
Basta notar que na sua França natal, em 1960 apenas se tinham 35ha plantados, sendo que hoje em dia está espalhada um pouco por todo o mundo, e em Portugal encontramos exemplares desde a Estremadura, Ribatejo, Bairrada e Alentejo.
É a única casta utilizada nas appellations do Rhone Norte - Condrieu e Chateau-Grillet (uma das mais pequenas appellations de toda a França com menos de 10ha e apenas um proprietário).
É também utilizada em Côte Rôtie, para adicionar fragrância e amaciar e aligeirar o syrah dessa zona.
Uma casta que deve ser vindimada no pico do seu estado de maturação a fim de poder proporcionar o seu melhor aroma e sabor, caracterizado por uma boa intensidade e complexidade, com fruta madura presente a evidenciar-se (damasco, pêssego, ananás), flor de laranjeira, erva fresca, feno cortado, mel, menta, anis... Podendo o seu aroma indicar um ligeiro toque adocicado, no caso de passagem por madeira, surgem notas de cremosidade como amanteigado e baunilha e uma ponta de tosta. Na boca é elegante, baixa acidez e com boa cremosidade a quando da passagem por madeira.
É da sua tendência resultarem vinhos com níveis altos de açúcar e baixa acidez, um resultado pouco ou nada apelativo se tivermos em conta a grande dose de álcool.
Devido a estes problemas , por vezes os produtores optam por deixar um pouco de açúcar residual para esconder um pouco o alcool que se queira expressar a mais, e talvez assim se explique a dificuldade de elaborar bons varietais desta casta e o preço alto que costumam atingir.
Na maioria dos casos são vinhos para consumir a curto médio prazo.
O exemplar em prova chega do Ribatejo, fruto resultante de um dos mais recentes projectos da região, Quatro Âncoras, de onde sai este topo de gama branco de nome Vale d´Algares branco 2006.

Castas: 100% Viognier - Estágio: fermentação alcoólica em barricas novas de carvalho francês, dos cachos mais maduros (75% do lote) com batonnage durante 6 meses. - 14,5% Vol.
Tonalidade amarelo citrino com toque dourado de leve concentração.
Nariz de intensidade aromática média, delicado no seu todo é com fruta madura entre pêssego e toque citrino, de onde deriva também o toque floral que mostra. A passagem por madeira revela-se num conjunto delicado, com suave torrado, onde uma sensação de mel preenche o fundo de incidência mineral.
Boca de estrutura elegante, tal como toda a sua passagem de boca, cauteloso, comedido e acima de tudo muito harmonioso entre fruta/acidez/madeira. Com a fruta (mais citrino) a marcar presença ao lado de toque melado, dá ligeira doçura ao vinho, contrabalançando com a suave frescura. Um todo muito gostoso e equilibrado, de final de boca de persistência mediana.
É um vinho de complexidade muito fina, sem grandes extravagancias de aromas ou concentrações, jogando sempre pelo seguro. Certo e franco nos aromas que mostra, não foge daquilo que se pode esperar de um Viognier. O único senão será o preço um pouco alto para a qualidade apresentada, que irá rondar os 25€.
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15 comentários:
De facto um preço muito elevado, mas um excelente vinho! Talvez o branco que me deu mais prazer beber este ano.
Espero que a Viognier não se torne uma moda cara.
Por acaso vou prova-lo hoje juntamente com os outros vinhos do produtor.
Abraço
A moda Viognier está a chegar a Portugal, calmamente iremos começar a encontrar vários vinhos feitos com esta casta.
Desde a Bairrada, Estremadura, Alentejo e agora Ribatejo.
O preço praticado neste caso, mesmo não sendo motivo de apreciação, retira este vinho da minha lista de opções.
Concordo com o Copod3, porque existem opções muito interessantes a preços mais baixos.
Não conheço este nem outros Viognier...
Além deste e do Madrigal, aconselhar-me-iam outros?!
Tens da Bairrada o Diga? branco do Campolargo, tens no Alentejo assim que me lembre o Zéfyro branco, na Estremadura o Madrigal do Monte d´Oiro e de um projecto recente o Quinta do Lagar Novo Viognier.
Caso existam outros varietais de Viognier lançados no mercado, façam favor de os anunciar.
"Nariz de intensidade aromática média, delicado no seu todo é com fruta madura entre pêssego e toque citrino, de onde deriva também o toque floral que mostra."
Poesia fantástica. Este aroma é só fumarada.
Parece que o Amigo cheirou a rolha... e o vinho chegou a cheirar ?
Caro,
Provei-o. Agradável, falta-lhe exuberância aromática e longura no final. Está afinado, mas perde para o Madrigal, superior no preço e superior no estilo. E até se pode argumentar com melhor integração da madeira...
Mais, acho que perde patra o Diga?, que apesar de excessivamente marcado por aromas vegetais, horta, espargos etc., tem outra frescura...
Impressões.
Abr.,
An
Caro Abílio
Estou de acordo com a tua opinião, para mim o melhor exemplar de Viognier é o Madrigal, a todos os níveis, mas quem sabe sabe.
Num outro plano aparecem outros vinhos, considero o Diga inferior a este Vale d´Algares, foi um vinho que encontrei delgado, apagado e surfista´s word, algo flat.
Num plano mais vivo e com a fruta muito mais presente, o Zéfyro, um vinho que consegue dar alguma alegria, e que levei para o jantar da Magnum Party da Niepooort, como viognier não é mau... alguém o disse. Só que não chega ao patamar de outros.
Provei ontem o Quinta do Lagar Novo Viognier. No nariz é interessante, na boca não gostei. Tem um final muito alcoólico e algo enjoativo... Ficou nos copos e rápidamente foi esquecido.
Amigos&Amigos
eu acho que tens razão , este copo de 3 é só goela.
gostava de o ver provar vinhos sem ver o rotulo e sem saberquem é o produtor. É um basófias.
Caro Pratas a que se deve a mudança radical no que toca à apreciação deste vinho ?
''mas um excelente vinho! Talvez o branco que me deu mais prazer beber este ano.''
Caro anónimo, não seja por isso, para a semana colocarei uma fotografia a provar um vinho sem rótulo e sem indicação do produtor.
Mas gostava que contribuisse com qualquer coisa de interessante do que simples bacoradas.
bacoradas é você pelas babozeiras que vai escrevendo.
veja bem todos os seus escritos , analize-se e tenha juizo e seja digno, que é coisa que não o é muita vez.
aliás já é muita vez normal escrever uma coisa e depois na nota final ser outra. está agora a chamar a atenção para o pratas!?
As minhas notas de prova são a minha opinião pessoal sobre um determinado vinho. Caso não concorde está em seu pleno direito de o fazer, caso concorde também tem esse direito como é evidente.
Quanto a chamadas de atenção agradeço que as faça, agradeço toda e qualquer crítica desde que seja construtiva e de maneira a poder melhorar.
Fundamente as suas opiniões, e dessa maneira todos temos a ganhar, como muito bem deverá entender.
O que não quero nem admito é a maneira pouco correcta como tem vindo a participar neste espaço, denota arrogância e certa prepotência nas afirmações que faz como sendo a sua voz a fonte de toda a razão. Ser digno é ter a frontalidade suficiente para se identificar e não estar escudado no anonimato, ou para si a falta de dignidade são apenas e só as notas com que não concorda ?
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