Copo de 3: Colares
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08 junho 2018

Arenae Malvasia branco 2015


Para quem quiser saber o que é um vinho de terroir, tem aqui um exemplo perfeito onde a casta Malvasia de Colares é influenciada por toda a sua envolvente: próximidade do mar, solos arenosos e clima. O resultado só pode ser um vinho diferenciado, a proximidade das vinhas ao mar conferem ao vinho um toque muito fresco e salino, quase iodado, em conjunto com as notas de fruta bem fresca e ácida, ligeiro fruto seco, casando na perfeição com pratos de marisco/peixe. Ronda os 15€ por garrafa de 0.50 cl. 91 pts 

22 novembro 2014

Adega Regional de Colares

Entre a Serra de Sintra e o Oceano Atlântico, a 25km a Noroeste de Lisboa, situa-se uma pequena zona vitícola muito antiga com produção a remontar ao ano de 1255, aquela que é a Região Demarcada (desde 1908) mais ocidental da Europa e a mais pequena região produtora de vinhos tranquilos de Portugal.
Blend_All_About_Wine_Colares_1 O Tesouro de Colares O Tesouro de Colares Blend All About Wine Colares 1
Sala dos Tonéis © Blend All About Wine, Lda.
A história do vinho de Colares é longa e perde-se nas páginas do tempo, os seus vinhos ainda hoje fazem parte das memórias dos seus apreciadores e são alvo de procura pelos mais dedicados e curiosos. Na verdade a região perdeu-se no turbilhão da era moderna, o comboio da novidade, caiu no esquecimento com o respectivo abandono progressivo da actividade por parte das gentes locais contribuindo isso em muito para que a quantidade de vinha que existia fosse desaparecendo.
O mais importante produtor da região, até pelo poder de certificar os vinhos DOC Colares, é a Adega Regional de Colares, que após receber as uvas vê os mostos serem posteriormente vendidos em bruto e trabalhados nas respectivas adegas dos associados como é caso a Adega Viúva Gomes. A Adega Regional de Colares foi fundada em 1931, reúne mais de 50% da produção da região e mais de 90% dos produtores da mesma.
Hoje em dia, passo a passo a região começa a despertar por resultado do esforço e dedicação de alguns produtores, para além da Adega Regional o principal centro de vinificação da região ainda se juntam mais dois novos produtores, a Fundação Oriente e o Casal Sta. Maria.
Parte desse esforço, dessa saudável teimosia de revigorar a imagem e qualidade dos vinhos da região tem um rosto, o enólogo Francisco Figueiredo (Adega Regional de Colares). Mostrando um brilho no olhar quando nos fala da região, dos seus vinhos e em especial da casta Ramisco, aquela que tanto gosto e defende. Foi toda uma manhã que apesar de ter começado chuvosa, se dedicou a explorar a região, os vinhos e as vinhas.
Blend_All_About_Wine_Colares_2 O Tesouro de Colares O Tesouro de Colares Blend All About Wine Colares 2
Francisco Figueiredo © Blend All About Wine, Lda.
Focando apenas nas vinhas de chão de areia, cujas vinhas pré-filoxéricas evidenciam os contornos do tempo, tivemos a sorte e privilégio de assistir à vindima (foto abaixo) sendo bem visível quer as barreiras em cana que protegem as vinhas dos ventos e da maresia, como nas macieiras anãs de Maçã Reineta de Colares, tradicionais companheiras das vinhas de Colares.
A proximidade ao mar tem enorme influência nos vinhos: frescura, mineralidade, toque salgado com algum iodo fazem parte dessa diferenciação tão própria da região. Um património tão rico e único, com uma forte componente tradicional a ele associada.
Blend_All_About_Wine_Colares_3 O Tesouro de Colares O Tesouro de Colares Blend All About Wine Colares 3
As vinhas de Colares © Blend All About Wine, Lda.
Enquanto a Malvasia Fina reina nos brancos de Colares, domina os vinhos pela salinidade, muita frescura num perfil quase sempre tenso enquanto novo, com uma evolução muito positiva que nos envolve com aromas de tisana, lápis de cera e rebuçado, vinhos que são a companhia perfeita para acompanhar pratos de peixe e marisco.
Nos tintos brilha a casta Ramisco, os vinhos a que ali dá origem destacam-se pela tonalidade aberta, pouco concentrados e nos melhores exemplares com longevidade assegurada. Vinhos de enorme elegância, muita harmonia com toque iodado a despertar nos mais longevos, enquanto novos mostram uma frescura muito boa, fruta viva e muito limpa com carga vegetal vincada numa estrutura assente em taninos que lhe garantem boa evolução.
Bastante interessante o poder comparar a evolução após respectiva prova directamente da barrica do Ramisco 2011 (o mais aguerrido com carga vegetal e secura vincada) e 2008 (uma delícia de vinho a mostrar uma grande evolução no copo, fruta muito saborosa e fresca com boa estrutura e taninos ligeiramente domesticados) e o já engarrafado 2006 (mais pronto, no entanto também mais polido e delicado que o anterior).
Arenae Malvasia Fina branco/white 2011
Um branco ainda muito novo, tenso, marcado pela mineralidade, toque salgado, muito citrino, algum lápis de cera com a tisana a surgir em fundo. Boca com muito boa acidez, boa definição num vinho com traço mineral e fim quase salgado, longo e bonito final. Perfeito a acompanhar umas Ameijoas à Bulhão Pato.
Blend_All_About_Wine_Colares_4 O Tesouro de Colares O Tesouro de Colares Blend All About Wine Colares 4
Arenae Ramisco Red 2006 © Blend All About Wine, Lda.
Arenae Ramisco tinto/red 2006
Muito limpo no aroma a fruta vermelha (morango, framboesa, mirtilo), toque vegetal fresco a conferir ligeira austeridade ao conjunto, boa complexidade e profundidade. Especiaria, fundo bem fresco que nos guia durante a prova, palato cheio de sabor com secura no fundo. Fantástico a acompanhar uns bons nacos de novilho no carvão.

