Copo de 3

12 fevereiro 2016

André Clouet "Grande Réserve" Grand Cru Brut NV



Os Grand Cru de Bouzy e Ambonnay são o epicentro da casta Pinot Noir na região de Champagne, entre os dois a família Clouet dispõe de cerca de 8 hectares. Os vinhos repousam nas caves da família que desde o séc. XVII se dedica à produção de Champagne. Os Champagnes de André Clouet são um mundo à parte que tem passado ao lado dos mais distraídos que quase sempre se deixam levar pelas marcas mais sonantes. Mostram-se como aquilo que são, excelentes peças de ourivesaria com um refinamento fantástico desde o entrada de gama até ao topo da escada. Capta a atenção ao primeiro contacto com uma fresca sensação de mousse de limão, ameixa branca, limpo e de tremenda elegância. Sorrimos e voltamos a rodopiar o copo, mais fruta descascada a lembrar cereja amarela, concentrado de aromas e sabores, mais frescura, mineralidade a dominar o fundo. Boca com enorme elegância e frescura, faz-se sentir a fruta de forma limpa e saborosa, muita finesse com envolvente de mousse e final com boa secura e persistência. Um vinho que se compra online num patamar que ronda os 28€ muito longe da roubalheira que se verifica em Portugal. 95 pts

11 fevereiro 2016

Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs 2013

É o mais recente lançamento do Vinha das Romãs (Monte da Ravasqueira) este 2013 que nos chega ao copo. Com as já habituais Syrah e Touriga Franca, preço a rondar os 15€, é vinho que não esconde o carácter Alentejano mas com aquele toque "especial" que caracteriza um vinho de uma só parcela. Um vinho que colheita após colheita nos convida a um festival de fruta fresca e suculenta, sempre com um toque de perfume e definição que o faz ser diferente.Boa complexidade com a barrica muito bem integrada como tem vindo a ser apanágio da casa, fruto do trabalho de precisão da dupla de enologia com Pedro Pereira Gonçalves e Vasco Rosa Santos. O vinho é todo ele harmonia, baunilha e muita fruta negra bem redonda e gulosa, regaliz, especiarias com uma energia muito positiva. Um belíssimo vinho do Alentejo, que sabe bem, que dá muito prazer ao ser bebido, corpo mediano com muita fruta a explodir de sabor, taninos a conferir algum nervo ao conjunto que se mostra muito envolvente, longo e prazenteiro.93 pts

Quinta das Bágeiras Pai Abel branco 2013


Este Pai Abel branco 2013 (Bairrada) é um branco que nasce de uma vinha com 20 anos de idade com as castas Maria Gomes e Bical. Na Quinta das Bágeiras o que interessa é a qualidade final do produto, por isso pouca produção, com a primeira passagem pela vinha a levar as uvas para os espumantes e a segunda passagem finalmente para o branco. Fermenta em barrica usada de pequena capacidade, o uso de tonel fica apenas para o Garrafeira, resultando um branco tenso e muito preciso, complexo de aromas firmes a mostrar a sua juventude e rasto mineral de fundo. Ao mesmo tempo a madeira a dar bom volume, fruta madura (maçã verde e citrinos) com tisanas, boca ampla com muita frescura, profundo e cheio de nervo com grande persistência num vinho com preço a rondar os 23€ que vai durar largos anos em garrafa. 95 pts

04 fevereiro 2016

José Maria da Fonseca Trilogia

A José Maria da Fonseca é o mais antigo produtor de Moscatel em Portugal sendo os vinhos desta casta um dos seus patrimónios mais raros e preciosos que remonta a 1834. Para celebrar a entrada neste século foi criado um vinho único e muito especial, o Trilogia, resultante de três das melhores colheitas do século XX, 1900, 1934 e 1965. Os vinhos que dele fazem parte envelheceram em pipas usadas de carvalho até à data de engarrafamento, foram cerca de 14.000 garrafas que se colocaram no mercado em Outubro de 1999. O preço tem vindo a subir , na loja online do produtor vende-se a 138€ uma vez que a quantidade disponível cada vez é mais reduzida. E o que podemos esperar de um vinho como este quando nos cai no copo ? Denso, untuoso, carregado de caramelo e notas de passas de fruta, melaço, frutos secos e a meio termo o toque de vinagrinho para espevitar o nariz, muita harmonia entre acidez/doçura que convidam a sempre mais um trago. A complexidade deste vinho é tremenda sendo capaz de um copo perfumar toda a sala de jantar, muito tabaco, terciários de luxo tal como a prova de boca com uma entrada cheia de força, untuosidade e quase que se mastiga num final interminável. É um vinho que nos faz esquecer do tempo e são poucos os que o conseguem fazer. 99 pts

Antonio J. da Silva Porto 1880

Se há vinhos que nos marcam pelo momento e pela qualidade que apresentam, este é sem dúvida alguma um desses vinhos. A sigla que ostenta em relevo indica AJS, invocando o nome do ilustre comerciante António José da Silva que em 1894 comprou a Quinta do Noval e foi o responsável pela replantação dos cento e quarenta hectares de vinha. Um vinho pré-filoxérico que nos bastidores é dito como produzido e engarrafado na própria Quinta do Noval. Impacto logo ao primeiro contacto, uma frescura de aromas de um perfil onde tudo aparece limpo, delicado e  muito preciso com um ligeiro toque inicial a fazer lembrar um Madeira muito velho. Serena com o tempo, inunda a sala com o fantástico bouquet que emana e parece perfeito e sem falhas. Sensual, extrema elegância, com ligeira nota de untuosidade a invocar frutos secos, folha de tabaco, passa de fruta (alperce, ameixa), especiaria, tudo num turbilhão de emoções. Neste momento toda a mesa está em reboliço com o vinho que lhes caiu no copo, na boca um fantástico equilíbrio e presença com toques de madeira velha, vinagrinho, passa de fruta, final longo num vinho inesquecível. 100 pts

