Copo de 3

16 julho 2007

Adega Coop Borba Syrah

Numa pequena limpeza de garrafeira, escolhi dois syrah da Adega Cooperativa de Borba, das colheitas 2003 e 2004.
Ambos os vinhos já aqui foram provados, se é verdade que estes vinhos quando lançados para o mercado dão uma bela prova, como será que se comportam com a passagem do tempo ?

Adega Coop. Borba Syrah 2003
Castas: 100% Syrah - Estágio: n/indicado -

Tonalidade ruby escuro de média concentração.
Nariz a mostrar um perfil de alguma austeridade inicial, tinta da china e alguma borracha queimada a passar com algum tempo de repouso. Surge logo depois um aroma de fruta muito madura com toque compotado, ligeira marmelada com tudo muito fino e certinho, fumo, especiarias, tabaco e fundo vegetal seco.
Boca com entrada a revelar boa estrutura, sem grande complexidade no mesmo plano que a prova de nariz, fruta com ligeira frescura num todo a mostrar algum desgaste. Tabaco e ligeira secura vegetal aliada a especiaria marcam a restante passagem de boca, com final mediano.

Um vinho que se comparado com o que era quando saiu se mostra algo cansado e desgastado. A prova que proporciona ainda consegue ser agradável, mas mostra-se claramente com sinais que não dura muito mais tempo. A beber o que tiver.
14,5

Adega Coop. Borba Syrah 2004
Castas: 100% Syrah - Estágio: 4 meses em madeira de carvalho francês e americano com 5 meses em garrafa - 14% Vol.

Tonalidade ruby escuro de média concentração.
Nariz de média intensidade, fruta presente com ligeira compota, prontamente suplantada por ligeira austeridade química. Fundo com vegetal em conjunto com especiarias, ligeira frescura com boa presença das notas derivadas da madeira, torrado, baunilha e algum cacau.
Boca com entrada de estrutura média, rasto especiado com toque químico, que em conjunto com ligeira fruta e vegetal se arrasta pelo palato. Médio no que toca a frescura de conjunto, em final médio/baixo.

O meu optimismo leva a dizer que talvez seja uma fase menos boa deste vinho, talvez esteja em revolução e em afinações de conjunto, quando lançado não era assim... revela pois também ele a passagem do tempo.
São muitos talvez para um vinho, que no conjunto se mostrou menos agradável que o 2003.
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Em jeito de conclusão, são vinhos que ganham claramente se consumidos no primeiro ano de vida, podem sem problemas ser deixados esquecidos na garrafeira, mas neste caso ganham muito pouco. Temos outros exemplos deste produtor que com o passar do tempo ganham claramente em refinamento e complexidade, Trincadeira-Alicante Bouschet.

Campolargo Arinto

Da casa Campolargo saiu da colheita 2003 um Arinto em formato Magnum, seria um vinho que imediatamente iria deixar os apreciadores com os olhos postos neste branco para colheitas futuras. Agora é altura de provar as duas colheitas que sairam depois o 2003 inaugural.
Temos o 2004 bastante aclamado pelos consumidores, neste momento a contar quase com 3 anos de idade, e que em grande medida se espera que o tempo tenho tratado bem dele, como todos os grandes brancos merecem.
Já o 2005 é uma colheita mais recente no mercado, igualmente promissora e que é com alguma curiosidade que se vai provar.

Campolargo Arinto 2004
Castas: 100% Arinto - Estágio: fermentação em carvalho francês durante 6 meses - 13% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de boa concentração com ligeiro toque dourado.
Nariz de boa intensidade, fruta bem madura nas vertentes tropical, citrina abraçada a ramalhete de flores brancas de belo efeito. Alguma calda de fruta escorre pelo copo com ponta vegetal que se une a leve mineral, chá com baunilha e toque sumido de tosta.
Boca de muito bom nível, tudo aqui está correcto e sem desalinhar, confirma-se a boca num vinho que se mostra capaz de agradar ao mais incauto dos provadores, as notas de fruta integram-se com baunilhas e tosta dando um arredondamento e untuosidade final ao conjunto bastante agradável. A frescura não vira costas ao conjunto e guia-nos durante toda a passagem de boca até um final de boa persistência.

