O 2 Worlds da Pinhal da Torre (Tejo) resulta do encontro da casta Syrah com a Touriga Nacional e a Tinta Roriz. Serenou em barricas por 12 meses, mostrando-se um tinto cheio de fruta negra muito madura, ligeira compota com traço balsâmico fresco, amparado por um ligeiro baunilhado da madeira por onde passou. Harmonioso e cheio de genica, estrutura mediana, ganha com o rodopio no copo. Suculento e muito saboroso, o preço ronda os 9€ num vinho que junta o melhor de dois mundos. 90 pts
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10 fevereiro 2018
26 setembro 2017
MR Premium Touriga Nacional 2012
Segue na linha dos topos de gama do Monte da Ravasqueira (Arraiolos), este monocasta de Touriga Nacional nascido na colheita de 2012. Após 24 meses de estágio em barrica nova, passou mais 20 meses de pousio em garrafa. Foram cerca de 3500 unidades as que sairam para o mercado, à venda na loja do produtor. É um vinho em fase adulta, na senda da qualidade a que a linha MR nos acostumou, aqui também ele dotado de bom descernimento no que toca a aromas e sabores, mostrando uma Touriga Nacional bem fresca e envolvente, com nota floral, cacau, leve balsâmico e apontamento de grafite no fundo. Bonitas sinergias num conjunto de grande finesse, suportado por uma estrutura que lhe permitirá uma vida tranquila por muitos e longos anos. Elegância e frescura num vinho feito para momentos muito especiais. 93 pts
12 março 2017
Secretum 2012
Mas que bela surpresa este Secretum 2012 proveniente do Douro, um 100% Arinto (Pedernã) pouco usual nesta região. Aroma cheio e com bonita complexidade, mesmo passados cinco anos mostra-se ainda tenso e fechado de inicio, muitos citrinos, tudo muito limpo, elegante com acidez bem presente. Muito boa presença na boca, profundo e com uma bela frescura enrolada em notas de barrica que envolvem o conjunto de muito boa qualidade e elegância. Um vinho com tudo para continuar a sua metamorfose, está de momento tenso e pouco falador, muito coeso e cheio de energia, com muito nervo apoiado por uma belíssima estrutura. O preço ronda os 30€ num vinho que é uma excelente aposta para ter na garrafeira. 91 pts
02 março 2017
Macán Clásico 2012
É recente o projecto que junta dois grandes nomes do mundo do vinho que dão pelo nome de Benjamin de Rotschild e Vega Sicília. Em conjunto criaram uma adega em plena Rioja, aplicando o costume de Bordéus de ter um primeiro e um segundo vinho, a casta é 100% Tempranillo e os dois vinhos partilham o mesmo vinhedo e o mesmo processo de vinificação. Estes dois irmãos apenas se separam na altura de escolher as barricas, sendo que as melhores dão origem ao Macán e as restantes ao Macán Clásico. Toda a espera até o conseguir ter no copo valeu a pena, as primeiras colheitas voaram e com isso a infelicidade de não conseguir ficar a conhecer este vinho mais cedo. Preço a rondar os 32€ para este vinho da colheita de 2012, ainda muito novo, vivaço, cheio de energia a mostrar um misto entre o perfil mais clássico e o toque mais moderno da região. Bem estruturado, alia a finesse do nariz com uma bela estrutura de boca, com taninos finos mas presentes, madeira em pano de fundo (especiarias, baunilha) a acariciar uma fruta madura e limpa (bagas silvestres) numa bonita complexidade. É daqueles vinhos que ganhando com tempo de garrafa dá prazer desde já a acompanhar um bom corte de vitela, grelhada de preferência. 93 pts
15 fevereiro 2017
Ravasqueira Espumante Grande Reserva 2012
O Monte da Ravasqueira está a proceder ao lançamento de dois novos vinhos de produção limitada que representam dois importantes tributos, o Ravasqueira Espumante Grande Reserva e o MR Premium Touriga Nacional, ambos da vindima de 2012 e que prestam homenagem, respectivamente, ao tapete de Arraiolos e aos 20 anos decorridos sobre a conquista do Campeonato do Mundo de Atrelagem, que teve lugar na Bélgica em 1996, por cavalos lusitanos do Monte da Ravasqueira. A presença dos tapetes de Arraiolos no Monte da Ravasqueira está historicamente ligada à Ermida de Santo António O Velho, templo religioso datado do início do século XVI que fica dentro do perímetro da propriedade e que albergou, até há poucos anos, um muito antigo tapete de Arraiolos que embeleza hoje uma das principais salas da Casa do Monte da Ravasqueira. É justamente esta ligação e historicidade que justificam a homenagem ao tapete de Arraiolos, bem patente no design da sua garrafa e embalagem.
