer, especiarias, cacau, tudo bom de cheirar e beber. Boca com sinais de presença da fruta de grande qualidade, equilibrio dado pela madeira, frescura e final persistente. Daqueles vinhos que dá gozo tremendo beber à mesa com um guisado de javali. 92 pts

06 maio 2019

Herdade do Rocim branco 2018


Da Herdade do Rocim (Alentejo) sai o primeiro branco da colheita de 2018, feito a partir das castas Antão Vaz, Arinto e Viosinho. Desde a anterior colheita que no rótulo surge a figura da Linária, uma planta endémica da Cuba alentejana e que se encontra em perigo de extinção. No que ao vinho diz respeito, pareceu-me ligeiramente melhor que o 2017, com uma elegância e ao mesmo tempo uma frescura que se combinam num misto de austeridade da fruta ainda jovem e suculenta, mas ao mesmo tempo com nervo, travo vegetal, sem quebras num final saboroso. Um branco pronto para a mesa e que acompanha em grande uns mexilhões à la marinera. O preço ronda os 7,50€ no que revela ser uma excelente aposta agora que o tempo quente se começa a fazer sentir. 91 pts

05 maio 2019

Canena Vinho de Talha branco 2017


Nascido na Quinta da Pigarça, em Cuba (Alentejo), criado com mestria em ancestrais talhas de barro, devidamente pesgadas. Na alma leva as castas Roupeiro, Antão Vaz, Arinto e Rabo de Ovelha, sendo neste caso um branco de 2017 onde a bonita tonalidade alaranjada invoca no imediato memórias de outros tempos. Complexidade e frescura notáveis num branco que debita muitos aromas da boa evolução, cêra de abelha, resinas, tons de fruta de caroço (alperce) e citrinos maturados, a envolvente é quase que rodeada de ervas de cheiro, flores de esteva, num conjunto com uma acidez que lhe dá uma vivacidade e vertente gastronómica tipica dos vinhos de talha. Novos tempos em que em vez de o vinho ser servido em jarro vindo da talha, vem em garrafa e ronda os 10€. A qualidade e a memória está toda bem presente, tal como o cariz gastronómico. Sirva a acompanhar uns rins com miolos e faça a festa. 92 pts

02 maio 2019

Astronauta Moscatel do Douro

Da parceria entre o enólogo Aníbal Coutinho e a Adega de Alijó, nasce este Moscatel Galego Dourado, fruto de um lote de vários anos. O preço mais uma vez a tornar apelativa a compra, ronda os 8€, e o que temos na garrafa é um Moscatel do Douro alegre, fresco e cheio daqueles aromas que invocam compotas de laranja, leve tropical mas com floral pelo meio. É um vinho com corpo mediano mas envolvente e que conjuga bem a frescura com o toque doce sem ser em demasia, perfeito para aqueles dias de calor a acompanhar uma boa torta de laranja. 89 pts

28 abril 2019

Herdade do Rocim Grande Reserva Brut Nature Rosé 2014

Pode não acreditar mas no Alentejo a produção de Espumante Bruto Natural remonta às Caves Montes Claros (Borba), fundadas em 1893 e que veriam o seu fim com a marca a ser vendida quase um século depois. O projecto de que falo é bem mais recente, a Herdade do Rocim (Alentejo) solidificou a sua imagem ao longo das colheitas com base na consistência de uma qualidade acima da média dos seus produtos. Neste caso o destaque vai para o espumante topo de gama, pouco mais de 725 garrafas, todas elas numeradas (esta foi a nº316) deste novo espumante do Rocim. Apresenta-se como o topo da sua gama e o preço ronda os 28€, o Grande Reserva Rosé é criado a partir da casta Touriga Nacional, que estagiou sobre a própria borra cerca de 36 meses até ao seu dégorgement. Rico em detalhes tal como a identificação do nº da garrafa junto à rolha, à alta qualidade e muito prazer que nos proporciona no copo. É de facto um belíssimo espumante nascido e criado em pleno Alentejo, pleno de fruta vermelha cheia de vida e muito saborosa, ligeiro brioche e massa fina, num fundo com austeridade e frescura que limpam por completo o palato. Boca com a fruta a estalar de sabor, cremoso mas ao mesmo tempo rijo e de grande final. 94 pts

