Copo de 3

14 janeiro 2017

Blandy’s Terrantez 1976



De volta uma vez mais ao fantástico mundo dos Madeira, das provas que tenho feito escolhi desta vez o Terrantez de 1976. Um vinho a mostrar-se dono e senhor de uma bonita complexidade, perfumado, delicado e muito elegante. Muita nota de fruto seco  em conjunto com raspas de laranja, tâmaras, tabaco, caramelo, nozes, tudo embrulhado numa grandiosa acidez. Na boca é um vinho muito bem-educado, ligeira untuosidade para depois ser arrebatador pela frescura que invade todo o palato, renova as sensações do nariz, tem aquele toque agridoce que vai lavrando a língua até final em perfeita harmonia com a fruta e a acidez. O preço em garrafeira ronda os 250€. 95 pts

13 janeiro 2017

QM Vinhas Velhas Alvarinho 2015

Vem das Quintas de Melgaço (Região Vinhos Verdes) este belíssimo exemplar da casta Alvarinho, nascido das parcelas mais antigas e que apenas passou por inox com estágio de 6 meses em garrafa. Com preço a rondar os 15€ é um branco de grande classe, muito bem apresentado num rótulo requintado e elegante. Aromas bem definidos, com a casta Alvarinho no seu melhor plano, perfumado pelas frutas de pomar e algum limão, rigor e precisão num fundo com notas a invocar pederneira. No palato é marcado pela acidez citrina, muito sabor e rasgo seco e mineral em fundo, amplo e prolongado. É daqueles vinhos a ter por perto e debaixo de olho colheita após colheita. 92 pts

10 janeiro 2017

Meruge, o charme da Lavradores de Feitoria

As mais recentes colheitas do vinho Meruge, branco e tinto, foram recentemente apresentadas na Taberna da Rua das Flores. Esta marca criado pela Lavradores de Feitoria (Douro), teve direito a uma vertical de cinco tintos e cinco brancos, com a respectiva palestra dada pelo enólogo responsável, Paulo Ruão. ‘Meruge’ é um peculiar e “sonante” nome na história da Lavradores de Feitoria, começou por ser o nome de uma das 19 quintas que compõem o portefólio da empresa – Quinta da Meruge, situada no concelho de São João da Pesqueira e que assim se chama porque ali habitam, entre vinhas, muitas ervas silvestres com esta designação (aka morugem) –, mas rapidamente passou da vinha ao vinho! Em 2001 a Lavradores de Feitoria lançava os seus primeiros “vinhos de quinta” e, um deles, era precisamente o ‘Quinta da Meruge’, um tinto de 1999, que se repetiu nas colheitas de 2000 e 2001. Estávamos em 2005 quando a Lavradores de Feitoria lançou o seu primeiro “vinho de terroir”, um tinto da colheita 2003 a envergar precisamente o nome ‘Meruge’. Mais tarde, na vindima de 2009 nascia o ‘Meruge branco’.
             

Sendo o ‘Meruge branco’ um Douro feito com Viosinho em estreme pode, a certo ponto, assumir-se que a sua história – ou gestação – remonta à vindima de 2007. Neste ano, a equipa técnica da Lavradores de Feitoria identificava um Viosinho de excelência, nascido de vinhedo com mais de 45 anos e que permitia a sua vinificação a solo. Considerada uma das melhores castas autóctones do Douro e Trás-os-Montes deu origem ao ‘Três Bagos Viosinho’, nas colheitas de 2007 e 2008. Um néctar que em 2009 evoluiu – e assim se manteve – para um caminho diferente: ao estagiar em madeira “deu salto” para a gama ‘Meruge’. Um chamado “branco de Inverno” que tem a particularidade de fermentar e estagiar seis meses em barricas de carvalho português, de Palaçoulo, novas e em cru – sem “queima/tosta” –, o que lhe imprime um carácter muito próprio. O desfile começou nos brancos e com cinco referências, desde 2010 ao novíssimo 2015 que será colocado no mercado no início do ano que se aproxima. Notável a frescura e limpeza de aromas que todos mostraram, num fio condutor comum a todos eles, permitindo entender como aromas e sabores iam evoluindo na passada do tempo.

Meruge branco 2015: Desde o mais novo ao mais velho, a barrica onde estagiaram nunca lhes chega a marcar a alma e o corpo, nota-se ligeiramente mas sem os tradicionais fumados, mesmo no exemplar mais recente. É comum a todos eles uma bonita e perfumada complexidade, enorme elegância com muitos aromas de cariz citrino, floral acompanhado de folha verde, ligeiro toque de madeira quase que acetinado no fundo. Na boca faz-se notar uma muito boa frescura que sempre presente, alarga para sabores de fruta bem fresca e ácida, boa estrutura com suporte na acidez e num fundo de sensação mineral. A guardar algumas se entretanto conseguir resistir aos seus encantos.


