Rumamos ao Douro, mais propriamente à Quinta da Leda da Casa Ferreirinha onde nasce este Quinta da Leda 2015 com preço que ronda os 35€. Nascido naquele que é o berço do Barca Velha, este tinto robusto e cheio de energia mostra uma fruta negra (ameixa, framboesa, amora) carnuda e sumarenta que despoleta uma explosão de aromas e sabores durante a prova. O conjunto muito coeso que vai mostrando notas especiadas, balsâmico, esteva com madeira nova a marcar o fundo, numa austeridade com gulodice se assim podemos dizer. Está para durar e na boca mostra-se cheio de sabor mas também com um fundo onde a austeridade e os taninos parecem querer ter direito a mais um tempo de descanso para organizarem as ideias. Para já é vinho que precisa de pratos de bom tempero, uma barriga de porco assada lentamente no forno será sempre uma excelente escolha. Será curioso voltar a ele daqui por uma década. 95 pts
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09 janeiro 2018
20 novembro 2017
Planalto Reserva branco 2016
O Planalto (Douro) deve ser dos vinhos que mais habita nas cartas de vinhos dos restaurantes Algarvios em tempo de férias. Não falha, onde quer que tenhamos uma dourada a ser grelhada lá vem a sugestão de um Planalto. Que diga-se, é pago a preço de ouro nesses mesmos locais. Mas que culpa tem o vinho, se na prateleira custa coisa de 5€ e até é daqueles exemplares que segue uma receita de sucesso ano após ano ? Com a acidez bem afinada, fruta presente e aquela ligeira ponta de austeridade a rematar o fundo. Aromas e sabores muito amontoados, mas com acidez a dar vivacidade e alegria ao conjunto. 88 pts
31 outubro 2016
Barca Velha 2008
Serve este pequeno escrito, apenas como notícia sobre o lançamento daquele que é seguramente o mais aclamado, emblemático e o que reúne sempre um misto de mistério e surpresa na altura do seu lançamento, o Barca Velha. Está pois anunciado o lançamento da mais recente colheita, não porque o mercado pediu mas porque se entendeu que 2008 atingiu a nível de qualidade exigido para ser proclamado como tal. Vai na sua 18ª edição, com esta será a 19ª, atingindo assim a mais que maioridade, deste vinho que nasceu em 1952. Quanto ao preço e a ver pela especulação absurda em torno de vinhos desta natureza, não se espantem se lhe pedirem 300 ou 400€ por uma garrafa.
18 junho 2016
Papa Figos branco 2015
A marca Papa Figos terá sido a última criada pela prestigiada Casa Ferreirinha, surge agora com a colheita 2015 a versão branco cujo preço ronda os 6€ em garrafeira. Fruto de um verdadeiro cocktail de castas com 50% Rabigato, 20% Viosinho, 18% Arinto, 7% Códega, 5% Moscatel, onde apenas 20% do lote passa três meses em madeira usada. Destaca-se pelo bonito e fresco conjunto aromático a fazer lembrar salada de frutas enlatada, flores e ervas aromáticas. Preciso naquilo que tem de mostrar, prestação mediana com boa frescura num perfil que se mostra gastronómico e pronto a beber. 87 pts
28 novembro 2015
Quinta da Leda Vintage 1990
Recentemente tive oportunidade de beber este Quinta da Leda (Douro), o primeiro vinho ali produzido mesmo antes que tenha saído qualquer vinho de mesa. Um Vintage que conta com 25 anos de vida e que a meu ver está naquele ponto óptimo de consumo, não precisa de afinações nem para um lado nem para outro. Enquanto beberico o que resta da garrafa em acto de pura gulodice, acompanhei com os Cacao di Vine. Ligação fantástica que catapultou o momento para outro patamar a nível sensorial, tendo acidez suficiente para limpar o palato a fruta vermelha bem fresca alia-se em plena harmonia com o chocolate. Muita qualidade a mostra-se bem complexo e rico em detalhe, com frutos do bosque a surgirem já macerados, tabaco, especiarias, chocolate negro, ligeiro terroso no fundo. Na boca replica tudo o aqui descrito, enorme frescura logo de inicio que acompanha toda a passagem pelo palato com um apontamento apimentado e seco no final. Certamente ainda vai durar mais alguns anos em garrafa mas para mim foi um Vintage que me deu muito prazer a beber. 93 pts
01 abril 2013
Quinta da Leda Vinha do Pombal 2004
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| Photo by Miguel Pereira |
Provado às claras, sem entraves nem qualquer coisa que lhe tapasse o nome ou a marca, simplesmente fez parte de um punhado de vinhos que foram dados a conhecer de forma clara aos olhos de todos os que os iam provar naquele instante. Este foi dos que menos me disse, esperava bem mais do que aquilo que me caiu no copo, simplesmente prostrado e sem grande graça. Os Quinta da Leda sempre fizeram parte dos vinhos do Douro que melhores momentos (aqui e aqui) me deram, o mesmo estava à espera que este especial de corrida de nome Vinha do Pombal me fosse proporcionar no instante da prova.