07 maio 2014

Pelo Reino da Ramisco

Adega Regional de Colares - Tonéis 

A história do vinho de Colares é longa e perde-se nas páginas do tempo, os seus vinhos ainda hoje fazem parte das memórias dos seus apreciadores e são alvo de procura pelos mais dedicados e curiosos. Na verdade a região simplesmente perdeu o comboio da novidade, caiu no esquecimento com o respectivo abandonar da actividade por parte das gentes locais contribuindo isso em muito para que a quantidade de vinha que existia fosse desaparecendo. Hoje em dia, passo a passo a região começa a despertar por resultado do esforço e dedicação de alguns produtores, para além da Adega Regional o principal centro de vinificação da região ainda se juntam mais dois novos produtores, a Fundação Oriente e o Casal Sta.Maria. Centrando as atenções nos vinhos que são vinificados na Adega Regional de Colares e posteriormente vendidos em bruto e trabalhados nas respectivas adegas dos associados como é caso a Adega Viúva Gomes. 

Parte desse esforço, dessa saudável teimosia de revigorar a imagem e qualidade dos vinhos da região tem um rosto, o enólogo Francisco Figueiredo. Mostrando um brilho no olhar quando nos fala da região, dos seus vinhos e em especial da casta Ramisco, aquela que tanto gosto e defende. Foi toda uma manhã que apesar de ter começado chuvosa, se dedicou a explorar a região, os vinhos e as vinhas. 

Focando apenas nas vinhas de chão de areia, tivemos a sorte e privilégio de assistir à plantação de uma vinha de Ramisco (foto abaixo) sendo bem visível quer as barreiras em cana que protegem as vinhas dos ventos e da maresia, como nas macieiras anãs, tradicionais companheiras das vinhas de Colares. A proximidade ao mar tem enorme influência nos vinhos: frescura, mineralidade, toque salgado com algum iodo fazem parte dessa diferenciação tão própria da região. Um património tão rico e único, com uma forte componente tradicional a ele associada.