No que aos tintos diz respeito, a Quinta da Meruge apresenta características muito especiais, principalmente na casta Tinta Roriz, plantada uma vinha de encosta virada a Norte. Um desafio para a equipa de enologia da Lavradores de Feitoria, que na vindima de 2003 encetou uma forma de vinificar distinta, a fim de dar origem a um tinto – de seu nome ‘Meruge’ – com características do Douro, embora mais suave e elegante. O lote – de Tinta Roriz (80%) e Vinhas Velhas (20%), com predominância de Touriga Franca e Touriga Nacional – estagia em barricas novas de carvalho francês.

Meruge tinto 2014: é aquilo a que se pode chamar, vinho de charme, com a Tinta Roriz a brilhar bem alto dando origem neste caso a um vinho de perfil mais Borgonhês. Um belíssimo vinho que como ficou provado, desenvolve uma fina complexidade na passada larga do tempo, não seja de estranhar a maneira como se mostra na fase mais jovem com ligeiro aroma terroso, mato rasteiro, cogumelos e especiaria, dando lugar a uma fruta bem ácida e marcante com chocolate e especiaria. Com muito boa presença na boca deixado pela fruta (cereja ácida) suportada por uma estrutura firme, com frescura, passagem saborosa e marcante. Uma belíssima aposta que irá ganhar com alguns anos de cave.

Verdelho o Original branco 2015


Felizes os vinhos que nos conseguem baralhar as "contas" numa prova cega e literalmente nos metem a pensar. Sempre gostei de vinhos assim, fora do trivial, fora do conjunto tradicional de aromas e sabores tão em moda e que correm regiões inteiras de fio a pavio. Este é criado no meio de um oceano pela Azores Wine Company, um vinho com toque de maresia, aromas limpos e muito frescos numa mistura de citrinos e ligeira fruta tropical com algum vegetal fresco. Elegância, algo comedido na maneira como se expressa, junta depois o lado mais marítimo em pano de fundo. A acidez qual gume de faca bem afiada é aqui dominante e qual onda, refresca o palato a cada trago. A produção é reduzida e o preço ronda os 20€ por garrafa, a guardar ou a abrir desde já a acompanhar "bichos" do mar. 92 pts

06 janeiro 2017

Os Muros de Anselmo Mendes


Anselmo Mendes é nome maior da enologia Portuguesa, nasceu e cresceu em Monção e foi aí que desde criança se familiarizou com a cultura da vinha e a produção do vinho. Um verdadeiro mestre da enologia que trata a casta Alvarinho com uma precisão e rigor, como poucos o sabem fazer no mundo. Fruto do seu trabalho a partir de três castas e em três das zonas da Região Demarcada dos Vinhos Verdes: Alvarinho no Vale do Minho, Loureiro no Vale do Lima e Avesso no Vale do Douro, nascem os seus vinhos. Um artigo dividido em duas partes, numa primeira parte dedicada aos cinco exemplares designados como Muros, desde o Escolha, passando pelos varietais até ao topo Muros de Melgaço. São cinco os Muros, todos distintos mas com identidade muito própria, a transmitirem aquilo que de melhor as castas e os locais de origem têm para nos dar.


Muros Antigos Escolha 2015: Nasce da selecção das castas Alvarinho, Loureiro e Avesso. Aroma muito coeso e limpo, de fino recorte cheio de fruta (tropical, citrinos, pomar) com bela frescura. Na boca mostra-se cheio de sabor, leveza com acidez vincada a prolongar um final com ligeira secura. Fantástica relação preço/satisfação a rondar os 5€ 90 pts


Muros Antigos Avesso 2015: Proveniente de uvas criadas no Vale do Douro, em Baião, com vinhas em altitude acima dos 500 metros. Muito preciso de aroma, fresco e mineral com a fruta (citrinos maduros) presente sem grande exaltação. Boca a mostrar um conjunto com muita energia, fruta bem presente com final onde se sente um ligeiro travo mineral. Preço na casa dos 7€. 90 pts

Muros Antigos Loureiro 2015 : Uvas da casta Loureiro criadas no Vale do Rio Lima. Muito bem no aroma a invocar a casta, perfumado (floral) com toque de folha verde de louro, citrinos, todo ele muito preciso, fresco e elegante. Replica no palato, apoiado numa bela acidez, acutilante e expressivo num misto de energia e finesse. 90 pts


Muros Antigos Alvarinho 2015: A casta Alvarinho de vinhas junto ao rio, em solos com elevado teor de pedra rolada. Muito limpo de aromas, mostra-se bem fresco com notas de fruta bem madura (tropical ligeiro, tangerina), flor de laranjeira, com um ligeiro toque a noz que lhe confere a sensação de ter alguma untuosidade. Na boca mostra-se com bom corpo, bem estruturado e a mostrar-se bem comunicativo, comandado pela fruta cheia de frescura e sabor. Preço a rondar os 9€ neste belo exemplar de Alvarinho. 92 pts