27 abril 2019

Conciso 2015


A casa Niepoort instalou-se no Dão mais precisamente na Quinta da Lomba, onde cria este Conciso, que pretende ser segundo o produtor uma interpretação de um Dão fino e elegante, um vinho que mostra todo o potencial e carácter de uma vinha muito velha. Ora a vinha é muito velha, plantada em solo de granito na encosta da Serra da Estrela com castas misturadas onde a Baga e Jaen são predominantes. A vinificação é feita em lagar com parte de engaço, estágio posterior de 20 meses em tonel velho de 2,500 Litros. Vinho com preço a rondar os 25€ repleto de aromas a invocar o Dão num estilo mais clássico, cheio de frescura e elegância e muito amigo da mesa, grande presença na boca com aromas de bagas silvestres, caruma, ligeiramente terroso e especiado no final, longo e muito persistente. Bebe-se com enorme prazer a acompanhar um assado de borrego no forno, com taninos finos mas acutilantes capazes de atacar a molhenga do assado. 94 pts

Marquês de Borba Vinhas Velhas 2017


A gama Marquês de Borba Vinhas Velhas surge como um recente upgrade na gama Marquês de Borba Colheita, criado com as castas Alicante Bouschet, Aragonez, Castelão e Syrah, pisadas em lagares de mármore e estagiado posteriormente 12 meses em barricas de carvalho americano e francês. O génio criativo de João Portugal Ramos soube desde sempre criar vinhos do agrado dos consumidores, este apenas o vem confirmar uma vez mais e mostra-se em Alentejano de gema com uma frescura que lhe aguça os sentidos, aromas e sabores. Muito focado na fruta gulosa e suculenta, complexidade delicada com boa evolução nos aromas, especiarias, couro e tabaco mas também uma leve carga vegetal fresca de fundo. Daqueles tintos que faz um brilharete à mesa com um arroz de pato, ronda os 13€ e tem estofo para durar mais uns bons anos em garrafa, como todos os vinhos criados nesta adega. 91 pts

25 abril 2019

Vidigueira Vinho de Talha branco 2018

Novidade da Adega da Vidigueira (Alentejo) elaborado a partir de vinhas velhas com as castas Antão Vaz, Perrum, Síria, Manteúdo, Diagalves e Larião. Parte das talhas são pesgadas e outra parte revestidas a epoxi. É um branco claramente diferenciável do que por norma nos escorre para o copo, de aromas a invocar cêra de abelha, resina, ligeira esteva em flor com aromas de frutas (citrinos, fruta de pomar) maduras e passa de uva branca. Na boca mostra-se amplo e com sabor vincado onde brilha a fruta, novamente o travo de levedura e cêra dá sensação de untuosidade, um pouco mais de complexidade num conjunto com uma bela frescura. São 10€ na loja da adega por um branco muito cativante e claramente a pedir mesa com perfil gastronómico muito apurado para um prato de iscas, rins, moelas, burras... 92 pts

Titan of Douro branco 2017


Voltamos ao Douro, ali no Sopé da Serra do Reboredo (1.000 metros de altitude), em Paredes da Beira, no ponto de maior altitude do Douro e nas encostas do Rio Távora, é onde nasce este Titan of Douro. Criado a partir das castas Rabigato, Gouveio e Verdelho é um branco com grande robustez, mesmo alguma austeridade onde a fruta (citrinos, pêra e alperce) se mostra bem sólida e madura. As estevas em flor e a resina das mesmas marcam o fundo, austeridade vincada num corpo muito compacto a pedir pratos de bom tempero como uma caldeirada à fragateiro. Preço a rondar os 8,90€ em garrafeira. 91 pts

20 abril 2019

Elpídio Superior Bruto 2013


Novidade das Caves do Solar de São Domingos (Bairrada) este espumante Elpídio Superior Bruto 2013 com base nas castas Arinto e Chardonnay. Espumante com preço a rondar os 12,50€, apresenta um conjunto elegante onde a fruta de pomar se mistura com tons citrinos, ligeira tosta no fundo a dar sensação de cremosidade. Muito prazer no copo num espumante atraente e que agrada muito na prova que dá, ligeira a mousse na boca que se esbate na frescura citrina bem marcante no final. Bom para acompanhar uns simples pastéis de bacalhau acabados de fazer.  90 pts

19 abril 2019

Adega de Vila Real Premium branco 2016

Daqueles vinhos comprados em promoção numa superfície comercial, custou menos de 4€ e chamou no imediato a atenção por ser um 2016. Este branco do Douro, oriundo da Adega de Vila Real (Douro) é criado a partir das castas Viosinho, Malvasia Fina e Gouveio. Agrada no imediato pelos aromas frescos, ligeira calda presente da fruta citrina com toranja, tropical e uma ligeira baunilha. É delicado, fresco e muito equilibrado, boa presença de boca com sabor e boa presença. Pelo preço não lhe podemos exibir mais do que aquilo que nos mostra, muito correcto e a dar prazer à mesa. Mesmo apesar de ser um 2016 está aí para as curvas, sem notas de evolução que lhe belisquem a performance. 88 pts

