Copo de 3: Alonso del Yerro
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18 julho 2014

Alonso del Yerro 2010

Vem da vizinha Ribera del Duero (Espanha) este vinho que não é a primeira vez que por aqui aparece, 2007 e 2008 já foram alvo de visita. Produzido pela Bodega Alonso del Yerro mostra novamente argumentos suficientes para se entender porque é considerado um dos novos meninos bonitos da região. Uma vez no copo o que se destaca mais é a qualidade e frescura da fruta, toda a elegância com que se bandeia no copo, fresco, leve apontamento apimentado com regaliz/alcaçuz num conjunto complexo a mostrar grande trabalho da barrica muito bem integrada. Por detrás fica uma estrutura sólida o suficiente para lhe garantir boa evolução em garrafa, marcado novamente pela presença da fruta aveludada e fresca que escorre pelo palato, tosta e pimentas, final longo e persistente com taninos ainda presentes lá no fundo. Pelo seu porte e comportamento à mesa a escolha foi uma perna de cabrito com batatinha assada no forno. 93 pts

04 julho 2012

Paydos 2008


Rumando a Espanha, ali para os lados de Zamora, fica a zona de Toro onde pelos solos cobertos de calhau nascem cepas centenárias em pagos míticos. O casal María del Yerro e Javier Alonso (Viñedos Alonso del Yerro) depois da Ribera del Duero resolveram apostar em Toro, compraram em Pagos de Miguel (Morales de Toro, Zamora) 8,80 ha de vinhedo com cepas plantadas entre 1930 e 1988. Este investimento deu frutos com a colheita de 2008, de nome Paydos que resulta das iniciais do filho do casal, Pedro, com o seu número favorito, o 2. De resto o vinho teve 15 meses de barrica, resultantes 3500 garrafas de um vinho com 15% Vol. com preço a rondar os 30€ por garrafa.

O vinho mostra um Toro menos bruto e mais sociável, tem menos nervura que por exemplo o San Román apesar da força do seu conjunto estar presente, a fruta essa muito limpa e com boa maturação, o trabalho de barrica é exemplar como já nos tem acostumado o produtor. Alia força com frescura e ao mesmo tempo uma grande elegância de conjunto, a barrica tem a marca da casa, presente mas a caminho da completa integração e a saber dar lugar de destaque à fruta do bosque bem madura e com frescura, tostados da madeira, leve sensação de cremosidade conferida por baunilha, toque floral, folha de tabaco seco, especiaria com pimenta preta e cacau. Vinho raçudo mas a mostrar-se ágil como um mestre da esgrima, nada pesado, solto e com uma frescura que tão bem nos sabe. Mesmo com alguma ponta doce (regaliz) no nariz não chega para incomodar. Na boca o vinho desdobra-se, procura ocupar todo o espaço, a fruta mais uma vez bem presente, rebola pela língua, depois vêm os tostados em plano médio, boa sensação de cremosidade esbatida no final com taninos à procura de cadeira, bálsamo, todo ele concentrado e estruturado num final largo e persistente. Vou esperar um pouco mais por ele a ver como evolui em garrafeira.

É um Toro de perfil mais moderno em que acima de tudo se mostra elegante, torna-se por isso mais apelativo no imediato e sem o risco de se aberto mais cedo do que se deve nos arrancar a língua. Todo ele pede comida, fiz-lhe a vontade e enquanto se espreguiçava no copo fui apurando um estufado de javali. A ligação foi mais que boa, a boa acidez do vinho juntamente com toda a sua força ligou em grande com os sabores do tempero e da própria carne. 93 pts

30 setembro 2011

Confiança...


