Copo de 3

25 abril 2016

Porto das 5 by Real Companhia Velha

Porto das 5 by Real Companhia Velha – Foto Cedida por Real Companhia Velha | Todos os Direitos Reservados
O Porto das 5 é um movimento criado pela Real Companhia Velha, que comemora este ano 260 anos da sua fundação e que pretende promover o consumo de Vinho do Porto junto do consumidor. O nome invoca o tão famoso “Chá das 5” levado para Inglaterra por Catarina de Bragança, filha de Dom João IV, casada com Carlos II de Inglaterra. Do dote do seu casamento constava uma caixa de chá, o mesmo chá que Catarina de Bragança já bebia em Vila Viçosa, terra onde nasceu, e que se tornaria no mais britânico de todos os hábitos, o famoso 5 o’clock tea. A explicação desta vontade surgiu na voz de Pedro Silva Reis, filho do actual presidente da Real Companhia Velha e responsável pelo marketing da empresa, que afirma que “Os portugueses estão cada vez mais a despertar para hábitos já bem enraizados noutros países, em que se reúnem depois do trabalho, em bares, wine bars, quiosques e esplanadas, para tomar um copo de vinho, a solo ou harmonizados com snacks ou finger foods”.

O que se pretende com esta iniciativa é que o consumo de Vinho do Porto se torne um hábito à refeição ou até fora dela. A implementação deste “movimento” passa pela criação de cartas de vinhos do Porto com as respectivas sugestões de harmonização, que podem ser pairings de vinho do Porto com queijos, chocolates e, numa vertente não gastronómica, com charutos, entre outros. A oferta será adaptada aos locais onde vai estar disponível, sendo vasta a gama de vinhos do Porto com a assinatura da Real Companhia Velha. Para o demonstrar foram apresentados numa muito interessante harmonização de vários estilos de Vinhos do Porto com as mais variadas combinações e momentos.
 
Real Companhia Velha Vintage 1970 – Foto Cedida por Real Companhia Velha | Todos os Direitos Reservados
Os dois primeiros vinhos a serem sugeridos mostram toda a sua polivalência e são uma excelente porta para o fantástico mundo do Vinho do Porto com preços mais acessíveis aos quais o consumidor sem fazer grande investimento pode chegar e desfrutar em pleno em sua casa. Neste mano a mano, o Royal Oporto Tawny 10 Anos mostra-se fresco e de perfil equilibrado e doce, sem grandes exaltações com muito aroma de fruta passa, resultou em cheio com a proposta apresentada. Já o Royal Oporto L.B.V. 2011 mostra a garra e energia do estilo Ruby, cheio e opulento, reveste totalmente o palato com sabores de frutos silvestres, muito morango, amora, framboesa, num fundo fresco e apimentado. Um vinho mais polivalente e que mostra energia suficiente para acompanhar um bom corte de novilho acabado de sair da grelha.Os últimos vinhos a entrarem em cena foram três Vintages em idade adulta, arrebatadores e memoráveis. Das propostas que foram colocadas na mesa descartei a que remetia para os charutos. Todos os vinhos que aqui coloco foram acompanhados numa base de queijo, seja com Queijo da Serra da Estrela quer com Stilton. O primeiro foi o Real Companhia Velha Vintage 1970 com Pêra-rocha recheada com queijo da Serra, um Vintage a mostrar-se muito envolvente, conquistou no imediato com toques de caramelo, fruta fresca misturada com fruta passa, flores e ligeiro bálsamo. Belíssima presença na boca, muito boa frescura com presença a forrar o palato, cheio de sabor e muito boa persistência, com energia suficiente para ir ao embate com o Queijo da Serra em que a acidez corta a parte mais gorda do queijo enquanto a sensação de untuosidade combina lindamente com o tom mais gordo que nos resta. 