Um vinho de grande nível, o tempo apenas acentuou a sua qualidade, refinou e poliu algumas arestas, um Arinto a conhecer sem dúvida.
16,5

Campolargo Arinto 2005
Castas: 100% Arinto - Estágio: fermentação em carvalho francês durante 6 meses - 13,5% Vol.

Tonalidade amarelo de baixa concentração com toque esverdeado
Nariz a sentir-se menos complexo que a colheita anterior, mas de igual perfil, com a fruta (citrinos e tropical) e alguma fruta de caroço (pêssego) mais fresca, envolto em ligeira baunilha com torrado, mineralidade ligeira abraçada por toque floral.
Boca a mostrar um vinho bem estruturado, com bom corpo, entrosamento entre fruta e madeira, com a frescura a cumprir o papel que seria de esperar. Mineral joga com alguma calda de fruta no segundo plano, que se arrasta para um travo vegetal.

Não se mostrando com o mesmo nível, quer de estrutura, quer de complexidade que a colheita de 2004, este Arinto 2005 não deixa de ser um belíssimo exemplar do que a casta Arinto pode proporcionar.
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Mateus Rosé Aragonês 2006

Depois de um Mateus Rosé Tempranillo 2004, feito em Valência com um Taste of Spain, eis que surge agora o novo Mateus Rosé Aragonês 2006, numa versão regional Beiras.
Se a versão simples de Mateus Rosé já de si é campeão de vendas, e um caso sério de consistência ano após ano, esta novidade não se fica muito atrás e promete ser campeão de vendas este Verão.

Mateus Rosé Aragonês 2006
Castas: 100% Aragonês - Estágio: n/indicado - 10,5% Vol.

Tonalidade rosada de tonalidade salmão
Nariz jovem, fresco e com a fruta em belo destaque, floral ligeiro num conjunto simples, directo e bem disposto.
Boca com entrada ligeira e tudo muito bem arranjado, fino, frutado, acidez dá boa frescura ao conjunto que se mostra muito ligeiro de concentração com leve sensação adocicada, final de boca que se mostra correcto.

Temos um rosé feito para agradar, tudo no seu sítio, sem grandes complexidades, companheiro de Verão com um preço convidativo a rondar os 3,5€ em grande superfície.
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13 julho 2007

VINUM CALLIPOLE 2007 - O dia depois...

Foi no passado dia 7 de Julho que se realizou em Vila Viçosa o evento de nome Vinum Callipole.

O local escolhido foi o Convento dos Capuchos em Vila Viçosa, mais propriamente nos seus claustros, onde 15 produtores ( Herdade das Servas, Ervideira, Cortes de Cima, Herdade da Malhadinha Nova, Herdade do Portocarro, Alves de Sousa, Azamor Wines, Adega Cooperativa de Borba, Vinhos Dona Berta, Álvaro de Castro, Bago de Touriga, Quinta da Lagoalva, Vinhos Dona Maria, Comenda Grande e Herdade de São Miguel) puderam mostrar os actuais vinhos no mercado e mesmo algumas surpresas. Agradeço também a presença do representante comercial da Schott Zwiesel.

Sempre tivemos uma prova de uvas, bem fresquinhas por sinal
Vários locais deram voz ao Vinum Callipole 2007: Nova Crítica, Clube Optimus Vinhos, Marinadas, Vinho da Casa, Vinho a Copo, Saca a Rolha e até mesmo no jornal regional Brados do Alentejo, de Estremoz.

A verdade é que mais expositores não cabiam, não por minha vontade mas por limitações de espaço. O calor alentejano fez-se sentir nas primeiras horas, com a sorte de sermos bafejados com uma ligeira brisa que refrescava, por momentos, todo o espaço, afinal de contas nunca tive conhecimento que um Convento fosse um local quente.
Um dos principais objectivos deste encontro foi cumprido, trazer produtores de outras zonas ao Alentejo, mostrar que temos muitos e bons vinhos no resto de Portugal e dar a conhecer esses mesmos vinhos aos consumidores do Alentejo, e a todos os visitantes.

