Copo de 3

31 dezembro 2005

PROVA Pera Manca 1997

Provar um grande vinho é sempre uma boa maneira de acabar o ano 2005, e começar em beleza o ano de 2006.
Mais uma vez a escolha foi um Pêra Manca, vinho que não precisa de muitas apresentações...
Feito com Aragonês e Trincadeira, apresenta-se com 14,5% , o vinho foi decantado, tendo a garrafa o número 929.
Mostrou-se muito complexo e intenso de aromas, com a fruta vermelha em compota de grande qualidade, alguma marmelada, com o trabalho de madeira muito bem integrado no conjunto com notas muito finas de torrados, baunilha.
Aberto quase 4 horas antes, o vinho não pára de mostrar novos aromas mostrando um bouquet de grande complexidade e qualidade, com mais chocolate, caramelo, especiarias (canela, cravinho, pimenta), tabaco (charuto) tudo em grande harmonia e que apetece cheirar e voltar a cheirar, pode-se tornar um vício...
Na prova de boca tem entrada de grande nível, torrados aliadas a chocolate e fruta em compota com algum vegetal, mostrando taninos sedosos, uma boca de luxo, frescura presente e a suficiente para que o vinho se mantenha agradável e sem se tornar enjoativo. Final de boca muito elegante e muito persistente, ligeiramente apimentado, no final apetece abrir mais uma garrafa.
Mostrou qualidades que só alguns vinhos conseguem atingir, justificando o motivo do seu estatuto de ícone da enologia em Portugal. Este 1997 custou 32€ na adega na altura do seu lançamento, justificando na sua plenitude o investimento feito, fora das loucuras dos 150€ que depois se pedem por ele.
Mas penso que não devemos tirar méritos a um vinho que os tem e não são poucos...a nota fala por si... 19

PROVA Fillaboa Albariño 2004

Das famosas Rias Baixas na vizinha Galicia, vem das Bodegas Fillaboa, com uma produção de 190.000 garrafas, esta com o número 85154, com 12% e uma tonalidade amarelo de fraca intensidade e rebordo esverdeado.
De aromas intensos, com destaque para fruta tropical bem madura (líchias, banana, ananaz, manga) em conjunto com aromas florais, toque a mel, muito fresco de aromas com final mineral.
Na prova de boca tem corpo mediano, com presença de fruta tropical (ananaz, manga) mostrando-se fresco e de boa prova na boca com a acidez muito bem colocada no conjunto, leve mineral acompanhado de um ligeiro sabor a lima, com persistência final alta.
Belo Albariño de uma das mais famosas casas de Galicia, com um preço aproximado de 8€ é uma excelente aposta. 16,5

29 dezembro 2005

PROVA Touriga Nacional

Relativamente à casta do mês de Dezembro, Touriga Nacional, foi realizada esta prova cega com alguns exemplares do Alentejo.
Decantados os vinhos cerca de 1 hora antes, colocados em decanters númerados. Por ordem de prova os vinhos foram:

Cooperativa de Borba Touriga Nacional 2003

De tonalidade ruby, intensidade média, com 4 meses de estágio em carvalho francês, de boa intensidade aromática, com fruta negra madura, ligeira compota, vegetal e algum floral. Mostrou com o tempo alguns aromas balsâmicos a mentol, especiarias, poejo, leve torrado, fumo, tabaco, leve toque de baunilha, num perfil correcto e fresco. Na prova de boca, mostrou corpo médio, com fruta presente, fresco, persistência final média com ligeira adstringência vegetal. Falta tempo para equilibrar um pouco mais o conjunto que se mostrou com bom nível durante toda a prova, acabando por ficar em último na prova.Um vinho que custa cerca de 6€ na Wine Shop da Cooperativa. 16

Monte Seis Reis Touriga Nacional 2003

De coloração ruby escuro muito concentrado, teve estágio em barrica de carvalho francês durante 8 meses, apresenta-se com 14,5% e uma tonalidade granada escuro, mostrando-se muito concentrado. Na prova de nariz, é muito intenso de aromas, com fruta negra madura,alguma marmelada, notas de pastelaria, fumo, torrados, leve especiarias ligam com violetas, eucalipto e fundo com lembrança a iodo, tudo num conjunto muito forte. Na prova de boca tem corpo médio/forte, fruto a marcar presença, leve adstringência vegetal, com frescura, final persistente e balsâmico (eucalipto). É um vinho cheio de força, ainda um pouco escondido e com tempo pela frente...segundo lugar, custando cerca de 15€ na loja do Monte Seis Reis. 17,5


