Copo de 3

20 junho 2005

Novidades 2005

Aqui vou colocando algumas das novidades que vão saindo ou estão para sair para o mercado... é uma questão de estar atento, claro que algumas podem passar ao lado.

Adega Coop Borba Cinquentenário - Já se encontra à venda,Concours Mondial de Bruxelles teve Prata, Wine Masters Challenge 2005 teve prata, Talha de prata da Confraria do Alentejo 2004 , Challenge International du Vin 2005 ficou com Bronze, Vinitaly teve Diploma di Gran Menzione. Custa 26 euros na Wine Shop da Coop Borba.

Marquês Borba Reserva 2003 - Aí está uma grande notícia, após conversa com o Eng João Portugal Ramos, vamos ter novo Reserva, o problema é que devido a um ano menos bom, apenas se vão engarrafar cerca de 10 mil garrafas. Coisa pouca para um vinho que costuma rondar as 50-60 mil.
O vinho sai no final do ano, portanto é começar a juntar...

João Portugal Ramos Touriga Nacional 2004 ??? - Parece que vamos ter mais uma grande novidade deste produtor, quem nunca pensou como seria uma Touriga Nacional feita por este produtor ?? Bem parece que no final do ano vamos ficar a saber...

Malhadinha 2003 Tinto - Já se encontra à venda este novo topo de gama desta casa, que foi considerado o melhor de Portugal no Wine Challenge, e como tal também o melhor do Alentejo. Preço de 22 euros, este vinho promete e muito. O rótulo é dos melhores. São 10850 garrafas...

Malhadinha 2004 Branco - Novidade desta casa, mais uma, desta vez o topo de gama branco, feito em quantidade muito limitada, 3520 garrafas de Antão Vaz com Chardonnay... por cerca de 12 euros cada uma. Promete muito este branco.

CR&F Colheita Seleccionada Alentejo 2004 - É mais um vinho que nasce das mãos do enólogo Luís Duarte, e que muito promete... fiquemos atentos então. Preço que ronda os 7 euros.
Aqui fica uma breve nota retirada da net : «cor granada intensa, concentrada e de aspecto límpido. O aroma a frutos vermelhos, amoras e framboesas, com notas de baunilha, especiarias e tostados, provenientes do estágio da Madeira, despertam os sentidos que saboreados se confirmam. Um vinho macio e equilibrado, com bastante volume e complexidade, com um sabor que se prolonga na boca. O seu elevado potencial de evolução em garrafa permite que o vinho tenha uma guarda de dois a três anos, embora deva ser consumido ainda jovem para que a sua intensidade de aromas seja desfrutada ao máximo.»
http://www.diarioeconomico.com/edicion/noticia/0,2458,649058,00.html

Esporão Private Selection Branco 2004 - Já se encontra à venda este novo vinho por cerca de 12 euros,ao que parece tem o nível do 2001. Assim o espero.

Este nosso mundo de Kunamis...

Pois é verdade, chegamos a um ponto em que o vinho que se bebe começa a ser todo igual... mesmas castas, mesmos aromas, mesma prova de boca... apenas muda preço e rótulo.
O pior de tudo é que os preços começam a aumentar e a qualidade essa fica na mesma, já lembra aquele famoso diálogo:

- isto não é o que o senhor disse que é...
- é sim senhor kunami, kunami e do bom, muito raro, por isso é que o preço upa upa puxadote.
- é que parece mesmo ameixas podres.
- só que malta que não sei..., isto tem um sabor que ao principio pronto é um bocadinho.. só que a partir de certa altura fica mais coiso.... kunami... daí o nome, é que sabe mesmo a kunami. Pessoas que nao tenham o gosto sofisticado é preciso aprender a gostar de kunami, mas isto sabe o povo português é um povo que não tem educação nenhuma.
-mas isto é tudo fruta podre ???
-não é não... farfalhe, kunami, funini , catuki e maracaté eu sei de fruta...

