Este é o branco que serve de entrada de gama para os belíssimos vinhos a que a Herdade das Servas (Estremoz) nos tem vindo a acostumar ao longo de mais de uma década. Com a reformulação de rótulos e também da gama de vinhos, veio a mudança da enologia agora a cargo de Luís Serrano Mira e Ricardo Constantino. Este é o Monte das Servas Escolha 2018, branco feito a partir de um lote de tradicionais castas Alentejanas com 10% de Semillon. Bebido por mais que uma vez ao longo deste Verão que passou, custou cerca de 5€, mostrou-se focado na fruta fresca e madura ainda que muito esbatida num conjunto algo difuso, que é salvo por uma acidez que o arrebita ligeiramente e não o permite por momentos cair no esquecimento. 88 pts
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28 agosto 2019
14 fevereiro 2017
As novidades da Herdade das Servas
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| Herdade das Servas com Estremoz ali ao lado |
Dizem que o passar do tempo trás a sabedoria e a serenidade, é também na passada do tempo que os grandes vinhos vão sendo guiados no caminho da excelência. Na Herdade das Servas (Alentejo) esse é o caminho que vem sendo trilhado com sucesso desde que o projecto arrancou em 1999. São sábias as mãos que por ali os vão criando, são essas mãos que lhes dão a capacidade de envelhecimento que as primeiras colheitas ali nascidas nos mostram com garbo nos dias de hoje. Uma adega é como uma universidade, fundamental na transmissão de valores e na educação dos seus vinhos.
Depois da última visita posso dizer com toda a certeza que a adega da Herdade das Servas é uma verdadeira Universidade que forma vinhos de gabarito para depois os colocar no mercado mais exigente. E como o saber não ocupa lugar, a procura do querer mais e melhor deu lugar à experimentação cuidada e sempre mantida no segredo até que os resultados sejam suficientemente sérios e capazes de conquistar os palatos mais exigentes. É essa vontade de querer sempre mais e melhor que permite que ano após ano sejamos brindados com um vinho diferenciador dos restantes ali criados. São esses mesmos vinhos que me aguçam a curiosidade e que me fizeram deslocar uma vez mais à Herdade das Servas.
No dia anterior tinha sido aberto, na companhia do enólogo Tiago Garcia, um Herdade das Servas Reserva 2003 que marcado pela casta Alicante Bouschet e que a caminho dos 14 anos, se mostrou em grandiosa forma. Estava lançado o mote para a prova de algumas das mais recentes novidades.
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| O desfile das várias novidades da Herdade das Servas |
Herdade das Servas Alvarinho 2015: Destaca-se pela boa frescura de aromas que invocam a casta, limpo e com o volume próprio que a casta ganha no Alentejo. Saboroso e cheio de energia, firme com notas de citrinos e leve tropical a terminar seco e prolongado.
Herdade das Servas Reserva Branco 2015: Reparte o lote pelas castas Arinto, Alvarinho e Verdelho, com passagem por barrica que se mostra bem integrada. Amplo e com a frescura da fruta em tons citrinos e de pomar, arredondado pelo madeira mostra-se amplo de corpo, com vigor e elegância.
Herdade das Servas Unoaked 2015: Uma novidade, um topo de gama cujo estágio apenas decorreu em inox durante seis meses, com posterior repouso em garrafa de mais seis meses. O Alicante Bouschet domina o lote, restando pouco para a Syrah e a Touriga Franca. Um vinho cheio de vida com a pujança da fruta bem fresca e madura, amoras e framboesas com tons de ameixa seca, cacau e um ligeiro balsâmico de fundo. Na boca é o lado mais vigoroso e austero das bagas silvestres a mostrarem um tinto saboroso com taninos vivos a darem boa secura no final. Terá uma longa vida pela frente, mas de momento com um ensopado de javali é uma delícia.
Herdade das Servas Reserva 2013: Uma década depois do primeiro Reserva, comemoramos agora com este 2013 onde assistimos a uma valsa entre a Alicante Bouschet e a Cabernet Sauvignon com passagem em madeira durante 12 meses. O vinho é amplo, maduro com a fruta limpa e saborosa, sente-se que está cheio de vida com notas de cacau, tabaco, tudo ainda muito jovem e a pedir tempo. Na boca é alvo da juventude mais inquieta, intenso, cheio e amplo, feito para durar e encantar, tal como continua a fazer o Reserva de 2003.
Herdade das Servas Parcela V 2011: Será a partir de agora o novo topo de gama, oriundo de uma vinha velha, que passa 12 meses em barrica e mais 3 anos em garrafa. O que se destaca no primeiro impacto é a frescura e a elegância de um conjunto repleto de finesse. O perfil é o da casa, um vinho cheio, amplo, estrutura firme, mas neste caso é dono de uma elegância suplementar. Os aromas aconchegam num complexo e rendilhado bouquet, com a boca a mostrar toda a frescura da fruta, amplo, saboroso e de enorme voracidade à mesa.
