Copo de 3: Pinhal da Torre
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10 fevereiro 2018

Pinhal da Torre 2 Worlds 2012


O 2 Worlds da Pinhal da Torre (Tejo) resulta do encontro da casta Syrah com a Touriga Nacional e a Tinta Roriz. Serenou em barricas por 12 meses, mostrando-se um tinto cheio de fruta negra muito madura, ligeira compota com traço balsâmico fresco, amparado por um ligeiro baunilhado da madeira por onde passou. Harmonioso e cheio de genica, estrutura mediana, ganha com o rodopio no copo. Suculento e muito saboroso, o preço ronda os 9€ num vinho que junta o melhor de dois mundos. 90 pts

06 abril 2017

Pinhal da Torre Tardio 2010


O Tardio da Pinhal da Torre (Alpiarça) apresenta-se como o Colheita Tardia deste produtor Ribatejano. A casta escolhida foi a Fernão Pires com fermentação em barrica.Longe de ser uma bomba de açúcar mostra-se muito preciso e delicado, com elegância e harmonia entre frescura/doçura. Destacam-se as notas finas de mel que lhe dá untuosidade embrulhando os citrinos em calda, fruto seco e floral ajudam a dar algo mais à fina complexidade do conjunto. O preço ronda os 20€, sirva fresco a acompanhar uma tarte fria de lima ou pêssegos assados com xarope de baunilha. 90 pts

18 fevereiro 2017

Pinhal da Torre Syrah 2013


Nascido e criado em Alpiarça mais propriamente na Pinhal da Torre, este Syrah cujo preço ronda os  25€ e afirma-se e conquista no imediato pela enorme qualidade. Sem excessos, soube deixar as gorduras e as doçuras de lado, é um atleta de alta competição com músculos bem torneados e com uma taxa de gordura muito baixa. Será de esperar pois então um perfil de grande frescura, bom de cheirar com a fruta bem fresca e ácida, madeira aporta a complexidade necessária para o elevar a uma dimensão superior de qualidade. Saboroso e a saber conjugar elegância com uma boa carga de energia, fruta a explodir de sabor, estruturado mas firme e muito tenso, feito para ser bebido agora ou durar por muitos anos. Atinge uma dimensão que é rara encontrar por Portugal em vinhos desta casta e por momentos remete-nos para outras paragens. 95 pts

07 novembro 2012

Pinhal da Torre - Uncutted


No passado Sábado provou-se por A+B que o melhor Syrah até hoje feito em Portugal e que bate o pé a outros tantos lá de fora, é do Ribatejo, é Quinta do Alqueve e é de 2001.
Durante a prova fui pensando nos vinhos desta casta feitos em Portugal que anteriormente já tinham sido provados por mim, vinhos que conheci e conheço, que iam sendo recordados num jogo de comparações à medida que o líquido escorria copo acima e copo abaixo... no final nenhum desses nomes me deu prova tão satisfatória em algum momento como este que agora aqui falo. Foi no final da ordem de trabalhos que estava à minha frente um vinho que veio demonstrar a razão pela qual o produtor Paulo Saturnino Cunha aposta na casta Syrah, em conjunto com a Touriga Nacional e a Tinta Roriz.

Falo de um vinho de aroma limpo e nada atabalhoado, com fruta negra bem fresca e de respeitável vivacidade, um vinho onde a frescura ainda marca presença, onde a fragrância perfumada e quase feminina invade o copo. A complexidade, a inegável complexidade e profundidade, a firmeza que apresenta na boca, tudo isto num vinho que brilha passados 11 anos ao mais alto nível. Felizes pois aqueles que ainda o tenham, invejosos aqueles que o desejam agora encontrar e provar. 
Foi uma prova às claras, limpa de segredos ou enredos, onde cada um dos presentes opinava de peito aberto sobre os vinhos que tinha no copo. A parada foi alta, sem medos, eu gosto de produtores que não receiam colocar os seus vinhos ao lado de nomes consagrados no planeta para que depois se prove e se opine lado a lado. Quando vi passar à minha frente nomes como Jamet, Jasmin e Torbreck, a tentação de ficar rendido à força dos rótulo foi imediata, durante a prova os vinhos do Paulo iriam conquistar pelo próprio pé o seu lugar por entre todos os outros. Olhei para o Paulo e vi um ar sereno, ao mesmo tempo o sorriso no rosto mostrava que estava feliz por todo aquele momento, eram os seus vinhos que se mostravam... e que bem se mostravam. 

