Copo de 3

07 janeiro 2019

Maçanita Os Canivéis branco 2016


Foi sem sombra de dúvidas um dos melhores brancos que bebi em 2018 este Maçanita Os Canivéis 2016, oriundo de vinhedo ancestral e feito pelos irmãos Maçanita. Neste como noutros casos, recomendo a decantação prévia de meia hora para o vinho entrar em pleno no copo e a festa ser ainda maior. Enche com toda a complexidade dada pela vinhas velhas, pela quantidade de mais de uma dezena de castas misturadas. Naqueles toques de fruta (pomar, citrinos) madura, limpa, recantos plenos de mineralidade e um toque de cêra de abelha que na sensação de untuosidade vai enrolando todo o conjunto que desliza pela palato. A frescura está à altura de um grande vinho, pleno de carácter com juventude e austeridade sentida ainda que de forma ténue em fundo. Para beber ou se conseguir aguentar umas em casa. 95 pts

Quinta de Pancas Special Selection Cabernet Sauvignon 1997

Caramba, que afronta, uma pessoa vir aqui colocar um vinho de 1997 quando a grande maioria quer é mostrar a última novidade que conseguiu sacar a um qualquer dos novos produtores. Na verdade e para os muitos que desconhecem, este é um clássico e um vinho icónico, daqueles que fizeram parte do crescimento enófilo (pelo menos do meu), da partilha de momentos à mesa ou até mesmo das primeiras compras em lojas da dita especialidade. Esta foi bebida recentemente e mostra o potencial que a Quinta de Pancas (Lisboa) tem para nos dar e mostrar o lado mais Bordalês da "coisa". Portanto pegamos nos descritores da casta, juntamos-lhe o carácter mais Lusitano e por isso um pouco mais acolhedor com toda a complexidade que o caracteriza, a fruta fresca, carnuda, ainda viva e todo um conjunto cheio de finesse que nos ajuda a matar muita saudade de momentos que já não voltam. A nota já pouco interessa porque depende de garrafa para garrafa, mas nesta de tão sublime que estava não sobrou uma gota.

Quinta do Cardo Vinha Lomedo Síria branco 2014


Na renovada Quinta do Cardo ( Beira Interior), nasce um branco muito especial feito da casta Síria proveniente de uma única vinha, a Vinha Lomedo. Dos meses que passa em barrica nem sinal, plena integração dando aquela ligeira untuosidade que o envolve num complexo ramalhete de frescura com destaque para os citrinos com recordações a tangerinas, limão, ervas de cheiro com flores do monte. O fundo é ligeiramente austero, pede "coisas" com gordura do tipo lombos de bacalhau no forno regados com bom azeite e broa de milho. O tempo que lhe dei em garrafa só ajudou a afinar e ganhar a complexidade com que nos brinda no copo. É puro prazer ser bebido neste momento da sua vida, mesmo com a nova colheita já aí a espreitar, com preço a rondar os 22€ a garrafa. 94 pts

06 janeiro 2019

Herdade do Rocim 2016


Não é novidade para ninguém e para muitos até se poderá mostrar na actualidade como um dos vinhos da moda. O certo é que a Herdade do Rocim (Alentejo) nada nasceu feito e tudo foi feito em pouco mais de uma década com o erguer do seu vinhedo, adega, retocou os rótulos e estilo dos vinhos apresentados. Nos últimos anos renasceu por ali o espírito das talhas e a revolução foi o passo seguinte. Não há dúvidas que hoje a Herdade do Rocim é um dos mais sólidos projectos e que deve ser seguido bem de perto pela qualidade dos seus vinhos. Este é o mais recente colheita, o Herdade do Rocim, preço ronda os 8€ e mostra-se fiel a si mesmo como sempre nos tem acostumado. É fresco, a fruta está presente, limpa e airosa, com aquele toque morno da planície que lhe marca a alma. Um daqueles tintos que nos ajuda a serenar o espírito ao fim de semana. 90 pts