Neste momento estamos assim com o vinho, a compra pode ser em qualquer gama que o risco que corremos é o mesmo, e depois pronto upa upa puxadote. Olhe que é o mesmo, não é não... enfim.
Pois lá temos a dita Globalização, mas isso só engole quem quer, tem de se apostar na diferença e não ir tudo qual carneirada em rebanho porque este ou aquele dito Messias do Vinho que vem lá não sei de onde a dizer o que se deve fazer.
Cada vez mais tento encontrar vinhos que me digam algo de novo, sejam diferentes para melhor.
Enquanto isso vai-se falando dos vinhos da moda, quais Kunamis, de diferente só o rótulo... e os preços que custam... upa upa.
Penso que os ditos críticos deviam tomar em atenção esse factor e premiar quem se destingue dos restantes... mas alguns devem andar muito ocupados a fazer publicidade e tentar vender os farfalhe, kunami, funini, catuki e maracaté pois quem sabe de fruta são eles e têm de ajudar os donos dos pomares a vender a dita.

19 junho 2005

Os vários tipos de provador...


Numa prova de vinhos podemos encontrar vários tipos de provador, uns mais dedicados à causa e outros nem isso, passando daqueles mais simples aos mais complexos, descubra aqui quais os principais tipos de provador que lhe podem fazer companhia um dia destes...
- Gajo Fixe: Leva o assunto da prova na boa, descontraído, gosta do bom convívio e dá-se bem com todos os outros. Entende umas coisas e vai divertindo o grupo sempre que pode. Se precisarem de companhia para uma prova contém sempre com ele.
- Historiador: O chamado Hermano Saraiva do Grupo, fala mais do que prova, para ele o vinho em questão ou não é tão bom como aquele que provou quando foi de viagem a França... ou lembra sempre um tipo de vinho que bebeu muito quando andava na tropa no século passado e que até tinha algumas garrafas lá por casa, um pomadão. Tenta sempre dominar a conversa. Já se sabe, vinhos velhos é com ele.
- Aprendiz: Segue tudo com muita atenção, o que se diz, o que se faz, aponta e faz muitas perguntas, dá atenção às conversas do Historiador, do GURU, Hi Tech... Enfim, faz tudo o que pode para aprender mais qualquer coisinha.
- Hi-Tech: É um autêntico Guru do vinho dentro do grupo, ele provou as Novidades e as que ainda vão ser, não vê com boa cara o Snob, serve de modelo para o Aprendiz. Qualquer coisa perguntem que ele responde, quer dizer, vinhos velhos é com o Historiador...
- Atleta: É o campeão das provas, vai a todas, cuspir vinho não é com ele e isso é para fracos pois como diz «Eu vou aos treinos para quê ??», pede primeiro, acaba de beber primeiro e quantos mais melhor. Nunca se dá por vencido, nem mesmo quando confunde um Touriga Nacional com um Sauvignon Blanc...
- Autocolante: É aquele pessoa que sem se saber como aparece sempre... ou porque fica mal não dizer nada, ou então porque se adesiva sempre nas provas. Em muitos casos faz boa companhia ao Atleta, mas com conhecimentos ainda mais duvidosos.
- SNOB: São os mais sensíveis no mundo da prova, com o seu nariz empinado para melhor captar os aromas, estica o dedinho quando pega no copo, diz piadas que só ele entende e ai de quem diga algo que ele não ache correcto ou fora dos parâmetros do vinho em questão. Conseguem ser os mais irritantes com tanta mania e pose. Estão a aparecer em força no mundo da prova de vinhos, cuidado não apanhe nenhum ao seu lado... é um aviso.
- Pato Bravo: É o modelo anterior ao Snob, ainda em evolução, mesmo assim muito mais simpático e com menos manias. Esforçado para aprender sempre mais alguma coisa, dinheiro não é problema. Segue atentamente os conselhos do Hi-Tech no que toca a vinhos, o pior vem depois... hoje com a Açorda de Pescada pode vir Barca Velha.
- Crítico: Crítico que se preze prova sozinho, afastado de todos e no seu canto escuro rodeado pelas suas garrafas, podemos dizer que não gosta muito de partilhar, mesmo as suas opiniões são apenas suas e não gosta de muita confusão. Quando a fama lhe chega à cabeça então ninguém os atura. Quando sai com os outros colegas não prova, bebe, pois o provar só em condições muito especiais que só consegue estando sozinho. Portanto nesta ocasião aparece como Bebedor e não como Provador.
- Tapas: É aquele tipo que vai apenas pelo petisco, domina a arte do bem cortar queijo, presunto e enchidos. Conhece os melhores produtos deste e daquele recanto tal como as melhores capelas para o belo do petisco. Não se dá muito com as provas, Senhor dos Pratinhos, desde que seja bom vai marchando. Acaba sempre por levar um ou outro pitéu.
- Pessoa suspeita: Pessoa que ronda o mundo da prova sempre com as suspeitas de que tudo está mal e que o andam a enganar, profissional na arte do desconfiar fala em geral mais do que bebe, dá-se normalmente com o perfil do Historiador, do Snob e do Pato Bravo. Não o tentem encontrar numa prova, porque ele não aparece.

