O termo Garrafeira começa a fazer cada vez mais parte de um passado vínico em Portugal. O certo é que hoje em dia, são relativamente poucos os produtores que optam por lançar um ''Garrafeira'' para o mercado, onde ao que parece a regra dominante é a de consumir o vinho quanto mais novo melhor.O consumidor ávido de novidades, exerce desta forma uma enorme pressão nos produtores, que se vêm obrigados a colocar os vinhos cedo de mais no mercado para satisfazer a vontade e procura dos consumidores.
Quantas vezes aquele vinho acabado de sair no mercado, em prova se constata que ainda precisa de mais um tempo para afinar todo o seu conjunto ?
E quantos consumidores dão ao vinho o tempo necessário para o poderem desfrutar em todo o seu esplendor ?
Uma das razões a invocar será a falta de melhores condições de guarda na generalidade das habitações, mas o que por si só não implica que se consiga aguentar uma garrafa por 6 a 12 meses, que por vezes são mais que suficientes para notórias melhorias em determinados vinhos.
Mas nos dias que correm o consumidor impaciente disso não quer saber, bebe os seus vinhos em estado quase selvagem e como vieram ao mundo (leia-se mercado), sabendo de antemão que poderia tirar muito mais partido desse mesmo vinho com algum tempo de espera. Instala-se a vaidosice em forma de corrida desenfreada às novidades, apenas e só para dizer que já se provou, atenção que provar e beber são duas coisas diferentes, para isso basta reparar no estado final dos intervenientes para se tirar essa conclusão.
Em prova está um vinho já com 6 anos de vida, de uma colheita menos dita menos simpática (2002) mas que mesmo assim conseguiu meter cá fora vinhos de merecido destaque:
Castas: Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouschet - Estágio: estagiou 18 meses em tonéis de madeira exótica e barricas de carvalho americano, foi engarrafado em Abril de 2004, ficando desde então em repouso na cave durante mais 18 meses. - 13% Vol.
Tonalidade granada escuro com ligeiro laivo atijolado.
Nariz a mostrar um conjunto bastante afinado, onde conjuga notas de madeira envernizada com fruta (bagas e ameixa) em plano maduro e harmonioso, com ligeira passa e licor. De um aroma terroso, complementado por vegetal seco e especiarias, surge em segundo plano com aromas de cacau, caixa de charutos, caramelo e toque fumado de fundo, em final balsâmico.
Boca a revelar um conjunto elegante e delicado, longe de grandes concentrações e super estruturas que cada vez mais se encontram presentes noutros vinhos. Este Garrafeira, antes pelo contrário, é um vinho que se apresenta num ponto alto de consumo, a fruta madura com toque licorado, ao lado de especiarias (pimentas), tabaco e um ligeiro toque terroso. O final é de cariz vegetal seco a lembrar chá preto, colocando alguma secura num final de persistência média.
São cerca de 29.000 garrafas produzidas, a um preço que ronda os 12€ na Wine Shop da Adega Coop. de Borba. A prova que dá mostra uma espacialidade mediana, de subtil frescura e uma concentração de sabores média/baixa. Um bom vinho da Coop. de Borba mas uns furos abaixo do anterior Garrafeira.
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