Dos vinhos em prova irei dar o merecido destaque isoladamente, a seu tempo e um a um, aqui e agora apenas farei um breve apanhado. Enquanto o Syrah Alqueve 2001 brilhava no copo, o reboliço era enorme, o Côte-Rôtie Domaine Jasmin 2001 passou despercebido e seria o que menos interesse despoletou em toda a prova. Saltando para a marca Quinta de São João onde o Syrah se instalou, provou-se o 2007, um vinho fechado, conciso, marcado por um novelo muito enrolado e apertado, sente-se que mora por ali matéria de qualidade para o fazer evoluir até ao nível do 2001, questão de aguentar as garrafas mais uns anos, por agora não é aquele que melhor brilha mas é inegável que o seu conjunto dá uma prova de grande gabarito. Ao seu lado um gigante Australiano das mãos do actual enólogo da casa, Torbreck Les Amis 2006, um puro Grenache que se mostrou num ponto alto de consumo, contrastou com excelente afinação, frescura, doçura no contra ponto... enorme vinho mas que para o meu gosto começava a desesperar após dois copos. Tenho convicção que já o Les Amis partiu e o 2007 São João estará pleno de saúde. No meio seria colocado o Quinta de São João Syrah 2008, para mim o que menos gostei, o mais guloso, rechonchudo, fruta em modo gordo e sumarento, tabaco, cacau, fumados, é de todos os que provei aquele que escolheria para abrir agora. Enquanto ainda rodopiava o 2008 já se falava na outra ponta da sala, dois gigantes, de um lado Quinta de São João Syrah 2009 (ainda não está no mercado mas muita cuidado com este menino) e do outro um colosso de nome Domaine Jamet da colheita 2009. Aqui a maldade do Paulo foi total, de um lado um vinho mais tradicional, direi mais rústico, muito tempo pela frente que suplica estar fechadinho em cave escura. O Jamet está duro, compacto, carga de taninos e pouca definição, abrutalhado mas de uma cagança de alto nível... e foi a vez de provar o Syrah Ribatejano, o Syrah que causa uma empatia imediata, mais cativante e de igual modo a pedir tempo, outro que não quer saltar já da garrafa, deixem-no dormir, fruta com bela definição e que ainda não conta tudo o que sabe, enologia com trabalho estrelado, o vinho convida a mais um copo, a frescura, os taninos, a boca cheia e com estrutura firme, longo e persistente. Caramba dizia eu, enquanto o rodopiava no copo e dava  uma cheiradela no 2001 que tinha pousado na mesa, enquanto isso os últimos exemplares da prova eram apresentados. Se por um lado o 2Worlds Reserva 2009 é outro mundo, outra realidade, mais ready to drink e mais amigo do gosto fácil com toque do Ribatejo pelo meio. Seguia o 2Worlds Premium 2009 (este vinho foi provado como Quinta de São João Grande Reserva 2009 no ano passado), um vinho que ainda está cru, não gostei tanto desta vez, algum lácteo presente, muita concentração, muito que esperar a ver como se vai desenrolar este novelo. No final foi aberto o Quinta do Alqueve Special 2009, que repito mais uma vez o que sobre ele disse anteriormente, a qualidade, finesse e maneira como conjuga elegância com vigor, força e frescura mas ao mesmo tempo fácil de beber e no modo como se comporta à mesa, não cansa e convida sempre a mais um trago tamanha a qualidade com que nos presenteia. Depois disto foi fechar o caderno e preparar para almoçar. Nada mais a dizer, 

