Copo de 3: João Brito e Cunha
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15 março 2013

Quinta de S.José Reserva 2007

O vinho que agora me cai no copo é da autoria do conhecido enólogo do Douro, João Brito e Cunha, que cria na Quinta de S.José (Ervedosa do Douro) os respectivos vinhos e também os fantásticos Ázeo. Resulta da união entre a casta Touriga Nacional com Vinhas de idade aproximada aos 50 anos, o preço de mercado rondará os 25€.
O vinho é muito maduro, roliço e com os 15% Vol. a fazerem-se notar quer no nariz quer na boca onde dão uma sensação de doçura encostando o vinho a um lado mais enjoativo. A fruta (ameixa) é escura e doce, tudo o resto está no mesmo plano, alfarroba, chocolate, especiaria, tinta da china, esteva e fumados. Torna-se um bloco pesado e denso, sem muita graça, mesmo no seu envolvimento é morno, com a fruta em boca a explodir de sabor com especiarias, regaliz, ligeiramente pastoso mas não me cativa. Fujo de vinhos assim, a ligação à mesa é quase impossível, satura após o primeiro copo, não é obviamente o Douro que procuro. 87 pts

02 julho 2011

Quinta de S.José 2008

Lembram-se dos Ázeo feito pelo enólogo João Brito e Cunha ? Este é também da sua autoria, portanto é uma certeza que iremos encontrar algo de bom. Duriense de gema, nasce nos 25 hectares de vinha para os lados do Pinhão, o lote de Touriga Nacional 45%, Touriga Franca 35% and Tinta Roriz 20% com metade do lote a ir 10 meses a banhos na madeira francesa de segundo ano.

Sente-se que é um Douro apesar de ter um toque a puxar para o fácil, tornando-o cativante para quem se aproxima pela primeira vez. Mediana complexidade e intensidade, com frescura da fruta preta madura, flores, desenvolve na complexidade para especiaria e algum bálsamo vegetal, envolto num tom achocolatado. Tudo muito bem integrado com a madeira, o mesmo caminho tem na boca, com a fruta bem fresca a fazer-se sentir, pimenta preta e chocolate, todo ele harmonioso, arredondado e com alguma secura no final de boca em boa persistência.

O preço que ronda os 9€ é um aliciante, afinal de contas o vinho está bem feito, é ao que eu chamo vinho de sexta à noite, quando se entra de fim de semana e apetece beber algo melhor a acompanhar também algo melhor... abrimos e bebemos um destes e ficamos satisfeitos, porque estamos cansados e não queremos perder tempo a pensar no que vai no copo... e tanta falta que fazem vinhos assim.  89 pts

20 junho 2010

Ázeo Reserva branco 2008

Certos vinhos são tão interessantes que dispensam sempre qualquer tipo de apresentação, afinal de contas podemos dispensar escrever algumas palavras que apenas servem para encher e que se podem muito bem ir ler ao site do produtor. Desta maneira quem procura informação fica a conhecer não só o historial do dito produtor como também outros vinhos que ele produz, a história da quinta entre muitas outras coisas. Este é daqueles exemplos que não merece mais palavras que nos possam distrair do que mais interessa, a sua nota de prova:

Ázeo Reserva branco 2008
Castas: Vinhas Velhas e Viosinho - Estágio: passagem por madeira - 13,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino de concentração mediana.

Nariz fresco com toque de leve apetrolado, coeso e a mostrar uma muito boa presença mineral, algum vegetal e floral com fruta (citrino, tropical) bem madura e muita qualidade neste bouquet de delicada complexidade. A madeira aqui novamente muito bem, quase não se dá por ela, faz o papel que tem de fazer e confere aquele bafo que não chega a ser morno em segundo plano, uma leve tosta que lhe confere uma subtil cremosidade. Novamente é a frescura e aquele travo mineralidade que lhe toma as rédeas, com alguma especiaria pelo meio.

Boca de entrada bem fresca e com boa espacialidade, sintonia com a prova de nariz, presença de fruta e tosta num conjunto muito bem afinado e harmonioso no seu todo, com bela profundidade, acidez cítrica com fundo envolto em bela dose de mineralidade, em final longo e com boa persistência. Cheio e vigoroso, num todo muito agarrado à terra, ao terroir, às vinhas velhas que contribuíram para o seu nascimento.

É um Ázeo mais coeso, mais pleno de encantos e delicada harmonia mostrando-se um pouco mais sério dando a noção de que ainda se encontra em fase ascendente. A madeira um pouco mais presente, não muito e a fruta um pouco menos fresca mas mais sumarenta e uma complexidade que se mostra um pouco mais rica. Um belíssimo branco do Douro, muito sério e muito virado para a mesa. A produção não me parece ser muito grande e deve rondar as 2.000 garrafas com um preço que ficará a rondar os 18€.
17 - 93 pts

17 junho 2010

Ázeo branco 2009

Com o nascimento do Pedro Dinis, o tempo que dedicava ao Copo de 3 foi sendo cada vez mais reduzido, agora que as coisas estão mais serenas é tempo de voltar à actividade, voltar novamente a falar sobre aqueles vinhos que me vão chegando ao copo e que mais me chamam a atenção, tenho muita coisa de que falar e o tempo começa a ser pouco. O Verão está à porta, dia 21 mais precisamente, e começa a ser tempo para encostar os vinhos mais estruturados e procurar os vinhos mais leves, frutados e frescos. Falando em brancos com frescura/acidez, um dos que mais prazer me deu a provar nos tempos mais recentes, foi sem dúvida alguma o Ázeo branco 2009 (Douro), que agora aqui coloco em prova, um vinho da responsabilidade do enólogo e produtor João Brito e Cunha, que no seu projecto pessoal produz a gama Ázeo (bago de uva em latim). Um vinho feito com Viosinho e uvas de vinhas velhas onde predominam o Rabigato e Gouveio, provenientes de vinhas a 450m-500m de altitude na região de Alijó, Sabrosa e Porrais.

Ázeo branco 2009
Castas: Viosinho e outras - Estágio: teve passagem por madeira - n/d % Vol.

Tonalidade amarelo citrino de concentração média/baixa.

Nariz muito limpo, fresco e delicado, a delicadeza e frescura são mesmo o que mais marca este vinho, elegante, puro, ao mesmo tempo discreto e mineral, a fruta tem boa presença com citrinos, tropical, fruta de polpa branca com floral e uma leve calda com toques fumados, resultante da passagem que teve por madeira e que ampara harmoniosamente todo o conjunto.

Boca de entrada bem fresca, harmonia da fruta que se sente madura de boa qualidade e concentração, com uma acidez firme e refrescante, direi dominante ao lado do toque mineral. Tem uma boa presença na boca, boa dose de secura, muito limpo e com boa persistência, a madeira sente-se muito ténue, totalmente dispersa no espírito fresco que este vinho transmite.

Um vinho que se pode arranjar com um preço bem convidativo que ronda os 8€ numa boa garrafeira, um motivo mais que obrigatório para se ter este vinho por casa nos tempos de calor intenso. É certamente dos brancos que nos últimos tempos mais prazer me deu à mesa, belíssima dose de frescura, mineralidade, identidade e um polivalente amigo dos bichos do mar que foi bebido a acompanhar um arroz de polvo. 16,5 - 91 pts
 
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