Com o gelo quanto baste, os vinhos foram tomando as temperaturas correctas e puderam começar a ser degustados a temperaturas bem mais aliciantes. Os primeiros vinhos a serem provados foram os rosés e os brancos (a temperatura era convidativa) e mais para o final da tarde os tintos foram reis e senhores.
Foi bastante reconfortante ver toda a gente de sorriso na cara, amigos que se reencontravam, produtores bem dispostos, caras bonitas, vinhos em grande forma...

Decorreu entretanto, contando com a ajuda do meu amigo Paulo Silva, uma pequena prova especial intitulada a Volta ao Mundo num Copo de Branco. O local escolhido para a prova foi uma das magníficas salas do convento, gentilmente cedida pelo seu Reitor, Padre Mário Tavares, e onde se juntaram 12 provadores.

Luís Ferreira (Winept) dá a sua opinião sobre um vinho
A prova foi cega e os vinhos foram servidos dois a dois. Terminada a prova de cada par, cada provador deu a sua opinião, foram colocadas questões sobre cada um e no final os vinhos foram descobertos. Os meus escolhidos ficam em bold

JM 2006
Sirius 2006
Redoma 2006
Tiara 2006
Redoma Reserva 2006
Projectos Riesling 2006
Gaja Ross Bass 2003
Torres Milmanda 2004 (excluido com TCA )
Hugel Gewurztraminer 2005
Quinta do Ameal Escolha 2001
Hotel do Buçaco 2001
Cape Mentelle 2004
Beringer Fumé Blanc 2004
Schloss Gobelsburg Gruner Veltliner Steinsetz 2006
Amantis Branco 2006 (Amostra)
Conceito 2006
Secret Stone 2005
Herdade dos Grous 2006
Malhadinha 2006

O Vinum Callipole acabou num jantar convívio, onde a gastronomia típica Alentejana fez as honras da casa. Foram servidos alguns vinhos, gentilmente cedidos pelos produtores presentes, e ainda surgiram algumas surpresas bem agradáveis pelo meio.
No final do jantar foi feito um leilão de vinhos, com o valor apurado a reverter a favor do Seminário de S. José de Vila Viçosa.


Dos poucos vinhos que tive a oportunidade de provar, destacaram-se os seguintes:
AdegaBorba.Pt Rosé 2006
Alves Sousa Reserva Pessoal Branco 2003
Dona Maria Branco 2006
Quinta da Pellada Primus Reserva Branco 2006
Quinta de Saes Reserva Branco 2006
Herdade das Servas Syrah 2005 (amostra)
Momentos Douro 2004
Dona Berta Rabigato Reserva 2006
e um Cavalo Maluco, quem sabe Lusitano, ainda por domesticar que andava perdido pela Herdade do Portocarro.


Foto tirada por: José Cartaxo
Os vinhos do jantar que mais gostei:
Domaine de Pegau Cuvee Reserve 2004
Batuta 2003 em Double Magnum
Niepoort Vintage 2005
Niepoort Colheita 1991

Queria agradecer a todos os produtores presentes, à presença da Schott Zwiesel, a toda a equipa de colaboradores que me ajudaram a levantar este evento em Vila Viçosa, quero dar os meus agradecimentos ao meu Amigo Paulo Silva e à sua namorada por todo o apoio e ajuda que me deram (fotos incluidas), ao Sr. Padre Mário que cedeu todas as infraestruturas e apoiou desde o inicio esta iniciativa, queria deixar nota de agradecimento à UVA Portugal, à Tasca do Joel Gourmet e ao Sr. Dirk Niepoort pelo apoio que foi dado tanto para a prova de brancos como para o jantar.

Agradeço também a todos aqueles que estiveram presentes, e desde já fica a promessa que para o ano cá estaremos com o VINUM CALLIPOLE 2008, num espaço maior mas de igual beleza, mais produtores, mais vinhos e menos calor.


Foto tirada por: José Cartaxo

Obrigado e até para o ano...

