Copo de 3: Cedro do Noval 2007

15 Abril 2012

Cedro do Noval 2007


Volto aos vinhos do Douro, volto aos vinhos de mesa deste mítico produtor de Vinho do Porto, a Quinta do Noval, desta vez por mais uma excelente razão, o Cedro do Noval da colheita de 2007. Este é o segundo vinho, logo abaixo do vinho com nome da Quinta, o Quinta do Noval, o Cedro é vinho que perdeu o DOC para passar a ser Regional Duriense, a razão é a  casta Syrah ter sido incluída no lote a 35% mais Touriga Nacional, Touriga Franga e Tinto Cão. Vão nadar em  carvalho francês durante 18 meses até que ficam na clausura da garrafa e pronto a ser consumido ou guardado.

A qualidade está mais que patente, janela escancarada para um Douro com toques de clássico, duro e austero mas ao mesmo tempo um Douro carismático e charmoso, mais moderno e sedutor onde a frescura lhe enche a alma. No seu bonito toque de modernidade, fruta escura muito madura, limpa e pura, cereja e groselha, carregado de especiaria e mineralidade, madeira a caminho do ponto certo (está quase) com os seus contributos de qualidade acima da média, fumado, cacau e leve tabaco. Vinho cheio, profundo, um gozo a cheirar e a rodopiar no copo, por entre o rendilhado da fina e bem composta rede de aromas, uma nota de bálsamo... ali mesmo dos Cedros da Noval. Leve-se à boca para na sua entrada com fruta cheia de força e energia, um vinho cheio, que mostra vigor e garra, ao mesmo tempo um embalo prazenteiro, leve ponta de geleia pelo meio, alguma ameixa mais tocada, um vinho que na companhia de um cabrito no forno nos delicia. Vai buscar a ligação com as ervas e as especiarias, a acidez controla a gordura do assado. Vem refinando com o tempo, todo ele muito aperaltado e envolvente, passagem de boca com harmonia, alguns taninos ainda presentes em final médio/longo, mostrando-se um excelente vinho para a qualidade e preço apresentado, relembro que o preço ronda os 15€ tornando a compra bem apetecível. Mais aberto e dialogante que o seu irmão mais velho, não deixa de ser aquilo que é... um belíssimo vinho do Douro. 93 pts

5 comentários:

Anónimo disse...

João, tenho algumas perguntas:

1) Você conseguiria eleger um favorito (ou alguns favoritos) entre: Quinta da Pellada, PaPe, DoDa, Quinta do Noval, Quinta Vale Dona Maria, CV, Niepoort Redoma (todos tintos)?


2) Você considera o Cedro do Noval um custo-beneficio melhor que o Quinta do Noval?

3) Em matéria de elegância e potencial de envelhecimento, quais os seus produtores favoritos do Dão?

4) O Viña Tondonia Reserva 2001 ainda está à venda em alguma loja de Lisboa, ou já se esgotou?

5) Tenho 2 garrafas do Chateaunef-du-pape Chateau de Beaucastel 2010...Será que terei de esperar até 2020 para abrir a primeira garrafa?

Abraço e obrigado,

Rubão

João Pedro Carvalho disse...

1) PaPe, Quinta Vale Dona Maria, Niepoort Redoma


2) Sim

3) Se tiver em conta a consistência ano após ano e a qualidade em prova, Pellada e Roques, com expoentes máximos o Carrossel e o Garrafeira dos Roques.

4) Encontra na Garrafeira Nacional, com loja online.

5) Tem aí vinho para 25-30 anos de garrafa... agora cabe decidir pelo perfil que mais lhe agradar. Se optar pela perfeita harmonia de conjunto vai ter de esperar, se procurar energia e emoções fortes nos próximos tempos.

Anónimo disse...

Obrigado, João!

1) Já ouvi dizer que os grandes produtores do Dão fazem talvez os vinhos mais tradicionais de Portugal (mais elegantes?), enquanto que os grandes do Douro fazem vinhos mais modernos e maduros. Você concorda?

2) Se compararmos um Quinta da Pellada e um Quinta Vale D. Maria de mesma safra, você acha que o D. Maria pode ser bebido mais jovem? Qual deles, enfim, você acha que deve esperar mais tempo? Vi que na Garrafeira Nacional já saiu a safra 2010 de ambos.

3) Você considera o Carrocel muito superior ao Quinta da Pellada em termos gerais (o suficiente para ser tão mais caro)?

Abraço,
Rubão

João Pedro Carvalho disse...

1) Não concordo com o termo tradicional. O perfil moderno e maduro mora tanto no Douro como no Dão...depende muito das mãos que guiam as uvas. Um Duas Quintas Reserva ou um Quinta da Gaivosa não é elegante?

2)Daria mais tempo (não muito)ao Vale D.Maria uma vez que o Pellada sai sempre mais pronto a beber com taninos mais prontos.

3)Sim

Anónimo disse...

Do mesmo produtor, o Quinta de Saes Estágio Prolongado é outro que sempre ouço falar muito bem. Posto que custa a metade do Quinta da Pellada, você considera uma compra melhor? Ou está muito abaixo em termos de qualidade?

Abraço,
Rubão

 
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