Herdade das Servas Touriga Nacional 2003

Provado novamente este vinho, que teve estágio de um ano em barrica nova de carvalho francês (70%) e americano (30%), com 14,5% e uma tonalidade ruby escuro, com rebordo violeta. No nariz mostrou-se intenso e fresco, com entrada a fruta negra muito bem integrada com aromas a baunilha, violetas, ligeiro torrados num vinho muito fresco de aromas, abrindo para aromas de chocolate, café, tabaco, e final mentolado, com perfil fino e equilibrado de grande qualidade. Na boca tem corpo médio/encorpado com taninos muito delicados, ligeiramente mentolado com frescura no ponto, equilibrado no conjunto boca/nariz com persistência final média/alta. Foi um vinho que pelo seu equilibrio e harmonia de conjunto foi escolhido como vencedor da prova. Tem um preço de 13,5€ na loja da Herdade das Servas. 17,8

Dolium Selectio Touriga Nacional 2003

Do produtor Eborae Vitis e Vinus, temos este Dolium Selectio Touriga Nacional 2003, com 13,5% e uma tonalidade granada escuro. Na boca mostrou entrada com fruta negra madura em conjunto com alguma baunilha, ligeiro balsâmico(mentol) com vegetal, presença da madeira, torrado, tabaco, chocolate acabando com um final mineral. Na boca tem corpo médio/encorpado com mentol presente em conjunto com a fruta e torrados da madeira, tudo em grande harmonia com acidez a dar frescura correcta ao vinho, com final ligeiramente mineral. Mostra-se um vinho harmonioso de nariz e boca, dando uma prova muito boa neste momento, mostrando um perfil algo diferente dos restantes, mas que não foi o suficiente para vencer a prova, custou em garrafeira cerca de 18€, ficando em terceiro lugar na prova. 17

Um factor interessante é que com a mesma casta, e com vinhos quase todos da mesma zona, as diferenças que se notam nos vinhos são mais que óbvias. A palavra Terroir, aliada à mão de diferentes enólogos são a explicação, mas a qualidade é alta e recomenda-se, afinal todos diferentes todos iguais.

28 dezembro 2005

PROVA Casa de Santa Vitória 2003

Depois de provado o Insólito, é provado agora o vinho da gama média, o Casa de Santa Vitória 2003.
Elaborado com as castas Trincadeira, Aragonês e Syrah, tem estágio de um ano em barricas novas de carvalho americano e francês, apresentando-se com uma tonalidade ruby escuro e 14%
No nariz tem uma intensidade média, com fruta (ameixa, groselha, amora), fumo, torrados, ligeira baunilha com toque vegetal, toffee, algum chocolate e ligeira especiaria.
Na boca, mostra corpo mediano, com presença da fruta, fresco e suave dando uma prova agradável com presença de especiaria e chocolate, com um final de boca médio/longo, com um preço de 4,50€.
15

PROVA Attelea Tempranillo Roble 2004

Vinho das Bodegas Ruiz Torres, da zona Espanhola de Ribera del Guadiana, elaborado com Tempranillo.
Teve estágio de 45 dias em barrica de carvalho, apresenta-se com uma tonalidade ruby escuro e 12,5%.
No nariz apresenta-se com fruta madura, leve toque a baunilha com ligeiro toque floral.
Na boca tem corpo médio/fraco, frutado, com leve adstringência no final de boca.
Com um preço de 3,40€ é um vinho simples e correcto sem acrescentar nada de novo. 13

27 dezembro 2005

PROVA Wente Vineyards Chardonnay 1998

Este Chardonnay proveniente da Califórnia, Central Coast, apresentando-se com 13,5% e uma tonalidade amarelo dourado, de mediana intensidade e de aspecto glicérico.
Mostrou-se no nariz com aroma de intensidade média/baixa, fruta branca presente (melão e pêra), leve floral em conjunto com uma baunilha derivada da madeira, presente e bem integrada no conjunto.
Na boca mostra-se de corpo médio/fraco, tem boa entrada com fruta presente em conjunto com uma acidez presente a dar uma frescura agradável ao conjunto, suave e fino, com final de boca com persistência final média/alta.

14,5

26 dezembro 2005

PROVA Beaujolais Nouveau 2005

Beaujolais [BOE-zjoh-lay] Nouveau é proveniente da região Francesa de Beaujolais, que recebe o nome devido à localidade de nome Beaujeu, onde as uvas são por lei, apanhadas manualmente, e sai sempre para o mercado na terceira terça-feira de Novembro.
São vinhos elaborados pelo processo de maceração carbónica com o objectivo de extrair côr, aromas, colocando a adstringência de lado, onde a uva Gamay é protagonista.
Apresenta-se com bonita tonalidade ruby e 12%.
Muito aromático, com muita fruta vermelha bem madura presente (amora, framboesa, morango), ao lado de uns aromas florais bem ligados com o conjunto, num vinho que se mostra fresco de aromas e muito agradável.
Na boca, mostra-se com fruta bem presente, suave e fresco na boca, com final médio e bastante frutado, com preço de 4,80€.
14,5

