Por vezes o que temos na garrafa é muito mais que vinho, é também uma identidade e a forma como um enólogo dá voz a uma casta ou parcela de determinada vinha. Este rosé da Quinta do Cardo (Beira Interior) criado a partir da casta Caladoc é disso exemplo. Nos dias que correm é notório que há da parte do consumidor mais exigente uma procura por uma definição/frescura/leveza nos vinhos. Ora aqui temos tudo isso de forma bem medida, um menino bem comportado que sabe estar à mesa. Elegante e com finesse na complexidade, menos concentrado e mais delicado que a anterior versão, que curiosamente gostei mais. Este aqui está muito focado na fruta com notas de bagas ácidas de groselha vermelha, roseiral e uma secura que faz o remate final. 91 pts
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30 agosto 2019
17 junho 2019
Quinta do Ameal Escolha branco 2016
A Quinta do Ameal (Ponte de Lima) é sinónimo de vinhos brancos de altíssima qualidade onde disponta a casta Loureiro. Este é o Escolha, lote fermentado em barrica usada que acaba por ganhar uma complexidade extra, porque a longevidade essa já é uma garantia dos vinhos deste produtor. Apareceu-me com uma nova roupagem, muito puro de aromas e sabores, fiel ao que sempre foi e a mostrar os atributos com que facilmente cativa os consumidores, equilíbrio, uma belíssima frescura e um extra de corpo ligeiramente mais cheio a pedir uma boa caldeirada. São 16,50€ num daqueles brancos que é um prazer ter no copo e na garrafeira por muito tempo. 93 pts
19 abril 2019
Adega de Vila Real Premium branco 2016
Daqueles vinhos comprados em promoção numa superfície comercial, custou menos de 4€ e chamou no imediato a atenção por ser um 2016. Este branco do Douro, oriundo da Adega de Vila Real (Douro) é criado a partir das castas Viosinho, Malvasia Fina e Gouveio. Agrada no imediato pelos aromas frescos, ligeira calda presente da fruta citrina com toranja, tropical e uma ligeira baunilha. É delicado, fresco e muito equilibrado, boa presença de boca com sabor e boa presença. Pelo preço não lhe podemos exibir mais do que aquilo que nos mostra, muito correcto e a dar prazer à mesa. Mesmo apesar de ser um 2016 está aí para as curvas, sem notas de evolução que lhe belisquem a performance. 88 pts
28 março 2019
Soalheiro Bruto Nature 2016
É novidade no mercado o primeiro espumante de Alvarinho sem adição de sulfitos, nasce assim o Soalheiro Espumante Bruto Nature. A sua origem no Soalheiro Nature que após filtração fermenta e estagia em garrafas de espumante durante 18 meses. Segundo o produtor é um espumante baseado no método ancestral onde as Pérolas de Leveduras criam o gás muito fino e delicado existente dentro da garrafa e a rolha, especialmente selecionada par o efeito, acompanha o espumante desde a sua criação e fermentação em garrafa até à abertura final. A ausência de sulfitos e de dosagem no final (bruto natural sem qualquer adição) e a permanência na cave, a temperatura baixa e constante durante 18 meses permitiu que este espumante mostre toda a elegância da casta Alvarinho numa perspetiva de maior complexidade e menos fruta.
O resultado é um espumante de boa persistência, menos fruta nos tons característicos da casta com maior complexidade do estágio, notas de fermento, algum torrado, ligeiro floral com tom delicado e muito fresco. Elegante e a encher o palato de sabor, marca bem a sua passagem com os toques de pastelaria mais acentuados, a fruta deixada para segundo plano faz a despedida numa boa persistência. Diferente sem o carácter tão assentuado da casta como os outros espumantes da casa, é no entanto excelente aposta para a mesa a acompanhar peixes de tempero mais delicado. 91 pts
21 março 2019
Titan of Douro Vale dos Mil branco 2016
Oriundo de vinhas velhas em altitude no Douro, em solos de transição xisto/granito este branco criado pelo enólogo Luís Leocádio, estagiou 16 meses em barricas com agitação de borras finas. Mostra uma complexidade muito delicada e precisa nos aromas, frescura, flores do campo com toque de tisana, esteva em flor, frutos citrinos e de pomar (pêra, alperce), ligeira austeridade mineral (pederneira) num conjunto coeso e de grande qualidade. Muito prazer na prova de boca, com uma acidez que percorre todo o palato, marca o sabor da fruta limpa, ligeira untuosidade que se esbate em notas de levedura muito ligeira. Profundo, complexo e cheio de garra e vida pela frente, custa coisa de 26€ e é daqueles que dá um gozo tremendo no copo mas que irá continuar a brilhar durante muitos anos. 95 pts
