Copo de 3: Quinta do Monte d´Oiro
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15 março 2013

Quinta do Monte d´Oiro Reserva 2006

Irrita-me solenemente quando abro um vinho do qual espero uma prova grandiosa e a única coisa grandiosa que apanho é uma desilusão, mais uma vez voltou a acontecer e desta vez com um vinho do qual não esperava. Acho que a mudança de rótulo o afectou profundamente, o mesmo aconteceu ao seu primo Aurius 2006 aqui comentado. 

Começa mal, apesar de delicado o aroma é frouxo, quase apático, sente-se frescura e delicadeza mas ao mesmo tempo algo rapado, como se uma plaina (o tempo talvez) por ali tivesse andado a alisar os aromas. Pouca expressão, fruto (cereja) delicado e colocado num amontado de "coisas", alguma hortelã-pimenta e especiarias, tudo trivial e banal, não se sente a fagulha da excelência nem a qualidade de um fruta que sobressaia com esplendor no conjunto. Na boca melhora ligeiramente, a fruta belisca o palato, especiaria, tudo em modo moderado sem grande exaltação, harmonia e muita subtileza mas de igual modo sem grande classe ou coisa que o faça despontar de uma mediania que o assola. O que mostra torna-o igual a tantos outros, as sedas e os cetins que alguns a seu tempo lhe encontraram já foram, a evolução fez das suas e o vinho ficou tolhido. Durante o jantar fui tentando entender o que este vinho tinha para me contar, pouco, à mesa as opiniões não variavam, é um vinho triste diziam. Fui obrigado a concordar. 88pts

06 fevereiro 2013

Aurius Quinta do Monte Doiro 2006

Para os lados de Alenquer, fica a Quinta do Monte d´Oiro, produtor de renome no panorama vínico nacional cujo proprietário José Bento dos Santos é a cara do projecto. Deixando as apresentações para mais tarde, foco-me apenas num vinho que ali foi produzido, o Aurius tinto 2006 elaborado a partir das castas Touriga Nacional, Syrah e Petit Verdot. Estagiou durante 15 meses em garrafa e entre 16 e 18 meses em barricas 100% novas de carvalho francês.

Não bebia este vinho desde a altura em que o seu rótulo era outro, lembro-me que naquela altura o bebia com muita satisfação, hoje estranhamente o vinho não de encontro ao que eu esperava dele, talvez culpa minha porque esperava mundos e fundos de um vinho que não foi talhado para tal. O problema mete-se quando o preço sobe quase ao patamar dos 20€ por garrafa, quando os aromas não se mostram frescos nem mora por ali uma frescura que venha salvar a honra do convento. Se o que tinha estava suspenso, então o que apresentou nada mais é que um amontoado de cheiros e sabores, desgastado, toque morno e sem grande vivacidade. Apesar de tudo, mostra-se melhor na prova de boca, um pouco mais de energia, talvez a última chama antes do adeus final. 

Foi provado antes e servido depois com uma tajine de borrego e ervilhas, um prato tipicamente marroquino que alguns irão encontrar as normais semelhanças ao que por cá se costuma fazer, por exemplo pelo Alentejo. O vinho portou-se à altura e cumpriu o seu destino. 89 pts

Photo by http://soupurb.wordpress.com

08 julho 2011

Madrigal 2008

Mudou de visual este que é o grande branco da Quinta do Monte d´Oiro, agora mais aprumado e direi com aspecto mais sério este vinho surge aqui em prova com a colheita 2008. É um 100% Viognier, talvez mesmo o primeiro a surgir em Portugal e que já se tornou uma referência do que é feito neste cantinho da Europa. O vinho teve passagem por barricas novas de carvalho francês, saiu com 14% Vol. e um preço que ronda os 15€ ou até um pouco mais.

Encontrei um vinho acessível na prova, de fina e mediana expressão, com um suave baunilhado a dar as boas vindas, leve na frescura a mostrar grande harmonia de conjunto. Flores, boa fruta entre alperces e laranjas a abrir ligeiramente com as voltas no copo, em fundo com mineralidade ainda que tudo um pouco desfocado. Boca com bom ritmo, corpo mediano que entra com alguma frescura com sumo da dita fruta e alguma calda, fundo mineral num branco de comportamento homogéneo desde que entra até ao final da prova.

É o terceiro varietal desta casta feito em Portugal que aqui coloco nos últimos tempos, e sendo o último foi e é aquele que mais me agradou. Há por aqui algo que o torna diferente, delicadeza, frescura, uma boca com corpo mas ao mesmo tempo a refugiar-se na frescura e delicadeza da fruta... para mim falta-lhe mais alma, mais suco, mais frescura e esclarecimento, mas não estamos em Condrieu e sim na Estremadura e há coisas que por muito que se queiram não se conseguem replicar. Tal como a palavra Madrigal nos diz, é uma pequena composição poética, que exprime um pensamento fino, lisonjeiro e terno... 90 pts
 
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