05 abril 2019

Outono de Santar Colheita Tardia 2013


O Outono de Santar (Casa de Santar) começou como Vindima Tardia, agora apresenta-se com novo rótulo ostentando Colheita Tardia. O interior também mudou e para melhor neste vinho oriundo do Dão com 90% Encruzado e 10% Furmint. Estágio de 12 meses em barrica de segundo ano. Com preço a rondar os 19€ é um vinho de tons melados com a fruta cristalizada (citrinos) e alperce já em calda a dar sensação de doçura, tudo muito fresco com toque de gengibre fresco a invocar a presença de botrytis. Elegância com toque de açúcar queimado na boca, envolvente e untuoso, ligeiro no trato, saboroso e com bom final de boca. 91 pts

Marquês de Borba branco 2018


Depois do Vila Santa, João Portugal Ramos (Alentejo) criou a marca Marquês de Borba, lá para o ano de 1997, que no imediato conseguiu pela consistencia e qualidade conquistar o seu lugar junto do consumidor. Do lote com que se apresentou ao mundo, Arinto, Rabo de Ovelha e Roupeiro, apenas reteve a casta Arinto, hoje contamos com Antão Vaz e Viognier e também com uma nova roupagem, mas o mesmo preço a rondar os 5€. Ano após ano o lote tem sido afinado, o resultado é este branco com aroma de boa intensidade onde brincam a fruta em tons citrinos e tropicais bem maduros e frescos com o lado floral, ligeiro rebuçado de limão a dar um toque mais guloso. Boca com equilibrio, frescura e a mostrar uma auteridade muito ligeira no final de boca que sempre o acompanhou. O Marquês de Borba continua igual a si próprio. 89 pts

04 abril 2019

Monte Branco 2015


A zona de Estremoz já deu provas mais que suficientes para ser considerada um local de excepção para produzir grandes vinhos. Todos os topos de gama da zona de Estremoz tem algo em comum, a frescura e a robustez associada a um tom austero e inicialmente terroso, este grande Monte Branco com preço a rondar os 35€ não lhe foge à regra. Neste caso falo do topo de gama criado por Luís Louro na sua Adega do Monte Branco (Alentejo) situada perto de Estremoz. Um vinho que tem o Alentejo bem vincado, com um lote feito a partir de Alicante Bouschet e Aragonez a estagiar 1 ano em barricas. Para o meu gosto é demasiado novo para ir à mesa, é vinho que precisa de descansar mais um bocado na garrafa apesar de ser da colheita de 2015. Grande concentração, frescura a dar muita vida ao conjunto que se mostra coeso e amplo, firme e conquistador. Muita fruta escura com tons vegetais mais secos e ervas de cheiro em fundo com nuance de balsâmico. Da barrica pouco ou nenhum sinal, integrada e com o afinamento suficiente do conjunto sem o marcar demasiado. Saboroso e de sabores vincados, vigoroso e carnudo, pede tempo de garrafa ou então pratos de tempero forte, uma presa ibérica no carvão ou uma feijoada de javali por exemplo. 95 pts

02 abril 2019

Quinta do Cardo Vinha Lomedo Síria 2015

Segunda edição deste branco oriundo da Quinta do Cardo (Beira Interior) onde brilha em exclusivo a casta Síria, proveniente de uma única vinha, a Vinha Lomedo. O estágio prolongou-se durante 22 meses com "batonnage" regular, dando-lhe uma graciosa complexidade no nariz, leve untuosidade com a fruta madura em tom citrino em plano de destaque, acompanhada de notas de ervas de cheiro. O fundo é austero e mineral, sinal de juventude e de coesão que se faz notar na boca, onde mostra firmeza com grande frescura e equilibrio entre fruta e madeira. O preço ronda os 20€ e o tempo em garrafa só lhe vai fazer bem, mas pode ser bebido neste momento que é puro prazer à mesa. 94 pts

01 abril 2019

Casa de Santar Vinha dos Amores Blanc de Noir Bruto 2014


Nasce na Casa de Santar (Dão) este espumante 100% feito a partir da casta Touriga Nacional, apresentando-se com um Blanc de Noir Bruto da colheita de 2014.  Num vinho cujo preço atira para perto dos 25€, domina um aroma com notas de pastelaria, pão torrado, pederneira, ligeiras as notas citrinas acompanhadas de groselhas bem maduras. Sente-se uma ligeira envolvente mais cremosa que se confirma na boca, com ligeira mousse, biscoito com bagas vermelhas a explodir de sabor, amplo e muito bem composto. Elegante e fresco, mas com alguma gordura extra, ganhando algum peso e perdendo na parte da delicadeza. 92 pts