21 novembro 2011

Pinhal da Torre Unplugged 2011

No ano passado por alturas de Setembro escrevia-se por aqui, depois de uma fantástica visita, que no site Pinhal da Torre se pode ler Pureza, Elegância, Personalidade... coloquei na altura a Frescura e acrescento este ano... a Classe. Porque foi o que encontrei nos vinhos que provei no passado Sábado quando me desloquei à Quinta de São João a convite do produtor. 
Na verdade é Paulo Saturnino Cunha que nos recebe, que nos transmite aquela contagiante alegria de mostrar com enorme orgulho os vinhos que produz, um querer sempre mais e melhor que tem vindo a dar os seus mais que merecidos frutos, lutando contra tudo e contra todos para se colocar onde merece estar, como produtor dos grandes vinhos do Ribatejo e entre os grandes produtores de Portugal. Ano após ano tem vindo a afinar e refinar aquilo que produz, com a vontade de ajustar e cortar em algumas marcas e centrar atenção em novos rótulos, os vinhos vão ganhando novas formas, novos perfis sabores e aromas, mora ali um refinar das qualidades do terroir Ribatejano que Paulo Saturnino tão bem conhece, um auspicioso triunfar no copo de todos os apreciadores para que sem tabus olhem para um vinho do Ribatejo como algo grande e de muito bom. E o Paulo Saturnino Cunha e toda a sua equipa estão de parabéns porque se confirma mais uma vez que o caminho trilhado por eles é o do sucesso e o da qualidade entre os grandes... vinhos com raça, cheios de saber e de querer... direi vinhos com um carácter muito próprio, o mesmo que podemos encontrar na pessoa que dá a cara por este projecto familiar.

Tudo começou com uma ligeira e animada (como sempre) visita às instalações, é da praxe conhecer os cantos da casa, conhecer métodos de vinificação, que ali se utiliza a pisa a pé tradicional em vez dos modernos lagares de inox automatizados. É bom ver e saber que ali se trabalha com afinco, é bom saber que as paletes que por lá estavam apilhadas já tinham destino traçado e faziam parte dos muito % que este produtor vende para fora, é a exportação que absorve a grande maioria dos vinhos ali produzidos, parece pois que lá fora sabem dar o valor mais que merecido a estes vinhos enquanto cá andamos meio perdidos e distraídos com outras coisas.

A prova dos vinhos começou nos brancos, antes dizer que os vinhos começaram nas últimas colheitas a centrar-se numa fruta bem limpa e muito presente, sem excessos mas o suficiente para não passarem simplesmente ao lado por falta de apetite enófilo. Dito isto o primeiro vinho provado foi o Quinta do Alqueve Fernão Pires 2010 com direito a um dos três rótulos que o produtor criou para brindar a fauna local, neste caso com uma Popa, o que mais gosto e com direito a surgir aqui ao lado em destaque. Um branco directo nos aromas, muito cítrico com travo de alguma relva fresca e mineral fino em fundo, na boca repete com boa acidez e presença característica de uma casta que nunca foi de falar muito, 88pts. Depois surgiu o Quinta do Alqueve Chardonnay 2010, a meu ver com aromas à casta mas mais tímido do que é normal encontrar nesta casta, gostei mais do provado no ano passado, aqui este não tem passagem por barrica, o aroma fica algo perdido tal como na boca... bebe-se mas prefiro o anterior, uma questão de gosto pessoal nada mais 87pts. O último branco foi o 2Worlds 2010 já com direito a passagem por barrica, num conjunto em que se ganhou mais complexidade, fruta aqui mais expressiva com limão e laranja, mineral leve com toque da barrica a aconchegar o conjunto, bom traço quer na presença de boca quer no final e sem dúvida o melhor dos três brancos. 89pts

