Copo de 3: Estremoz
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05 fevereiro 2013

Quinta do Carmo Garrafeira 1987

Escrever sobre este vinho é contar a história de um produtor, a Quinta Dona Maria (Quinta do Carmo) em Estremoz. Por mais volta que se queira dar ao texto, não se consegue, é facto consumado que se está perante um dos grandes vinhos feitos até hoje em Portugal. Foram estes vinhos que colocaram Estremoz no mapa do vinho, foi Júlio Bastos o seu mentor e a casta Alicante Bouschet a máxima responsável por tudo isto. A casta que veio morar para o Alentejo (Herdade do Mouchão) e que depois deu um saltinho até Estremoz uma vez que as duas famílias se cruzaram. 

Apesar dos mais de 130 anos que a Quinta Dona Maria leva a fazer vinho, foi apenas nos finais dos anos 80 quando João Portugal Ramos assumiu a enologia da casa. A aventura durou pouco, JPR saiu e depois foi altura do descalabro, em 1992 vendeu-se metade da empresa para os Domaines Barons de Rothschild, foi arrancada a vinha velha de Alicante Bouschet para plantar Cabernet Sauvignon. Dos então 80 ha de vinhedo velho nos dias de hoje apenas restam 2 ha que estão na posse de Júlio Bastos e dão origem ao Júlio B. Bastos, em homenagem ao seu pai Júlio Bandeira Bastos.

Sobre o vinho em causa, resulta do lote de Periquita, Trincadeira e Alicante Bouschet, a prova que dá é um claro exemplo de que alguns vinhos é com tempo que se sabem mostrar. Não quero dizer que em novos não se consigam beber, mas precisam de tempo, precisam de ficar esquecidos para quando abertos nos deixarem sem palavras. Este Garrafeira não mostrou sinais de cansaço, vinho adulto, maduro e muito sério, nobremente evoluído com um bouquet ultra refinado e complexo.
Notável balanço entre as componentes do vinho (acidez, taninos e álcool) em conjunto de grande limpeza aromática com terciários de grande qualidade. Na boca tem boa presença, volume e persistência, frescura e fruta que se faz sentir. Vinho de prazer, no meio mora aquele toque terroso, meio agreste que tão bem liga com carnes no forno. É vinho de culto, clássico de cima a baixo mas ao mesmo tempo é vinho para a mesa, que com a prova que dá neste momento é de se beber e chorar por mais... 96pts


12 novembro 2012

Vila Santa Reserva branco 2011

Ora cá está um branco que encheu de certo modo as medidas, certo que andava algo de costas voltadas para os brancos do Engº João Portugal Ramos (Estremoz), terei provado em algum momento quando o branco de topo da casa se passou a chamar Vila Santa, na altura não gostei, perdi-lhe o rumo e voltámos a encontrar passado algum tempo. Agora o que rodopia no meu copo é um Vila Santa Reserva, branco de nova roupagem, menos pesada, mais fresca e apelativa, recordo o rótulo negro a imitar pedra quando ainda era apenas Antão Vaz (que saudades deste vinho). Neste a coisa mudou radicalmente, Arinto, Alvarinho e Sauvignon Blanca, quem diria, o certo é que o blend dá um vinho do qual gostei bastante, com parte a fermentar em barrica (Arinto) que lhe confere um toque de aconchego, com alguma complexidade e boa harmonia. Todo ele bom de cheirar, com frescura da fruta, citrinos, toque vegetal fresco a lembrar folha do limoeiro, baunilha, frescura e mais frescura em fundo mineral. Boca harmoniosa, frescura, saboroso e envolvente, sente-se que a madeira está bem integrada, tudo calmo com a fruta que se vai esmagando no palato, toque vegetal novamente com final convidativo a mais um trago. Uma excelente aposta, ronda os 12€, para peixes no forno e alguma carne branca, por exemplo em modo lowcost uns bifinhos de perú com natas e cogumelos. 92pts
 
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