29 março 2019

Barbeito Malvazia 20 Anos Lote 14050

Criado pela Barbeito (Madeira), foram utilizadas uvas de São Jorge e da Fajã dos Padres (20%), para este lote já esgotado no produtor e do qual resultaram pouco mais de 1000 unidades com preço situado nos 170€. Nariz de grande complexidade, refinado e muito elegante este 20 Anos Malvazia mostra-se com aroma floral, ligeiramente fumado com ligeira sensação de untuosidade no caramelo salgado, notas de alperce em geleia. De enorme presença mas com uma frescura fantástica a contrapor a doçura da casta, que lhe dá uma grande vivacidade de aroma e sabor, mantendo no entanto um lado refinado e elegante com um final longo e muito persistente. Alegrará com toda a certeza o final de um grande jantar, sozinho ou acompanhado. 95 pts

28 março 2019

Soalheiro Bruto Nature 2016


É novidade no mercado o primeiro espumante de Alvarinho sem adição de sulfitos, nasce assim o Soalheiro Espumante Bruto Nature. A sua origem no Soalheiro Nature que após filtração fermenta e estagia em garrafas de espumante durante 18 meses. Segundo o produtor é um espumante baseado no método ancestral onde as Pérolas de Leveduras criam o gás muito fino e delicado existente dentro da garrafa e a rolha, especialmente selecionada par o efeito, acompanha o espumante desde a sua criação e fermentação em garrafa até à abertura final. A ausência de sulfitos e de dosagem no final (bruto natural sem qualquer adição) e a permanência na cave, a temperatura baixa e constante durante 18 meses permitiu que este espumante mostre toda a elegância da casta Alvarinho numa perspetiva de maior complexidade e menos fruta.

O resultado é um espumante de boa persistência, menos fruta nos tons característicos da casta com maior complexidade do estágio, notas de fermento, algum torrado, ligeiro floral com tom delicado e muito fresco. Elegante e a encher o palato de sabor, marca bem a sua passagem com os toques de pastelaria mais acentuados, a fruta deixada para segundo plano faz a despedida numa boa persistência. Diferente sem o carácter tão assentuado da casta como os outros espumantes da casa, é no entanto excelente aposta para a mesa a acompanhar peixes de tempero mais delicado. 91 pts

Dom Rafael 2015


Aguça o apetite a qualidade do ano 2015 na Herdade do Mouchão (Alentejo), isto tendo em conta o que nos mostra o Dom Rafael tinto 2015. Um vinho cujo lote de Alicante Bouschet, Trincadeira, Castelão e Aragonez estagiou por mais de 12 meses em madeira com mais uns largos meses em garrafa. Tudo sem pressa, até porque o vinho está cheio de energia, frescura de frutos do bosque com travos ligeiros de especiaria, chocolate negro com ligeiro compotado, muito compacto, boa complexidade com aquela austeridade de quem nos pede mais algum tempo de espera. Na boca é amplo, taninos a darem secura mas grande persistência, num conjunto que se dará bem à mesa com assados no forno bons de tempero, lembrando por exemplo de um assado de borrego. Um salto em frente na qualidade que apresenta, preço a rondar os 10€. 90 pts

27 março 2019

Terras da Gama 2017


Criado na zona de Mação, situado no vértice de três regiões: Beira Baixa, Ribatejo e Alentejo este vinho é um Ribatejano de gema, criado a partir de vinhedo velho onde brilham as castas Alicante Bouschet e Aragonês. Vinho apenas com passagem por inox, cheio de garra e pujança, muita energia na prova que vai dando ao longo do tempo que rodopia no copo. É vinho para se beber na petisqueira que tem caparro para aguentar uns bons caldos e molhos, carregado de fruta negra bem madura e notas de chocolate preto, amplo e muito coeso. Compra-se por coisa de 4€ e é daqueles vinhos feitos para ser bebido com muito prazer no dia a dia, onde a qualidade está presente e o resultado final é ficarmos satisfeitos porque demos o dinheiro por bem gasto. 89 pts

21 março 2019

Titan of Douro Vale dos Mil branco 2016


Oriundo de vinhas velhas em altitude no Douro, em solos de transição xisto/granito este branco criado pelo enólogo Luís Leocádio, estagiou 16 meses em barricas com agitação de borras finas. Mostra uma complexidade muito delicada e precisa nos aromas, frescura, flores do campo com toque de tisana, esteva em flor, frutos citrinos e de pomar (pêra, alperce), ligeira austeridade mineral (pederneira) num conjunto coeso e de grande qualidade. Muito prazer na prova de boca, com uma acidez que percorre todo o palato, marca o sabor da fruta limpa, ligeira untuosidade que se esbate em notas de levedura muito ligeira. Profundo, complexo e cheio de garra e vida pela frente, custa coisa de 26€ e é daqueles que dá um gozo tremendo no copo mas que irá continuar a brilhar durante muitos anos. 95 pts