Entrando no campo dos tintos começou-se com um Quinta do Alqueve Reserva 2008, a prova dos tintos iria ser sempre em crescendo, começamos num vinho que nos apontava para fruta preta madura com caroço, sem excesso de maturação o que é logo bom sinal, um conjunto jovem frutado com toque fumado e bom balanço, frescura e alguma secura na boca com bom final, direi sem ofensa que se trata de um vinho correcto, mediano e que dá uma prova bastante agradável com boa aptidão gastronómica (como todos os restantes) 89pts. Próxima paragem no Quinta de São João 2008, ganhou mais na tonalidade e ligeiramente na concentração, o vinho mostra-se bem também ele com bastante fruta madura, chocolate de leite e boa frescura, afinado e prazenteiro com bom final de boca ainda que com alguma secura no palato a pedir comida por perto. 89pts.
Sem quebras nem paragens, saltou o Quinta do Alqueve Touriga Nacional 2008, com pujança e alguma austeridade a fazer-se sentir com vegetal seco e ligeiramente no perfume, a fruta mais escura e viva, bem limpa por sinal, com boca ampla, fresca e muito sabor a fruta e a especiarias, secura presente dos taninos em final decente 90ptsQuinta do Alqueve Touriga Nacional/Syrah 2008, onde o Syrah se destaca claramente, depois de provado o Touriga antes, a diferença que se nota aqui é o Syrah a trabalhar... num todo muito bem conduzido e conseguido tanto na complexidade de nariz como de amplitude na boca, frutaria escura, pimenta preta, chocolate preto tudo isto num conjunto de bela postura, elegância e final. 91pts. Quinta de São João Syrah 2008, um belíssimo vinho, conquistou-me pela sobriedade com que se bandeou no copo, bela complexidade num todo com especiarias, fruta escura com limpeza e um sensual doce natural, a barrica em forma sem estragar ou incomodar a conversa, harmonioso, boa profundidade e espacialidade quer em nariz e boca, alguns taninos a darem que falar mas nada que o tempo não resolva, a beber agora ou depois... com atenção e amigos por perto. 91pts


No meio da conversa fomos sendo informados das novidades, das vontades e mudanças que os vinhos do Pinhal da Torre vão sofrer nos próximos tempos/colheitas, alguns rótulos que vão ser descontinuados, outros apenas vão surgir quando a qualidade do ano assim o justificar. Dito isto foi altura de provar os novos ensaios de alguns dos próximos vinhos da casa, começando por um interessante Quinta do Alqueve Touriga Nacional 2009 que conta com uma ligeira percentagem de Merlot, nota-se aqui um pequeno salto qualitativo em relação ao 2008, um vinho mais apurado e com uma maior definição durante toda a prova 91pts, tal como todos os novos vinhos provenientes de amostras, nos quais destaco um promissor Quinta de São João Syrah 2009, que conquistou pela qualidade que debitou durante toda a prova, um dos que mais gostei, a fruta sente-se de excelente qualidade, muito viva e fresca, barrica na dose certa, amplo, harmonioso, roliço e fresco ao mesmo tempo, muito bem estruturado. Daqueles vinhos que é um prazer enorme ter à mesa, mas a precisar de tempo em garrafa 92pts. Foi provado ainda um ensaio a que foi chamado na altura de Quinta de São João Grande Reserva 2009, um vinho que apesar da sua belíssima estrutura se mostra fresco e ligeiro, harmonioso e bastante agradável, sem complicar em nada, é daqueles que convém estar muito atento assim que estiver no mercado para se comprar uma caixa e ir abrindo uma de vez em quando, o prazer está garantido em dose alargada... uma delícia 93pts. Acabou-se a prova com o futuro lote do novo Special 2009, um vinho que dispensa apresentações tal a qualidade, finesse e maneira como conjuga elegância com vigor, força e frescura mas ao mesmo tempo fácil de beber e no modo como se comporta à mesa, não cansa e convida sempre a mais um trago tamanha a qualidade com que nos presenteia, na senda do 2008, embora provando lado a lado durante o almoço eu tenha gostado um pouco mais deste 2009 94 pts.
Termino com um especial agradecimento ao Paulo Saturnino Cunha e a toda a sua equipa pelo fantástico momento que me proporcionaram e também dar os parabéns pela excelência que os seus vinhos começam a atingir... olhos bem abertos porque a coisa promete.