18 junho 2005

2º Dão e Douro, em Lisboa


Entre os dias 27 de Junho e 2 de Julho, Lisboa volta a receber as duas mais prestigiadas regiões vitivinícolas portuguesas, o Dão e o Douro.

Durante uma semana será possível conhecer melhor 36 dos melhores Vinhos e Produtores das duas Regiões numa parceria com 12 garrafeiras de referência e 12 restaurantes de prestígio.

A parceria com as
Garrafeiras, onde será possível degustar e obter descontos na compra dos vinhos do Dão e Douro, e com os Restaurantes, onde serão servidos vinhos do Dão e Douro a copo e em garrafa a preços reduzidos (na York House o vinho é de borla com a refeição), vai contribuir para que a harmonia entre o copo e o prato se torne inesquecível para os amantes do bom vinho.

Ao longo da semana 5 Chefs propõem maridagens (a procura da melhor harmonia entre a comida e o vinho) comentadas pelos próprios e pelos produtores em 5 Menus de Degustação Dão e Douro.

A semana 2º Dão e Douro, em Lisboa encerra com uma Prova reunindo todos os produtores, sábado 2 de Julho, no Hotel Pestana Palace entre as 15h00 e as 21h00. Em prova vão estar doze dúzias (uma grosa, ainda se lembra?) de vinhos: 36 da vindima de 2004, o que confere um carácter único (no panorama nacional) e irrepetível a este evento , e mais de uma centena já presentes no mercado ou a lançar em breve.


Preço: € 15.00 - inclui Livro 2º Dão e Douro, em Lisboa com informações sobre todos os Produtores e vinhos em prova. Informação sobre todos os Restaurantes participantes incluindo uma receita para Vinhos do Dão e Douro. Dados de todas as Garrafeiras aderentes.

Produtores Quinta da Pellada, Quinta dos Roques, Quinta Cabriz,Casa Santar, Ferreirinha, Vallado, Crasto, Pintas, Poeira, Niepoort, Alves Sousa ...


A acompanhar os produtores de vinho vão estar produtores de azeite, queijos, enchidos e doces regionais. Estes são os imensos sabores com que qualquer visitante da semana “Dão e Douro, em Lisboa” terá oportunidade de se deliciar…E você está convidado!

Para mais INFORMAÇÃO http://www.daoedouro.com/index.htm

17 junho 2005

PROVA Quinta Alorna Reserva Branco 2003 e Vila dos Gamas Aragonês 2003

Quinta Alorna Reserva Branco 2003

Mostrou uma côr amarelo dourado bastante brilhante no copo.
Elaborado com Arinto e Chardonnay tem 13%, estágio com battonage, nota-se bastante mais no nariz as notas da Chardonnay, com o fundo fresco e ácido da Arinto. Notas de baunilha, fruta (ananaz), mel, manteiga, um toque de flores e lima, juntamente com uma leve acidez que torna o vinho bastante agradável. Boa ligação entre as duas castas.
Na boca correspondeu ao nariz, bom fim de boca para este vinho que deu que falar no último Encontro do Vinho em Lisboa. Por 4-5 euros é uma das melhores apostas.

16,5

Vila dos Gamas Aragonês 2003

Vinho de côr granada de intensidade média, com bordo leve côr tijolo.
No nariz impacto inicial de fruta vermelha em compota, ponta de álcool, leves notas a fumo.
Na boca mostra alguma adstrigência, bom corpo, e notas de fruta. Tem um bom final de boca com uma leve acidez que lhe dá um toque fresco. Veio mesmo a calhar para uma churrascada.
14

15 junho 2005

Como provar um vinho III

Após ter concluído o ponto II imagino que já consegue encontrar alguns aromas no vinho ?? Sim ?? Ainda bem, fico satisfeito que o tenha conseguido, a partir deste momento basta começar a praticar e vai ver que com o passar do tempo vai melhorando.

