Copo de 3: Quinta do Mouro
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30 dezembro 2014

Quinta do Mouro Vinha do Malhó 2009

Se há locais predestinados à produção de vinho de alto gabarito, a zona de Estremoz (Alentejo) é um desses sítios a ver pela quantidade de projectos e respectiva qualidade dos vinhos ali produzidos. A Quinta do Mouro é sem dúvida alguma um dos melhores exemplos do que de melhor se faz no Alentejo e em Portugal. Ali quem manda é o carismático produtor Miguel Louro, podendo mesmo afirmar que os grandes vinhos que ali são produzidos são frutos da sua teimosia e genialidade. O primeiro Quinta do Mouro saiu para o mercado em 1994, em 1999 foi lançado o ensaio daquele que é o mais cobiçado vinho do produtor, o Quinta do Mouro Rótulo Dourado. A última coqueluche a sair da adega dá pelo nome de Vinha do Malhó 2009, o primeiro vinho do produtor produzido apenas de uma vinha (2ha) plantada em 2001, a do Malhó, composta por duas parcelas na encosta em frente à casa da Quinta do Mouro. Localizada em solo de xisto, muito pobre, o rendimento é baixo e durante todos estes anos tem contribuído apenas para enriquecer o lote do Quinta do Mouro.

Estamos perante mais um vinho ao melhor estilo que Miguel Louro nos tem vindo a acostumar, uma vez que contrariando toda a equipa de enologia  considerou que um dos lotes disponíveis se diferenciava com mais amargos, mais acidez, mais taninos, mais de tudo… as tais características únicas e com identidade suficiente para espelhar aquilo que Miguel Louro entende ser a Vinha do Malhó numa produção de 3.000 garrafas que só voltará a ser lançado com a colheita de 2012. Como já foi dito destaca-se pela frescura, pela solidez e profundidade que mostra mesmo sendo ainda um jovem com toda uma vida pela frente. Esse vigor sente-se no palato, dominado por taninos e fruta muito viva, segundo plano terroso e especiado num final muito longo e persistente. Elegante e provocador, uma verdadeira tentação naquele que é um dos melhores vinhos do produtor. 96 pts

Publicado em Blend All About Wine Setembro 30, 2014

10 abril 2014

Quinta do Mouro 1998

Há quem diga e com razão, que o vinho é preenchido por memórias e este é disso exemplo. Ainda hoje me recordo a primeira vez que entrei na Quinta do Mouro (Estremoz) para comprar o seu vinho, na altura estava a sair para o mercado o Quinta do Mouro 1997. Os vinhos da Quinta do Mouro são temperamentais e únicos, gostam de contrariar tudo e todos, ora se o ano dizem não ser dos melhores sai um vinho arrebatador, exemplo disso este 1998 fruto de um dos piores anos que há memória por aqueles lados. Fruto desse temperamento tão especial que mora naquela adega, a aventura começa com a colheita de 1994 embora os vinhos tenham sido feitos até 1998 em adegas "emprestadas". Terá sido este que agora falo o primeiro a nascer em casa, na adega da Quinta do Mouro, um vinho do qual o seu proprietário afirma nunca ter gostado.

Salta para o copo qual besta negra, escuro e coeso, a chamar para lhe metermos o nariz encima num início dominado por alguma azeitona preta... deixar respirar, rodopiar o copo, ir tirar as Burras que estavam a assar no forno. Quando se chega à mesa e já servidos, o vinho está diferente, está repleto de fruta rica (cereja, bagas) e sumarenta, viva, limpa, sente-se Alicante Bouschet na alma. O vinho cresce no copo, desdobra-se, cedro, balsâmico, muita pimenta, couro ligeiro, folha de tabaco, bonita complexidade e profundidade. Na boca domina por completo o palato, grande estrutura, fruta compacta, especiaria e ligeiramente terroso, tudo sem descuido em grande harmonia com a frescura a tomar conta de toda a prova. Sem rugas, mas muito nervo e integridade. Vinho de gabarito em qualquer parte do mundo. 96 pts
 
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