08 março 2019
Quintas de Borba 2016
O rótulo é recente e chamativo, na loja da Adega de Borba (Alentejo) o preço ronda os 4€ o que se justifica e de que maneira face à qualidade do vinho. O lote é feito com as castas Aragonez, Alicante Bouschet e Syrah, que passaram 8 meses em barricas novas mais 8 meses em garrafa. O resultado é um vinho guloso, com a fruta bem carnuda e suculenta ao comando mas rodeada de notas de especiaria, cacau e balsâmico. Equilibrado no seu conjunto, frescura com porte médio na estrutura que o suporta, dá uma prova de boca a pedir comida regional por perto. Dá prazer a beber e tal como o branco, pelo preço/qualidade é um valor muito seguro para aquele copo ocasional a acompanhar a refeição. 89 pts
24 fevereiro 2019
Olho de Mocho Reserva 2016
A renovação continua a bom ritmo na Herdade do Rocim, sempre pautando pelo rigor e pelo bom gosto, desta vez tocou ao Olho de Mocho Reserva, nome da planta que surge no rótulo e também na vinha que recebe o seu nome, mudar de garrafa e também de rótulo. Para mim é aposta mais que ganha à primeira vista. Conquista no imediato pela sobriedade e imponente garrafa, sem esquecer que estamos a jogar num patamar muitas vezes complicado mas onde facilmente se encontram alguns dos melhores vinhos para ter no copo com relação preço/satisfação fantástica, este é um desses casos.
Consegue vir para casa por um preço a rondar os 15€, num tinto feito com Alicante Bouschet e Trincadeira, estagio em barricas de 500 L de carvalho francês por um período de 16 meses. Por aqui os vinhos já nos acostumaram a ter uma bela frescura que embala toda a fruta que surge em tons maduros, limpos e bastante delineada. O tempo vai limar tudo e fazer com que ganhe uma outra complexidade que por enquanto parece um tanto ou quanto adormecida. Sente-se um conjunto com força, frescura aliada a um toque vegetal/floral da Trincadeira e uma fruta mais gulosa que o vai marcando até ao final longo e persistente. Daqueles vinhos para beber sem pressa ou então com uma perna de javali no forno adornada com um ramo de cheiros,
o melhor Olho de Mocho Reserva até à data. 93 pts
o melhor Olho de Mocho Reserva até à data. 93 pts
17 fevereiro 2019
Titan of Douro Estágio em Barro 2016
O projecto é muito recente e tem como seu criador o enólogo Luís Leocádio, que muitos conhecem por ser o responsável pelos vinhos da Quinta do Cardo. Foi em Trevões (Douro) que encontrou a alma para este seu projecto, um conjunto de vinhas velhas que dá origem a vinhos fantásticos como este. O vinho teve um estágio de 16 meses em ânforas de barro, resultando num vinho fresco e vibrande nos aromas frutados, fruta vermelha bem suculenta e gulosa com herbáceo fresco, alguma especiaria mas com tudo tudo muito limpo em fundo terroso/barro. Boca a condizer, apimentada com notas de fruta vermelha, apoiada numa bela estrutura com uma bela frescura. Saboroso e prolongado final, a beber ou guardar, preço a rondar os 32€. 94 pts
11 fevereiro 2019
Sierra Cantabria Organza 2016
Nasce na Rioja, no produtor Sierra Cantabria (Rioja) pelas mãos do reputado enólogo Marcos Eguren. Um daqueles vinhos que para muitos pode ser considerado de excesso, porque a madeira onde passou 9 meses, os 6 primeiros com as borras, abraça a fruta e o conjunto mostra-se sumptuoso, com curvas, tem a sua gordurinha bem à mostra é um facto. Mas tem a frescura e o equilibrio que o torna atraente, nas notas de fruta tropical ligeira com fruta de pomar e caixa de especiarias. Bonita complexidade de um conjunto formado por 50% Viura, 30% Malvasia e 20% Garnacha Blanca. O preço é simpático e ronda os 16€. 93 pts
25 janeiro 2019
Mamoré de Borba 2016
Dando continuidade à prova dos novos vinhos da Sovibor (Borba), surge o Mamoré de Borba 2016, na linha do 2015. Um vinho com preço a rondar os 6€ e que se mostra bastante amigo da mesa, algo que se verifica em toda a gama do produtor. Neste caso temos um tinto muito franco de aromas, carregado de frutos silvestres, fresco e elegante com notas de cacau e balsâmico muito ligeiro em pano de fundo. Mostra-se muito pronto a ir à mesa, já com elegância, alguma macieza dada por uma fruta rechonchuda e repleta de sabor, apesar de ainda ir durar uns anos em garrafa, com um final de boa persistência. 90 pts