Com esta nova fase vamos tentar identificar as castas pelos seus aromas característicos, usamos os chamados Descritores de Prova, que nos permitem verificar se uma casta está presente num vinho ou não. Esta parte requer alguma concentração mas com o tempo fica tudo mais fácil.

Nesta parte da prova já se podem também ter em conta os seguintes aspectos no que toca a caracterizar um vinho:

Corpo: Sensação de opulência que temos quando o vinho está na boca, um vinho diz-se Encorpado quando temos a sensação de poder mastigá-lo. Vinho águado com pouco corpo dizemos que é um vinho Magro.

Acidez: A acidez é um dos elementos que ajuda a preservar um vinho enquanto este envelhece. Um vinho de sabor vivo tem uma acidez elevada, um vinho de sabor fraco/apagado tem uma baixa acidez.

Adstringência: Quando se prova um vinho e ficamos com uma secura na boca, e parece que temos a língua em cortiça. Esta sensação é provocada pelos Taninos do vinho que se combinam com as proteínas enzimáticas da saliva e não as deixa agir, gerando a sensação de boca seca.

Taninos: Elemento essencial de um vinho tinto, são a única coisa que não se podem encontrar num vinho branco vêm das cascas e dos caroços das uvas (engaço) e os vinhos brancos são fermentados sem eles. Os níveis de Taninos nos vinhos tintos variam conforme a casta. A quantidade de taninos num vinho é indicador de maturidade, o vinho novo tem taninos mais agressivos, enquanto que o vinho envelhecido suaviza os taninos.

Fim de Boca: É o tempo que o sabor de um vinho fica no palato. A este tempo chamamos de Persistência e permite dizer se é muito ou pouco persistente.

Descritores de Prova

Vinhos jovens: Cereja, Groselha, Amoras, Morangos...

Vinhos maduros: Tabaco, Fumo, Madeira, Chocolate, Canela, Pimenta, Compota...

Castas Brancas

Chardonnay: Aroma frequentemente dominado pela baunilha da madeira nova. Frutos secos, manteiga, natas, pão torrado, melão, manga, ananás. Sabor a manteiga, natas, frutos tropicais. Acidez média.

Sauvignon Blanc: Aroma a relva acabada de cortar, espargos, xixi de gato. Sabor a espargos e aromas verdes dão elevada acidez. Os vinhos mais doces: mel, passas com bom equilíbrio de acidez.

Arinto: Aroma intenso de grande complexidade, frutado com presença de citrinos e acídulo mais pronunciado que na maioria dos restantes vinhos brancos.

Antão Vaz: Aroma aroma fino e persistente com destaque para frutos tropicais, ananás e o sabor é ligeiramente acídulo, com corpo e harmonia no final de boca.

Castas Tintas

Cabernet Sauvignon: Aroma a groselha, ameixas, pimentos. Sabor com boa estrutura de taninos, com ameixas e groselha.

Merlot: Aroma a cerejas, morangos e flores. Sabor suave, baixa acidez.

Syrah: Aroma a fruta preta, pimentas, couro, fumo, amoras. Sabor muito frutado, intenso a fumo e pimenta, taninos elevados, elevada acidez.

Aragonês/Tinta Roriz : Aroma a morangos, groselha, especiarias, baunilha, caramelos. Sabor por vezes leve com toque de baunilha e morangos, ou mais pesado e taninoso.

Trincadeira: Aroma aroma frutado com notas verdes, que também é comum no sabor com riqueza de taninos.

Periquita/Castelão/João Santarém: Aroma e sabor frutados com fruta vermelha e caça em destaque, tornando-se macios rapidamente.

Touriga Nacional: Aroma intenso de elevada complexidade Violetas, mentol, amora, cereja, ameixa, chocolate. Vinho encorpado, com taninos nobres.

13 junho 2005

Onde e como guardar as minhas garrafas ??


Quando começamos a gostar de vinho e entramos no mundo da prova, a curiosidade faz com que a compra de garrafas aumente, até que chegamos ao ponto de não saber o que fazer a tanta garrafa e o medo que este ou aquele vinho se estrague aumenta... chegou o momento de fazer uma garrafeira.