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| Frasqueira da Herdade das Servas |
11 novembro 2015
Herdade das Servas Reserva Alicante Bouschet 2013
De casta mal amada por terras francesas, a casta Alicante Bouschet foi adoptada e amada pelas gentes do Alentejo como se fosse filha da terra. Sobre a qualidade dos vinhos a que dá origem continua a escrever-se e a ficar na história dos grandes de Portugal, quer pela qualidade quer pela invejável capacidade de resistirem à passagem dos anos. Este Alicante Bouschet lançado pela Herdade das Servas (Estremoz) vem na linha do que foi dito, é um belíssimo exemplar da casta e um grande vinho, para mim até à data o melhor que me lembro deste produtor. É bom ver que as agulhas se orientam cada vez mais na procura da elegância/frescura e neste caso juntamos toda a estrutura que caracteriza o perfil dos grandes vinhos da Herdade das Servas. O resultado é um vinho cheio de vida, aroma e sabor muito bem definido com coesão e frescura muito presente num todo que irá devorar os anos que tiver pela frente. O aroma identifica a casta pelos descritores mais clássicos a ela associados, surge a típica azeitona e fruta a rodos de enorme pureza de definição, o resto é um novelo de complexidade que apenas o tempo irá desenrolar. Para quem o decidir beber agora que o faça na companhia de pratos de caça como veado ou javali. 95 pts
14 janeiro 2015
Herdade das Servas Reserva Alicante Bouschet 2011
É a mais recente novidade da Herdade das Servas (Estremoz), com enologia de Tiago Garcia, o Herdade das Servas Reserva Alicante Bouschet 2011. Passou 14 meses em madeira mais 14 meses em garrafa, um vinho cheio e encorpado, marcado pela excelência da fruta madura, opulento e cheio de energia, balsâmico, chocolate preto e especiarias, toque de madeira, denso compensado pela boa frescura presente num conjunto com muita vida pela frente. Na boca ainda muito novo, muita fruta sumarenta, grande estrutura, saboroso e a pedir tempo para afinar a elegância que já mostra ter. Muito sabor num conjunto fresco e de muito boa qualidade. Final longo e persistente neste belíssimo exemplar de Alicante Bouschet com preço a rondar os 15€. 93 pts
06 janeiro 2012
Herdade das Servas Touriga Nacional 2006
Escrevo sobre um dos produtores que tenho tido o prazer e privilégio de seguir desde que surgiu no mercado, as ligações ao mundo do vinho na família Serrano Mira vem de longe, mas os dois irmãos, Carlos e Luís, decidiram que queriam um projecto só deles, fazer as coisas à sua maneira e avançaram com a Herdade das Servas bem perto de Estremoz. Nunca escondi que sou amigo dos donos, o enólogo Tiago Garcia embora mais novo que eu andou na mesma escola e ali na Herdade das Servas sempre fui muito bem recebido, o bem receber é norma naquela casa.
Em 2003 lançaram um excelente Touriga Nacional, a evolução do mesmo até aos dias de hoje tem sido notável e arrisco a dizer que foi o melhor Touriga Nacional das Servas até à data, pena já ter poucas garrafas, mas nota-se que a enologia também tem vindo a refinar com os anos e com a experiência acumulada, ganharam muito com a subida do enólogo Tiago Garcia de residente para principal, um reconhecimento mais que meritório de um profissional que a solo tem seguido um rumo que eu gosto, vinhos menos pastosos, menos carregados, mais frescos e harmoniosos, afinal é o rumo natural da vida a pender para a harmonia e serenidade. Em 2006 um ano dito menos bom, ali também se fez Touriga Nacional, o mesmo que agora falo, um vinho que arrisco dizer foi o quebrar de um elo que ali morou, o rótulo também mudou... sim o novo Touriga 2008 é diferente e encaixa no que já disse lá atrás e falarei dele noutra altura.
No seguimento das anteriores colheitas é um vinho pujante e concentrado, sem cair em exageros que o possam tornar em algum momento enjoativo. No primeiro instante mostra toda a sua força e energia, fruta negra fresca e bem madura (leve toque doce da mesma), compacto, madeira ainda a dizer que não arranjou lugar para se acomodar, liberta bálsamo com toques de baunilha que se misturam com ligeira violeta e pimenta preta em fundo. Na boca é um vinho cheio, vigoroso e com estrutura sólida que lhe dá largos anos de vida, taninos ainda presentes sem incomodar grande coisa se acompanhado de comida de bom tempero, tipo feijoada de javali ou ensopado de lebre, com a intensidade a que já nos acostumaram os vinhos desta casa, sabor marcado pela fruta com alguma pimenta, bálsamo novamente e a madeira bem mais acomodada juntamente com a frescura necessária em final longo e persistente. O preço penso que não deve andar longe dos 15€ para um vinho que apesar de dar uma bela prova neste momento, vai certamente melhorar um par de anos em garrafa. 92 pts
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