O Ravasqueira Espumante Grande Reserva 2012 é um vinho criado a partir de uvas da casta Alfrocheiro vindimadas à mão e produzido segundo o método tradicional, com a segunda fermentação em garrafa, onde estagiou sobre as borras durante 36 meses. Tudo muito cuidado e rigoroso, assente no bom gosto que sempre pautou por estes lados, sendo este espumante disso um claro exemplo. Compra-se na loja do produtor e paga-se pela qualidade e pela exclusividade de um produto que nos dá a garantia de plena satisfação à mesa, servido em ocasião especial ao lado daqueles que gostamos e que nos acompanham. Mais do que aromas ou sabores é o prazer que nos proporciona, é a frescura, delicadeza e enorme elegância com que se apresenta no copo. É fantástica a ligação que faz com ostras e demais bichos do mar, mas acima de tudo é um vinho para brindar à vida e à amizade. 93 pts
26 dezembro 2016
Adega de Sabrosa, o Douro Cooperativo
Numa pesquisa recente que efectuei pelas Adegas Cooperativas que tenho como referência, faltava-me conhecer uma na região do Douro. Faz falta existir em cada região, pelo menos, uma Adega Cooperativa forte e bem implementada que sirva de referência para os consumidores de vinho nacional. Os exemplos noutras regiões são mais que conhecidos do consumidor, a imagem que algumas destas Adegas conseguiram conquistar deve-se à qualidade dos vinhos que colocam no mercado. Será por isso de fácil entendimento, que uma Cooperativa forte e com boa dinâmica de mercado será sempre benéfico para a região.
Dito isto, resolvi dar um pequeno passeio pelas várias regiões de Portugal, chegando à conclusão que me faltava uma referência na região do Douro no que a Adega Cooperativa diz respeito. Foi então que me foi apresentada a Adega de Sabrosa, fundada em 1958 por um pequeno grupo de viticultores. Fica localizada no concelho de Sabrosa, na sub-região de Cima Corgo e conta nos dias de hoje com 522 sócios. Reformularam recentemente a sua gama que passou a apresentar-se com a marca Fernão de Magalhães, que presta homenagem a Fernão de Magalhães, navegador português natural do Município de Sabrosa, que se notabilizou por ter organizado a primeira viagem de circum-navegação da Terra. A Adega de Sabrosa comercializa também um Moscatel do Douro e Vinho do Porto no qual sobressai o seu Porto 10 Anos.
A prova focou-se na marca Fernão de Magalhães Branco, Rosé, Tinto e o Reserva da Adega de Sabrosa, a enologia está a cargo da enóloga Celeste Marques. Vinhos que lá por fora têm sido bastante apreciados e ganho várias medalhas. O Fernão de Magalhães Branco da colheita de 2015 é um lote das castas Gouveio, Viosinho, Rabigato e Fernão Pires, com passagem por inox. Bem fresco com a fruta (citrinos, frutos de pomar) a saltar no aroma, muito limpo, directo, envolto em perfume floral. Na boca é comandado por uma boa frescura que embala a fruta de médio porte, num bom final. Sem falhas e mais que pronto a ir à mesa a acompanhar por exemplo um arroz de bacalhau.
