Copo de 3

21 Novembro 2014

Quinta dos Poços Reserva 2012


Novo Quinta dos Poços Reserva agora 2012, 12 meses em madeira com lote composto por Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca. Preço a rondar os 8€ num vinho proveniente do Douro, a mostrar-se bastante novo, com uma boa dose de auteridade que se destaca durante a prova. Nariz marcado pela fruta do bosque bem madura, recordações de esteva, café torrado, um vinho de bom recorte com frescura assente em estrutura média a pedir pratos de algum tempero. Pouco ou nada opulento, nada extraído, muito nervo com taninos a dar secura no final de boca com final persistente. Boa companhia para uma tradicional feijoada, uns pontos abaixo de colheitas anteriores. 89 pts

18 Novembro 2014

Quinta do Javali SC 2012



Este vinho nasceu de um desafio lançado ao produtor por um amigo e ao mesmo tempo responsável pela sua distribuição em Portugal. O desafio foi aceite e o resultado é um vinho que nos dá uma prova de grande categoria, à semelhança de outros de perfil similar que encontramos em regiões lá fora. Não tão selvagem como o Javali Vinhas Velhas aqui tudo está mais macio e delicado sem que por um momento deixe de lado a energia característica dos Javali, conquista pela finesse que já mostra começar a ter, boa complexidade e harmonia entre poder/fruta/acidez que nos mostra ao longo de toda a prova. O que mais chama a atenção é o delicado e bonito perfume floral ao lado de groselhas e framboesas muito frescas e limpas, muito boa a definição de todos os aromas em versão mostruário. A barrica por onde passou arredonda os cantos com toque fumado e baunilha. Na boca mostra energia que domina todo o conjunto, grande harmonia com enorme presença no palato, denso com final muito longo. Um vinho de puro deleite para beber agora ou nos próximos 20 anos, o único senão o preço a debitar nos cerca de 250€ o que não impede de estar quase esgotado. 96 pts

17 Novembro 2014

Alvear Pedro Ximenez de Añada 2011

O que acontece quando acabamos de beber um vinho com 100 pontos atribuídos por um reputado crítico internacional ? Não acontece nada, por vezes ficamos com a sensação do "só isto?" e parece que no copo falta sempre algo mais, neste caso não lhe vi nada que justificasse tamanha proeza aclamada como a dita perfeição. Independentemente dos pontos que tenha tido aqui ou ali o vinho em causa sempre foi excelente mesmo naquelas colheitas menos pontuadas. Umas mais equilibradas que outras mas sempre com aquela dose massiva de açúcar que sempre se torna dona e senhora de toda a prova. Neste caso o factor "vinho 100 pontos" viu o preço aumentar dos normais 10€ para cerca dos 25€. É vinho para quem gosta de emoções fortes, para quem gosta de apanhar o boi pelos cornos, é um colosso de tal maneira violento e com uma densidade no palato que varre no imediato a quase totalidade dos vinhos fortificados que surjam ao lado dele. Como se não bastasse ainda nos invoca toda uma complexidade que desenvolve no copo, envolta em grande frescura. Destaque para a frescura que o embrulha e dá longa vida a toda a fruta em passa (ameixa, figo), mel, tâmara, rosmaninho, laranja amarga, avelã... o resultado é uma noite inteira de roda do copo. 96 pts

07 Novembro 2014

Dona Maria Rosé 2013


A cada ano que passa este Dona Maria Rosé mostra-se mais afinado e sério, com uma invejável capacidade de proporcionar prazer. Sem cansar está marcado pela delicadeza dos aromas frutados e florais com uma frescura que o envolve, o vinho sabe bem, apetece beber um e outro copo, os seus 12,5% ajudam à festa. Tem a estrutura suficientemente para lhe proporcionar uma satisfatória evolução na garrafa, embora nesta fase seja uma verdadeira tentação com a fruta suculenta a dançar no palato, preço a rondar os 8,5€. Um dos vinhos que faço questão de ter aqui por casa, neste caso companheiro à altura de uma caldeirada de lulas. 93pts 

29 Outubro 2014

Château de Fesles - Bonnezeaux 2003

Os vinhos do Loire (França) fazem parte do lote dos meus favoritos, gosto da variedade de estilos que encontramos nas castas Melon de Bourgogne, Chenin Blanc, Sauvignon Blanc ou Cabernet Franc, da belíssima capacidade de envelhecimento que grande parte dos vinhos tem e pela identidade muito própria do local que alguns produtores conseguem sabiamente transmitir através dos seus vinhos.