03 fevereiro 2016

Pêra Manca branco 2012

Foi durante largos anos, década de 90, uma presença na minha mesa e na minha garrafeira. Era um vinho que na altura se demarcava claramente da restante concorrência, facto que o elevou a um estatuto superior num ápice. Um vinho que apenas estagiava no frio inox com base na dupla Antão Vaz/Arinto e cuja evolução em garrafa era sempre uma agradável surpresa, mesmo para os mais cépticos. Depois vieram as mudanças, a enologia e a história já sabem. Este pouco ou mesmo nada tem a ver com o do passado, apenas mantém a dupla de castas pois de resto começou a passar por barrica. Quer-me parecer que ganhou nova alma, um perfil moderno e terrivelmente apelativo, fácil de se gostar e de se ficar com vontade de o repetir uma e outra vez, tal como me aconteceu com as primeiras colheitas. Este  Pêra Manca branco 2012 mostra uma muito boa exuberância com um certo arredondamento, muito elegante com fruta (citrinos, fruta de caroço) limpa e madura, especiaria, bonita evolução no copo. Harmonioso e envolvente, sério e a encher a boca de sabor e classe, frescura tem a suficiente que abraça todo o conjunto de forma equilibrada de maneira a que não temos por ali pontas soltas. O trabalho de madeira está nesta altura completamente integrado, um novo perfil que me agradou neste belíssimo branco da Adega da Cartuxa, cujo preço ronda os 22€. 94 pts

02 fevereiro 2016

Quinta de Soalheiro Alvarinho Reserva 2013


É um dos melhores vinhos brancos criados em Portugal. Não vale a pena rebuscar muito no pensamento quando estamos perante uma peça de alta relojoaria que nos mostra toda a sua engrenagem de forma limpa e sem nada esconder. Nele tudo funciona com o equilíbrio e harmonia necessária para que o conjunto marque a prova de forma precisa e inesquecível, delicado e ao mesmo tempo profundo, muito fresco com perfume floral e muitos citrinos. Este Quinta de Soalheiro Reserva é altivo, elegante, muito sério, a madeira confere-lhe a serenidade e clarividência, muito bem trabalhada com ligeiro fumado de fundo. Na prova de boca é a frescura aliada à fruta, amplo e conquistador até do mais céptico enófilo. Enorme finesse no trato, com nervo, mas muito envolvente e feito a pensar na mesa onde mostra a sua verdadeira razão de ser, acompanhe-o com uma garoupa no forno ou com uns camarões tigre grelhados na chapa com molho de manteiga. Dos 23€ que custa, vale cada euro se tivermos em conta o que nos dá agora e tudo aquilo que vai ganhar com tempo em garrafa. 96 pts

Rosé Vulcânico 2014


Proveniente dos Açores, este vinho criado pela Azores Wine Company cujos vinhos se dividem pelos Rare Grapes Collection e os Volcanic Series de onde nos sai este Rosé. Comum a todos eles a frescura proveniente da brisa marítima com uma inevitável e porque não o dizer, acidez que se faz sentido algo acentuada quem sabe fruto dos solos de origem vulcânica. Melhor exemplo do que acabo de escrever é este Rosé Vulcânico 2014, parco na tonalidade e ligeiro na graduação, mostra aromas de fruta vermelha bem limpa com boa presença e de fundo algumas notas de mar com a inevitável nota de iodo e salinidade presente. É este factor que pode causar admiração e mesmo ditar o afastamento de alguns apreciadores, o toque salino que se faz sentir no palato. De resto mostra-se com a intensidade suficiente para fazer um brilharete com comida de inspiração oriental, o preço por garrafa ronda os 12€. 89 pts

01 fevereiro 2016

Quinta do Vale da Raposa Sousão 2010

O produtor Alves de Sousa (Douro) dispensa grandes apresentações no meio enófilo, o seu icónico Quinta da Gaivosa faz parte da história dos grandes vinhos do Douro e de Portugal. Sempre muito terrenos e sem entrar em grandes devaneios enológicos os vinhos de Domingos Alves de Sousa têm mantido um perfil muito fiel às origens, autênticas peças de ourivesaria afinadas ao mínimo detalhe. Do Vale da Raposa têm saído os seus varietais, quem não se recorda do fantástico Touriga Nacional ou mesmo do Tinto Cão na década de 90. Este que aqui coloco é dos mais recentes, um Sousão de 2010 que mostrou uma bonita elegância tanto de nariz como de boca, fresco, algo terroso e agreste mas já muito domado pelo tempo que leva em garrafa e a transmitir aquilo que mais importa num vinho, prazer. Da fruta madura ao cacau, passando pela especiaria e pelo toque terroso, todo ele com boa complexidade, concentrado e a dar uma prova de boca cheia de sabor e frescura. Teve a acidez e a garra suficiente para não destoar na companhia de um Leitão Assado de Negrais. 91 pts

 
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