O Rosé da colheita de 2015 nasce de um lote de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, passagem por inox. Um rosé bem composto, muita fruta vermelha (morango, framboesa) madura e rechonchuda, boa frescura de conjunto que combina com nota de algum rebuçado em segundo plano. Todo ele muito franco e directo, boca com boa frescura onde a fruta se mostra redonda e roliça, com uma ainda que muito ligeira doçura no final, bom companheiro para uns carapaus fritos com arroz de tomate.
Entrando nos tintos da Adega de Sabrosa, o Fernão de Magalhães 2014 resulta do lote das castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz. Por aqui dá-se lugar à expressão da fruta, pura e limpa, sem grandes entraves pelo meio ou aromas mais disto ou mais daquilo. Cheira e sabe a vinho do Douro, com aquela nota de esteva presente, leve fumado ao mesmo tempo que a fruta vermelha se mostra bem limpa e suculenta. Na boca é a fruta com boa acidez, mostra-se saborosa e acompanhada pelo travo vegetal também aqui a mostrar-se presente, com uma boa secura final. De perfil muito gastronómico, como é apanágio dos vinhos da região, liga bem com carnes na grelha.
O Fernão de Magalhães Reserva 2012 é o topo de gama da Adega de Sabrosa, um lote de Touriga Nacional e Tinta Roriz com passagem por madeira. Um pouco mais concentrado que o anterior, complexidade mediana onde a fruta surge mais fresca e com mais presença, a Touriga Nacional em evidência com bom recorte floral (violetas), especiaria e algum arredondamento com ligeiro cacau morno dado pela passagem por barrica. Boca de médio porte, fresco e com a fruta em bom plano, inicialmente mais macio e convidativo, embala num travo vegetal seco. Uma boa surpresa que fará boa companhia a um cabrito assado no forno.
12 dezembro 2016
Dominio del Bendito - La Cuesta de las Musas 2012
O projecto Dominio del Bendito fica situado em Zamora (Espanha) na denominação de Toro, onde Anthony Terryn tem a sua adega e cria os seus vinhos. Nascido em França, foi perto de Zamora que decidiu ficar e criar os seus vinhos. Desde 2003 até à data que tem sabido mostrar todo o potencial da região com vinhos de excelente qualidade. Um amigo de longa data que transpira emoção quando fala das suas criações, a mesma emoção com que nos serve um copo e nos vai dando a conhecer as novidades, ano após ano. Desta vez foi especial, na mensagem que me tinha enviado dizia que tinha algo de muito bonito que me queria mostrar, o encontro coincidiu como não podia deixar de ser, num encontro de amigos, à mesa onde os vinhos ganham vida.