Em Anjou-Saumur reside a melhor expressão da uva Chenin Blanc, a pequena Coteaux du Layon alberga duas fantásticas AOC, Quarts de Chaume e Bonnezeaux, exclusivas para vinhos doces de topo. Em destaque o Chateau de Fesles 2003, um belíssimo vinho onde surge a botrytis acompanhada de um fantástico equilíbrio entre a riqueza da fruta e a acidez. O vinho conquista no imediato, envolvente e sedutor, untuoso e delicado com notas de pêssego e laranja, noz moscada, baunilha, fundo a desvendar a botrytis de forma subtil e muito elegante a mistura entre sensação de cremosidade com toda a frescura de uma fruta muito limpa e rodeada de aromas muito bem detalhados. Não compromete em momento algum, untuoso no palato, forra tudo com saborosas notas de fruta, especiarias, calda de fruta bem fresca, aveludado mas profundo e delicioso... uma tentação pois quando o copo esgota procuramos por mais uma gota na garrafa. 94 pts

28 Outubro 2014

Porto Ferreira Dona Antónia Reserva

O relançamento da marca de Vinho do Porto bem conhecida da mesa dos Portugueses fica marcado por uma renovação de imagem de toda a gama e pelo lançamento de Dona Antónia Reserva Branco. Este Vinho do Porto Branco vem assim juntar-se ao já existente Reserva Tawny em mais uma homenagem à Ferreirinha, uma mulher carismática, visionária e verdadeiramente apaixonada pelo Douro, considerada hoje uma personalidade incontornável daquela região.

Os dois vinhos são fáceis de gostar, mostram um perfil cativante e prazenteiro capaz de proporcionar bons momentos a todos aqueles que por cerca de 10€ os levarem para casa. Enquanto que o Reserva Tawny é um velho conhecido, aquele vinho que tantas vezes surge à mesa naquela momento festivo como por exemplo no Natal. Mostra-se agora melhor que nunca, adaptado aos tempos modernos, mais atrevido e roliço, ganhando algum peso na fruta (ameixa, alperce) e frutos secos, boa compota, bouquet tentador com notas de boa evolução, fruta passa. Boca com passagem rica e saborosa, muita presença da fruta, em harmonia entre frescura e doçura. Perfeito a acompanhar um Bolo Inglês ou Bolo Rei.

É uma nova aposta e ao mesmo tempo um retomar uma velha tradição da casa, o vinho é todo um novo desafio e ao mesmo tempo uma deliciosa experiência que abre novos caminhos no que toca a acompanhamentos com a gastronomia mais festiva. A começar pela panóplia de aromas que nos surgem e aguçam o apetite, muito floral com madeiras, laranja, tudo com boa intensidade envolto num aroma guloso e envolvente. O fundo é especiado, um toque de caril, fruto seco, pêssego em calda com um grande equilibrio na boca, fresco e boa dose de doçura com fruto seco melado num final muito longo. Servido fresco com umas filhoses enroladas com mel.

26 Outubro 2014

Astrales 2004

O vinho que se segue foi comprado em leilão por uma ninharia e é na verdade um dos grandes vinhos com assinatura de Eduardo García, enólogo e filho do reputado enólogo Mariano García. As coisas ficam um pouco mais esclarecidas quando se colocam na mesa nomes pelos quais Eduardo García é responsável, como os San Román (Toro), Mauro (Castilla y León), Paixar (Bierzo) e claro está este Astrales na Ribera del Duero. O ano 2004 foi excelente, dos melhores que há memória na região nos últimos tempos, somando a tudo isto junta-se a mestria de quem sabe trabalhar os vinhos como poucos, o resultado só pode ser aquele que é provavelmente o melhor Astrales feito até hoje.

O vinho é 100% Tinto Fino de parcelas muito velhas com algumas a rondar os 80 anos de idade, estágio de 18 meses de barrica numa produção total de 39.000 garrafas. A marca de quem os faz sente-se desde o primeiro sorvo, destaca-se a harmonia entre força e elegância, o trabalho sempre muito refinado das madeiras que dão lugar a fruta de enorme qualidade/definição. Os morangos, amoras e cerejas bem envoltos em licor, notas de balsâmico, tabaco,  tosta muito suave, denso e profundo, grande e requintada complexidade. Na boca continua a festa, potência e frescura lado a lado, ainda com um ligeiro toque agreste em fundo. Muito longo, muito presente, muito prazer com harmonia e suavidade com a fruta sumarenta a marcar toda a passagem pelo palato, final fresco e prolongado. 93Pts

24 Outubro 2014

Alambre 20 Anos

Portugal é o único país do Mundo capaz de colocar à mesma mesa três generosos tão distintos e ao mesmo tempo de classe Mundial, provenientes de três regiões fantásticas e únicas. Estes vinhos são o Vinho do Porto, Vinho da Madeira e obviamente o Moscatel de Setúbal.