19 março 2019

Astronauta Moscatel Galego 2017

Vem do planalto de Alijó o Moscatel Galego (Douro) com que Aníbal Coutinho criou este vinho de preço a rondar os 6€. Um branco fresco e algo contido de aromas, muito preciso e envolto num delicado perfume de camomila, citrinos com ligeiro rebuçado de mentol, todo ele bem equilibrado. Boca a dar uma boa dose de frescura num perfil claramente a pedir mesa, pratos mais delicados na mais alargarda vertente de tapas e canapés que ligam bem com toda a acidez e aromas mais delicados.  88 pts

18 março 2019

A magia das Talhas

O Vinho de Talha é e sempre será um vinho de um povo, um vinho sem terroir, sem castas associadas, acima de tudo é um vinho que carregou e carrega nele a história das gentes. Não fiquemos a pensar que é uma exclusividade nossa, puro engano, afinal este tipo de vinificação veio até nós no tempo dos romanos que a foram deixando um pouco por toda a parte, com eles trouxeram as videiras e a sua arte de fazer vinho, o Vinho de Talha. Esquecida por uns, revivida por outros, a tradição foi-se mantendo até aos nossos dias e não vou arriscar rigorosamente nada em afirmar que o boom do vinho estagiado em barro peca por tardio em Portugal, uma vez que na vizinha Espanha os ensaios e os vinhos lançados para o mercado estagiados em talhas/tinajas de barro já fazem soar as mais altas pontuações dos grandes críticos internacionais. 

Por cá resta-nos acordar do entorpecimento que vivemos, resta afinar arestas e limar conceitos, porque uma tradição não pode sucumbir perante interesses nem ser desvirtuada da maneira como tem acontecido em vinhos certificados onde as talhas em vez de pesgadas são revestidas a epoxi. A cantilena da maneira como o vinho é feita já é por todos mais que conhecida e debitada em playback vezes sem conta. A verdadeira arte por detrás do Vinho de Talha está ralmente nas Talhas, é no seu fabrico onde reside toda  a magia e sem elas, mas acima de tudo sem aqueles que durante séculos as criaram, hoje não teriamos Vinho de Talha nos nossos copos. Das mais pequenas às maiores com capacidades para 8000 litros e que chegam a pesar mais de uma tonelada, aos mais variados formatos conforme a zona de fabrico. Este é um documentário que invoca a memória de todos os que as fizeram e continuam a fazer, uma arte que felizmente não se encontra extinta e que como se pode ver pelo vídeo tem marcado gerações.


17 março 2019

Mamoré de Borba Reserva branco 2017


Se o Mamoré de Borba branco (Sovibor) já é um belo vinho, só podemos ficar satisfeitos quando nos cai este Reserva 2017 no copo, preço ronda os 16€. O lote é Arinto, Antão Vaz e Verdelho/Gouveio que passaram por barrica, dando untuosidade e alguma gordura ao vinho, um bocadinho mais de corpo e presença, mantendo a mesma frescura e elegância que o seu irmão mais pequeno. Precisa de comida por perto, dominado por aromas de fruta de pomar, muito alperce, tangerina, ligeiro floral a perfumar o resto do conjunto numa bonita complexidade. Renova a elegância na prova de boca, com uma boa estrutura e frescura que lhe dão alma e vida para durar largos anos em garrafa. Daqueles brancos para beber sem pressa, com uma sopa de cardos com bacalhau alimado. 91 pts

16 março 2019

Jerez & El Misterio del Palo Cortado

O que bebemos num copo de Jerez não é apenas o resultado da fermentação da fruta, é acima de tudo o peculiar sabor de um sítio mágico onde parece ter sido um local escolhido pelos deuses: Jerez, no sul de Espanha, onde o vinho é criado faz 3000 anos, um local de histórias, lendas e acima de tudo mistérios. Um desses mistérios, é também um vinho mágico: o Palo Cortado.


14 março 2019

Quinta do Cardo Grande Reserva 2014


Há nomes que nos conseguem meter a olhar para uma região face à força da qualidade e diferença dos seus vinhos mas também da qualidade do trabalho do seu marketing e da maneira como comunicam cá para fora aquilo que fazem. Nesta simbiose, que direi perfeita, encontra-se a Quinta do Cardo que orgulhosamente nos mostra o melhor que a Beira Interior nos tem para mostrar no copo nas mais variadas vertentes. O culminar de todo o trabalho surge quando se cria um topo de gama, aquele que enche a alma ao produtor quando nos serve um copo. 