PROVA Moselland Divinum Qualitatswein Trocken Riesling 2004

Vinho da Alemanha da zona de Mosel, elaborado com a casta Riesling, considerada por muitos como a mais nobre casta branca.
Com uma tonalidade amarelo pálido, com rebordo esverdeado e 12,5%.
Mostrou-se com média intensidade de aromas, fruta (maçã verde, pêra), floral, com leve mineral mostrando-se tudo bastante equilibrado e agradável.
Na boca tem entrada leve, frutado e agradável, rico e saboroso com final mediano e levemente seco no final.
Um vinho de entrada no mundo dos Riesling que deu vontade de repetir.
14,5

24 dezembro 2005

PROVA Royal Tokaji Blue Label, Aszú 5 puttonyos 1996

Proveniente da Hungria, este vinho chamado de Tokaji é um vinho doce, elaborado a partir de uvas Aszú afectadas pela chamada Botrytis (podridão nobre), e antigamente foi aclamado como o vinho dos Reis.
A sua existência esteve em causa, e voltou a aparecer nova colheita em 1990.
Em prova está a colheita de 1996 classificada como Muito Boa.
Este vinho apresentou-se com 10.5% e uma tonalidade âmbar de intensidade média com rebordo lembrando cobre.
Mostrou-se com grande intensidade aromática, casca de laranja em grande destaque, juntamente com aromas de fruta (citrínos), frutos secos, caramelo, tabaco, resina acompanhada de alguma especiaria e leve iodo no final, com um perfil fresco e muito intenso.
Na prova de boca, é fresco e equilibrado no seu conjunto, elegante com presença de fruta (laranja), mel, iodo, frutos secos, muito elegante e doce, com final muito longo mostrando-se um vinho de elevado nível de qualidade.
18,5

PROVA Tapada de Coelheiros Garrafeira 1996

Este vinho que já foi considerado como um dos melhores de Portugal, vencedor de inúmeros prémios, e muito bem visto pela crítica, é agora aqui provado.
Elaborado com Cabernet Sauvignon e Aragonez, tem estágio em madeira, mostra uma tonalidade granada escura e apresenta-se com 13%.
No nariz entrada com fruta em compota (ameixa), acompanhada de alguma baunilha bem integrada com a fruta, ligeiro vegetal acompanhado de especiarias (pimenta, cravinho, canela), algum floral abrindo para aromas de chocolate, ligeiro torrado, com um fundo balsâmico a dar frescura ao conjunto.
Na prova de boca corpo médio, com presença da fruta, leve vegetal na entrada de boca, redondo, afinado, no ponto para ser aberto, frescura presente num vinho bastante elegante e harmonioso com final de boca longo.
Um vinho bastante complexo e elegante que não vale a pena esperar mais por ele. 17,5

PROVA Geyser Peak Reserve Alexander Valley Chardonnay 2000

Mais um Chardonnay, desta vez com origem na Califórnia, na zona de Alexander Valley.
Com 9 meses de estágio em barrica, 40% carvalho Francês e 60% carvalho Americano, apresenta-se com uma tonalidade amarelo dourado de média intensidade, com 13,5%.
No nariz mostrou-se com boa intensidade de aromas, fruta madura (pêra, melão, maçã) que aparece em conjunto com leve amanteigado, uns aromas muito elegantes e bem interligados de baunilha, tosta, algum mel, com a casta sempre presente em conjunto com um belo trabalho de madeira. Bouquet de grande nível, muito harmonioso e elegante.
Na prova de boca tem uma entrada fresca e frutada, muito bem equilibrado e cheio de harmonia entre nariz e boca, com a fruta também aqui a marcar presença aliada a uma acidez bem integrada que dá a frescura certa ao vinho. Mostra-se amanteigado, rico e cremoso, com final cheio e bastante persistente, num grande chardonnay.
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PROVA Labouré-Roi Le Beaunois Chablis 2004

«Le Beaunois» é o antigo nome que designa o Chardonnay na região de Chablis, já que parece ter sido trazido por monjes da cidade de Beaune que trouxeram a casta na idade média.
As uvas são colhidas, perto da cidade de Chablis, proveniente de solos com presença de fósseis de ostras.
Apresenta uma tonalidade dourada de concentração média/fraca com rebordo esverdeado, com 12,5%.
Na prova de nariz mostra-se com uma intensidade aromática média/alta, com fruta madura (ananaz, limão, líchia), lembrança floral, leve presença de frutos secos com final mineral.
Na boca não se mostra tão bem como no nariz, tem fruta presente em conjunto com uma acidez a dar frescura ao conjunto, que se mostra simples, directo e bem feito, com harmonia de conjunto e persistência final média, com final mineral.

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