Sorrio quando me dizem que sou esquisito, quando segundo eles aquele vinho que me deveria agradar afinal não agrada, na verdade dispenso cada vez mais os vinhos do chamado gosto fácil, vinhos de lugar comum e em nada diferenciados, puros trambolhos da enologia. Felizmente fui aprendendo com quem entende destas "cousas" do vinho, o saber diferenciar, o saber separar o que vale a pena daquilo que não passa de banal, tudo isto se foi construindo ao longo dos anos, cimentado com muitas provas, muita atenção prestada a sábios ensinamentos que iam sendo expostos por entre copos e garrafas vazias, é assim que se vai crescendo enquanto enófilo, construindo desta maneira um gosto pessoal cada vez mais apurado. Tudo isto faz também parte do meu Eu enófilo, um processo de eleição que faço questão de meter em prática na altura de comprar vinho para a minha garrafeira.
Tenho como toda a gente tem, vinhos e produtores de eleição, afinal quem não os tem, alguns são produtores que sempre acompanhei, outros produtores que me foram sendo apresentados pessoalmente ou à mesa em formato de garrafa... um desses produtores é Alonso del Yerro (Ribera del Duero).


Recentemente, compraram em Pagos de Miguel (Morales de Toro, Zamora) 8,80 ha de vinhedo com cepas plantadas entre 1930 e 1988. Este investimento deu frutos com a colheita de 2008 sendo o lançamento deste seu primeiro vinho de Toro a ser feito muito recentemente, dá pelo nome de Paydos e teve direito a todos os mimos que os seus primos da Ribera del Duero têm quando nascem. Tudo este paleio serve para mostrar que a confiança num produtor faz com que se fale num vinho "ás escuras" ,antes mesmo de o ter provado, mas certamente conhecendo a maneira como "ali" se trabalha estarei perante mais um belíssimo vinho. Se o virem não o deixem escapar, da colheita 2008 apenas foram produzidas 3.500 garrafas com preço a rondar os 20/25€... a qualidade bem acima da média está mais que assegurada. A respectiva nota de prova não deverá muito em ser colocada.

13 agosto 2011

Alonso del Yerro 2008

É dos vinhos que mais prazer me dá beber nos últimos tempos, abri a segunda garrafa e novamente um vinhaço no copo de encontro ao que já me acostumou nesta e nas colheitas anteriores, aqui mais concentrado e cheiroso que o 2007, pura classe com tempo pela frente para melhorar, mas desde o momento em que se serve até que a garrafa se acaba é um puro gozo estar de roda deste vinho produzido na Ribera del Duero.

Estes são os vinhos que procuro, compro, guardo e partilho com os amigos mais chegados, este é o vinho que me garante elegância, harmonia entre partes e boa longevidade, nada aqui é de excesso, nada aqui é de quebras nem falhas, é grande desde que se cheira até que se engole... é vinho que não sendo barato 22€ dá uma prova melhor que vinhos que custam o dobro... ou seja, comprar beber ou guardar o prazer esse é mais que garantido. Como diz a letra do famoso José Afonso:

"Venham mais cinco. Duma assentada. Que eu pago já. Do branco ou tinto. Se o velho estica. Eu fico por cá. Se tem má pinta. Dá-lhe um apito. E põe-no a andar"

Enche o nariz com frescura da fruta, fruta da boa e bem limpa com tons de cereja, morango e amora, depois vem banhada por especiarias, café moído e algum regaliz com floral em fundo. Mostra-se desde o primeiro instante um vinho que esconde uma belíssima complexidade, madeira no ponto, dá cacau e fina tosta, conjunto de enorme qualidade, em postura de quem tem a lição muito bem estudada, não se inventa nem se tapa defeitos com excesso de "pau".
Boca cheia e gulosa, fruta fresca forra o palato, tudo em conjunto como no nariz... o morango, a especiaria, algum toque de bálsamo, tosta... e tudo muito apelativo num longo final. 93

