Copo de 3: Château Monbousquet 2001

18 Fevereiro 2010

Château Monbousquet 2001

Nos dias que correm cada vez mais é preciso saber onde investir o dinheiro no que toca a vinho de qualidade. Digo isto porque na realidade há cada vez mais gato por lebre e vinhos que custam pequenas fortunas revelam-se com a idade, autênticos flops bafejados muitas vezes por "publicidade" enganadora. Ninguém duvidará que é o factor tempo que define um grande vinho de um vinho que supostamente deveria ser grande, até porque pelo preço a isso obrigava. Em Portugal também se corre cada vez mais esse risco, alguns dos vinhos parecem querer andar na moda e de vez em quando lá se "inventa" uma qualquer maravilha enológica carregada de madeira e/ou de fruta confitada com uma boa injecção de acidez para castigar aquele açúcar residual que teima em sair das marcas... resultado ? Vinhos que após o segundo copo está tudo farto, vinhos que em vez de ganharem atributos perdem-nos, mesmo quando alguns teimam em dizer que refinou afinou e melhorou, onde claramente a fruta perdeu vigor ou quando não entra logo em modo compota, confitado, e a boca já foi deixando metade das coisas boas que tinha pelo caminho. Faz alguma confusão verificar que em sites internacionais alguns desses nossos vinhos aparecem com a indicação de PAST MATURITY, enquanto outros do mesmo ano e vindos lá de fora, em que o preço muitas das vezes é igual ou inferior a indicação é Mature ou Not Ready... será que lá fora entendem de tudo menos dos nossos vinhos ? Será que cá dentro é que temos razão e lá fora anda tudo enganado ? Porque é que as notas cá dentro são de 18 valores (95 pontos) e lá fora não passam dos 91 pontos (16,5 valores) ? Afinal o que falha no meio disto tudo ?
Um dos vinhos que me levou a escrever tudo isto foi um Château Monbousquet 2001, que pelo preço que pedem por ele e pela prova que deu, é sem dúvida uma aposta mais que segura para se beber agora ou daqui a mais uns anos, a garantia de que vai estar melhor é o que o distingue de tantos outros do mesmo preço e ano que já ficaram pelo caminho. Em jeito de pequena apresentação, as origens do Chateau Monbousquet remontam a 1540, mudou de mão várias vezes, tendo sido construído definitivamente em 1779, ganhou fama no século 19 e quando esteve na posse do Conde de Vassa-Monviel que deteve a propriedade entre os anos 1858 e 1877, viu a área de vinha ser aumentada tal como a produção.
É em 1993 que Gerard Perse (Chateau Pavie) toma conta do Chateau Monbousquet, levando a cabo uma renovação de fundo no que toca ao sistema de drenagem, cave de envelhecimento e equipamento topo de gama, colocando os seus vinhos cada vez mais em lugares de destaque, tendo passado para Grand Cru classé em 2006. A idade média das vinhas rondará os 28 anos e a enologia está a cargo de Michel Rolland, produzindo-se deste 2001 cerca de 150 mil garrafas.

Château Monbousquet 2001
Castas: Merlot (60%), Cabernet Franc (30%) e Cabernet Sauvignon (10%) - Estágio: 18 meses em barricas novas - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.

Nariz que nos invade com notas de fruta negra bem fresca e madura (groselha, cereja e amora), com toque de licor de groselha presente com o tal "regaliz". Um vinho que se mostra algo fechado de início, mesmo com ligeira nota terrosa a dissipar com tempo de copo, mostra boa complexidade e profundidade, vegetal seco a lembrar caruma de pinheiro, grão de café, especiaria (pimenta preta), tabaco, toque fumado com a madeira plenamente integrada, num conjunto que mostra harmonia, frescura e complexidade.

Boca com boa estrutura, sente-se um vinho fresco e levemente encorpado, mas ao mesmo tempo a mostrar sinais evidentes de nobreza. A fruta marca presença ao mesmo nível do sentido no nariz, fresca, bem madura, fruta que quase nos sentimos a trincar na boca, tudo isto acompanhado por um travo de pimenta preta, vegetal seco, café e pontinha de licor de groselha perdido no meio de tanta coisa boa. Sente-se ainda um leve fumado, uma leve tosta, a madeira está toda ela discreta mas a fazer o que lhe compete, num todo que mostra um belíssimo equilíbrio entre a força (no sentido de que tudo se sente muito vivo e com vontade de se mostrar) e a harmonia do conjunto, tal como a frescura que acompanha o vinho de uma ponta à outra, que juntamente com uns taninos finos e ainda com algumas pontas por limar lhe conferem certamente mais uns bons anos pela frente. Tudo em final de boca onde se realça a fruta em persistência média/alta.

É certamente um valor mais que seguro e que merece estar na garrafeira de todos os apreciadores de bom vinho, o preço pode não ajudar na altura da compra pois falo de um vinho que pedem em Portugal cerca de 45€ por garrafa, encontra-se lá fora mais barato, mas há por aí tanto vinho que não merece o preço e continua a ser vendido. Este certamente é aquilo que podemos apelidar de um vinho sério, com alto pendor gastronómico. Certamente se irá pensar que há vinhos com a mesma nota que custam bem menos €€€ que este, certo, mas neste caso falamos de França - Bordéus - Grand Cru - Longevidade - Qualidade - Prazer - Mesa. 17 - 93 pts

2 comentários:

frexiu disse...

é isto que manda um poeira 2001 abaixo???

João de Carvalho disse...

Já provaste ?

 
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