Primeiro convém indicar as condições que os nossos vinhos mais apreciam:


Temperatura: O factor mais importante, ideal entre uns 10ºC a 15ºC pois a mais temperatura o vinho entra em rápido envelhecimento, e a mais de 22ºC corre o risco de evaporação, e nesse momento é a morte do artista. Quanto mais baixa a temperatura mais lenta a evolução de um vinho, isso quer dizer se tivermos uma garrafeira que mantenha o vinho durante todo o ano com uma temperatura de 12ºC as nossas garrafas vão durar por muito mais tempo.
As oscilações não devem ser muito altas durante todo o ano, nem muito repentinas. Como deve saber no caso de colocar em prateleiras, na parte de cima ficam os tintos e na parte de baixo brancos e rosés.

Humidade: A ideal é entre os 60% a 75% o que faz com que a rolha fique sempre húmida não permitindo que o vinho se evapore. Se tiver problemas de pouca humidade coloque uma tina com areia e água, que resolve o problema, no caso de o chão ser em tijolo, basta que o regue um pouco que vai durar por muito bom tempo.
Caso a humidade seja muito alta , nesse caso o problema começa a afectar os rótulos e nesse caso convém retirar alguma com os processos já existentes.


Iluminação: O melhor é escolher um local escuro longe da luz directa, pois os UV dão literalmente cabo do vinho.

Ventilação: Para que os maus odores não se instalem na garrafeira convém manter uma pequena circulação de ar na nossa garrafeira. Manter os vinhos longe de cheiros fortes como comida, químicos, tintas...

Estabilidade: Os vinhos gostam de estar deitados sem que ninguém os incomode, até ao dia em que acordam para ser bebidos, portanto sítios calmo sem grande agitação.
Já agora os batidos de fruta sabem bem melhor...

Na sua garrafeira ou perto dela deverá ter um pequeno termómetro e um higrómetro para poder controlar temperatura e humidade.

Pois bem visto estes aspectos todos, resta começar a colocar as garrafas no seu sítio.
Mas e que garrafas é que posso colocar deitadas ou ficam todas na vertical ???
Alguns tipos de vinho e derivados são mesmo para ficar na vertical. Aguardentes, Tawny, Tokay, Sauternes, Moscatel... Os restantes tintos, brancos e rosés vai tudo ficar deitado.


Falta agora escolher um sítio da casa que consiga reunir em parte as condições mínimas ou as mais próximas... Sei que em apartamentos de Lisboa é bem difícil, mas tudo se arranja. Caso o dinheiro não seja problema sempre se pode comprar uma Cave Climatizada e os problemas ficam todos resolvidos.
Depois de escolher o sítio, falta escolher os materiais, estantes em madeira, metal , plástico, todas elas são boas escolhas desde que ofereçam comodidade e resistência para as garrafas, convém também pensar nas garrafas que ficam de pé, nas caixas que podemos vir a comprar e mesmo nos amigos que podem oferecer umas Magnum...
Um armário escondido lá por casa longe da cozinha, por baixo de umas escadas bem escondidas de tudo...
E pronto agora é colocar os seus tesouros no sítio e começar a provar e beber sozinho ou acompanhado.
Espero que tenha servido de ajuda.

12 junho 2005

Brancos do LIDL

Entrar no Lidl e passar na zona do vinho, é uma experiência que mais parece passar na montra dos horrores...
Mas nos últimos tempo tenho reparado um pouco mais em algumas marcas lá presentes, entre os quais alguns estrangeiros, se bem que a qualidade dos mesmos penso sempre que deixa muito a desejar. No outro dia ganhei coragem, verifiquei se tinha o seguro de vida em dia e comprei dois vinhos brancos naquela de ir de aventura e provar...

Austrália Peter Mertes Semillon\Chardonnay 2004 12%

Este vinho foi comprado principalmente por causa do nome Peter Mertes, que penso ser produtor de vinho, e visto já ter provado um Riesling que se pode ver na página
www.mertes.de

Falando do vinho, pela cor amarelada de leve tonalidade, destacaram-se alguns leves aromas de relva, fruta (ananás) e flores.
Na boca tem final algo curto, baixa acidez. Não gostei muito, talvez a temperatura não fosse a ideal ou dos copos, mas enfim... por 2,4o € não vamos pedir milagres 12,5



Chile Valle Central Viajero Sauvignon Blanc\Chardonnay 2004 13%

Vinho muito mais claro que o anterior, a ir para uma tonalidade metálica.
Nota-se fruta tropical, mel, reboçado, flores, aroma a xixi de gato e aromas frescos e agradáveis, nota-se bem mais a Sauvignon do que a Chardonnay.
Na boca mostrou-se algo adstrigente mas passa com o tempo no copo, digamos que SECO - TROCKEN diz tudo, mas com uma prova de boca mais que agradável e que fica algum tempo no palato, nariz que eu gosto bastante e dá vontade de cheirar e voltar a cheirar. 15 com um preço de 1,70€.