15 fevereiro 2010

ALONSO DEL YERRO 2007

O projecto que passo a apresentar para os mais distraídos, e mesmo aqueles mais atentos é normal que lhes tenha passado ao lado, está situado na vizinha Espanha, mais propriamente na prestigiada região da Ribera del Duero. Um projecto muito especial, eu pelo menos tenho tido a sorte de o ir conhecendo desde os primeiros lançamentos e são vinhos apaixonantes. Tudo começa na Finca Santa Marta, situada em Roa (Burgos, D.O. Ribera del Duero) com o casal Javier Alonso e María del Yerro, que em 2002 criam os Viñedos Alonso del Yerro. Um projecto assente numa filosofia muito própria baseada na importância da vinha, em que o objectivo é produzir vinhos distintos e com um critério de máxima qualidade. No total dispõem de 26,5 ha de vinha plantada em 1989 e situada entre os 800 e 840 metros de altitude, repartida por 4 parcelas cujos nomes são os dos filhos do casal, e tendo a perfeita noção de que iriam precisar de uma equipa de excelentes profissionais, foram buscar a assessoria do prestigiado enólogo Francês, Stephane Derenoncourt (La Mondotte, Château Canon La Gaffelière, Domaine de L´A... ) e dada a grande importância que dão à vinha, pediram um estudo exaustivo dos solos das parcelas que possuem. Deste estudo verificou-se que nas 4 parcelas existiam 6 tipos de solo bem diferenciados pelo que das 4 parcelas iniciais ficaram no total com 27 sub-parcelas de vinha. Em 2004 começam a trabalhar com um dos grandes especialistas do mundo no que toca a terroirs, Claude Bourguignon (Romanée Conti, Leflaive, Ausone, Dujac, Drouhin, Selosse, Graillot, Beaucastel, Dagueneau, Vega Sicilia...), formando assim uma equipa de luxo em que o vinho se começa a desenhar no próprio solo e na própria vinha.

"Dedicamos nuestro proyecto a todos aquellos que se atreven a soñar y a todos los que poseen el conocimiento, la generosidad y el corazón para ayudar a otros a alcanzar sus sueños."

O resultado final são vinhos de elevada qualidade, fruto de uma enorme dedicação e procura pela mais alta qualidade. Mistura-se a tudo isto, valores como a amizade, respeito pelo meio ambiente, talento, conhecimento, experiência, a procura da excelência, a paixão pelo vinho e temos como resultado vinhos que não nos deixam indiferentes e que acima de tudo conquistam quem neles aposta.

Alonso del Yerro 2007
Castas: 100% Tempranillo - Estágio: 12 meses em carvalho francês - 14,5% Vol.

Tonalidade granada escuro de concentração média/alta.

Nariz com aroma de boa complexidade e intensidade, conquista de imediato pela diferença e pela elegância, frescura, a fruta em tons de vermelho sente-se madura mas fora daqueles jogos compotados ou de querer entrar nesses jogos que nunca auguram nada de bom. Aqui a conversa é outra e sente-se fruta vermelha fresca e bem madura, entusiasma na boa profundidade com a madeira muito bem trabalhada, sábias mãos, sem exageros talvez um pouco presente mas nada que o tempo não cure, pede um prato mais puxado para não se fazer notar tanto, sim é vinho de mesa e de muitos amigos à sua volta. Especiarias finas, cacau, algum floral, mineralidade suave e delicada em fundo, com aquele aroma de "regaliz" que tanto gosto.

Boca a mostrar conjunto com uma bela estrutura, muito no encontro do encontrado no nariz, fruta vermelha madura e fresca com toque floral, especiaria ligeira e a barrica aqui bem mais integrada, o suficiente para o vinho dar uma prova de boca bastante agradável desde já. Complexidade, frescura, fruta madura bem delineada, barrica a dar amparo a todo o conjunto, tem uma boa espacialidade, bebe-se com muito prazer e sobretudo tem pernas para andar. Nota-se claramente um vinho que foge das tentações da concentração que alguns dos novos Ribera del Duero seguem teimosamente, para se notar aqui um registo mais na elegância. A sua persistência é média/alta num vinho que recomendo vivamente.

A produção deverá rondar as 60.000 garrafas, o preço mais que justo a que se pode comprar ronda os 20€ mas é uma aposta segura num vinho com qualidade bem acima da média e de acentuada componente gastronómica. O produtor em causa ainda tem o topo de gama da casa, Alonso del Yerro Maria, cujo preço será ligeiramente mais do dobro, mas a qualidade e o prazer são bem proporcionais. Um vinho que foi muito cuidado mesmo antes de nascer, em que tudo foi cuidadosamente planeado e pensado, e os resultados estão à distância de um copo. 17 - 92 pts
 
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