Copo de 3: Adega Mayor
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06 fevereiro 2017

Caiados de fresco by Adega Mayor


Situada em Campo Maior (Alentejo), fica a Adega Mayor de onde nos chegam estas três referências da marca Caiado que funcionam como entrada de gama do referido produtor. Apresentaram-se na colheita de 2015 com uma nova roupagem, pelo que se pode dizer que estão caiados de fresco. Disponíveis em tinto, rosé e branco, são vinhos onde a fruta é dona e senhora de todas as atenções. Destaca-se essencialmente a cuidada imagem, mas acima de tudo a qualidade que nos apresentam no copo torna-os vinhos bastante agradáveis, frescos, alegres e a pedirem mesa e companhia à sua volta. Como curiosidade estágio em inox é comum aos três vinhos em causa.

O Caiado branco 2015 feito a partir do lote das castas Antão Vaz, Arinto e Roupeiro, com os aromas frescos e maduros, limpos de uma fruta muito sumarenta e perfumada. A acidez dá a frescura suficiente para lidar com os mais triviais petiscos que nos surjam à mesa e porque não as Sopas de Cação ou uma Caldeta do Rio, tem estofo para tal e o problema é em conseguir ter garrafas suficientes para todos aqueles que se juntem à nossa mesa. 88 pts

No interlúdio entre peças, diga-se pratos, abrimos o Caiado Rosé 2015 que é filho das castas Aragonês, Castelão e Touriga Nacional. Mudam os aromas e muda o tom, mudamos pois para os morangos, amoras e ameixa, tudo maduro e com um toque guloso de rebuçado. Picamos uma rodela de chouriço frito, depois mais outra, agora um bocadinho de farinheira sem problemas que o vinho aguenta pois tem frescura suficiente para tal. Damos conta e temos à frente umas Sopas de Tomate com Capelas, este Rosé como bom Alentejano porta-se à altura e quando damos conta no final nem Sopas nem vinho. 88 pts

Aguardamos então com o Caiado tinto 2015, custa coisa de 4€, pelo próximo prato. Este tinto criado a partir do lote Aragonês, Trincadeira e Alfrocheiro mostra o lado mais morno da planície, sem por isso ter a sua dose de frescura e candura. Afinal de contas as Burras de Porco Preto tinham sido lentamente estufadas, ou direi caiadas, por este tinto. Uma combinação perfeita com o vinho a mostrar ter estrutura e frescura suficientes para a empreitada. 89 pts

27 dezembro 2014

Reserva do Comendador branco 2011

Continuamos deste lado a insistir na guarda dos vinhos, porque a evolução na grande maioria dos casos é sempre positiva, porque os vinhos de hoje entram em grande parte dos casos demasiado cedo nas prateleiras e nos copos dos apreciadores mais apressados. Na grande maioria dos casos não se guarda porque há que mostrar serviço nas redes sociais, mostrar perante os pares que se está vivo e sempre apetrechado da mais recente novidade no copo, nem que para tal se despejem vinhos que ainda nem acabaram de arrumar a casa. 

O vinho em causa proveniente da Adega Mayor (Campo Maior) como as anteriores edições têm mostrado, é dos que aprecia uma guarda mais prolongada, melhora substancialmente e refina todo o seu conjunto. Este 2011 foi abençoado com uma Talha de Ouro para Melhor branco do Alentejo, elaborado a partir de Antão Vaz, Arinto e Roupeiro, fermentou e estagiou seis meses em barricas novas. Um branco com bom corpo aliando-se a frescura, um final de boca fresco e amanteigado com toques da fruta, limpa e saborosa. Muita harmonia, classe, sinais de um tempo que o lapidou, mostra-se elegante, profundo e com uma bonita complexidade. Foi de fio a pavio, com um Bacalhau na noite de Natal, mais houvesse. Custa 15€ na loja online do produtor e justifica cada cêntimo. 91 pts

23 fevereiro 2011

Reserva do Comendador branco 2008

Branco nascido e criado em terras de Campo Maior, mais propriamente na Adega Mayor, o Reserva do Comendador 2008 foi considerado o melhor branco (Talha de Ouro) no concurso anual da Confraria dos Enófilos do Alentejo. Um Regional Alentejo que resulta de um lote das castas Antão Vaz, Roupeiro e Arinto, que “demonstraram neste vinho as suas excelentes potencialidades enológicas,” de acordo com o Escanção Mor da Confraria dos Enófilos do Alentejo. Fermentou e estagiou 6 meses em barricas novas de carvalho francês e americano, batonnage sobre as borras finas presentes na barrica. Apresenta-se no mercado com 13% Vol. e um preço que ronda os 16€ em garrafeira.

Aroma de muito bom porte, com intensidade e a sentir-se a frescura da boa fruta tropical, polpa branca e citrinos com aroma a geleia acompanhado de notas florais e ligeiro abaunilhado. O vinho transmite a sensação de arredondamento, aconchego tanto da fruta, como da barrica muito bem educada, num conjunto coeso e muito agradável.

Na boca mostra-se saboroso, fresco, suave com fruta madura ao nível do encontrado no prova de nariz, a madeira ampara e dá-lhe formas mais arredondadas (untuosidade) sem nunca perder uma frescura que nos guia de início ao fim. Revela uma ligeira secura no final quase a lembrar chá verde, em final de boca de boa persistência.

Depois de ter provado o Reserva 2007 faz algum tempo, este 2008 veio confirmar este branco como uma aposta muito séria nos brancos do Alentejo. A frescura que mostra quer em nariz quer em boca vem mostrar que os brancos do Alentejo não têm de ser pesados e a transbordar de notas de barrica, começam a aparecer vinhos frescos, harmoniosos em que a barrica faz o seu trabalho e dá à fruta a obrigação de brilhar... neste Reserva do Comendador isso cumpriu-se e o vinho que se mostra um companheiro de mesa deu mostras que vale a pena contar com ele. No mercado já anda a colheita de 2009. 16,5 - 91 pts 
 
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