Da vontade de criar algo seu, Margarida Cabaço entendeu dar o seu nome ao "seu" vinho, sem esquecer que é também o rosto dos vinhos Monte dos Cabaços (Estremoz). Esta gama que se assume como Especial mostra em tom de branco e de tinto o que de melhor o ano deu, ou se quisermos o que Margarida mais gostou. E é dentro deste lema que surge este Margarida tinto da colheita de 2010, preço a rondar os 18€, onde brilha a casta Alicante Bouschet. Um vinho sem pressas, nem se importa ele nem nos importamos nós com todo o tempo que passou e esperou até nos chegar ao copo, desde a passagem pela madeira e posteriormente pela garrafa o vinho só sai quando se acha que deve sair. Disto isto e sem que por isso fique beliscado, os vinhos do Monte dos Cabaços já deram provas que a passagem do tempo para eles é algo natural a ver pela boa evolução que costumam mostrar. Este tal como as colheitas anteriores mostra-se de peito cheio, muita fruta sumarenta, denso, carga vegetal a meio do percurso com leve tosta, sensação de alguma grafite em conjunto com bastante frescura, no caminho da elegância embora com corpo para durar largos anos em garrafa. 93 pts
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15 março 2016
01 março 2016
Monte dos Cabaços
Por vezes as decisões acertadas que tomamos na vida abrem os caminhos do sucesso, esta como muitas outras é uma história de sucesso. Tudo começou quando a jovem Margarida chegou a Estremoz, quis o destino que fosse ali encontrar o seu amor, Joaquim Cabaço, descendente da família Cabaço. Joaquim desde cedo aprendeu as artes do campo e da vinha, foi ele o responsável por plantar as actuais vinhas com a sua mulher Margarida em 1992. Na altura sem produção ou adega própria, toda a produção de uva era vendida a produtores da região, por outro lado era a paixão pela cozinha que iria levar a que em 1994 Margarida Cabaço inaugurasse um dos templos da cozinha Alentejana, o Restaurante São Rosas.
Apesar de toda a arte e mestria que Margarida coloca na sua cozinha, sentiu em determinado momento a necessidade de a complementar com algo mais, com algo que tivesse também o seu cunho, a sua mão. Nascia com a colheita de 2001 o projecto Monte dos Cabaços e as uvas que antes eram vendidas agora davam origem ao primeiro vinho do casal, curiosamente um Syrah produzido a partir de uma vinha com três anos. De um total de 130 hectares de vinha, entre uva branca e tinta, 55 ficaram para o projecto Monte dos Cabaços com os restantes a irem para o seu filho Tiago Cabaço. Hoje em dia a gama de vinhos cresceu e está mais composta, a enologia está a cargo da enóloga Susana Estéban mas cabe sempre a Margarida a última palavra. O processo de escolha começa na vinha tal como o faz aos produtos que coloca no São Rosas, critério de qualidade sempre presente. Os melhores lotes têm direito a passar por barrica e quando se mostram de patamar superior vão para o Monte dos Cabaços Reserva. Quanto à gama de vinhos especiais de nome Margarida, os quais não irei abordar por agora, são vinhos elaborados com a melhor casta de cada colheita, da qual uma parte ajuda a complementar os lotes dos restantes vinhos.
O primeiro branco nasceu em 2005, agora temos o Monte dos Cabaços Colheita Seleccionada branco 2013 em prova que junta as castas Antão Vaz, Arinto e Roupeiro, apenas com passagem por inox. A mostrar-se com fruta (citrinos, maçã) vigorosa e muito madura, folha verde de limoeiro e flores brancas num conjunto directo e franco mas onde se nota algum nervo. Na boca mostra-se algo tenso, equilíbrio entre a fruta madura e suculenta e a secura, todo ele fresco e com bom final. 89 pts
Nos tintos, o Monte dos Cabaços Colheita Seleccionada 2009 mostra-se muito centrado na fruta madura, muita baga e frutos do bosque, alguma ameixa, notas de chocolate preto, tabaco, pimenta preta, tudo fresco e com boa intensidade. Conjunto bem estruturado, passagem saborosa com frescura em final longo. Daqueles que não falha. 90 pts
Para último fica o Monte dos Cabaços Reserva 2008 feito de Touriga Nacional e Alicante Bouschet, com estágio em barrica. Um vinho atractivo e sério, com fruta preta muito madura envolvida em frescura e alguma geleia, boa harmonia de conjunto com notas de especiarias e uma muito boa concentração onde a barrica aparece muito bem integrada. Muito envolvente ao mesmo tempo que mostra nervo e garra, até alguma austeridade que se faz sentir em pano de fundo. Na boca é um festival de sensações que nos agarra ao copo com a fruta muito limpa a explodir de sabor, muita garra e frescura com estrutura firme que lhe garante longevidade e uma fantástica prestação à mesa. 93 pts
30 outubro 2013
Monte dos Cabaços Colheita Seleccionada branco 2011
Os vinhos da produtora Margarida Cabaço são vinhos com personalidade bem vincada, num simples desenrolar de conversa a forma apaixonada com que nos fala dos seus "meninos" dá para entender que por detrás dos seus rótulos moram vinhos com uma identidade muito própria e isto nos dias de hoje tem mais valor do que se possa imaginar. Em foco o Monte dos Cabaços Colheita Seleccionada branco da colheita de 2011, relembro aqui a primeira colheita (2005), lote de Antão Vaz, Arinto e Roupeiro mantido no frio do inox até saltar para dentro da garrafa.