Este é o Grande Reserva da Quinta do Cardo, criado a partir de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Caladoc, 36 meses de clausura onde apenas os vinhos das melhores barricas foram escolhidos para o lote final. O resultado é um vinho de carácter bem vincado, notas terrosas com fruta vermelha fresca e ácida a despontar, esteva em flor, toque especiado com ligeira austeridade. Profundo ao mesmo tempo misterioso, daqueles que gosta de copos largos para se ir mostrando ao longo do tempo em que rodopia. Na boca o festim continua, perfil claramente a pedir comida, um cabrito no forno ou uma empada de perdiz fazem dele um vinho muito feliz, pela sua estrutura e longevidade, temos vinho para largos anos. Ronda os 30€ em garrafeira. 95 pts

11 março 2019

Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador branco 2014


O Paço dos Cunhas de Santar (Dão) é uma construção de estilo da renascença italiana, mandado construir por Dom Pedro da Cunha em 1609. O vinho sempre ali teve direito a berço, mas foi em meados de 2005 pelas mãos da Dão Sul que sairam os topo de gama Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador, com preço que na altura rondava os 15€ por garrafa. Com o tempo as coisas mudaram, o vinho aumentou a produção, mudou de rótulo e passou a ter um preço que ronda facilmente os 35€ em garrafeira. A qualidade essa está bem presente, num lote em que a base é Encruzado, apoiado na Malvasia Fina e no Cerceal branco com metade do lote a estagiar 12 meses em barricas. Um branco amplo, ainda cerrado de aromas com notas de pederneira, a madeira apenas o arredonda para dar lugar no meio à fruta madura com nota de pão torrado, citrinos variados. Grande elegância com frescura, complexidade com ligeiro fruto seco na boca dando a sensação de alguma untuosidade, que se esbate na fruta mais ácida. Um grande branco do Dão com muita vida pela frente. 94 pts

08 março 2019

Quintas de Borba 2016


O rótulo é recente e chamativo, na loja da Adega de Borba (Alentejo) o preço ronda os 4€ o que se justifica e de que maneira face à qualidade do vinho. O lote é feito com as castas Aragonez, Alicante Bouschet e Syrah, que passaram 8 meses em barricas novas mais 8 meses em garrafa. O resultado é um vinho guloso, com a fruta bem carnuda e suculenta ao comando mas rodeada de notas de especiaria, cacau e balsâmico. Equilibrado no seu conjunto, frescura com porte médio na estrutura que o suporta, dá uma prova de boca a pedir comida regional por perto. Dá prazer a beber e tal como o branco, pelo preço/qualidade é um valor muito seguro para aquele copo ocasional a acompanhar a refeição. 89 pts

Marquesa de Alorna Grande Reserva Branco 2015


Vamos até Almeirim desta vez não para a Sopa da Pedra mas para provar este branco muito especial da Quinta da Alorna e que se apresenta pelas mãos da enóloga Martta Reis Simões como topo de gama da casa. O preço ronda os 20€ por garrafa e o lote das castas que dele fazem parte é um segredo bem guardado, ficamos apenas a saber que o vinho tem uma passagem por madeira nova e usada durate cerca de 8 meses. O aroma é amplo e com toques untuosos de tosta embalados pela frescura da fruta amarela (pêssego, alperce) com um lado mais perfumado e floral a juntar-se ao tom mais amanteigado dado pela barrica. E é neste conjunto de prazer, envolvente, fresco e untuoso que conquista na boca, com grande harmonia e prazer no copo. Um belíssimo branco nascido nas terras Ribatejanas, a pedir por exemplo um bom peixe assado no forno. 94 pts

06 março 2019

Soalheiro Mineral Rosé 2018


No rótulo este Soalheiro Rosé avisa-nos que é Mineral, depois tem a irreverência de juntar Alvarinho com Pinot Noir e o resultado final é de estrondo, um dos melhores rosés que nos pode cair no copo e o preço ronda os 10€. É daqueles vinhos que mal provamos pensamos logo em arranjar espaço na garrafeira para ter umas quantas prontas para o Verão, mais que um rosé é um vinho de desfrute, daqueles que se bebe com prazer e que faz uma grande companhia à mesa. A fruta desfila, airosa com uma brisa fresca a austera de fundo, tem garra e secura, não facilita em nenhum momento mas é nisso que mora o seu encanto, naquele toque de rebuçado de morango e framboesa, com o extra mais citrino da Alvarinho. A harmonia está lá com a delicadeza e tudo o mais, gulodice pura que nos faz beber sempre mais um gole com bichos do mar na grelha ou um sushi mais requintado. 94 pts

