Copo de 3: Adega de Vila Real Grande Reserva 2007

15 Dezembro 2009

Adega de Vila Real Grande Reserva 2007

Podia falar deste vinho como um Grande Reserva branco que foi produzido na Adega Cooperativa de Vila Real (Douro), mas não. É que depois de se ter caído no exagero de dizer à boca cheia que tínhamos por cá o "melhor tinto do mundo" proveniente ali dos lados de Palmela, eis que a parelha não podia ficar desfalcada e rapidamente se encontrou em mais um dos tais concursos, talvez até tenha sido no mesmo, o "melhor branco do mundo". Embora este campeão por mérito próprio não tenha sido afectado pela onda especulativa como o seu camarada tinto, a verdade é que voltou a aparecer em tudo o que é comunicação social como "o melhor branco do mundo é nosso" e vem ali da Adega Cooperativa de Vila Real.
Não querendo tirar mérito ao vinho em causa, vencedor do Concurso Mundial de Bruxelas na categoria de Best White Wine 2009. Isto vale o que vale e não deixa de ser um concurso com mais ou menos prestigio, isso agora cabe a cada um decidir, mas ao menos naquela prova foi o que se porto melhor ou foi mais ao gosto dos que o provaram.
Chega a altura de ver se o vinho em causa é mesmo o melhor branco do mundo, ou é apenas e só o vencedor da sua categoria num concurso realizado em Bruxelas.

Adega de Vila Real Grande Reserva 2007
Castas: Viosinho, Malvasia Fina e Fernão Pires - Estágio: passagem por madeira - 12,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino com toque dourado de mediana concentração.

Nariz de mediana intensidade, revelador de uma barrica com peso suficiente para tapar grande parte da exuberância da fruta. Mostra sensação de untuosidade, baunilha duracell e torrada com manteiga, o suficiente para saturar ligeiramente na prova de nariz. A fruta meio atordoada mostra-se fresquinha com toque tropical (ananás) e citrinos (limão, laranja, toranja) meio em calda, talos verdes e flores, depois vem a madeira e manda tudo recolher que já é hora.

Boca entra gordo com mediana espacialidade e frescura ligeira, quase que limonado, fruta aqui um pouco mais presente, com leve toque melado. Parece perder-se nos fundos, dando a sensação que o próprio vinho não conhece os cantos à casa, onde mostra novamente alguma fruta branca (melão). A precisar para o meu gosto, de um pouco mais de vivacidade e harmonia entre madeira/fruta/acidez.

Um vinho que mais parece um TGV anafado a passar na boca, entrada com algum peso e vagueia ao lado de uma brisa fresca mas quando o queremos apanhar, já não está lá. Peca na falta de identidade, não gostei de me sentir tapado pela madeira, nem de sentir a fruta sufocada por aquelas baunilhas teimosas. Talvez um pouco mais de vivacidade na boca, e acima de tudo um pouco mais de entusiasmo na forma como se mostra. Não desgostei, até porque é daqueles vinhos de fácil agrado pois de tanto retoque, acaba por apelar à gulodice. Está claramente fora do patamar do melhor branco do mundo, ou mesmo dos melhores brancos de Portugal. Nota curiosa para o facto de 2 semanas depois de ter aberto a garrafa, o vinho que ainda restava tinha exactamente o mesmo aroma a baunilha que quando foi aberto. 15 - 87 pts

5 comentários:

Joel Carvalho disse...

João Pedro, aconselhava-te a enviares esta prova para o Sócrates...Se este branco parece um TGV, acho que ele iria gostar :)

Pelo que vejo, então essa medalha que ostenta na garrafa, talvez nao deveria estar aí colocada. Não?

Cumps. Joel

casco no douro disse...

Faz me lembrar o vinho da Coop de Borba, o atinto e arao bás

Copo de 3 disse...

Joel , as medalhas valem o que valem, eu pessoalmente não lhes dou muito valor. O vinho é de facto apelativo, mas até que ponto é que uma madeira gulosa a tapar a fruta torna um vinho apelativo ? No meu ver foge claramente a uma identidade própria e não gostei de me sentir forrado por madeira e baunilha enquanto a fruta anda como que escondida.

Casco no Douro... é muito bem lembrado. E curiosamente o novo Bi Varietal Verdelho/Arinto 2008 de apelativo também tem muito pouco.

ajfneves disse...

Concordo plenamente consigo.
Aquando da obtenção do prémio, fiquei curioso e na expectativa de ficar surpreendido com este branco.
Quem o tem bebido cá por casa são os amigos que não gostam de tinto e as senhoras :)
Boas provas e cumprimentos
ajfneves

SUPERVINHOS disse...

E quanto custa ao público este Montrachet de Vila Real ?

 
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