Puro engano, o que encontrei foi algo parco de aromas, desgastado, demasiado limado e sem brilho, a finesse está presente mas não chega para grandes euforias, nada de maravilhoso portanto. O veredicto é que já devia ter sido despachado vai para alguns anos atrás, na boca com a fruta mais presente que no nariz, apesar das notas afinadas de especiarias que por ali andam soltas, o vinho tem falta de comprimento, largura qb numa presença muito sumida, bom de frescura e levemente seco no final. É um vinho em queda livre, falta-lhe sustento e garra para se poder agarrar ao que quer que seja, por mais tempo que lhe fosse dando no copo, apenas lhe aumentava a agonia, o contacto com o oxigénio sufoca-lhe a alma e tortura-me o pensamento sobre os fantásticos Leda que já bebi. 88pts
24 abril 2012
Quinta da Leda 2007
Distante deste infernal teclado vou derrubando algumas garrafas, rebuscando na memória aqueles bons momentos que passaram e onde por vezes gostaria de voltar a estar, locais que já não há com gente que já não está, o vinho dá para isto e para tanta coisa, também dá para parar, pensar... sonhar.

Um desses vinhos do qual gosto muito é o Quinta da Leda (Casa Ferreirinha), vinho que nasce no berço dourado do Barca Velha, a Quinta da Leda, feito com um lote de castas tradicionais do Douro, Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz. No Leda sempre lhe encontrei mais pujança e maturação que nos irmãos mais velhos, clássicos abastados (Reserva Especial e Barca Velha), mostrando-se nesta ordem mais vinho que o seu primo Callabriga. O Quinta da Leda nasceu lá para o ano de 1995, recordo nos meus inícios de enofilia os seus belíssimos lançamentos versão Touriga Nacional, pejados de pujança e estrutura, cheirosos e raçudos que nos dias de hoje e em condições deslumbram uma mesa. Tive o prazer de acompanhar o crescimento desta marca com alguma atenção e insistência nas suas provas, terei falhado eventualmente algumas colheitas, mas recordo com alegria o 1999, 2001 e mais para a frente o 2003. Entretanto a mudança de rótulo e garrafa afastou-me do vinho, quase por birra enófila de ver desconstruir algo de que se gosta... voltei a ele na colheita 2007, dos que já bebi até hoje não andará muito longe de ser o que mais me preencheu as medidas, encontrei no 2007 um Leda adulto, raçudo, com força e sabedoria no trato, um vinho muito bonito cheio de frescura, fruta, estrutura e todo ele muito Douro para estar e durar... sim este é dos que duram.
Perfil a que gosto de chamar clássico moderno do Douro, mostrou-se em excelente fase da sua longa vida com vigor e boa dose de esteva e as ervas de cheiro do campo, as ditas cujas violetas da Touriga logo de inicio, fumo, vai crescendo com tempo no copo, muito bom na sua complexidade e compostura, notável densidade de aromas quase que por camadas de boa espessura. Fruta escura em modo bagas e pomar com cereja, ameixa, bem fresca e sumarenta, compota ligeira, bálsamo pelo meio a dar lugar a especiaria, chá preto, tabaco em segundo plano. Boca ainda com ligeira secura dada por taninos presentes mas sociáveis, aquela austeridade que lhe assenta bem e lhe permite ter garra para acompanhar pratos mais elaborados, todo ele a começar a mostrar e bem grande elegância de conjunto e mesmo harmonia com a prova de nariz, bom preenchimento do palato com bom volume e frescura, profundidade assinalável com a fruta madura e fresca a fazer-se sentir, vegetal, especiaria e final de boca com persistência média/alta. O preço longe de ser escandaloso rondará quase sempre a casa dos 30€... a meu ver bem merecido para o vinho que é e continuará a ser durante uns bons anos. 94 pts
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