27 maio 2005

Como provar um vinho II

Neste segundo ponto vamos passar para a prova dos aromas...

Muito bem já conseguiu encontrar a cor do vinho, se é velho ou novo, ou mesmo outras características, espero que sim.

Neste momento vamos cheirar o vinho, (o termo usado é prova de nariz), é pegar no copo e enfiar o nariz lá para dentro e cheirar... tentar encontrar aromas no vinho. Sem movimentar o copo os aromas que temos de início são os primários, agora agitando o copo apanhamos os aromas secundários. Deixando o vinho repousar então no aroma conseguimos detectar os aromas terciários, ou chamado Bouquet. Nota que apenas os vinhos que tiveram estágio têm o chamado Bouquet. Vejamos o que nos pode lembrar, morangos, café, madeira, chocolate, flores entre tantos outros,mas também temos aromas menos bons que são os chamados defeitos do vinho como detergente, vinagre, enxofre, rolha, mofo... sim porque temos aromas bons e maus. Pois bem isto dos aromas é bastante engraçado pois o nosso cérebro vai registando novos aromas que encontremos, e da próxima vez que provar um vinho vai tentar encontrar esses mesmos aromas.

Então podemos dividir os aromas nas chamadas famílias aromáticas:

- Frutados: Limão, Framboesa, Morango, Groselha, Bagas, Passas, Ananás, Cereja...

- Animais: Identificam-se com a caça, pêlo de animal...

- Balsâmicos: Mentol, incenso, resinas...

- Empireumáticos: fumo, tabaco, couro, café.

- Especiarias: Pimentas, Noz moscada, Cravinho, Canela...

- Etéreos: Acetona, laca, manteiga, lácteos...

- Florais: rosa, violetas, tília...

- Vegetais: Erva, Chá, Feno...

- Químicos: Farmácia, ácidos, sulfuroso...

- Da madeira: Caixa de charutos, madeira, lápis...

Os aromas dividem-se em três tipos:

Aromas primários: são os aromas vindos da casta que lhe deu origem, muitas vezes depende do tipo de solo e clima, «terroir», geralmente não persistem no vinho devido à fermentação. Temos aromas vegetais: erva, pimento... Florais: violetas, rosas... frutados: morango, amora, maçã,ameixa... Minerais: Grafite, nafta...

Aromas secundários: são aromas que aparecem com a fermentação, procedentes da transformação dos açucares da uva em álcool, portanto estes aromas dependem muito da concentração de açúcar, constituem os aromas predominantes nos bons vinhos alguns exemplos como torradas, pastelaria, leite...

Aromas terciários: que são aromas que se desenvolvem com o estágio em madeira ou garrafa, desenvolvendo estes o chamado Bouquet. Para que um vinho tenha um bom Bouquet tem de ter um bom equilíbrio entre aromas primários e secundários, e quantos mais aromas primários mais Bouquet vamos ter. Um factor bastante importante é a madeira, o seu tipo, idade, tipo de queima, e tempo de estágio do vinho. Dentro dos vários tipos temos Frutados: frutos em compota, passas... Especiarias: canela, pimenta, baunilha... e outros como madeira, mel, café, tabaco...

Pois bem nada melhor para começar do que seguir a tabela aqui colocada, basta clicar sobre ela e tentar encontrar os ditos aromas no vinho.

Com o passar do tempo, o vinho vai abrindo, caso seja um vinho muito fechado de aromas e portanto os aromas vão alterando conforme o contacto com o ar. Por isso se decanta (verter o vinho para um decanter) por vezes os vinhos que estão muito tempo na Garrafeira.

Como provar um vinho I

Muita gente pensa, ai isso de provar um vinho é uma mariquice, eu gosto é de o beber... se faz parte desse grupo por favor não leia este texto pois pode ficar seriamente baralhado.

Para se iniciar neste mundo da prova, é muito fácil, basta comprar uma garrafa de vinho e ter em casa um conjunto de copos, não esses em que está a pensar não servem é melhor daqueles de pé alto e grandes... se quiser pode ir ao Continente e na parte dos copos encontra facilmente, normalmente os melhores e que dão para mais tipo de vinho são os de tulipa fechada, imagine uma tulipa, transforme a flor num copo e pronto são esses mesmo, e por 4 euros até compra dois.

