Copo de 3: Argentina
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30 março 2010

CHEVAL DES ANDES 2004

O vinho que se segue foi uma das melhores surpresas que tive nos últimos meses. O prazer da descoberta, do conhecer novos mundos, leva a momentos de partilha entre enófilos, momentos em que vão sendo colocados vinhos em prova e onde alguns se destacam mais que outros... como em tudo na vida há bons e maus momentos, mas também temos os momentos de plena satisfação, aquelas alturas em que tudo parece parar à nossa volta e ali estamos nós com um sorriso aparvalhado a olhar para o que seja, neste caso era para uma garrafa de vinho... e que vinho, um Cheval des Andes 2004.
A origem do vinho em prova, Cheval des Andes, nasce de uma parceria entre dois nomes de prestígio a nível mundial, o Château Cheval Blanc (St. Émilion - Bordéus) e Terrazas de Los Andes, com a enologia a cargo dos seus enólogos Pierre Lurton e Roberto de La Mota. Enquanto o nome Cheval Blanc dispensa apresentações, deixo um pequeno lamiré sobre as Terrazas de Los Andes, que nascem nos finais de 1950, quando o produtor Moët & Chandon estabelece em Mendoza a sua primeira filial fora de França, a Chandon Argentina (veremos mais tarde que também tem uma no Brasil). Foi apenas em 1990 que as Bodegas Chandon se voltaram para a produção de vinhos de alta qualidade fora da linha dos espumantes, sob a designação de Terrazas de Los Andes. Localizado na região do Vale do Uco, no sul de Mendoza, nos contrafortes da cordilheira dos Andes, onde a altitude dos solos varia entre os 1060 e os 980 metros, compostos essencialmente por areia e pedra. Dos 38 hectares, 16 ha são de Malbec plantado em 1929, 20 ha de Cabernet Sauvignon e 2 ha de Petit Verdot. Como nota curiosa, o cavalo surge no rótulo, agora é uma questão de o conseguir encontrar.

CHEVAL DES ANDES 2004
Castas: 55% Malbec, 43% Cabernet Sauvignon, and 2% Petit Verdot - Estágio: 16 meses barrica - 13,5% Vol.

Tonalidade granada escuro, limpo e de concentração média/alta.

Nariz a mostrar um vinho de requintada complexidade, aromas limpos e com boa profundidade a prometer bastante desde a primeira aproximação. Destaca-se a maneira como a fruta limpa, fresca e madura (groselha, amoras, cereja), se envolve com uma barrica muito bem integrada, desdobrando-se em aromas florais (violetas), tosta, baunilha a conferir sensação de cremosidade, tabaco de enrolar, camurça, chocolate de leite, aroma a lembrar bolo de passas com rum e canela. Um conjunto muito harmonioso, capaz de durar e durar, durante toda a prova e mesmo durante toda a refeição.

Boca com entrada equilibrada, harmoniosa, bem estruturada e de corpo médio. Sente-se força mas ao mesmo tempo elegância, num todo muito afinado em completa sintonia com a prova de nariz, e que dá muito prazer beber. Boa amplitude, fruta madura e sumarenta com perfeita integração com a madeira, num toque morno de aconchego que se esbate na frescura da fruta. Novamente a especiaria, a ligeira sensação de bolo de passas com rum, bálsamo vegetal ligeiro, taninos finos e presentes a darem garantia de uma boa longevidade num vinho com final de boca elegante e de persistência média/alta.

É descrito como um Grand Cru do Novo Mundo, aliando toda a força e vigor do Novo com a elegância e requinte do Velho. É daqueles vinhos que é difícil não gostar, a boa complexidade que mostra ter, permite-lhe ir evoluindo durante a refeição, tornando-se um cesto de surpresa sempre que a ele voltamos para mais uma cheiradela. Tem muitos e bons modos, fruto da escola que frequentou pois claro, requerendo para ele alguma atenção pois é muito o que tem para dizer. Um daqueles vinhos que se vir à venda compre sem pensar duas vezes, o prazer está mais que assegurado. 17 - 93 pts

29 março 2010

Clos de los Siete 2004

É de Mendoza (Argentina) que chega o vinho em prova, fruto de um projecto chamado "Campo de Vista Flores" do qual Los Siete faz parte. Escolheu-se uma área de 850 hectares ao sul de Mendoza, solos de areia, barro, com calhau e onde apenas metade da área está plantada com domínio da casta Malbec com metade da plantação, Cabernet Sauvignon e Merlot arrebatam 17% cada uma e a Syrah 16%. A totalidade da área foi posteriormente dividida em sete parcelas, uma para cada um dos sócios (parece que já não são sete mas sim seis) com alta densidade no que a vinha diz respeito (5500 plantas por ha) sendo a vinha tratada com todos os mimos tal como se fosse em Bordéus. Cada um dos sócios tem a sua própria adega, vinha, e equipa enológica respectiva... mas é Michel Rolland que domina todo o conjunto e é também Michel Rolland que elabora o blend final utilizando vários lotes de cada um dos 7 produtores, uma maneira de aumentar a complexidade e individualidade a cada um dos vinhos em separado e que obviamente dá mais complexidade ao lote final.

Clos de los Siete 2004
Castas: 50% Malbec, 30% Merlot, 10% Cabernet Sauvignon, 10% Syrah - Estágio: 11 meses em carvalho Francês novo (2/3) e restante (1/3) em inox - 15,2% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.

Nariz cativante e de boa concentração, direi até de agrado fácil tal a maneira descarada como se mostra, num conjunto arredondado com boa intensidade, dominado grande parte do tempo por notas de fruta negra e vermelha (cereja, amora, framboesa) bem madura, alguma ponta de sobre maturação com compota que lhe confere doçura moderada. Madeira presente, baunilha, envolvência com alguma cremosidade mas muito mais para o lado da geleia do que do batido de Mocha, bem embrenhada com a fruta, fina complexidade com torrado, pimenta preta, leve terroso/mineral em fundo. Pelo meio e quase como coluna central, tem uma aragem fresca que contrabalança com o peso/doçura da fruta.

Boca com boa amplitude, peca a meu ver na falta de um pouco mais de profundidade (de igual modo no nariz) e mesmo de uma estrutura suficiente para amparar tanta fruta que se mostra aqui na mesma forma concentrada que mostrou no nariz. Compotas, especiaria, novamente fruta e cacau, com taninos a conferirem ligeira secura final num vinho que fica a meio caminho entre o equilíbrio e a força bruta, em final de boa persistência. Apesar da frescura não deixa de ter um pendor mais "adocicado" para o meu gosto, com o álcool a passar completamente despercebido ou direi maquilhado ?!?

É um vinho muito bem feito, muito apetecível e de fácil agrado pela forma provocante como se manifesta durante toda a prova, tem aquele perfil que muitos chamam de jammy. Contudo não me cativou o suficiente, tornando-se ligeiramente repetitivo passado algum tempo dentro do copo... este é a meu ver o mal destes vinhos, não conseguem ter uma conversa que dure toda uma refeição, cativam apenas durante o início mas passado 15 minutos já ninguém os consegue aturar. Merece a pena ser conhecido, ser provado e discutido entre amigos, para vinhos made by Rolland fico sem sombra de dúvidas com Château Le Bon Pasteur. 16 - 90 pts
 
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