Sem ser muito exuberante, é um vinho sério que mostra uma boa quantidade de fruta bem madura, limpa, fresca e saborosa, lembra limão, maçã verde, toranja, lima, folha verde de limoeiro e flores brancas. Fundo dominado por mineralidade, um vinho de boa complexidade onde se sente o nervo, com belíssima frescura/acidez na boca, muito bem estruturado com boa harmonia de conjunto. O tempo está a ser bom conselheiro, o vinho mostra-se cada vez refinado, a fruta amadureceu e começa a estar envolta em calda, presença boa no palato em final de boa persistência. O preço que ronda os 5/6€ será motivo para o ter mais vezes por perto. 91 pts
Monte dos Cabaços Reserva 2005
Este Monte dos Cabaços Reserva 2005 foi-me apresentado pela primeira vez no Restaurante São Rosas (Estremoz) a convite da produtora e proprietária do espaço, Margarida Cabaço. O vinho conquistou-me na altura pela frescura, complexidade e vigor que debitava no copo, quanto mais rodopiava mais atractivo se tornava. Desde então tem sido um vinho que tenho acompanhado com alguma regularidade, mostrando uma evolução muito bonita, relembro que por 15€ podemos ter um belíssimo vinho na nossa mesa.
Gosto e destaco neste vinho a facilidade com que nos cativa, sem deixar por isso de ser um tinto sério, que combina vigor e frescura, com uma limpeza da fruta que se destaca no nariz e saboreia na boca. Amplo e de bela complexidade a mostrar muita fruta vermelha bem sumarenta envolvida em compota, madeira por onde passou durante 12 meses está integrada e resta-lhe a serenidade que apenas o tempo lhe pode dar. Tem arcaboiço suficiente para acompanhar pratos de caça ou umas saborosas bochechas de novilho estufadas em vinho tinto. 92 pts
| Bochechas de Novilho estufadas em vinho tinto by Restaurante São Rosas |
Etiquetas:
2005,
Alentejo,
Monte dos Cabaços,
Tinto
Local:
Arcos, Portugal
11 setembro 2006
PROVA Monte dos Cabaços Branco 2005
Tonalidade citrino médio com leve dourado.
Nariz a mostrar boa intensidade, com parte floral ao lado de fruta que bem parece uma salada de frutas com tropical, citrino e alguma fruta branca a mostrar-se com tudo bem maduro e fresco e fundo mineral.
Na boca tem boa entrada, acidez a marcar presença com frescura, fruta presente apesar de a complexidade perder um pouco para o nariz, equilibrado e a dar boa prova com final de boa persistência e mineral de fundo.
Uma novidade deste não tão recente produtor de Estremoz, desta vez o Monte dos Cabaços cuja proprietária é dona do Restaurante São Rosas e da Garrafeira Coisas de Baco em Estremoz onde este vinho se pode comprar por 6,50€ e a procura tem sido muita.
Um vinho que se mostra uma boa estreia e a afinar em anos futuros.
15
Na boca tem boa entrada, acidez a marcar presença com frescura, fruta presente apesar de a complexidade perder um pouco para o nariz, equilibrado e a dar boa prova com final de boa persistência e mineral de fundo.
Uma novidade deste não tão recente produtor de Estremoz, desta vez o Monte dos Cabaços cuja proprietária é dona do Restaurante São Rosas e da Garrafeira Coisas de Baco em Estremoz onde este vinho se pode comprar por 6,50€ e a procura tem sido muita.
Um vinho que se mostra uma boa estreia e a afinar em anos futuros.
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