Real Companhia Velha Vintage 1967 – Foto Cedida por Real Companhia Velha | Todos os Direitos Reservados
Para o segundo momento de Stilton com cracker de especiarias e Granny Smith desidratada foi servido o Real Companhia Velha Vintage 1967. Se o anterior Vintage já me tinha deixado rendido aos seus encantos, o que dizer deste que quanto a mim se mostra ainda melhor, um deleite para os sentidos. Enorme elegância e frescura, novamente o caramelo de leite, untuoso, conquistador no imediato. Riquíssima complexidade, tudo muito bonito e aprumado, sério, no palato é largo e persistente, muito saboroso e com enorme persistência. E mesmo com o poderio do Stilton o Vintage 1967 mostrou-se um verdadeiro colosso, ombreando lado a lado, numa combinação também clássica e que novamente mostra a vontade que estes vinhos têm em vir para a mesa dos consumidores fazer destes brilharetes. Termino com um vinho que estava destinado aos fumadores, optei por resgatar o Real Companhia Velha Vintage 1957 e tentar fazer a harmonização com as duas propostas que já tinham sido feitas, sendo que a forma incisiva e acutilante como se mostra, muito mais frescura e menos untuosidade que os dois anteriores fazem dele um vinho indicado para os charutos que do outro lado da sala já fumegavam. No entanto foi com o Silton que mais gostei, o que demonstra a versatilidade do Vinho do Porto nos seus mais distintos estilos e a capacidade de acompanhar desde a refeição a momentos mais festivos até a momentos de pura descontracção a solo. Encontramos às 5 para um Porto?

24 abril 2016

Bridão Reserva branco 2014

No copo o Bridão Reserva branco 2014 da Adega do Cartaxo (Tejo) onde despontam as castas Fernão Pires e Arinto, com fermentação e estágio em barrica de carvalho Francês durante 3 meses. O resultado é um branco a rondar os 7€ que alia o peso da fruta com uma boa frescura e sensação de aconchego conferida pela madeira. O conjunto de aromas é convidativo de tal forma que literalmente sugere uma tarte de limão merengada, tanto em aroma como no sabor, onde a acidez se mostra vincada mas com o espectável arredondamento/cremosidade conferida pela passagem na madeira. Bom a acompanhar peixes no forno ou grelhados com molho de manteiga e limão. 90 pts

22 abril 2016

Hanger steak - Lombelo

Hanger Steak - Lombelo
O Hanger Steak ou Lombelo é um corte proveniente do diafragma do novilho que separado em dois dá origem por um lado ao Lombelo e por outro ao corte chamado de Skirt Steak que iremos ver no próximo artigo. Quanto ao Lombelo, apenas um por animal, é provavelmente dos cortes mais tenros e suculentos, quando preparado devidamente. Uma vez que é uma zona muito irrigada a carne ganha a tonalidade mais escura e também um sabor mais acentuado, convém marinar previamente e posteriormente cozinhar em lume forte. 

Neste caso deixo o aviso, nunca deixar passar o ponto (mal ou médio/mal) pois corremos o risco de ficar com autêntica pastilha elástica no prato, o corte é sempre no sentido contrário da fibra.Este que foi durante muito tempo foi chamado o naco do talhante uma vez que era uma peça que costumava ficar para consumo próprio do talhante. Muito conhecida em França como onglet, Itália como lombatello ou em Espanha como solomillo de pulmón.

Harmonizações: Aqui por casa é costume servir-se na versão Francesa mais popular, lombelo com chalotas, mas também quando o tempo permite ao ar livre com passagem pelo carvão, sempre previamente marinada e acompanhada por molho Chimichurri. Para os mais entusiastas da cozinha a informar que é um corte até pelo tamanho muito recomendável para o "sous-vide" terminando posteriormente na chapa bem quente. Os vinhos neste caso procuro quase sempre com estrutura e taninos ainda presentes, vinhos com energia e muita fruta presente capaz de ligar com os sabores da carne. Para a grelha pede vinhos do Douro ou de terras Alentejanas, enquanto que na versão aqui indicada com chalotas pode surpreender a ligação com um vinho branco com boa acidez ou até mesmo um rosé.

Fotografias divulgadas em vários sites

21 abril 2016

Vidigueira Alicante Bouschet 2014


No Acto IV A Inspiração surge este Vidigueira Alicante Bouschet 2014 (Alentejo) a mostrar todo o temperamento da casta, austeridade a fazer-se sentir com muita fruta madura juntamente com compota, cacau, a precisar de algum tempo no copo porque tudo vem inicialmente muito enrolado num manto bem fresco. Com preço bastante convidativo, ronda os 6€ na loja do produtor, temos um vinho que tem tanto de intenso como de guloso, jovem e pronto para durar em garrafa, numa prova de boca cheia de energia que o remete para acompanhar pratos de bom tempero. 91 pts