Altas Quintas Crescendo 2005

Depois do êxito que foi a entrada no mercado no produtor Altas Quintas, com o Altas Quintas 2004 e o Altas Quintas Reserva 2004, eis que surgem dois novos vinhos desta casa situada na Serra de São Mamede bem perto de Portalegre.

Altas Quintas Crescendo 2005
Castas: Aragonez e Trincadeira - Estágio: 12 meses barrica carvalho francês e americano - 14% Vol.

Tonalidade granada escuro de média concentração.
Nariz com aroma de boa intensidade, fruta negra e vermelha bem madura em parceria com ligeiro toque vegetal da Trincadeira. Tudo isto se envolve em notas derivadas pela passagem pela madeira, especiaria à cabeça com cacau, caramelo e ligeira tosta da madeira. No fundo passa uma brisa balsâmica a dar frescura a este conjunto que se mostra correcto, bastante apelativo e acertado.
Boca com entrada bem estruturada, continua na onda afinada que mostrou na prova de nariz, tudo bem delineado, travo de frescura, especiaria ligeira com fruta bem delineada. Mostra ligeira secura no final de persistência média.

É mais um vinho a ter em conta, a mostrar bem o cunho da casa Altas Quintas, um vinho muito bem feito e a dar uma prova muito agradável de momento.
15,5

Altas Quintas Crescendo Rosé 2006

Depois do êxito que foi a entrada no mercado no produtor Altas Quintas, com o Altas Quintas 2004 e o Altas Quintas Reserva 2004, eis que surgem dois novos vinhos desta casa situada na Serra de São Mamede bem perto de Portalegre.

Altas Quintas Crescendo Rosé 2006
Castas: Aragonez - Estágio: a destacar a maturação de 5 meses - 13,5% Vol.

Tonalidade salmão com rebordo rosado.
Nariz de intensidade média, muito fresco e com fruta vermelha madura bem presente, tudo isto aliado a uma envolvência a lembrar torrefactos, com destaque para ligeiro toque fumado, caramelo de leite e café creme. Mostra ainda em segundo plano um toque floral que se mostra algo fugaz a par de um toque vegetal de mesmo efeito.
Boca de entrada média ao fruto bem maduro, mostra-se equilibrado nas suas vertentes, frescura patente na passagem de boca com alguma elegância em final médio com recordação de tosta.

Um rosé diferente, sóbrio e bem conseguido, com preço a rondar os 8€ numa grande superfície comercial.
15

07 julho 2007

VINUM CALLIPOLE 2007

Numa iniciativa d´ O Copo de 3, decorrerá no próximo dia 7 de Julho, nos Claustros do Convento dos Capuchos, em Vila Viçosa, o evento Vinum Callipole 2007, com a participação de alguns produtores de vinho, a nível nacional.

Lista de produtores presentes: Herdade das Servas, Ervideira, Cortes de Cima, Herdade da Malhadinha Nova, Herdade do Portocarro, Alves de Sousa, Azamor Wines, Adega Cooperativa de Borba, Vinhos Dona Berta, Álvaro de Castro, Bago de Touriga, Quinta da Lagoalva, Vinhos Dona Maria, Comenda Grande e Herdade de São Miguel.

Um evento em que poderá provar o que de melhor eles têm para nos oferecer, assim como, e de um modo informal, falar com produtores, enólogos e responsáveis, sobre os vinhos presentes, o que têm no mercado e as novidades que estão para aparecer.

Claustros do Convento dos Capuchos, uma atmosfera calma e relaxante


VINUM CALLIPOLE – 2007


7 Julho | 16h – 20h00

Claustros do Convento dos Capuchos Vila Viçosa

Entrada: 5 €
Copo Schott Din Sensus incluído


Linha de Informação: 967 344 226

copo_de_3@hotmail.com (reserva de entradas)
www.copod3.blogspot.com

Nota: as entradas são limitadas, aconselha-se a reserva com antecedência.