22 janeiro 2019
Conciso branco 2016
O topo da gama dos vinhos Niepoort criados no Dão, mais propriamente da Quinta da Lomba onde predomina o vinhedo velho. Como castas como Bical, Encruzado, Malvasia entre outras, o vinho estagiou 20 meses em barricas usadas de 500 litros. Vai na terceira edição e o preço ronda os 16€ por garrafa, num estilo sempre muito fresco e preciso. Bonitas notas de fruta de caroço marcam o ritmo, com toques de pederneira, ligeira erva de cheiro em fundo com arredondamento suave dado pela madeira. Muitas energia num conjunto a mostrar uma bonita complexidade e um pronunciado final de boca, saboroso e com secura a pedir comida por perto. 93 pts
17 janeiro 2019
Herdade do Rocim Brut Nature Rosé 2016
Nova colheita deste Brut Nature Rosé da Herdade do Rocim que surge com nova roupagem, preço a rondar os 14€, equipado apenas com a casta Touriga Nacional. Teve dégorgement após um estágio de 12 meses sobre a própria borra. Espumante que apresentando-se algo tímido nos aromas inicais ganha uma interessante evolução no copo, com fruta madura em fruta de caroço, tudo num plano delicado com toque de biscoito a dar cremosidade, acidez a contrabalançar sem no entanto mostrar grande acutilância. Na boca uma ligeira e cremosa mousse dá entrada ao tom da fruta, fina e fresca, mas tudo delicado apesar de ser vincado e com algum nervo que o faz manter a presença enquanto dura no copo. 91 pts
13 janeiro 2019
Mamoré de Borba branco 2016
A Sovibor (Alentejo) foi recentemente comprada e literalmente remodelada de cima a baixo, desde ao espaço da adega aos próprios vinhos, tudo mudou para melhor. O que havia para restaurar foi restaurado, acompanhado pela instalação de um conjunto de imponentes talhas. O exemplo disto mesmo é a qualidade que agora começa a surgir com vinhos cheios de vida, frescura, mas acima de tudo cheios de carácter e aquele toque de diferença que por vezes tanto procuramos. As uvas oriundas de vinhas velhas, apenas 30% fermenta em barrica, o resto fica em inox. O resultado final é um vinho de aroma cativante e até guloso nas notas de geleia de laranja, flores, citrinos com alperce. A madeira arredonda-lhe o espírito e confere uma graciosa untuosidade no palato, muito ligeira mas que combina bem com a acidez e a presença da fruta. Tudo equilibrado e pronto a dar prazer à mesa com gastronomia local. Vende-se por coisa de 6€ na loja da adega. 90 pts
07 janeiro 2019
Maçanita Os Canivéis branco 2016
Foi sem sombra de dúvidas um dos melhores brancos que bebi em 2018 este Maçanita Os Canivéis 2016, oriundo de vinhedo ancestral e feito pelos irmãos Maçanita. Neste como noutros casos, recomendo a decantação prévia de meia hora para o vinho entrar em pleno no copo e a festa ser ainda maior. Enche com toda a complexidade dada pela vinhas velhas, pela quantidade de mais de uma dezena de castas misturadas. Naqueles toques de fruta (pomar, citrinos) madura, limpa, recantos plenos de mineralidade e um toque de cêra de abelha que na sensação de untuosidade vai enrolando todo o conjunto que desliza pela palato. A frescura está à altura de um grande vinho, pleno de carácter com juventude e austeridade sentida ainda que de forma ténue em fundo. Para beber ou se conseguir aguentar umas em casa. 95 pts
06 janeiro 2019
Herdade do Rocim 2016
Não é novidade para ninguém e para muitos até se poderá mostrar na actualidade como um dos vinhos da moda. O certo é que a Herdade do Rocim (Alentejo) nada nasceu feito e tudo foi feito em pouco mais de uma década com o erguer do seu vinhedo, adega, retocou os rótulos e estilo dos vinhos apresentados. Nos últimos anos renasceu por ali o espírito das talhas e a revolução foi o passo seguinte. Não há dúvidas que hoje a Herdade do Rocim é um dos mais sólidos projectos e que deve ser seguido bem de perto pela qualidade dos seus vinhos. Este é o mais recente colheita, o Herdade do Rocim, preço ronda os 8€ e mostra-se fiel a si mesmo como sempre nos tem acostumado. É fresco, a fruta está presente, limpa e airosa, com aquele toque morno da planície que lhe marca a alma. Um daqueles tintos que nos ajuda a serenar o espírito ao fim de semana. 90 pts
04 janeiro 2019
Rótulo Dão 2016