Plantação de uma vinha de Ramisco em chão de areia
Focando apenas na casta Ramisco, os vinhos a que ali dá origem destacam-se pela tonalidade aberta, pouco concentrados e nos melhores exemplares com longevidade assegurada. Vinhos de enorme elegância, muita harmonia com toque iodado a despertar nos mais longevos, enquanto novos mostram uma frescura muito boa, fruta viva e muito limpa com carga vegetal vincada numa estrutura assente em taninos que lhe garantem boa evolução. Bastante interessante o poder comparar a evolução após respectiva prova directamente da barrica do Ramisco 2011 (o mais aguerrido com carga vegetal e secura vincada) e 2008 (uma delícia de vinho a mostrar uma grande evolução no copo, fruta muito saborosa e fresca com boa estrutura e taninos ligeiramente domesticados) e o já engarrafado 2006 (mais pronto, no entanto também mais polido e delicado que o anterior).

Nas históricas instalações da Adega Viúva Gomes foi preparada uma prova com alguns vinhos memoráveis, um breve apanhado de diferentes colheitas e perfis, sempre desafiantes na altura da prova. Destacaram-se o Viúva Gomes 1999 (12€) cheio de classe e com um bouquet clássico e refinado, quase guloso com uma ponta de hortelã, o Adega Colares 1979 mais sisudo e misterioso embora cheio de vida, toque iodado característico e o mais concentrado de todos, terminando em grande com o Viúva Gomes Collares Reserva 1969 de classe mundial em invejável momento de forma. De realçar que todos os vinhos da Viúva Gomes aqui mencionados estão disponíveis para venda na pitoresca loja do produtor.

Tons de Ramisco (1969 até 2006)
Deixo para outra altura o relato sobre a Malvasia de Colares e os seus vinhos que também neste dia foram alvo de prova. Os vinhos mostraram na quase totalidade muita saúde e vontade de serem conhecidos, vinhos com muita alma e identidade cuja afirmação e reconhecimento deveria ser uma realidade entre enófilos. A invejável capacidade de brilharem à mesa torna-os em muitos casos demasiado apetecíveis para ficarem "esquecidos". 

06 abril 2014

Casal Sta. Maria Ramisco Colares 2006

Enquanto se deambula pelas supostas virtudes de castas alheias em formato de novo messias, vai-se deixando de lado e esquecido todo um vasto património que de tão rico, leva gente importante lá de fora a dizer que Portugal é algo de fantástico e único. E enquanto "o meu é que é bom" e "a finesse mora lá fora" há zonas esquecidas em Portugal que lutam contra a pressão e sufoco dos tempos modernos. Haja pois gente com paixão, com vontade, pessoas que apostam em vinhas perdidas que se contorcem em terrenos de areia, tudo ali perdido no meio de luxuosas e recentes moradias na zona das Azenhas do Mar. E depois é toda uma lição, um ir contra regras que se pensam ser lei imposta pelo mercado e por um tal consumidor inventado por sabe-se lá quem, que supostamente sabe e manda em tudo.

Aqui o que nos salta à vista é um tinto 100% Ramisco de 2006 do Casal Sta. Maria (Colares), um  vinho com oito anos que apenas agora é lançado no mercado, um atrevimento para alguns e continua pela tonalidade que mostra, longe das excessivas concentrações da dita "moda". Bouquet repenicado de coisas boas, madeira exótica, fruto vermelho muito limpo e ácido, cerejas e ameixas, complexo, húmus, travo verdasco em fundo e resultante do 30% engaço que levou. Acidez alta que lhe dá uma frescura de muito bom nível, a mesma que faz as delícias a acompanhar com pratos mais pesados, a fruta saboreia-se na boca, palato requintado e elegante com bom nervo a indicar que ainda tem muitos anos pela frente. Custa 25€ vendido em caixas de três garrafas. 93 pts