19 setembro 2010

Pinhal da Torre Re-Loaded

No site da Pinhal da Torre pode-se ler Pureza, Elegância, Personalidade... colocarei também Frescura, pois foi tudo isso que encontrei nos vinhos que provei no passado Sábado quando me desloquei à Quinta de São João a convite do produtor... e que vinhos. A verdade é que depois de algum tempo no limbo, eis que o melhor da Pinhal da Torre está de volta e ainda bem, quem não se lembra do fantástico Quinta de São João Touriga Nacional 2000 ou do Quinta do Alqueve Syrah 2001 ?
Recebidos pelo Paulo Saturnino Cunha, que a falar dos seus vinhos transmite uma contagiante energia em que fica sempre aquela vontade de querer ouvir mais e mais sobre o que ele tem para nos contar. Produtor persistente na busca da melhor qualidade possível, luta com afinco por manter a tradição e não cair em demasia na tentação das modernices (vinhos extraídos ao limite barrados em madeira nova), pois ali naquele cantinho ribatejano nascem vinhos com raça, cheios de saber e de querer... direi vinhos com um carácter muito próprio, o mesmo que podemos encontrar na pessoa que dá a cara por este projecto familiar. Durante toda a prova deu para entender que ali se tenta fugir a um perfil cada vez mais massificado, são vinhos com uma maneira de estar muito própria, que apresentam uma invulgar acidez e taninos a prometerem boa evolução em garrafa, o filme é bom mas só começa quando todos estiverem sentados. A prova foi descontraída e com muita interacção entre convidados e responsáveis, com a gama de entrada Vinha do Alqueve a mostrar-nos vinhos frescos, jovens, descontraídos e com uma boa relação preço qualidade, todos eles a apresentarem já sinais muito próprios do perfil que marca todos os vinhos desta casa. Um Vinha do Alqueve Rosé 2009 que se mostrou seco, com fruto vermelho e leve rebuçado, perfil fresco e muito bem embrulhado em fina camada vegetal, Vinha do Alqueve branco 2009 bem fresco e citrino, acidez a dar boa dose de frescura num vinho de corpo mediano muito bem embalado para a mesa, Vinha do Alqueve tinto 2008 apelativo, frutado, simples, agradável e bem feito com leve vegetal em fundo na boca a mostrar-se pronto para consumo a acompanhar pratos de gastronomia tradicional.
Antes do Tradicional provaram-se os dois Quinta do Alqueve brancos, o Fernão Pires 2009 que tem sido elogiado mas que continuo a encostar ao lado para escolher o Chardonnay 2009, o primeiro muito mais cítrico, frutado, com acidez muito presente em perfil fresco, delicado e leve apimentado no final, já o segundo mostrou-se mais harmonioso, algo mais acolhedor derivado da leve passagem que teve por madeira, calda de ananás, suave e fresco. Na secção de tintos começámos com o Quinta do Alqueve Tradicional 2007, mais arredondado e cheio que o anterior tinto provado, nota-se novamente a fruta madura e limpa com vegetal seco em conjunto equilibrado e fresco. Salto na qualidade com o 2Worlds Reserva 2004, um vinho que junta a Touriga Nacional com a Cabernet Sauvignon, aqui com clara piscadela de olho ao mercado internacional, um vinho que é difícil não se gostar, sente-se uma ligeira extracção no peso que a fruta madura apresenta, especiaria e novamente a frescura, vegetal aqui mais contido e uma maior complexidade de conjunto, com frescura mediana na boca, macio, arredondado e fácil de se gostar e de levar à mesa. Provado ainda o novo 2Worlds 2007, deixou de ter a menção Reserva, mostrou-se um vinho em tudo na linha do 2004, porém tudo aqui a mostrar-se um pouco mais emaranhado e a precisar de tempo para se conseguir mostrar ao completo, vai portanto no bom caminho com uma prestação de muito bom nível.