Muros de Melgaço 2014: Uvas da casta Alvarinho, exclusivamente produzidas em Melgaço. Fermenta e estagia em barricas de carvalho francês durante 6 meses. Um clássico e aquele que durante anos foi o topo de gama do produtor. Um vinho onde predomina a elegância de conjunto com uma fruta (citrinos com ligeiro toque tropical) lado a lado com uma mineralidade muito fina e delicada.Notas de pederneira num vinho que mostra ter uma bonita complexidade, que irá aumentar com o passar dos anos em garrafa, mas que dá uma excelente prova desde já. Boca com grande finesse e equilíbrio, frescura acompanhada pela fruta e um final de travo seco e mineral. Por cerca de 14€ podemos trazer para casa um grande vinho. 94 pts

05 janeiro 2017

Blandy´s Malmsey 50 Anos


No vinho da Madeira a categoria de vinhos com indicação de idade viu ser integrada recentemente a luxuosa categoria dos 50 anos. Até agora apenas um vinho tinha sido lançado nesta categoria, sendo este Blandy´s Malvasia 50 (Madeira) o segundo a conseguir tal feito. Um vinho raro, uma autêntica preciosidade e verdadeiro vinho de colecção pois segundo foi dito a produção rondará um número a rondar as 600 garrafas, isto porque o vinho nasce dos preciosos "restos" que ficam de outros engarrafamentos. Arrebatador e conquista no imediato pela qualidade e riqueza dos aromas que emana, um autêntico turbilhão de sensações guiadas por uma acidez que confere uma bonita energia. E no meio dessa energia mora um bouquet rico, com a untuosidade e patine que só a idade pode conferir em conjunto com um apontamento de doçura que a casta Malvasia proporciona. Emocionante e ao mesmo tempo inesquecível.

04 janeiro 2017

MR Premium Rosé 2015


Este é o rosé topo de gama do Monte da Ravasqueira (Alentejo), um 100% Touriga Nacional com direito a passagem por madeira. Elegante e perfumado, nota-se com os aromas um bocadinho mais presos e menos exuberantes que na anterior colheita. Não é mal que venha ao mundo porque a qualidade continua bem alta num perfil sofisticado e de alto gabarito, como tem sido hábito nos topos de gama deste produtor. Envolto em frescura, sedutor, boa textura, muito elegante e fresco, na boca fica marcado pela presença da fruta, novamente uma ligeira tosta, saboroso e com final seco a pedir comida por perto. O preço ronda os 22€ em garrafeira, e é perfeito à mesa com entradas delicadas no sabor e no trato. 92 pts

Nossa Calcário 2014


Costuma-se dizer que filho de peixe sabe nadar, neste caso podemos dizer que filha de Pato sabe fazer excelentes vinhos, é disso exemplo este Nossa branco 2014. A autora é Filipa Pato, filha de Luís Pato, que em Óis do Bairro e de vinhas de Bical com 25 anos em solo argilo-calcário e arenoso, cria este seu Nossa branco. Um branco em que 20% do mosto fermenta em barricas novas e o restante em madeira já usada com batonage duas vezes por mês, até ser engarrafado e colocado posteriormente no mercado. Preço de 20€ em garrafeira num vinho que nos mostra do melhor que a Bairrada nos pode oferecer em tons de branco. Todo ele exala Bairrada, aromas que nos remetem para um vinho com uma bonita complexidade aromática onde saltam notas de cera abelha, flores amarelas, fruta de caroço, tudo muito limpo e bem delineado. A madeira integrada serenou-lhe ligeiramente o espírito, a bela acidez percorre todos os recantos até ao final seco e prolongado. Bem estruturado, com amplitude e profundidade, um belíssimo branco com muito tempo pela frente. 93 pts 

03 janeiro 2017

Maçanita branco 2015

É recente no mercado a edição, agora com nova roupagem, deste Maçanita branco 2015. Um vinho feito por dois irmãos, enólogos, amigos e a trabalhar juntos há mais de 10 anos e em mais de 14 adegas. E o vinho é isso mesmo, o resultado do conjunto das experiências de dois irmãos, dois enólogos, muita discussão, muitas gargalhadas, tudo resumido numa garrafa de vinho. As castas Viosinho, Códega do Larinho e Gouveio, dão-lhe vida num conjunto que se destaca pela frescura, contido e preciso, com uma acidez acutilante e fruta algo receosa de se mostrar. Por enquanto domina o floral, um toque vegetal fresco faz-lhe companhia, na boca é vivo, aguerrido e compacto com um final com boa secura. É um belo branco do Douro, melhor que a anterior colheita, custa coisa de 7,50€ e faz uma ligação fantástica com uma Caldeta de Peixe do Rio. 91 pts
 
Powered By Blogger Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-Noncommercial-No Derivative Works 2.5 Portugal License.