É novidade do produtor este varietal de Touriga Franca da colheita de 2017, um tinto do Douro apenas com passagem por inox e que nos mostra o lado mais frutado e puro da casta. O facto de ter passado apenas por inox retira-lhe o factor aconchegante que desponta no Desnível tinto, aqui é a fruta em tons maduros e nos ligeiros cacaus e compota que se mostra airosa, precisa e limpa. Lá ao fundo são os taninos que nos acenam, a indicar ainda a força da juventude deste vinho. Mais uma vez feito num sentido gastronómico de levar à mesa e descontraidamente acompanhar uma refeição à base de carnes grelhadas. 90 pts
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20 outubro 2018
07 outubro 2016
Quinta da Covada Reserva 2013
Um belo tinto do Douro é como se pode classificar este Covada Reserva 2013 elaborado por João Lopes Pinto.São três as vinhas que cedem as suas uvas, em maior percentagem o vinhedo velho com idade a chegar aos oitenta anos. Lote marcado por Touriga Nacional, Touriga Franca e um lote alargado de castas presentes nas vinhas velhas, tudo com passagem durante 14 meses por barrica. O resultado é animador e conquistador à mesa, o vinho mostra o fulgor da juventude onde a fruta comanda toda a prova, tenso, com nervo e aquele toque vegetal, algo terroso, que lhe confere boa secura no final. A madeira serenou-lhe um bocadinho os ânimos e os cantos, deu-lhe um sentido que percorre guiado por uma bela frescura. Pode ser aberto e bebido com agrado desde já mas tem estrutura para durar mais uns bons anos em garrafa, tendo em conta as colheitas anteriores. Não é fácil de encontrar e o preço ronda os 14€ a unidade. 91 pts
06 fevereiro 2013
Quinta da Covada branco 2011
Apetece-me continuar por aromas e sabores que gosto, por vinhos que faço questão de ter num cantinho especial junto a mim. Vinhos que bebo em boa companhia, com amigos ou apenas sozinho que por vezes gosto de ser acompanhado por um bom vinho. Escolhi falar de um branco do Douro, o Quinta da Covada branco 2011.
É vinho vincado pelo lote de Gouveio, Viosinho e Rabigato, parcialmente fermentado e estagiado em barrica de carvalho francês, com preço que ronda os 5/6€, o que o torna bastante atraente para a qualidade debitada no copo. De fruta grossa e com peso, fresco, mineral tenso, rasgo vegetal num todo coeso com leve toque de baunilha em pano de fundo. Boca com bom volume, boa frescura, fruta com polpa sumarenta a mostrar que tem corpo e algumas arestas por limar. O que não tem ainda em refinamento ganha claramente em raça e polivalência à mesa.
É produtor por quem tenho uma grande estima, produz uma gama de vinhos que são uma pequena lufada de ar fresco na região, em nada decadentes e bastante saudáveis na forma como se dão a conhecer. Gosto da simplicidade aliada a uma qualidade consistente. Aqui procura-se e consegue-se a candura da fruta com boa dose de frescura associada, nada de entraves nem empilhamentos desnecessários, eu como consumidor apenas tenho de dizer... obrigado João Lopes Pinto. 90pts
21 fevereiro 2011
Quinta da Covada Reserva 2008
O vinho mostra-se bastante cativante de aromas, de notar que um pouco de tempo no copo ou mesmo uma rápida dupla decantação só lhe fará bem, verter no decanter e voltar novamente a deitar para a garrafa. Mostra desde o inicio finura de trato sem aromas exageradamente ruidosos ou barulhentos, madeira com alguma tosta, baunilha ligeira, um vinho harmonioso, fresco. Fruta preta algo escondida com boa colherada de compota, indica que quer dormir mais em garrafa, folha seca de tabaco, especiaria na pimenta preta, toque de bálsamo vegetal, flores da Nacional e um todo com uma bela complexidade e ao mesmo tempo muito bem embrulhado. Tudo no ponto certo e a mostrar-se muito bem arrumado.
Na boca mostra-se com boa harmonia entre fruta/madeira/acidez, conjunto sólido mas muito amigo da prova, e da mesa, bela passagem de boca apoiada na suculenta fruta com mediana concentração, tudo muito harmonioso, fruta (cereja, frutos negros) com algum toque mais doce, madeira ampara o vinho com os taninos a pedirem mais algum tempo, leve secura na parte final apesar de se beber lindamente neste momento. Final de boa persistência num vinho muito virado para a mesa, diz-se com perfil muito gastronómico.
Dos tintos do Douro que mais prazer me deu a beber nos últimos tempos, uma enorme surpresa, um balão de oxigénio que de uma forma democrática permite a um preço sensato ,15€, colocar este belo vinho na mesa de um leque alargado de apreciadores. É difícil ficar-lhe indiferente e são poucos ou que não o querem voltar a encontrar. É de comprar à caixa para ir bebendo com muito prazer e ao longo dos próximos anos. 17 - 92 pts
Quinta da Covada 2009
A conversa repete-se uma e outra vez, não se gasta e cada vez parece que está mais forte e duradoura, afinal de contas com o aperto do cinto o que sobra para vinho vai sendo cada vez menos. Muitos produtores não querem saber disso, vivem no País das Maravilhas e continuam a lançar vinhos a 50€ como se nada fosse, o pior é que são tantos a lançar vinhos a preços de patamar superior, ou nalguns casos direi mesmo de escândalo que a oferta torna-se superior à procura e alguns acabam mesmo por ficar com o vinho tempos e tempos sem que consigam despejar o stock. Fugindo a tudo isto, felizmente ainda há produtores que pensam com o coração e cabeça e não com a carteira, pessoas que têm amor pelo que fazem e produzem... os vinhos mostram-se cativantes, lufadas de ar fresco num ambiente carregado de mofo, é tão bom sentir que de vez em quando aparece algo que nos deixa contentes. Os Quinta da Covada são exemplo dessa alegria, são vinhos muito bem feitos, apelativos e com vida pela frente, o sangue jovem que os faz tem irreverência mas ao mesmo tempo respeito pela identidade característica da zona que os vê nascer... o Douro.
Em prova o Quinta da Covada 2009, é o entrada de gama do produtor, um vinho resultante de um lote de várias castas que se apresenta com 14% Vol. e um preço a rondar os 3.50€. Um vinho que quando se prova tem de se ter obrigatoriamente em consideração o seu target, para um consumo do dia a dia com bastante qualidade que o torna uma escolha muito apetecível. A boa notícia em tempos de crise é que segundo o produtor a produção deste colheita 2009 já estará praticamente esgotada.
De aroma de mediana intensidade, fresco e frutado, toque ligeiramente tostado da barrica, sensações vegetais no segundo plano com esteva e mato serrano, respira-se o Douro ainda que no segundo plano desenvolva algum chocolate de leite e compota. A frescura compensa tudo isto num vinho de fácil agrado nada complicado e pronto a beber. Em boca é o resumo do encontrado no nariz, de fácil passagem, fruta com frescura que guia durante toda a passagem de boca, vegetal uma vez mais presente no mesmo nível do já encontrado, num conjunto de corpo mediano.
É um belo vinho Duriense de entrada de gama, preço sensato para aquilo que oferece, aqui não temos um vinho apenas e só com passagem de inox, teve o bónus de alguma madeira que lhe confere algum arredondamento e refina a complexidade aromática. Fica entre o moderno e o clássico se assim posso dizer, num perfil que me agradou e cumpre correctamente os objectivos. 88 pts
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