19 abril 2016

Luiz Costa Pinot Noir-Chardonnay Bruto 2010

Mais um belíssimo espumante, desta vez da autoria das Caves São João (Bairrada) num lote da colheita de 2010 composto por duas castas que Luiz Costa era admirador confesso, a Pinot Noir e a Chardonnay. Com preço a rondar os 18€, é daqueles espumantes que não nos deixa indiferentes face à qualidade que apresenta. Para além da frescura que lhe percorre todo o conjunto, mostra uma enorme delicadeza no trato, tudo em modo filigrana desde a fruta (citrinos) aos aromas de ligeiro fruto seco e pão torrado.Envolvente e de grande harmonia com ligeira cremosidade a envolver o palato, a frescura percorre cada recanto em final longo e persistente. 93 pts

18 abril 2016

Vidigueira Reserva 2014

No Acto VI A Bonança, surge o Vidigueira Reserva 2014, um 100% Syrah com estágio de 12 meses em barricas novas de carvalho francês. Um belo vinho da Adega da Vidigueira com preço a apontar para os 10€ e com tudo para agradar e conquistar no imediato, cheio e carnudo, muito sumarento e guloso com a fruta a explodir de sabor na boca, toque morno e sedoso num vinho de bela estrutura e firmeza. A frescura embala o conjunto sem deixar a fruta cair em tentações menos próprias, suculento, complexo e perigosamente atractivo, um Syrah opulento e lascivo. Abrir em ocasião onde a bonança mereça ser festejada. 92 pts

13 abril 2016

Graham´s 10 Anos



O início desta viagem pelos tawnys da Graham´s podia ter começado numa estação antes, mas escolhi este 10 Anos para o inicio desta fantástica viagem. Este Graham´s 10 Anos resulta de uma escolha criteriosa de variados lotes, uns mais velhos e outros mais jovens, num resultado final de grande qualidade. Nariz de boa complexidade e elegância, onde a fruta toma ainda conta do recado embora com aromas mais maduros e gulosos (ameixa e figo seco), mostrando-se amplo, untuoso e fresco. Os aromas de fruto seco (nozes), tabaco doce, ligeiro caramelo de leite, tudo muito equilibrado e pleno de harmonia. Passagem de boca cheia de sabor, aveludado com uma bela frescura e um longo final. Preço a rondar os 18€. 92 pts

11 abril 2016

Quinta do Francês branco 2014

O Quinta do Francês branco 2014 é um 100% Viognier com passagem por barricas de carvalho francês, com boa complexidade, fresco, de aromas delicados e limpos, descritores a invocar a casta (pêssego, maçã, pêra, ligeiro floral), baunilha da barrica com tudo em grande harmonia. Saboroso com a fruta a fazer-se sentir acompanhada de toque apimentado, algum fruto seco (avelã), frescura e a envolvente da madeira a arredondar os cantos em final de boa persistência. Sirva-se fresco a acompanhar uns chocos à Algarvia. 90 pts

09 abril 2016

Roquevale Reserva branco 2013


Procuramos, procuramos e volta e meia tornamos a procurar, curiosamente o resultado de tanta procura por vezes resume-se a pouco mais que um nada resumido numa singela fotografia que o tempo se encarrega de fazer esquecer. A repetição torna-se enfadonha e monótona, tudo tão clichê que necessitamos de olhar para outro lado, respirar fundo e procurar pela diferença. E quando se procura a diferença damos com vinhos assim, como este Roquevale Reserva branco criado com base nas castas Fernão Pires/Roupeiro/Arinto que passam por barrica e por lá ficam, o engarrafamento apenas foi feito em Janeiro deste ano e foram engarrafadas 3.408 garrafas, com preço a rondar os 8-10€ a unidade. Um vinho sem grandes exuberâncias, embora com boa frescura onde a fruta surge em harmonia com as notas de barrica, ligeira tosta e sensação de untuosidade que lhe dão algum peso. Boa frescura de conjunto com um ligeiro toque de evolução dado pela passagem do tempo que lhe assenta lindamente. Um vinho de meia estação e longe das frescuras das outras paragens mais próprias para tempo quente, por aqui temos um branco que acompanha lindamente peixe no forno, uma e duas ou mais garrafas com mesa cheia de familiares e amigos, é daqueles que sabe bem e quando assim é estamos todos conversados. 91 pts
 
Powered By Blogger Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-Noncommercial-No Derivative Works 2.5 Portugal License.