Este vinho das Bodegas Alvear nasce de uma das Soleras mais antigas da casa, acima deste só o Solera 1830. Não é um vinho datado, apenas contém numa pequena parte do seu lote, vinho do ano 1927. Muito ao jeito da música Depois de Ti Mais Nada (Tony Carreira)este vinho toma conta do palato por completo e esmaga toda a concorrência, mesmo Madeira. Pelas notas já caracteristicas, figo em passa, toffee, licor de café, xarope de caramelo, num todo que surpreende pela frescura que mostra ter. Na boca quando se esperava um total enjoo perante tamanha doçura, eis que a acidez chega de rompante e refresca o palato, prolongando-se pelo final numa surpreendente harmonia que incita a bebericar sempre mais um pouco. Custa pouco mais de 15€ em garrafeira online, mas o aumento da procura faz com que ande quase sempre esgotado. 96 pts
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30 setembro 2017
17 novembro 2014
Alvear Pedro Ximenez de Añada 2011
O que acontece quando acabamos de beber um vinho com 100 pontos atribuídos por um reputado crítico internacional ? Não acontece nada, por vezes ficamos com a sensação do "só isto?" e parece que no copo falta sempre algo mais, neste caso não lhe vi nada que justificasse tamanha proeza aclamada como a dita perfeição. Independentemente dos pontos que tenha tido aqui ou ali o vinho em causa sempre foi excelente mesmo naquelas colheitas menos pontuadas. Umas mais equilibradas que outras mas sempre com aquela dose massiva de açúcar que sempre se torna dona e senhora de toda a prova. Neste caso o factor "vinho 100 pontos" viu o preço aumentar dos normais 10€ para cerca dos 25€. É vinho para quem gosta de emoções fortes, para quem gosta de apanhar o boi pelos cornos, é um colosso de tal maneira violento e com uma densidade no palato que varre no imediato a quase totalidade dos vinhos fortificados que surjam ao lado dele. Como se não bastasse ainda nos invoca toda uma complexidade que desenvolve no copo, envolta em grande frescura. Destaque para a frescura que o embrulha e dá longa vida a toda a fruta em passa (ameixa, figo), mel, tâmara, rosmaninho, laranja amarga, avelã... o resultado é uma noite inteira de roda do copo. 96 pts
24 outubro 2012
ALVEAR PEDRO XIMÉNEZ 1927
Este vinho das Bodegas Alvear não deixa ninguém indiferente (como por exemplo o Carlos Janeiro), para muitos é o chamado amor à primeira prova... é guloso, doce, espesso e com uma belíssima acidez que lhe percorre o interior e que convida sempre a mais um sorvo, que este é para se beber devagar e pouco de cada vez. Tudo começa na uva Pedro Ximenez, uva que tanto origina vinhos secos como o Fino CB, até colossos de doçura natural proveniente de uvas deixadas a passificar ao sol que posteriormente terá direito a um estágio de 5 anos no sistema de "criaderas y soleras" típicos da região. A doçura que apresenta é extrema, com o açúcar a rondar os 405 g/L, num vinho que se deve servir a 10º-12ºC, a sua ligação brilha ao mais alto nível com chocolate negro ou como base de um gelado de baunilha, depois a imaginação também nos permite utilizar o dito para reduções em alguns pratos. Uma gulodice a preço bastante apetecível a rondar os 8.50€. Nariz potente e repleto de açúcar queimado, lembra o creme brulee, tâmaras, avelã, bolo inglês, sensação de corpo e de untuosidade que se confirma na boca intensa e explosiva que se agarra ao palato com enorme persistência. 94 pts
13 junho 2012
Alvear Fino CB
O vinho de que falo é das Bodegas Alvear, já passaram quase 3 séculos, desde que o primeiro Alvear, Juan, originário do município navarro de Nájera, fosse morar para a cidade de Córdoba para desempenhar funções a nível de economia local. Mas seria o seu filho, Diego de Alvear y Escalera que em 1729 se muda para Montilla onde nasce a sua paixão pela vinha e pelo vinho, onde iria fundar a Bodega Alvear (a mais antiga da Andaluzia). Diego iria buscar à Argentina o seu capataz de confiança de nome Carlos Billanueva, que marcava com as suas iniciais (C.B.) os melhores vinhos provenientes da serra. Foi desta forma que se foi criando o "estilo" Alvear, pleno de moderação e homogeneidade nos seus traços, todavia presentes no Fino C.B. a marca centenária e mais conhecida deste prestigiado produtor.
Um 100% Pedro Ximénez, uva que se por um lado quando passificada ao sol cria verdadeiros blocos de doçura e complexidade, como o vinho doce natural Alvear Pedro Ximenez de Anada, por outro lado cria da categoria Generosos vinhos únicos e tão peculiares como os Fino, Amontillado, Oloroso ou Palo Cortado. No copo tenho o Alvear Fino C.B. servido a coisa de 7,5ºC enquanto trinco umas azeitonas, os seus 15% são alcançados de forma natural e tem um estágio de mais de 5 anos em botas de carvalho americano no tradicional sistema de criaderas e soleras.
O vinho em si é muito diferente do que normalmente se costuma encontrar no copo, direi mesmo que é único no estilo, inimitável até mesmo pelo terroir que lhe dá origem. O seu aroma é o que considero pungente, de boa complexidade, frutos secos torrados, iodo, erva de cheiro, toque característico de levedura, as madeiras velhas dão o seu contributo, flores brancas. Na boca é fresco, entra forte com toque de avelã salgada e ao mesmo tempo com untuosidade, mineral com toque de levedura, depois torna-se mais fino, mais mineral, alguma levedura com frutinha (maçã verde) num final longo e marcante. O equilíbrio de todo o conjunto é muito bom, os 15% não se notam em nada com a acidez a fazer de contrapeso de forma brilhante. O preço rondará os 4-5€ e deve ser sempre servido entre os 7 e 8ºC, a acompanhar entradas, marisco, tapas ou por exemplo um sangacho de atum. 91 pts
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