A garrafa surge imponente, robusta e pesada, numa roupagem que mais parece servir para resguardar o precioso líquido que guarda e que dá pelo nome de La Cuesta de las Musas. Quem prova e conhece o poderio do Titan del Bendito já de si fica rendido. As vinhas que lhe dão origem estão em solo arenoso, em dois patamares, com o mais velho a passar dos cem anos enquanto que o mais novo dizia que rondará os sessenta. Do total de barricas produzidas, que não passou das dez, escolheu as quatro melhores onde deixou o vinho repousar durante 22 meses e foi depois engarrafado em Agosto de 2015. Quanto ao vinho, bem o vinho é um portento de elegância com muita energia, a fruta sempre em plano de destaque e muito bonita, limpa, airosa, carnuda e a explodir de sabor na boca. Eleva-se com o toque ligeiro de licor, depois é um tornado de sensações, naquele modelo super desportivo de linhas esbeltas e toda a raça no motor, é isto. A tonalidade já de si é linda, pouco concentrada e um pouco aberta até, a complexidade ganha formas com a passagem do tempo, de tão bom que é que deixamos o caderno de lado. 96 pts
21 outubro 2016
Quinta dos Carvalhais 2012
O tempo passa e o Quinta dos Carvalhais (Dão) continua fiel às suas origens, neste caso da colheita de 2012 criado a partir de um lote de Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz, com passagem por madeira a durar 12 meses. O preço ronda os 6,50€ num tinto cheio de aromas que nos invocam o Dão, tal como o aroma de pinhal com o seu toque balsâmico, frutos do bosque bem rechonchudos e sumarentos. A madeira está muito bem integrada, ligeiro toque de baunilha num conjunto de média estrutura no palato, onde volta a marcar presença a fruta e o toque fresco e balsâmico acompanhado por uma boa frescura.Um belo vinho para levar à mesa a acompanhar um bom assado no forno. 90 pts
10 outubro 2016
Murta Rosé 720 Nuits 2012
Feito a partir de uvas de Touriga Nacional da colheita de 2012, este peculiar rosé descansou durante 720 noites em barricas de carvalho Francês antes de um novo sono em garrafa. Um vinho fora de modas, fora de sintonia com as tendências de mercado e que se perfila como vinho de nicho. Não será de fácil abordagem, penso que foi esse o objectivo, a expressão fresca que caracteriza os vinhos da Murta está aqui bem presente, a embrulhar todo o conjunto. Dominado por uma fruta (amora, mirtilo) bem robusta e suculenta, algum floral envolto em frescura, com notas fumadas da madeira em segundo plano. Vinca o palato com uma bela presença, fresco, tenso e com um final seco a pedir pratos de bom tempero e até alguma gordura. Fantástico com uma feijoada de chocos. 90 pts
06 setembro 2016
Dona Berta Reserva 2012
Este Dona Berta Reserva tinto 2012, mostra-nos que continua a haver vinhos que levam o seu tempo a entrar para o mercado. Muito carácter num vinho com raça e cheio de vida, muita fruta (bagas e frutos silvestres) mas também uma ligeira austeridade quer a nível de aroma como faz intenção de o confirmar no palato. Tudo muito compacto e bem coeso, apertado de tal forma que só com tempo é que se vão poder descortinar melhor os aromas. Por enquanto é um tinto cheio de vida e energia, capaz de fazer um brilharete com um bife de novilho no carvão com molho alioli. 91 pts
12 julho 2016
Quintas de Melgaço Alvarinho Super Reserva Bruto 2012
Se há bebida que invoca a festa e a celebração, é sem dúvida alguma o espumante. Num momento de pura partilha e de celebração da vida, mostrou ser uma belíssima surpresa este Espumante Super Reserva das Quintas de Melgaço, com preço a rondar os 15€. Um espumante que conquista pela qualidade bem acima da média, capaz de deliciar todos os presentes e colocar nos mesmos um sorriso no rosto.Com um aroma centrado na fruta de tons citrinos, é embrulhado em frescura com uma boa sensação de biscoito em fundo. Muito fresco e preciso, elegante e ao mesmo delicado nos aromas. Na boca é a frescura que o domina, num misto de citrinos com sensação de cremosidade a meio palato que se dilui num final longo de boa persistência. 92 pts
04 maio 2016
Herdade do Rocim Reserva 2012