28 fevereiro 2019

Graham’s Colheita 1969


A Graham´s não tem tradição neste tipo de Vinho do Porto, pelo que apenas ocasionalmente coloca lotes exclusivos e de pequena quantidade dos seus Colheitas. Para este 1969 Charles Symington provou cada um dos 21 barris e escolheu seis como excepcionais, que deram origem a pouco mais do que 712 garrafas. Aqui entramos no patamar da excelência tal a qualidade do vinho, capta no imediato a atenção pelo bouquet rico e perfumado, enorme elegância com notas de damasco, fruto seco (nozes), especiarias, tom de laranja cristalizada, madeira antiga encerada, amplo e profundo. Boca com muita frescura, envolvente e requintado, parece que nada falha, untuosidade que se prolonga num final macio e longo a invocar notas de especiarias e frutos secos. Um vinho luxuoso que na altura do lançamento tinha um preço a rondar os 350€, hoje pela raridade o preço será sem dúvida mais alto. 97 pts

27 fevereiro 2019

Murganheira Cuvée Especial Bruto 2006



Um dos espumantes que mais prazer me deu beber nos últimos tempo foi este Murganheira Cuvée Especial Bruto, onde a casta Tinta Roriz é vinificada em branco. O que se destaca nele é a finesse com que se mostra, uma grande entrega mas ao mesmo tempo uma delicadeza com bolha fina e mousse que lhe dá uma cremosidade quase aveludada. Pelo meio as notas de estágio, com biscoito e brioche, num conjunto a mostrar-se com muita classe no palato. O preço ronda os 22€ e mostra que podemos ter um grande espumante no copo sem ter de ir até França. 95 pts

26 fevereiro 2019

Kopke Colheita 1937

Quando um vinho desta idade e respetiva complexidade nos cai no copo apenas nos resta o silêncio para que ele nos conte tudo aquilo que lhe vai na alma. Neste caso é um grandioso Colheita datado de 1937, muito complexo cheio de bálsamos, fruta passa (figo, ameixa) bem definida, toque guloso a recordar mel de esteva, caramelo com frutos secos num tom mais de amêndoa, madeira antiga. Envolto numa boa frescura que lhe dá vida, numa boca a preencher o palato de requinte, untuoso com fruto seco, muito equilibrio num final muito longo e delicioso. É o vinho perfeio para um fim de noite tranquilo enquanto se conversa com os amigos. O preço ronda os 490€ por garrafa, tendo neste caso sempre muita atenção para comprar sempre o engarrafamento mais recente, onde a vida e frescura estão mais presentes. 95 pts

24 fevereiro 2019

Olho de Mocho Reserva 2016

A renovação continua a bom ritmo na Herdade do Rocim, sempre pautando pelo rigor e pelo bom gosto, desta vez tocou ao Olho de Mocho Reserva, nome da planta que surge no rótulo e também na vinha que recebe o seu nome, mudar de garrafa e também de rótulo. Para mim é aposta mais que ganha à primeira vista. Conquista no imediato pela sobriedade e imponente garrafa, sem esquecer que estamos a jogar num patamar muitas vezes complicado mas onde facilmente se encontram alguns dos melhores vinhos para ter no copo com relação preço/satisfação fantástica, este é um desses casos.

Consegue vir para casa por um preço a rondar os 15€, num tinto feito com Alicante Bouschet e Trincadeira, estagio em barricas de 500 L de carvalho francês por um período de 16 meses. Por aqui os vinhos já nos acostumaram a ter uma bela frescura que embala toda a fruta que surge em tons maduros, limpos e bastante delineada. O tempo vai limar tudo e fazer com que ganhe uma outra complexidade que por enquanto parece um tanto ou quanto adormecida. Sente-se um conjunto com força, frescura aliada a um toque vegetal/floral da Trincadeira e uma fruta mais gulosa que o vai marcando até ao final longo e persistente. Daqueles vinhos para beber sem pressa ou então com uma perna de javali no forno adornada com um ramo de cheiros, 
o melhor Olho de Mocho Reserva até à data. 93 pts

22 fevereiro 2019

Astronauta Baga Bruto 2015


Seguimos com os Austronauta de Aníbal Coutinho, desta vez em parceria com as Caves da Montanha (Bairrada) foi criado este Astronauta Baga Bruto 2015. Um espumante com preço de 7,50€ que estagiou por longos meses antes do dégorgement. O perfil é gastronómico, muito focado na fruta com boa frescura, amplo com travo ligeiro de cremosidade. Boa secura de boca, fruta de caroço, algumas bagas mais ácidas a marcarem o caminho, ligeirinho na mousse com final a mostrar secura e até alguma austeridade que o faz pedir mesa, peixe/marisco na grelha por exemplo. 90 pts