02 julho 2007

Chateau Peyroutas Saint-Emilion Grand Cru 2000

Antes de dar a conhecer este vinho, convém explicar para os mais distraidos que este é um vinho proveniente da região Francesa de Bordéus.
Esta região divide-se em várias outras zonas, Graves, Médoc, Saint-Émilion... onde na categoria principal se inserem os vinhos de Appelation Contrôlée (equivalente ao DOC em Portugal) e foi implementada para prevenir as fraudes, estipulando as castas que podem ser cultivadas, qual a quantidade de produção e como deve ser produzido e maturado o vinho.
Neste caso estamos presente um vinho de Saint-Émilion, região que classifica a qualidade dos seus vinhos como Premier Grand Cru Classé, Grand Cru Classé e Grand Cru.
Olhando o rótulo podemos então saber toda a informação sobre este vinho, zona, ano, classificação no que toca à sua qualidade...

Chateau Peyroutas Saint-Emilion Grand Cru 2000
Castas: - Estágio: n/indicado - 13% Vol.

Tonalidade ruby escuro de média concentração.
Nariz com aroma de mediana intensidade, fruta vermelha e negra bem presentes, frescura patente com especiarias, ligeira geleia e algum couro, a baunilha é fina e muito bem casada com todo o conjunto. Num todo que não se mostrar de grandes complexidades ou mesmo concentrações temos uma sensação de um vinho fino e equilibrado mas a que lhe falta algo mais. Mostra componente vegetal em sintonia com balsâmico no segundo plano com notas fumadas em final.
Boca com boa entrada, leve e arredondado, frescura suave percorre o palato, fruta com ligeiro toque vegetal, lembra quando se morde um morango maduro com a parte verde incluida. Ligeiro de conjunto, mostra-se apesar de tudo agradável.

Temos um vinho que se mostrou diferente, mas não é por ser diferente que obriga a ser melhor ou pior, neste caso não despertou grande entusiasmo, pode não ter sido uma experiência que nos leve a ter noção do real valor de um Grand Cru de Saint-Emilion, este exemplar custou 2,90€ e foi mais a curiosidade que outra coisa.
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29 junho 2007

Esporão Reserva Branco 2001

Hoje em dia muita gente pode questionar para que serve uma garrafeira, porque razão se guarda o vinho durante largos períodos de tempo ?
Com o fervilhar de marcas que o mercado global atravessa, é muito normal que para alguns o beber o maior número de novidades seja um objectivo, o ir a correr comprar um determinado vinho que a crítica colocou num pedestal, e num piscar de olhos esse mesmo vinho nem dois meses parou lá por casa. Diz um amigo meu que se podem estragar as garrafas e por isso mesmo não gosta de lhes dar descanso.
A verdade na maioria dos casos, é que viver num apartamento não dá grandes perspectivas de uma boa evolução a quem deseja guardar vinhos de elevado preço, durante muito tempo, e onde quase sempre a solução é comprar uma cave climatizada.
Ora com tudo isto, se para os tintos já é um problema, para os brancos então o melhor é nem falar... quem é que no seu perfeito juízo vai guardar vinho branco ? Xiii isso já deve estar tudo estragado....
Desta vez resolvi passear pelos brancos do Alentejo, fui até ao Esporão e resolvi abrir o último Moicano da sua estirpe, era a última deste ano e andava por lá meio perdida, pensava eu que já o tinha bebido faz algum tempo quando dei por ele repousando num recanto da garrafeira.

Esporão Reserva Branco 2001
Castas: Roupeiro, Arinto e Antão Vaz - Estágio: 6 meses carvalho americano - 14% Vol.

Tonalidade amarelo citrino com suave dourado presente.
Nariz a revelar um conjunto de boa intensidade, a fruta está presente aliada a uma boa dose de frescura que se faz notar, notas bem maduras com notas tropicais (ananás em calda, lichia) e citrinos com toranja. A envolver e bem, toda esta fruta, temos umas notas de barrica muito bem integradas, com suave amanteigado e toque de baunilha algo fugaz. A contrabalançar surge ligeiro vegetal com algum floral, no fundo domina um ligeiro petrolado que é resultado de uma evolução positiva deste branco. Final mineral e ligeiramente fumado.
Boca a apresentar uma estrutura bem delineada, corpo mediano, com acidez suficiente para dar frescura ao vinho, fruta bem madura com ligeiras notas de chá preto, pecando ligeiramente no final de boca que se mostra algo curto.