A nova colheita do Herdade do Rocim Reserva vem cimentar aqui que foi dito aquando do lançamento do 2011. Ainda o acho merecedor de mais algum tempo de repouso, com o calor a apertar vem mesmo a calhar e que se volte a abrir lá para finais do ano. Como agora se apresenta, temos um vinho que sabe marcar presença, tem carácter e mostra muita fruta madura num conjunto sólido, com frescura a envolver a boa complexidade que mostra ter. O restante é o caminho natural da harmonia e do entendimento entre tudo o que foi dito e os aromas e sabores que ganhou com a passagem pela madeira, que como vem sendo hábito mostra-se muito bem integrada. No palato sentem-se os taninos a dar ar de sua graça, com tempo vão serenar e arredondar-lhe os cantos e serenar o espírito, que o tem, de bom Alentejano que é. 91 pts
03 maio 2016
Cartuxa 50 Anos branco 2012
Em jeito comemorativo do cinquentenário da Fundação Eugénio de Almeida, nasceu este branco em tudo especial criado pelo enólogo Pedro Baptista. Este branco nasce de um lote de várias castas, entre elas Assario, Arinto e Roupeiro, ganha outra dimensão e feito com fermentação com curtimenta completa durante 25 dias. Sem conhecer o aconchego da madeira o vinho apenas viu o frio do inox. Por instante parei e relembrei-me dos primeiros Pêra Manca branco, mas o aroma deste vinho é algo de diferente, mistura a frescura com um bouquet puro e sensual, notas de bolo de laranja, muitas flores, ligeiro arredondamento e uma energia contagiante. Vinho para a mesa, gastronómico com aquela voracidade natural para peixes nobres no forno, lembrei-me porém de uns achigãs com hortelã da ribeira, foi até à última gota. 94 pts
04 abril 2016
Casa da Passarella Enxertia Jaen 2012
Se há um vinho do Dão que me encheu as medidas nos últimos tempos, é certamente este Jaen da Casa da Passarella. A casta Jaen tem na região do Dão todas as condições para brilhar ao mais alto nível, haja quem a consiga entender e nela aposte como é o caso. O resultado que nos cai no copo é a todos os níveis brilhante e ao mesmo tempo delicioso. Um vinho que conjuga modernidade com a traçada mais clássica do Dão, algo a que o enólogo Paulo Nunes já nos tem acostumado com grande mestria. Quanto ao vinho sabe invocar o melhor da casta, desde o lado mais vegetal com os toques de caruma, pinhal, ervas aromáticas, com a fruta carnuda e sumarenta. Vida pela frente não lhe falta, como frescura também não e ainda a juntar a isto aquela fruta saborosa e gulosa que quase trincamos na boca. O preço ronda os 15€ e vale cada cêntimo de prazer a acompanhar a melhor da gastronomia regional. 93 pts
03 fevereiro 2016
Pêra Manca branco 2012
Foi durante largos anos, década de 90, uma presença na minha mesa e na minha garrafeira. Era um vinho que na altura se demarcava claramente da restante concorrência, facto que o elevou a um estatuto superior num ápice. Um vinho que apenas estagiava no frio inox com base na dupla Antão Vaz/Arinto e cuja evolução em garrafa era sempre uma agradável surpresa, mesmo para os mais cépticos. Depois vieram as mudanças, a enologia e a história já sabem. Este pouco ou mesmo nada tem a ver com o do passado, apenas mantém a dupla de castas pois de resto começou a passar por barrica. Quer-me parecer que ganhou nova alma, um perfil moderno e terrivelmente apelativo, fácil de se gostar e de se ficar com vontade de o repetir uma e outra vez, tal como me aconteceu com as primeiras colheitas. Este Pêra Manca branco 2012 mostra uma muito boa exuberância com um certo arredondamento, muito elegante com fruta (citrinos, fruta de caroço) limpa e madura, especiaria, bonita evolução no copo. Harmonioso e envolvente, sério e a encher a boca de sabor e classe, frescura tem a suficiente que abraça todo o conjunto de forma equilibrada de maneira a que não temos por ali pontas soltas. O trabalho de madeira está nesta altura completamente integrado, um novo perfil que me agradou neste belíssimo branco da Adega da Cartuxa, cujo preço ronda os 22€. 94 pts
23 janeiro 2016
Quinta do Cardo Touriga Nacional Reserva 2012