Casal Sta. Maria Malvasia Colares 2011

Saúda-se o surgimento de mais um produtor a apostar na tão nossa e ao mesmo tão esquecida região de Colares, onde as vinhas em chão de areia são de uma beleza única. O produtor em causa é o Casal Sta. Maria e tem por detrás uma bonita história que será contada a seu devido tempo, por agora resta-me falar deste seu primeiro D.O.C. Colares Malvasia 2011. Um vinho que se destaca por uma abordagem mais moderna, nunca perdendo o fio condutor que a região imprime. É certo que se nota ali a barrica nova um pouquinho mais presente, bem integrada, nada que incomode e até aconchega a belíssima acidez e mineralidade reinante. Um vinho elegante, muita classe embora tenso e por se desenvolver na máxima plenitude, puré de maçã, muito citrino com erva cidreira (tisana), mineralidade. Na boca complementa-se com a prova de nariz, saboroso, secura em pano de fundo, equilibrado e amplo, apontamento de fruto seco e salgado em fundo com uma boa persistência final. Tal como no tinto, o preço é de 25€ a unidade. 91 pts

19 junho 2009

Bucellas & Collares Centenário 2007

Para comemorar os cem anos das regiões demarcadas de Bucelas e Colares, foi produzido um vinho branco em conjunto pela Companhia das Quintas e a Adega Regional de Colares, numa edição limitada de três mil garrafas, concebida a partir das castas emblemáticas das duas regiões: Arinto de Bucelas e Malvasia de Colares, que tem como objectivo transmitir a personalidade e excelência dos vinhos das duas regiões, surgindo assim o Bucellas & Collares, vinho branco regional Estremadura 2007.
Bucelas e Colares são duas das regiões demarcadas mais antigas do mundo, comemorando este ano 100 anos de existência.

Como referido, as duas castas escolhidas são bem características de cada uma das regiões, a casta Arinto amadurece de forma sublime, mantendo sempre excelentes níveis de acidez natural que resultam num excelente potencial de envelhecimento. A Malvasia é uma casta nobre e autóctone plantada em pé-franco, nos característicos solos arenosos da Região Demarcada de Colares e é vindimada no final de Setembro, apresentado um uva com excelente acidez e grande equilibrio aromático.
As castas fermentaram separadamente sem interferência de madeira de carvalho e foram posteriormente loteadas. A escolha de uma percentagem de 50% de cada uma das castas no lote final mostrou-se mais equilibrada e a mais reveladora do carácter das duas regiões.

Bucellas & Collares Centenário 2007
Castas: (50%) Arinto e (50%) Malvasia - Vinificação: Fermentação lenta a temperatura controlada durante um mês em cubas de inox - 12,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de rebordo esverdeado.

Nariz de belo recorte aromático, com fruta de cariz tropical com bastante citrino, alguma pêra e pêssego bem maduros. Desabrocha para notas de flores brancas e vegetal fresco, com bastante mineralidade em fundo, como que a servir de suporte a toda a estrutura, num conjunto que mostrar requinte, harmonia, delicadeza e frescura.

Boca a apresentar-se com uma estrutura mediana, de consistência suave e fresca ao nível da fruta, assente novamente numa bela dose de mineralidade. Nota-se uma acidez de sensações citrinas, que revigora e dá alguma secura ao vinho durante a sua passagem, drop de limão e um ou outro toque de vegetal fresco em companhia de flores brancas, colocando uma boa harmonia entre a prova de nariz e a prova de boca, com final de persistência média.

É caso para dizer Parabéns a você, nesta data querida, em que se teve a boa ideia de se lançar este belo vinho que tão condignamente representa as duas regiões. Um vinho onde as duas castas se abraçam numa união muito feliz, resultante um conjunto de fino recorte, fresco, harmonioso e com um ligeiro toque salgado derivado da influência Atlântica na casta Malvasia. Acompanhou umas postas de salmão grelhado com batata sauté.
16,5
 
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