Desejando um fantástico 2019 para todos, começo o ano com este Rótulo Dão da Niepoort colheita de 2016, criado a partir de Baga, Jaen, Tinta Roriz e Tinta Pinheira. O vinho compra-se a coisa de 6€ a garrafa e facilmente permite fazer a festa de copo em riste perante caras risonhas de amigos e família. O perfil dito tradicional, mostra um tinto fresco e descomprometido que sendo leve no trato, é pouco rebuscado na formalidade, emparelha-se com uma avantajada quantidade de pratos da nossa gastronomia. Muita é a fruta que vinca o palato, fundo com ligeira frescura vegetal e ligeira austeridade num saboroso final. Depois de aqui ter provado a sua colheita inaugural, este pareceu-me um pouco melhor. 89 pts
27 dezembro 2018
Soalheiro Granit Alvarinho 2016
Quando os imprevistos acontecem, um Private Selection Branco que havia estado na cave durante largos anos à espera de acompanhar um Bacalhau Especial de Natal, eis que o vinho branco se apresentou sem alma nem vida, um desalento. Sem muito que pensar recorri a este Soalheiro Granit 2016, um Alvarinho de fina estirpe que se mostra mais mineral e seco que os restantes da companhia. O resultado foi pleno de satisfação, mostra um lado gastronómico muito interessante e permitiu uma ligação perfeita com os lombos de bacalhau e seus acompanhamentos, mesmo a couve galega regada com azeite desafiou por momentos embora a ligação tenha continuado numa grande harmonia de sabores/aromas. Não é o mais exuberante, nem o mais untuoso, fora de ser o mais complexou ou o mais cristalino, é aquele que pela acidez e nervo, pelo tom da fruta mais calma e serena, custa coisa de 11€ e ajudou a abrilhantar a véspera de Natal. 93 pts
26 dezembro 2018
Deu La Deu Terraços Alvarinho 2016
A marca Deu La Deu (Adega Coop. de Monção) foi comprada na altura à Real Companhia Vinícola do Norte de Portugal. Desde então que se tornou um sucesso de vendas e presença assídua à mesa de muitos consumidores, os motivos explicam-se pela sua consistência aliada a uma belíssima relação preço/satisfação. Com a colheita de 2016 nasceu topo de gama da casa, o Terraços, que vai buscar as uvas das vinhas mais velhas e perfila-se com preço a rondar os 28,89€. É um Alvarinho com austeridade, mais seco e mineral com grande equilibrio apesar da juventude que domina o final de boca, pelo caminho encontramos o toque de uma fruta muito pura e cristalina. Belíssima presença tal como a complexidade, marca pela frescura e acutilancia, tem aquele nervo que nos guia até um final longo e seco, como que a pedir uns carabineiros grelhados por perto. Está para durar. 94 pts
28 novembro 2018
Maçanita 2016
Passo a passo algumas marcas vão surgindo no panorama nacional e conquistam o merecido lugar junto dos consumidores. Este é um dos mais recentes casos, um projecto digamos recente, feito no Douro por dois irmãos, o António e a Joana Maçanita. Os vinhos falam por si, levam a região na alma mas também o cunho muito pessoal e diferenciado dos seus autores. Um tinto fiel ao Douro, colheita após colheita a consistência vai dando lugar à fidelidade, um saber com o que podemos contar quando o abrimos e colocamos no copo. É aquela conjugação de austeridade com fruta saborosa e limpa, toque de esteva, grafite que lhe dá sensação de secura em fundo. Tem o corpo suficiente para pratos de bom tempero onde um javali guisado com batatas serve na perfeição. Um tinto sem excessos e que se mostra bem fiel à região, resta-me saber como será o efeito do tempo em garrafa, é que não consigo guardar nenhuma. O preço ronda os 10€ em garrafeira, num belo vinho pronto a fazer-nos companhia à mesa. 90 pts
04 outubro 2018
Fiuza Reserva Alicante Bouschet 2016
Lembro-me dos vinhos Fiuza como sendo dos primeiros vinhos do Ribatejo que bebi e gostei, quem é que não se lembra do fantástico Reserva 1996. Depois o tempo foi passando e fui conhecendo mais do que se fazia por aquela região, hoje denominada como Tejo. A realidade é que voltando aos vinhos da Fiuza parece que a emoção já não é a mesma, poderei ser eu que esperava algo a mais onde não se encontra. O certo é que quando vejo Alicante Bouschet no rótulo associado a Reserva, algo em mim desperta a curiosidade e a vontade de ter e encontrar ali mais um belo vinho da casta. O resultado é mais um vinho feito para cumprir os mínimos de agradar ao consumidor, para aquele que tanto se dá ser Cabernet ou Syrah, bebe e sabe-lhe bem. E o vinho em causa é isso mesmo, bebe-se e sabe bem, mas podia dizer outra coisa qualquer que continuava a beber-se e a saber bem. 90 pts
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