Copo de 3: Fino
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31 outubro 2012

Fino La Ina

Na essência deste vinho mora a invejável apetência para ligar com bichos do mar, azeitonas, anchova, jamon ibérico e pasme-se, é fantástico com sushi entre tanta outra iguaria... O estilo Fino, o mais seco de todos, é isto tudo e muito mais, para tal basta ter no copo um dos meus vinhos favoritos, o Fino La Ina. Este vinho antes pertença Domecq, faz agora parte das Bodegas Lustau que comprou não só a marca mas também todas as botas da solera que a compõem. O vinho para espanto de muitos, provém de uma solera criada em 1919, portanto é fruto de um complexo, sábio e moroso processo acumulado saca após saca até aos dias de hoje. Falo mais uma vez de um vinho cujo preço ronda os 5€, que a solo se torna complicado para o mais desatento mas que é na pura petisqueira que melhor se manifesta. Rico no aroma, amêndoa torrada logo no início, pujança e elegância, muita mesmo, bom toque da "flor" a envolver tudo, invocação de ervas de cheiro, maçã fresca, todo ele com um perfume intenso, pleno de harmonia e com boa profundidade. Boca com entrada fresca e marcante, ligeiramente arredondado nos cantos, depois muito equilíbrio, frescura, marca o palato no médio corpo com secura mas apresenta harmonia num final persistente e a lembrar amêndoas salgadas. Um vinho extremamente polivalente, que exige mesa, cujas harmonias com comida por vezes resultam excelentes quando outros nem lá perto conseguem chegar. 93 pts

13 junho 2012

Alvear Fino CB

Estamos por Córdoba, na Sierra de Montilla Moriles, mais propriamente no reino da casta branca Pedro Ximénez, aqui os vinhos pertencem à D.O. de Montilla-Moriles. Apesar de os seus vinhos se confundirem com os de Jerez, as diferenças entre ambos são bastante claras: enquanto o de Jerez é um vinho de aroma a lembrar azeitona, por vezes salino e seco, o de Montilla-Moriles desenvolve outros aromas como tomilho, rosmaninho... No paladar são vinhos que recordam a avelã, enquanto os de Jerez tem um gosto mais amendoado, com os finos de Montilla a apresentarem mais corpo e mais oleosidade, menos secos, com uma baixa acidez e um final típico amargo e algo rústico. O solo onde as vinhas estão colocadas, neste caso são as famosas Albarizas, solos ricos em carbonato de cálcio, pobres em matéria orgânica natural, pouco férteis, composição mineralógica simples (calcário e sílica) e com alta capacidade de reter a humidade(30%).

O vinho de que falo é das Bodegas Alvear, já passaram quase 3 séculos, desde que o primeiro Alvear, Juan, originário do município navarro de Nájera, fosse morar para a cidade de Córdoba para desempenhar funções a nível de economia local. Mas seria o seu filho, Diego de Alvear y Escalera que em 1729 se muda para Montilla onde nasce a sua paixão pela vinha e pelo vinho, onde iria fundar a Bodega Alvear (a mais antiga da Andaluzia). Diego iria buscar à Argentina o seu capataz de confiança de nome Carlos Billanueva, que marcava com as suas iniciais (C.B.) os melhores vinhos provenientes da serra. Foi desta forma que se foi criando o "estilo" Alvear, pleno de moderação e homogeneidade nos seus traços, todavia presentes no Fino C.B. a marca centenária e mais conhecida deste prestigiado produtor.

Um 100% Pedro Ximénez, uva que se por um lado quando passificada ao sol cria verdadeiros blocos de doçura e complexidade, como o vinho doce natural Alvear Pedro Ximenez de Anada, por outro lado cria da categoria Generosos vinhos únicos e tão peculiares como os Fino, Amontillado, Oloroso ou Palo Cortado. No copo tenho o Alvear Fino C.B. servido a coisa de 7,5ºC enquanto trinco umas azeitonas, os seus 15% são alcançados de forma natural e tem um estágio de mais de 5 anos em botas de carvalho americano no tradicional sistema de criaderas e soleras.

O vinho em si é muito diferente do que normalmente se costuma encontrar no copo, direi mesmo que é único no estilo, inimitável até mesmo pelo terroir que lhe dá origem. O seu aroma é o que considero pungente, de boa complexidade, frutos secos torrados, iodo, erva de cheiro, toque característico de levedura, as madeiras velhas dão o seu contributo, flores brancas. Na boca é fresco, entra forte com toque de avelã salgada e ao mesmo tempo com untuosidade, mineral com toque de levedura, depois torna-se mais fino, mais mineral, alguma levedura com frutinha (maçã verde) num final longo e marcante. O equilíbrio de todo o conjunto é muito bom, os 15% não se notam em nada com a acidez a fazer de contrapeso de forma brilhante. O preço rondará os 4-5€ e deve ser sempre servido entre os 7 e 8ºC, a acompanhar entradas, marisco, tapas ou por exemplo um sangacho de atum. 91 pts
 
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