Na essência deste vinho mora a invejável apetência para ligar com bichos do mar, azeitonas, anchova, jamon ibérico e pasme-se, é fantástico com sushi entre tanta outra iguaria... O estilo Fino, o mais seco de todos, é isto tudo e muito mais, para tal basta ter no copo um dos meus vinhos favoritos, o Fino La Ina. Este vinho antes pertença Domecq, faz agora parte das Bodegas Lustau que comprou não só a marca mas também todas as botas da solera que a compõem. O vinho para espanto de muitos, provém de uma solera criada em 1919, portanto é fruto de um complexo, sábio e moroso processo acumulado saca após saca até aos dias de hoje. Falo mais uma vez de um vinho cujo preço ronda os 5€, que a solo se torna complicado para o mais desatento mas que é na pura petisqueira que melhor se manifesta. Rico no aroma, amêndoa torrada logo no início, pujança e elegância, muita mesmo, bom toque da "flor" a envolver tudo, invocação de ervas de cheiro, maçã fresca, todo ele com um perfume intenso, pleno de harmonia e com boa profundidade. Boca com entrada fresca e marcante, ligeiramente arredondado nos cantos, depois muito equilíbrio, frescura, marca o palato no médio corpo com secura mas apresenta harmonia num final persistente e a lembrar amêndoas salgadas. Um vinho extremamente polivalente, que exige mesa, cujas harmonias com comida por vezes resultam excelentes quando outros nem lá perto conseguem chegar. 93 pts
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31 outubro 2012
13 junho 2012
Alvear Fino CB
O vinho de que falo é das Bodegas Alvear, já passaram quase 3 séculos, desde que o primeiro Alvear, Juan, originário do município navarro de Nájera, fosse morar para a cidade de Córdoba para desempenhar funções a nível de economia local. Mas seria o seu filho, Diego de Alvear y Escalera que em 1729 se muda para Montilla onde nasce a sua paixão pela vinha e pelo vinho, onde iria fundar a Bodega Alvear (a mais antiga da Andaluzia). Diego iria buscar à Argentina o seu capataz de confiança de nome Carlos Billanueva, que marcava com as suas iniciais (C.B.) os melhores vinhos provenientes da serra. Foi desta forma que se foi criando o "estilo" Alvear, pleno de moderação e homogeneidade nos seus traços, todavia presentes no Fino C.B. a marca centenária e mais conhecida deste prestigiado produtor.
Um 100% Pedro Ximénez, uva que se por um lado quando passificada ao sol cria verdadeiros blocos de doçura e complexidade, como o vinho doce natural Alvear Pedro Ximenez de Anada, por outro lado cria da categoria Generosos vinhos únicos e tão peculiares como os Fino, Amontillado, Oloroso ou Palo Cortado. No copo tenho o Alvear Fino C.B. servido a coisa de 7,5ºC enquanto trinco umas azeitonas, os seus 15% são alcançados de forma natural e tem um estágio de mais de 5 anos em botas de carvalho americano no tradicional sistema de criaderas e soleras.
O vinho em si é muito diferente do que normalmente se costuma encontrar no copo, direi mesmo que é único no estilo, inimitável até mesmo pelo terroir que lhe dá origem. O seu aroma é o que considero pungente, de boa complexidade, frutos secos torrados, iodo, erva de cheiro, toque característico de levedura, as madeiras velhas dão o seu contributo, flores brancas. Na boca é fresco, entra forte com toque de avelã salgada e ao mesmo tempo com untuosidade, mineral com toque de levedura, depois torna-se mais fino, mais mineral, alguma levedura com frutinha (maçã verde) num final longo e marcante. O equilíbrio de todo o conjunto é muito bom, os 15% não se notam em nada com a acidez a fazer de contrapeso de forma brilhante. O preço rondará os 4-5€ e deve ser sempre servido entre os 7 e 8ºC, a acompanhar entradas, marisco, tapas ou por exemplo um sangacho de atum. 91 pts
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