O Moscatel de Setúbal é um vinho generoso com Denominação de Origem Protegida (DOP) reconhecida desde 1907. No entanto, na José Maria da Fonseca a produção destes vinhos remonta a 1834 o que possibilita ter um património inédito de vinho moscatel em stock.O Alambre 20 Anos é elaborado a partir da casta Moscatel plantada em solos argilo-calcários, que da produção anual vê uma parte ser destinada ao envelhecimento mais prolongado em cascos de madeira usada na mítica Adega dos Teares Velhos (Vila Nogueira de Azeitão). O vinho em causa é uma referência obrigatória e um dos meus favoritos, tendo lugar indiscutível entre os melhores vinhos doces de Portugal, com um preço que a rondar os 24€ lhe dá uma invejável relação preço/satisfação. Fruto de um conjunto de grandes envelhecidos e lotados com mestria, resulta um blend de 19 colheitas em que a mais nova tem pelo menos 20 anos e a mais antiga perto de 80 anos.

Muito complexo e intenso. Elegante, com notas de frutos secos e fruta passa, laranja cristalizada, mel, ligeiro vinagrinho, envolto em frescura e harmonia. Boca com grande presença, gordo mas com bastante frescura, macio com travo melado e de fruta, num final maravilhoso. É o par perfeito para acompanhar o final da noite com um bom chocolate negro com laranja ou simplesmente para abrilhantar um jantar de amigos em grande classe. 96 pts

Publicado em Junho 19, 2014 Blend All About Wine

Herdade do Rocim 2011

Está já à disposição a mais recente colheita do Herdade do Rocim (Vidigueira), produzido a partir das castas Aragonez, Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Syrah. Um vinho cujo preço a rondar os 8€ se tem sabido manter num interessante patamar de qualidade, bastante afinado e envolvente. Notei neste 2011 um ligeiro afinar o que lhe retirou alguma concentração/estrutura ao conjunto, não deixando mesmo assim de mostrar muito boa fruta madura, envolta em boa frescura, cacau, especiaria, tudo muito aprumado. Na boca tem entrada suave com fruta bem presente a massajar o palato, cantos arredondados em estrutura média e final especiado. O resultado final é bastante positivo, muito virado para a mesa na vertente mais regional. 90 pts

20 Outubro 2014

Niepoort Dão Rótulo 2012

Este vinho é o primeiro resultado da mais recente aposta de Dirk Niepoort na região do Dão, onde em 2013 comprou a Quinta da Lomba. Apresenta-se como entrada de gama, muito ao estilo do Diálogo (Douro) de fácil abordagem e centrado na frescura da fruta, a servir de entrada no mundo do vinho Niepoort, acima deste ainda vai surgir o Conciso (Dão). Este Rótulo passou 22 meses em depósito de cimento até serem engarrafas cerca de 33.000 garrafas e foi colocado muito recentemente no mercado com um preço de 6,53€ na garrafeira Estado d´Alma (Lisboa). O vinho está agradável, fresco, com muita fruta gorda amontoada, moderno e actual, com tudo muito bem arrumado, harmonia de conjunto, na boca tem boa presença com estrutura mediana, boa frescura... pouco mais a acrescentar ou dizer. Mostra-se bom companheiro da gastronomia regional podendo ser consumido no imediato  88 pts

10 Outubro 2014

Vale da Mata branco 2013


Assistimos nos dias que correm a mais um momento marcante no percurso dos vinhos  brancos "made in Portugal" com o surgimento de mais uma nova vaga de grande qualidade que se tem vindo a instalar e afirmar, nas mesas dos mais atentos consumidores. Se aliarmos a tudo isto o facto de Portugal ser sistematicamente reconhecido pela altíssima qualidade do peixe da sua costa, também a cada ano que passa vê aumentar a qualidade dos seus vinhos brancos, sendo que o culminar desta natural evolução será com a afirmação/promoção lado a lado do peixe com os brancos da nossa costa. Um desses exemplares que me encheu as medidas é este Vale da Mata branco 2013 produzido pela Herdade do Rocim (Alentejo), nascido e criado na região de Lisboa nas encostas da Serra de Aire, mais precisamente nas Cortes.

