Copo de 3: Quinta do Couquinho
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27 fevereiro 2012

Quinta do Couquinho Grande Reserva 2007

Este vinho faz parte daquele grupo em que provando a primeira vez quando recém lançado no mercado, se entende que precisa de tempo em garrafa, não muito mas apenas o suficiente para que o binómio vinho/madeira fique mais harmonioso. Foi o que aconteceu com este Quinta do Couquinho Grande Reserva 2007, o nome não será novidade para o ouvido de alguns, fez parte do conjunto de vinhos dos Lavradores de Feitoria mas em 2004 decidiu-se envergar por um caminho próprio e eis que surge o projecto independente. A enologia fica a cargo de João Brito e Cunha (vinhos Ázeo) num vinho que me conquistou da primeira vez que tomei contacto com ele. Naquela altura a madeira dava mais nas "vistas" do que neste momento, em que tudo parece estar mais sereno e a possibilitar uma prova de elevado nível satisfatório... há coisas que gosto nisto dos vinhos e uma delas é sorrir após provar, quando tal acontece é sinal que o que ali está à minha frente me deixa feliz.

E como podem reparar a foto foi retirada de um site Wine-is que também se orienta à base de codes vínicos, parece moda e todos querem ter o seu, acabando por baralhar consumidores ou nem isso, pois a maioria nem sequer quer saber pois vivem na completa ignorância sobre o funcionamento dessas "coisas"... mas centremos no vinho que é bem mais interessante.

A prova foi mais uma vez cega, juntei um grupo de vinhos da mesma região, mesmo ano e resolvi provar e dar a provar a um conjunto de amigos interessados na coisa, por entre nomes mais ou menos sonantes dos ouvidos enófilos, este foi dos que mais agradou e ao ser revelado terá sido o que mais passou de mão em mão... pelo simples facto de ser o menos conhecido, o menos bebido e provado e até aquele que apenas se conhecia da altura em que dava nome a um vinho de um conjunto de lavradores de tal feitoria. Agora tudo mudou, afinal tudo muda, o vinho mostra-se como é, um Douro muito bonito, pleno de coisas boas, a fruta limpa e cheia de curvas com vigor necessário para se aguentar na passada do tempo, tem alma vincada, foi criado em lagar, foi mimado nas vinhas velhas que lhe deram origem, todo ele foi depois transformado com ajuda a nova tecnologia, um aliar antigo a novo que confere um perfil distinto. Depois são notas florais, fruta (cereja, ameixa, morango), camurça naquela sensação de aconchego e morninho, aroma profundo com boa dose de frescura, fresco, vigor, estrutura, harmonia, leve vegetal e especiaria a condimentar toda esta complexidade que se vai desenrolando no copo durante o tempo que rodopia no copo. A boca complementa a nota artística, grande entrada a saber a fruta bem sumarenta e suculenta, a madeira serve de base sem incomodar, boa amplitude, frescura, estruturado com final de persistência média/alta num vinho de puro prazer. Não será dos mais caros ou raros vinhos do Douro, mas é certamente dos que mais prazer me proporcionou nos últimos tempos... 93 pts

04 março 2010

Quinta do Couquinho Rosé 2008

O vinho em prova é o Quinta do Couquinho Rosé 2008, um Douro Superior, cujo nome da Quinta não estranhará a quem tenha seguido desde o inicio os vinhos Lavradores de Feitoria. A introdução ao produtor deixo para quando aqui falar dos seus tintos.
Nos dias que correm o vinho rosado já faz parte da mesa do consumidor, essencialmente no Verão já se vai comprando sem grandes preconceitos que durante algum tempo teimaram em existir sobre o vinho rosé. Afinal de contas, a qualidade tem vindo a ser aprimorada colheita após colheita e os resultados são cada vez mais animadores, resta apenas descobrir quais dos rosés Made in Portugal tem uma boa capacidade de guarda como por exemplo os famosos exemplares de Bandol (França)... mas enquanto isso não acontece, é melhor não dar mais que 1 ou 2 anos após a saída para o mercado, de maneira a aproveitar todo o seu encanto.
Ainda assim tem-se notado que ao principio os vinho rosé apresentavam uma leve queda para um travo com demasiada doçura (açúcar residual), alguns ainda mantém esse estilo, mas em grande parte nota-se que essa mesma doçura tem vindo a ser diminuída pelo que os vinhos se mostram agora menos gulosos e bem mais secos e sérios, direi mesmo, mais gastronómicos (amigos da mesa). O curioso disto tudo é que a tonalidade tem vindo a acentuar-se, perdendo muitos deles aquele ar ligeiro e refrescante, ficando escuros e próximos das tonalidades do vinho tinto. Para o meu gosto resta tirar um pouco menos na tonalidade, e manter ou melhorar o nível de frescura e limpidez da fruta em que sempre que possível acompanhado de alguma mineralidade. É caso para dizer que nunca em Portugal se bebeu tão bom vinho rosado.

Quinta do Couquinho Rosé 2008
Castas: Touriga Franca e Touriga Nacional - Estágio: n/d - 13% Vol.

Tonalidade granada vivo de baixa concentração a lembrar sumo de romã.

Nariz
com aroma fresco e frutado de boa intensidade, marcado pela groselha e pela framboesa, aliado a notas de vegetal seco com sensação de adocicado muito suave em segundo plano. No fundo parece despontar um aroma de fumo que se combina com o restante conjunto.

Boca
com entrada a saber a fruta madura e com toque de ligeiro doce, em corpo mediano com boa frescura e espacialidade, delicado, equilibrado e harmonioso onde se dá lugar a uma secura que guia até ao final da boca.

É um rosé bastante agradável, embora uma pitada aqui e outra acolá e a nota final seria bem diferente, mas atenção que continua a ser do melhor que por cá se vai fazendo, seriedade e amizade com a mesa, ligou muito bem com uma Lasanha no forno. O preço ronda os 6€ e é uma aposta séria no campo dos rosés em Portugal.
15,5 - 89 pts
 
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