O que perde em exuberância ganhou em algum refinamento e ligeira complexidade, um vinho que mostra claramente que os vinhos brancos no Alentejo e mesmo em Portugal, desde que tenham qualidade, conseguem dar belas surpresas passados uns anos de esquecimento na garrafeira.
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Casal da Coelheira Chardonnay 2006

É do Ribatejo que vem o próximo branco, mais propriamente do Centro Agrícola do Tramagal de onde sai este varietal Chardonnay.

Casal da Coelheira Chardonnay 2006
Casta: 100% Chardonnay - Estágio: 75% fermentou em barricas de carvalho francês, seguindo-se um estágio de seis meses nas mesmas barricas com batonnage; os restantes 25% fermentou em cubas de inox com controlo de temperatura - 13,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino com leve dourado
Nariz a mostrar um vinho com intensidade mediana onde e fruta tropical se mostra presente em conjunto com ligeiro pêssego, pêra e maçã. Não mostra muita complexidade, apesar de dar a sensação de alguma cremosidade/amanteigado que se desvanece num ligeiro floral. Tudo sem grande consistência ou complexidade.
Boca com entrada suave e mediana, bem equilibrado, tudo muito certinho, passagem de boca correcta, fruta madura com frescura durante a passagem de boca. Arredondamento e final de boca ligeiro.

Não é dos exemplares Portugueses de Chardonnay que mais entusiasma, a casta anda meio atordoada sem o perfil a que nos acostumou. Custou cerca de 4,5€ em grande superfície.
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PROVA Casa de Santa Vitória Branco 2006

Retomando as provas, vamos dedicar algum tempo aos vinhos brancos, desta vez com a colheita 2006 do Casa de Santa Vitória, um produtor de Beja que viu este ano o seu Reserva Branco 2006 vencer a Talha de ouro da Confraria dos Enófilos do Alentejo.

Casa de Santa Vitória Branco 2006
Castas: Arinto, Antão Vaz e Chardonnay - Estágio: não/indicado - 13% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de rebordo ligeiramente esverdeado
Nariz a evidenciar um vinho jovem e fresco, boa intensidade com fruta tropical em harmonia com notas de citrinos e alguma pêssego. Mostra uma ligeira passagem floral com pedra húmida no final (mineral).
Boca com boa entrada, fruta tropical presente com finura e equilíbrio, a acidez presente oferece uma frescura que se mostra suave e correcta, acompanhando toda a passagem de boca. Acaba com ligeiro travo vegetal em mistura com rebuçado de limão, em final médio.

Um vinho bem feito, não desponta grandes complexidades, vem a afinar colheita após colheita com ligeiras variações de lote, este parece-me o melhor de todos, no ponto para ser consumido durante o Verão. Custou cerca de 4€ em grande superfície, um valor a ter em conta nos brancos do Alentejo.
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22 junho 2007

PROVA Comenda Grande - Polémico 2004

Do Monte da Comenda Grande, perto de Arraiolos, sai este novo vinho com nome preparado para causar impacto junto ao consumidor.

Comenda Grande - Polémico 2004
Castas: Cabernet Sauvignon e Syrah - Estágio: carvalho francês - 14% Vol.

Tonalidade granada escuro de média concentração
Nariz a mostrar logo de início que temos um vinho diferente, pelo menos que sai do habitual Alentejo. Fruta bem madura envolta em compota, revelando uma bela ligação com especiarias (pimentas) e alguma baunilha. Os aromas continuam a mostrar-se, cacau ligeiro com segundo plano a mostrar pimento verde, toque fumado com ligeiro vegetal folhas secas de eucalipto.
Boca com entrada estruturada, frescura ligeira com ligeira baunilha presente, mediano de corpo com fruta presente em boa dose, toque vegetal que recorda o pimento verde, com certo arredondamento. Final de boca com boa consistência e de persistência média.

Um vinho claramente diferente, até mesmo pelo lote escolhido que não prima pelo domínio das castas mais tradicionais do Alentejo. É mais um bom exemplar deste novo produtor, e que polémicas aparte vale bem a pena ser conhecido.
15,5
 
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