Abre o vinho, serve para o copo, e agora ? O primeiro passo da prova é muito importante, observar o vinho, ver a sua cor, o seu brilho, a sua viscosidade... Apenas com o olhar podemos tirar muitas conclusões, até mesmo ver se o vinho é velho/novo para isso basta observar aquilo a que se chama bordo/unha/anel do copo e verificar a presença ou não da cor tijolo (apenas para os vinhos tintos) a qual indica a evolução de um vinho, se é de clima quente ou frio, pouco ou muito concentrado isso também se pode descobrir apenas com um olhar atento.

Para tal basta pegar no copo já servido e nunca cheio, até menos de metade fica muito bem... pronto, agora agite o copo e observe em contra luz a intensidade do vinho e a sua cor, para ter uma ideia mais concreta pode seguir esta tabela, com a prática vai ver que é bastante fácil...

Resolvi também colocar dois exemplos das principais tonalidades que se costumam referenciar nos vinhos tintos, a tonalidade ruby e a tonalidade granada, que por vezes podem causar algumas confusões:

No primeiro caso a tonalidade é granada e no segundo caso a tonalidade é ruby, podendo obviamente a variação ser mais clara ou mais escura, tendo em conta também a concentração do vinho.

Bem boa sorte e encontramos no ponto dois...

14 maio 2005

PROVA Rosé da Peceguina 2004 e Quinta da Alorna Rosé Touriga Nacional 2003

Esta prova foi feita no dia do grande jogo Benfica-Sporting em que o Glorioso ganhou por 1-0 com grande frango do Ricardo... Para acompanhar a refeição e porque estava em maré vermelha nada melhor que dois Rosés bem fresquinhos para provar...
Os escolhidos foram o Rosé da Peceguina 2004 e o Quinta Alorna Rosé Touriga Nacional 2003 o melhor rosé do ano passado contra o possível melhor rosé deste ano.

Quinta da Alorna Rosé Touriga Nacional 2003 com 13º este vinho já com um ano de garrafeira, aguentou muito bem mais um ano, perdeu pouco do seu fulgor e da sua potência aromática, mas mesmo assim nota-se o perfil da casta Touriga, doce com fruta vermelha, parte floral, rebuçado leve e final de boca já um pouco sumido, deu provas porque foi nomeado melhor rosé do ano passado.
15,5

Rosé da Peceguina 2004 com 13,5º aqui tudo mudou, com uma entrada à Benfica, mostrou-se qual estádio da Luz imponente e muito vermelho, com muito morango, tomate maduro, rebuçados daqueles vermelhos, mais fruta bem presente que acompanha na prova de boca em todo o seu explendôr... dignificou o golo do Luisão. Neste momento bate a concorrência aos pontos e mesmo muitos, dos Rosés de 2004 já provados e a lista vai longa este para mim é mesmo o melhor... Senhor dos Rosés.
16,5

07 maio 2005

ESPORÃO VERDELHO 2004

Este novo vinho do Esporão já tinha sido provado no Encontro do Vinho e tinha deixado uma boa recordação, felizmente deu para o encontrar e provar de novo, vejamos como se porta este Verdelho por terras do Alentejo...

Com 13,5º foi servido a uma temperatura inicial de 11 graus.

Nariz: Nariz muito fresco no aroma e agradável, com notas de rebuçado e fruta tropical ( lima, manga ) em boa dose e concentração, ligeiro toque floral com notas de relva, chá, mel fazem um vinho muito atractivo.

Boca: Fresco, leve com uma boa acidez bem integrada no conjunto, os 13,5º não se notam o que o pode transformar num vinho perigoso, mas com uma boa persistência final. Tem tudo o que um vinho precisa para ser Muito Bom.

Observações: Bela surpresa vinda do Alentejo e do Esporão, de uma casta que é mais comum ver no Dão, a mostrar que o Alentejo está pronto para muitas e boa surpresas. Talvez o Verdelho de Portugal que mais gostei até hoje. Resta dizer que comparando com a vizinha Espanha então vamos ter muito que andar para apanhar a qualidade dos Verdejo de Rueda.
Para já apreciamos este Esporão Verdelho 2004 que por 5 euros está muito bom. 17
 
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