Um branco elaborado a partir das castas Arinto, Vital e Viosinho que tiveram passagem durante cinco meses por barrica mais três meses em garrafa. Revelou-se desde o início uma alegre surpresa pela frescura e harmonia do conjunto, cheiroso e airoso, um daqueles casos que apetece ir rodopiando e cheirando. Muita nota de citrinos com tisana, a barrica aconchega o conjunto de boa complexidade, muita frescura, flores com toque mineral em fundo.Boca muito bem estruturada, envolve bem o palato com o sabor da fruta (citrinos, pêra), untuosidade ligeira conferida pela madeira mas sempre muito fresco com travo citrino e a rasgar no final da boca a mineralidade, num conjunto a prometer boa evolução. Se somar a tudo isto o preço que ronda os 8,50€ estamos perante uma proposta muito tentadora para beber ou guardar. 92 pts

30 Setembro 2014

Grão Vasco 2013

É bem recente a renovação da cara daquele que é um dos mais reconhecidos rótulos do vinho do Dão, o Grão Vasco. A origem da marca remonta ao final dos anos 50, com a compra da Vinícola do Super-Dão Ltd., e que homenageia o pseudónimo adoptado cinco séculos antes pelo famoso português Vasco Fernandes (1480-1543). O retrato de "S. Pedro", considerado a sua obra-prima, faz até hoje parte da imagem de marca, ainda que neste novo reformular da marca tenha sido deixado para segundo plano apenas de soslaio na cápsula da garrafa. Quanto aos vinhos são de fácil abordagem, vinhos feitos a pensar no consumo diário, muito directos e francos, feitos com o objectivo de agradar ao mais alargado número de consumidores e nestes casos apenas a dizer que cumpre com os requisitos. O Grão Vasco branco 2013 elaborado a partir das castas Encruzado, Malvasia, Bical e Sercial é fresco e apelativo, muito centrado na fruta em modo salada, boca em sintonia 86ptsO Grão Vasco tinto 2010 é muito harmonioso, frescura ligeira com a fruta também aqui a comandar, corpo mediano idêntico ao final de boca.. 86pts

20 Setembro 2014

Pala da Lebre branco 2013


E assim do nada eis que alguns produtores decidiram, e ainda bem que o fizeram, apostar em rótulos mais arrojados, alguns deles cheios de bonecada. Uns mais atrevidos que outros esta nova vaga parece que veio para ficar, de certo modo dá a sensação que se perdeu a "vergonha" e se decidiu arriscar, será pois esta uma normal e necessária adaptação aos tempos modernos, a busca do respectivo nicho de consumidores que será certamente o caminho mais certeiro a percorrer. Neste reboliço chega do Douro o Pala da Lebre branco de 2013, um vinho com imagem renovada, rótulo divertido e diferente do direi tradicional ou até mais formal. O vinho, cujo preço fica abaixo dos 6€, corresponde de uma forma graciosa, a mostrar frescura, certinho e direitinho, com aromas convidativos e perfumados num conjunto bastante agradável. Sem desmesurada complexidade é um vinho à imagem do seu rótulo, divertido. 89 pts

16 Setembro 2014

Marquês de Borba branco 2013

Depois de uma breve pausa retoma-se o leme e enfrentam-se as ondas de um tempo mais atribulado que nunca, matreiro para quem por esta altura desespera por poder sair para o campo e vindimar o fruto de 2014. Enquanto isto abro um Marquês de Borba branco 2013, vinho correcto e simpático, menos nervoso e muito mais afinado se o comparar com as primeiras colheitas. Na altura não havia o Loios nem o Vila Santa formato branco, havia um saudoso Antão Vaz e o branco mais sonante e que metia respeito era o tal Marquês de Borba. 

Esse estatuto continua no dia de hoje, a solidez da marca resiste às ligeiras e naturais flutuações das colheitas, o preço sem grande oscilação a rondar os 5€ com uns 12,5%Vol. torna o Marquês de Borba um daqueles que não falha e cumpre todos os requisitos que leva os consumidores a apostarem nele. Do lote de Arinto, Antão Vaz e Viognier, assenta num aroma frutado (tropical e citrino) com leve floral envolto em boa frescura que o acompanha por todo o palato, marcado pela boa e sumarenta presença da fruta, delicado e muito equilibrado com boa secura no final de boca. 89 pts
 
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