O vinho Quinta do Cardo Touriga Nacional Reserva 2012 tem direito a 20 meses em barricas de carvalho francês e mostra-se ainda muito jovem, tudo ainda novo apesar de contar já com três anos de vida, bem focado na casta e nos seus principais descritores. Grande frescura e vigor de conjunto, austeridade mineral em fundo com ligeiro terroso, muita fruta misturada num vinho que de momento parece um novelo apertado e coeso a precisar de mais tempo para melhor se desenrolar na garrafa. Aberto nesta altura irá beneficiar de decantação, será bom companheiro de pratos de forte temperamento como por exemplo uma feijoada de javali. 91 pts
18 janeiro 2016
Cabriz Reserva 2012
Comparativamente ao Colheita Seleccionada damos como seria de esperar, um salto na qualidade. Este Cabriz Reserva 2012 mostra ter uns aromas de fruta mais fresca, limpa e um conjunto que mostra já ter algo mais de interesse, a chamada complexidade. Deixa de lado aquele travo simplista do Colheita Seleccionada e mostra um pouco mais de carácter associado à região onde nasce. De resto é um vinho moderno, custa coisa de 8€, onde a fruta surge ligeiramente escondida pela barrica, cacau, apontamento balsâmico com toque de especiarias em fundo. Ligeiro vigor no palato, fruta presente, boa amplitude com final a mostrar ligeira secura. 90 pts
30 dezembro 2015
Casa da Passarella, as Vindimas, as Vinhas Velhas e os Fugitivos
Fomos visitar a histórica Casa da Passarella, no Dão, com a Serra da Estrela em pano de fundo e literalmente metemos as mãos nas vinhas mais velhas deste produtor. Em plena altura das vindimas o convite foi aceite para ir conhecer as fantásticas vinhas velhas que dão origem aos melhores vinhos desta Casa, num trabalho de campo com muita aprendizagem e um almoço bem descontraido onde brilharam dois novos lançamentos. No final ainda tivemos uma vertical do tinto Vinhas Velhas ao lado de duas novidades que em breve vão chegar ao mercado.
Foi chegar, pegar na tesoura e descer as ruas do pitoresco vilarejo da Passarela até chegar às vinhas. Um cenário fantástico com três pequenas parcelas de vinha cuja idade supera já os cem anos, dispersas em três pequenos patamares, assente em solo predominantemente granítico onde cepas de uvas brancas convivem lado a lado com cepas de uvas tintas. Castas com nomes que de tão estranhos correm o risco de ficar esquecidos no tempo e por mais que se queira apenas se consegue entender toda a magia e especificidade de uma vinha como esta estando no local e reparar na enorme variedade de castas que ali moram. Pena que durante largos anos as vinhas do Dão estiveram em decadência e com isso a qualidade dos vinhos a que davam origem. Foi preciso um forte investimento por parte dos produtores em plantar nova vinha, o que de certa maneira ajudou a um afastamento ou até mesmo o arranque do vinhedo mais velho.
Foi já à mesa servido por um tradicional prato de Rancho que me fiz acompanhar da mais recente novidade, o Enxertia Jaén 2012. Um vinho perigosamente apetecível que desapareceu do copo num ápice, a combinação entre estrutura/frescura/fruta sumarenta resulta num combo perfeito à mesa. Em momento de desfrute e amena cavaqueira, foi rei e senhor este Jaén que soube pela vida e marcou mais um belíssimo momento de convívio.
Mas foi ainda com as vinhas velhas na memória que se realizou a vertical desde o primeiro exemplar Vinhas Velhas 2008 até ao mais recente 2012. Notou-se a evolução do perfil, com o 2008 a mostrar uma maior presença de baunilha e tosta ao lado de fruta muito gorda e sumarenta. O que mostrou menor prestação e mesmo mais deslocado de toda a prova foi o 2010 cujos apontamentos mais adocicados destoam por completo dos restantes. O mais calado de momento é o 2011 que se encontra na fase de arrumação e ainda pouco quer mostrar embora esteja um belíssimo vinho em perspectiva. Vencedores da prova se é que se podem considerar assim, tanto o 2009, arriscando a ser o melhor até à data com o 2012. Vinhos compactos e sedutores, bom equilíbrio com corpo médio e um pouco de maior arredondamento dado pela barrica, tudo isto sempre com uma acidez/frescura habitual dos vinhos da região.