Na gama Quinta de São João, a outra Quinta que faz parte deste projecto, provou-se o 2004 o 2007 e amostra do 2008. O 2004 mostrou-se o mais afinado, claramente o que mais gostava de rodar no copo, na seu fino bouquet de couro, pimenta, fruta em compota com canela, flores, frescura de boca com elegância e harmonia com nariz. Um vinho pronto a beber, coisa que o 2007 mostra bem menos, mais austero e fechado, algo duro com taninos a darem lugar a secura na prova de boca, boa envergadura, frescura e fruta, mas ainda a precisar de tempo, já o 2008 é muito promissor, talvez o melhor de todos os vinhos provados até aqui, uma dose muito boa de fruta com madeira a querer casar em estilo num conjunto que se nota fechado mas com pernas para andar.
Para último estavam guardadas as surpresas e que surpresas, primeiro os Quinta do Alqueve Syrah das colheitas 2007, 2008 e finalmente 2009 com duas versões, a barrica 9 e a barrica 12. O Syrah 2007 fez as minhas delícias, pleno de frescura com groselhas, pimentas, algum doce, complexidade, perfumado numa estrutura redondeada mas com vigor, harmonia e fruta preta madura. O 2008 seria mais fechado, menos pronto mas no mesmo caminho da glória... o que dizer mais de vinhos que se gostam. Já a prova das duas versões b9 e b12 foram o delírio, aqui o toque Australiano dado pelo enólogo consultor vem ao de cima, vinhos com aquele ar guloso, mokaccino, apimentado, mas ao mesmo tempo sério, com músculo, mas frescos e jovens sem saturar, um prazer ao serem bebidos e uma loucura quando se começou a imaginar e experimentar possíveis lotes com várias percentagens de um e de outro ali mesmo no copo. A acompanhar com muita atenção os novos Syrah da Quinta do Alqueve.
Foram colocados em prova também o Merlot e o Alicante Bouschet, gostei mais da prova que deu o Merlot, fresco, delicado, cetim com alguma secura vegetal (chá preto) e fruta bem viva com alguma doçura, que acompanhou lindamente uma Sopa da Pedra de Alpiarça graças a uma acidez muito presente que suportou a pujança do prato, o que irá ser deste Merlot ? Enquanto pensava nisto, lembrava-me das duas cuvées especiais que tinham sido provadas um pouco antes, ainda sem nome oficial foram tratadas por Cuvée Speciale e o Cuvée Royal. E se o primeiro já me tinha enchido as medidas pela elegância, amplitude contida com muita frescura, finesse e ao mesmo tempo limpidez de fruta, integração de barrica... o Royal foi a surpresa ainda maior, primeiro porque o vinho é um extreme de uma casta que nunca deu grandes vinhos estreme em Portugal, lembro de um ou outro que gostei muito mas até aos dias de hoje andava a 0, até ter provado este Royal que consegue ser sem grande problema o melhor exemplar a solo da Tinta Roriz em Portugal, direi um luxo de vinho. Acabei o almoço com o Quinta do Alqueve Colheita Tardia 2005, carregado na cor, aromas algo afagados pela plaina do tempo... sem grandes doses de açúcar mostra-se delicado e com suave frescura... muito agradável com um divinal Arroz Doce.
Em jeito de conclusão, os vinhos da Pinhal da Torre merecem e devem ser conhecidos por todos os amigos do vinho, não olham para uma região mas sim para uma vontade muito própria de um produtor, pelo convite que me foi feito deixo aqui os meus agradecimentos ao Paulo Saturnino Cunha e a toda a sua equipa pelo fantástico momento de enofília proporcionado.
 
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