21 fevereiro 2019

Alento Reserva branco 2017

A Adega do Monte Branco fica em Estremoz, num alto para lá da Quinta do Mouro. O seu dono e enólogo é Luis Louro, filho de Miguel Louro (Quinta do Mouro) e é na sua Adega do Monte Branco que coloca em prática as suas vontades e cria os vinhos à sua imagem. São fortes de carácter mas levam o Alentejo na alma, quem prova este Alento Reserva branco, com o clássico dueto Arinto e Antão Vaz, fica a conhecer um branco do Alentejo com carácter, frescura, mas a alma da terra que o viu nascer não fica deixada de lado. A passagem faz-se em barricas usadas e o vinho mostra-se cheio, mesmo alguma austeridade agora enquanto novo, amplitude e frescura de uma fruta muito sólida e suculenta, sente-se a barrica no fundo sem incomodar mas o suficiente para aconchegar todo o conjunto. Na boca a condizer, bom corpo a preencher o palato de sabor, a frescura dispara com toque citrico a prolongar o final seco com a sensação de austeridade, é menino para acompanhar umas boas pataniscas de bacalhau com arroz de feijão. Preço ronda os 10€. 93 pts

17 fevereiro 2019

Titan of Douro Estágio em Barro 2016


O projecto é muito recente e tem como seu criador o enólogo Luís Leocádio, que muitos conhecem por ser o responsável pelos vinhos da Quinta do Cardo. Foi em Trevões (Douro) que encontrou a alma para este seu projecto, um conjunto de vinhas velhas que dá origem a vinhos fantásticos como este. O vinho teve um estágio de 16 meses em ânforas de barro, resultando num vinho fresco e vibrande nos aromas frutados, fruta vermelha bem suculenta e gulosa com herbáceo fresco, alguma especiaria mas com tudo tudo muito limpo em fundo terroso/barro. Boca a condizer, apimentada com notas de fruta vermelha, apoiada numa bela estrutura com uma bela frescura. Saboroso e prolongado final, a beber ou guardar, preço a rondar os 32€. 94 pts

Passo dos Terceiros 2015


Passo dos Terceiros é uma marca da Sovibor (Alentejo) da qual consta deste vinho de lote com preço a rondar os 9€ e dois monocasta, um Syrah e um Alfrocheiro. Este mostra-se de peito feito, cheio e com boa complexidade, muita fruta madura nos tons silvestres e de alguma ameixa, leve compota e nota de couro. Fresco com corpo para o petisco, a fruta em destaque arredondada mas com alguns taninos a dar sinal que ainda procuram polimento do tempo. 90 pts

14 fevereiro 2019

Palácio da Brejoeira Alvarinho 2017


O Alvarinho do Palácio da Brejoeira nasceu pelas mãos de Amândio Galhano na colheita de 1976 e cedo ganhou o estatuto entre as referências da altura. Passados 40 anos a realidade trouxe uma nova vaga de produtores e um consequente aumento da oferta/qualidade dos vinhos brancos Portugueses. O preço ronda os 17 ou mais euros e está completamente desfazado da realidade e da concorrência mais próxima. No copo mostra-se algo estático e demasiado directo para o que pedem por ele, é isto e ponto, fresco com aroma citrino, alperce, erva cidreira num conjunto aprumado, leve secura de fundo e um final curto. Falta-lhe confirmar no copo um estatuto que já teve e do qual parece viver. Este 2017 pareceu-me ainda assim um pouco melhor que o 2016 pelo que a nota indica isso mesmo. 90 pts

Encontro Special Cuvée 2013

Da Bairrada mais propriamente da Quinta do Encontro onde brilha a enologia do carismático enólogo Osvaldo Amado, sai este renovado Cuvée 2013. Como não podia deixar de ser, este belíssimo espumante é criado a partir da casta Arinto, tão amada pelo enólogo que a tão bem sabe trabalhar. E nota-se bem a mão do mestre criador, num espumante que passou 48 meses em cave e 3 meses após degorgement para sair para o mercado com preço a rondar os 30€. Um topo de gama que também mudou de imagem, agora mais sóbria, mas o vinho continua cheio de classe e a mostrar-se com um aroma floral muito fresco, biscoito de limão, com ligeira cremosidade e uma ligeira gordurinha a fazer-se sentir. Na boca o pão torrado marcado pela frescura da fruta, creme de limão com notas frescas, num conjunto persistente e cheio.  93 pts

13 fevereiro 2019

Barros Colheita 1950


De volta ao Vinho do Porto com mais um Barros Colheita, depois de já ter aqui colocado o Barros Colheita 1974 volto agora com o Colheita 1950 com o preço a rondar os 300€ a garrafa. Um vinho com rebordo ligeiramente esverdeado a indicar a idade, sente-se a complexidade a transbordar para fora do copo, melado com aroma cheio de frutos secos, madeira velha com ligeira nota fumada e até alguma austeridade em fundo. Grande elegância com frescura, profundo e envolvente conjunto a marcar o palato com sabores vincados mas ao mesmo tempo harmoniosos e delicados. Perfeito a acompanhar um bolo de noz com caramelo. 96 pts
 
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