Por último ficou a apresentação oficial dos novos vinhos que já tinham sido dados a conhecer ainda que de forma envergonhada e agora sim foram dados a provar com a roupagem definitiva. Inseridos na gama O Fugitivo, surgem o Garrafeira branco 2013 e o tinto Vinhas Centenárias 2012. A produção de qualquer um deles não supera as 2000 garrafas, são dois grandes vinhos que espelham a terra que os viu nascer. Enquanto o tinto vai buscar como foi dito lá atrás a raça, carácter e corpo com uma acidez e travo de ligeiro vegetal que lhe confere uma bonita energia no palato. Complexo, profundo e ao mesmo tempo ainda muito novo, muito no perfil do Vinhas Velhas 2012 embora todo ele com um pouco mais de tudo. Já o Garrafeira branco é um vinho de estrondo, nada fácil e fora de modas, cheira a Dão de outros tempos, cheio de garra com taninos a marcarem o final cheio de secura, o vinho grita por descanso em garrafa. Eléctrico, nervoso, tudo ainda muito novo tanto no nariz como na boca, do melhor que a região me colocou no copo nos últimos anos.
11 dezembro 2015
Grandjó Late Harvest 2012
O Grandjó da Real Companhia Velha tem estatuto de lendário, o "Vintage das terras altas" como é conhecido, vai para mais de 100 anos a brilhar à mesa. Por agora vamos na colheita 2012 que marca a estreia a solo do enólogo Jorge Moreira, num vinho cujas uvas da casta Sémillon provenientes da Quinta do Casal da Granja (Alijó) permitem o desenvolvimento de botrytis cinerea, o fungo responsável pela podridão nobre, factor determinante no processo de elaboração deste vinho muito especial. Esse mesmo efeito da botrytis sente-se presente no nariz, em companhia de aromas limpos, frescos e com aquele adocicado quase que a lembrar fruta em calda com destaque para o alperce, toque melado, chá de limão, muito bonita complexidade num todo com muita harmonia e delicadeza. Na boca é doce mas fresco, muita finesse com sensação de untuosidade a meio do palato, final fresco e de apontamento guloso, para mim deveria ter um bocadinho mais de acidez mas da maneira como desaparece do copo uma pessoa até se esquece desses detalhes. Custa coisa de 19€ e vale cada gota, um belíssimo Late Harvest. 94 pts
09 dezembro 2015
Quinta de Cidrô Marquis 2012
É uma novidade da Real Companhia Velha (Douro) lançada recentemente no mercado, na linha do ‘Quinta de Cidrô Celebration tinto 2010’, a Companhia lança agora o ‘Quinta de Cidrô Marquis’ para homenagear o Marquês de Soveral, nascido em São João da Pesqueira, em 1851, na própria Quinta de Cidrô, então propriedade da aristocrática família Soveral. Edição limitada a 3573 garrafas a rondar os 40€ cujo lote resulta da união das castas Touriga Nacional (60%) e Cabernet Sauvignon (40%). Ao primeiro contacto a impressão é de um vinho denso, ainda fechado e com ligeira austeridade a despontar, grãos de pimenta preta, chocolate preto, tabaco, fruta (cerejas, amoras, framboesa) bem limpa e madura. Muito bom o trabalho com a madeira, ainda que presente pouco ou nada incomoda mas tudo parece pedir tempo. Na boca um Douro cheio de vigor e raça, encorpado e cheio de sabor mas a querer mostrar-se ao mesmo tempo elegante, profundo com sabor vincado e frescura bem presente. Um vinho que precisa de tempo para se acomodar, brilhará certamente daqui por um par de anos ou até mais. 93 pts
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