Copo de 3: Casa de la Ermita
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24 junho 2010

Pico Madama 2006

De uma parceria resultante entre Bodegas Casa de la Ermita e Guy Anderson Wines, surge o super premium Pico Madama, nascido e criado no parque nacional El Carche. Desde a sua primeira colheita que este vinho tem sido bafejado por boas notas da crítica internacional, revelador de consistência e qualidade, aliando a tudo isto um preço que o torna irrecusável nos tempos que correm, é verdade, as cerca de 40.000 garrafas que são colocadas no mercado são vendidas a um preço que ronda os 10-14€. A evolução em garrafa promete ser boa, mostra taninos e acidez suficiente para tal, e apesar de tudo a prova que dá desde já faz com que seja quase irresistível conseguir guardar alguma.

Pico Madama 2006
Castas: 50% Monastrell e 50% Petit Verdot - Estágio: Monastrell 13 meses em Carvalho Francês e Petit Verdot 13 meses em Carvalho Francês - 14% Vol.

Tonalidade granada escuro de concentração média/alta.

Nariz de refinado bouquet que vai evoluindo com o tempo no copo, inicialmente com muita fruta (amora, framboesa, figo) madura, muito limpa e bem fresca, acompanhada por aroma de tosta, especiarias diversas, ervas do campo (lavanda, alfazema), tabaco de enrolar, chocolate after-eight e mina de lápis em plano de fundo. Muita harmonia num todo que apesar de todos os encantos ainda se sente algo preso, a precisar de tempo pois claro.

Boca com muito que contar, de entrada prazenteira, fresca e bem estruturada com uma boa espacialidade, cheio, amplo, novamente fresco, notas de bálsamo vegetal com toque morno de chocolate de leite, especiaria e fruto negro, muito fruto negro que se trinca e deita sumo doce, tabaco e fundo mineral, num todo profundo e complexo, sabe bem e com passagem muito harmoniosa... que apetece voltar a beber. No fundo alguma secura, taninos a pedir cama, tudo num final com uma bela persistência, pois para beber agora ou esperar mais um tempo... ganhamos nós e ele.

É difícil não se gostar deste vinho, ficar-se a pedir mais é o mais natural... nem que tenham de vir de fora mas arranja-me mais umas se fazes favor. É assim que acaba o jantar com mais uma das garrafas que me couberam deste vinho...vai na segunda e sempre agradou e encantou. Amigo da mesa, amigo dos amigos e amigo da carteira, quando se sabe o preço é a festa completa, afinal o muito bom pode ser barato e dar 14€ por um vinho assim compensa muito. Por cá tudo na mesma, reparei numa revista que foi lançado mais um vinho xpto a 50€ a garrafa...
17 - 93 pts

08 junho 2010

Casa de la Ermita

A Casa de la Ermita (Espanha) nasce em 1999 a partir do projecto de uma família ligada desde sempre à agricultura. Situada em El Carche, serra com uma das montanhas mais altas de toda a região de Múrcia, faz também parte de um Parque Regional Protegido. Como símbolo para o projecto foi escolhida uma oliveira centenária que se encontra à entrada da adega, esta fonte de inspiração que une a tradição da agricultura de Jumilla com a moderna tecnologia utilizada na adega do produtor.

Jumilla é uma terra de sol e pouca chuva, os seus solos são rochosos e áridos, onde crescem vigorosas cepas, sendo a alma da região sem dúvida alguma a uva Monastrell, dominando cerca de 85% do vinhedo de Jumilla e a terceira mais plantada em toda a Espanha. Nesta DO os brancos são dominados pelas castas Airen e mais recentemente pela Macabeo, resultando em vinhos leves, boa dose de fruta, muito limpos, frescos e bem balanceados, em que a presença do Mediterrâneo faz-se sentir. Nos vinhos rosé temos a Monastrell, e nos tintos também domina a Monastrell complementada por outras castas como Merlot, Syrah, Cabernet-Sauvignon e Cencibel (Tempranillo). A área total de vinha na Casa de la Ermita ronda os 182 ha, dominando a Monastrell com 58,5 ha e como curiosidade na parcela experimental de 32 ha consta a Touriga Nacional.

A adega que funciona por gravidade, fica rodeada pelos vinhedos a mais de 700 metros de altitude, onde flora e fauna convivem livremente, contando com uma cave para 4.200 barricas de 225 litros. Os vinhos deste produtor que tive oportunidade de provar em prova horizontal revelaram acima de tudo uma boa relação preço/qualidade, com alguns exemplares a merecerem uma aposta quase obrigatória para um consumo diário ou mesmo para guarda a médio termo. São na sua essência vinhos frescos, onde a fruta mostra sempre um lado limpo e maduro sem nunca deixar de lado qualquer identidade mascarada por artifícios que pouco ou nada fazem falta e que na sua essência mostra um certo ar Mediterrânico.



Lista de vinhos provados com uns breves apontamentos (notas individuais a sair em breve):

Casa de la Ermita Branco (Viognier) 2008: Conjunto com boa intensidade, tudo muito arrumado e limpo, pêssego, alperce, pêra e ananás com toque melado/calda a dar leve sensação de untuosidade, floral e mineral. Na boca tem leve frescura e menos presença que no nariz, apesar da boa delicadeza e finura do trato. 88/100

Casa de la Ermita Joven Monastrell/Syrah 2008: Feito em exclusivo para a exportação, muito primário nos aromas, simples e directo, as castas envolvem-se e o resultado é um vinho de corpo delgado mas não franzino, com fruta adocicada, pimenta e alguma aspereza vegetal, num todo ligeiramente fresco. Um vinho que vai bem com carnes grelhadas e sardinhas. 85/100

Casa de la Ermita Monastrell Ecológico Crianza 2006: Diferente, assente em toques gulosos e frescos, muita fruta e muita harmonia, acaba por ser um vinho simpático e de fácil agrado. Perfeito para acompanhar as refeições do dia a dia. 88/100

Casa de la Ermita Petit Verdot 2005: Um dos melhores exemplares da casta em solo Espanhol, fruta fresca e madura, boa exuberância com algum exotismo num travo verdot com pimenta verde e bálsamo vegetal, leve envolvência de conjunto com boca de boa amplitude, frescura e taninos a darem corpo ao manifesto. 91/100

Casa de la Ermita Reserva 2004: Abre com tempo no copo, coeso e a mostrar uma boa complexidade, com madeira a dar muita coisa boa embrulhada na frescura da fruta preta e alguma compota. Amplo e bem estruturado, digamos que está no ponto, madeira e fruta em bom nível de entendimento, bálsamo vegetal, chocolate preto, frescura e um belo final. 91/100

Pico Madama 2006
: Um belíssimo vinho, estruturado e rico, pleno de harmonia com força de conjunto apoiado em boa madeira. Sente-se coeso, fechado mas debita já fruta madura com toques de boa intensidade balsâmica, conjunto fresco, complexo, guloso e cheiroso. Muito bem balanceado na boca, amplo, com algum vigor, chocolate preto, compota, frescura, taninos a dizer queremos dormir e longo final. Deste só não compra quem não quer... 93/100

Casa de la Ermita Monastrell Dulce 2006: Um vinho doce natural, uvas secas ao sol com passagem por madeira. O nariz é dominado pelos frutos do bosque maduros e muita compota, frescura, boas notas de especiarias doces (canela). Boca conjuga bem a doçura com a acidez, não é muito amplo, passagem harmoniosa e prazenteira em bom final. 90/100
 
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