O nome Romano Cunha remete-nos para a zona Transmontana, em Vilar de Ouro de onde é oriundo este vinho. Aqui o seu produtor, Mário Cunha, tem uma filosofia muito própria e que não obedece às demandas do mercado, sai quando tiver que sair, ou como se costuma dizer, sai quando estiver no ponto. Porque manda a qualidade e acima de tudo o gosto de quem o faz. O preço esse foi ajustado e ronda os 22€ por garrafa. Quanto ao vinho é daqueles que não podemos deixar de ter umas garrafas de lado na garrafeira, o lote nascido de vinhas velhas é composto por Malvasia Fina, Côdega do Larinho, Gouveio e Moscatel Galego. Grande afinação, muito tenso e ainda alguma dureza a pedir tempo mas também muito saboroso, puro de aromas e sabores com notas de fruta de polpa amarela, floral, alguma pêra verde, ervas de cheiro, conjunto complexidade muito bonita. Saboroso e com uma frescura que o faz perdurar, ligeira untuosidade que parece colar tudo num grande equilibrio de boca. Um prazer à mesa. 94 pts
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13 outubro 2020
07 junho 2019
Romano Cunha 2010
Os vinhos de Mário Romano Cunha (Mirandela) são vinhos com uma vontade muito própria onde podemos afirmar como dizem do lado de lá da fronteira, com os taninos bem postos. São vinhos onde o tempo é que manda, por isso não se estranhe que depois da colheita de 2009 tenha saido o 2008 e só agora o 2010, preço na casa dos 20€. Um tinto que invoca castas como a Tinta Amarela, Tinta Roriz e Touriga Nacional que estagiaram em madeira por algum tempo. Quando olho para estes Romano Cunha não consigo deixar de me lembrar dos Ultreia (Bierzo) também criados por Raúl Pérez.
A qualidade da fruta sempre muito elegante, fresca e com grande definição aromática, aliada a uma madeira que soube fazer o seu trabalho, afinando e dando suporte a um conjunto amplo e muito agradável. Bonita a complexidade, com notas de cacau, flores e vegetal fresco, explodem as frutas silvestres com elegância e frescura, saboroso e com boa intensidade, evolui de forma calma e serena no copo. Está para durar e encantar, haja coragem para as manter guardadas. 94 pts
A qualidade da fruta sempre muito elegante, fresca e com grande definição aromática, aliada a uma madeira que soube fazer o seu trabalho, afinando e dando suporte a um conjunto amplo e muito agradável. Bonita a complexidade, com notas de cacau, flores e vegetal fresco, explodem as frutas silvestres com elegância e frescura, saboroso e com boa intensidade, evolui de forma calma e serena no copo. Está para durar e encantar, haja coragem para as manter guardadas. 94 pts
30 junho 2016
Romano Cunha 2009
As notícias voam, mesmo quando são más, mas felizmente que neste caso eram boas ou direi muito boas mesmo. Mas talvez para entender tudo convém recuar uns anos e rumar à região do Bierzo (Espanha) onde se começava a destacar com os seus primeiros vinhos o enólogo que hoje em dia é considerado dos melhores do mundo, Raul Perez. Os anos foram passando e a notoriedade de Raul foi crescendo ao mesmo ritmo que a qualidade e o número de vinhos que nasceram com a sua assinatura. Com uma ligação muito forte à terra, os seus vinhos mostram-se genuinamente tentadores, cativantes e são alvo por parte dos consumidores de uma desenfreada correria para os conseguir ter antes que esgotem. Nomes como os Ultreia, El Pecado, Rara Avis, Sketch, La Claudina entre outros vão ecoando pelo mundo, depois as pontuações fizeram o resto. Agora a notícia que tinha lido era que o próprio Raul Perez anda por Trás os Montes, na sua busca pela diferença e por trabalhar com castas locais e tantas vezes esquecidas. Ora o nome de Raul Perez está de algum modo associado a este vinho que agora aqui coloco de nome Romano Cunha. Para os que estão acostumados aos clássicos do Raul, podem no imediato encontrar semelhanças entre este e os restantes rótulos.
Mas não ficamos apenas pelo rótulo, ainda bem digo eu, o melhor mora lá dentro. O vinho que se pode encontrar na Garrafeira Wines9297, foi-me dado a provar às cegas e já com umas 18 horas de decantação, cheirei e sorri no imediato. É daqueles perfume que não engana e nos mete a pensar, onde é que já vi disto e lembrei-me do Ultreia Saint Jacques, muita fruta madura com acidez e muito limpa, o toque da madeira apenas lhe ampara a alma e sem quebras tem ainda a graça de crescer e desdobrar-se no copo. Coeso e com muita vida, ao mesmo tempo elegante e a pedir tempo, não de copo mas de garrafa. Um atrevido direi, algo que na prova de boca apenas se confirma, o reino dos vinhos extraídos e dos monolitos negros e escuros fica à porta, aqui o que se tem é um vinho elegante, com frescura vincada e conjunto repleto dos detalhes dos sabores de fruta, frescura que embala um conjunto de sabores que parecem não querer ir embora tão cedo, perdura e fica, pimenta, cacau, final com taninos finos mas presentes, aquele travo que se instala e perdura... no imediato lembrei-me do bem que fica com um naco de novilho na grelha, fui para casa e fiz-lhe a vontade. 92 pts
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