04 janeiro 2019

Rótulo Dão 2016



Desejando um fantástico 2019 para todos, começo o ano com este Rótulo Dão da Niepoort colheita de 2016, criado a partir de Baga, Jaen, Tinta Roriz e Tinta Pinheira. O vinho compra-se a coisa de 6€ a garrafa e facilmente permite fazer a festa de copo em riste perante caras risonhas de amigos e família. O perfil dito tradicional, mostra um tinto fresco e descomprometido que sendo leve no trato, é pouco rebuscado na formalidade, emparelha-se com uma avantajada quantidade de pratos da nossa gastronomia. Muita é a fruta que vinca o palato, fundo com ligeira frescura vegetal e ligeira austeridade num saboroso final. Depois de aqui ter provado a sua colheita inaugural, este pareceu-me um pouco melhor. 89 pts

27 dezembro 2018

Soalheiro Granit Alvarinho 2016


Quando os imprevistos acontecem, um Private Selection Branco que havia estado na cave durante largos anos à espera de acompanhar um Bacalhau Especial de Natal, eis que o vinho branco se apresentou sem alma nem vida, um desalento. Sem muito que pensar recorri a este Soalheiro Granit 2016, um Alvarinho de fina estirpe que se mostra mais mineral e seco que os restantes da companhia. O resultado foi pleno de satisfação, mostra um lado gastronómico muito interessante e permitiu uma ligação perfeita com os lombos de bacalhau e seus acompanhamentos, mesmo a couve galega regada com azeite desafiou por momentos embora a ligação tenha continuado numa grande harmonia de sabores/aromas. Não é o mais exuberante, nem o mais untuoso, fora de ser o mais complexou ou o mais cristalino, é aquele que pela acidez e nervo, pelo tom da fruta mais calma e serena, custa coisa de 11€ e ajudou a abrilhantar a véspera de Natal. 93 pts

26 dezembro 2018

Deu La Deu Terraços Alvarinho 2016

A marca Deu La Deu (Adega Coop. de Monção) foi comprada na altura à Real Companhia Vinícola do Norte de Portugal. Desde então que se tornou um sucesso de vendas e presença assídua à mesa de muitos consumidores, os motivos explicam-se pela sua consistência aliada a uma belíssima relação preço/satisfação. Com a colheita de 2016 nasceu  topo de gama da casa, o Terraços, que vai buscar as uvas das vinhas mais velhas e perfila-se com preço a rondar os 28,89€. É um Alvarinho com austeridade, mais seco e mineral com grande equilibrio apesar da juventude que domina o final de boca, pelo caminho encontramos o toque de uma fruta muito pura e cristalina. Belíssima presença tal como a complexidade, marca pela frescura e acutilancia, tem aquele nervo que nos guia até um final longo e seco, como que a pedir uns carabineiros grelhados por perto. Está para durar. 94 pts

23 dezembro 2018

Votos de Santo e Feliz Natal


O Copo de 3 deseja um Santo e Feliz Natal para todos.

Vinhos para o Natal e Passagem de Ano.


São algumas sugestões, agrupadas em 5 tipos, para acompanharem o Natal e a Passagem de Ano. São vinhos com diferentes patamares de preço nos mais variados estilos e perfis, vinhos que se diferenciam pela identidade, frescura, qualidade, muito gastronómicos e pensados para a mesa. São estes, como podiam ser tantos outros, que podem ajudar a engrandecer momentos especiais junto da nossa família e amigos. 


Entradas/Queijos/Bichos do Mar
Marquês de Marialva Bical e Arinto Reserva Bruto
Murganheira Czar Grand Cuvee Rosé Bruto 2013

Bacalhau e Amigos
Quinta de Pancas Reserva Arinto 2016
Monte da Cal Saturnino Grande Reserva branco 2013
Marquês de Borba Vinhas Velhas 2017
Maçanita Os Caniveis 2016
Kompassus Reserva 2016
Anselmo Mendes Contacto 2017

Perú/Cabrito
Mouchão Ponte das Canas 2014
Lagar de Baixo Baga 2015
Mamoré Vinho de Talha tinto 2016

Herdade do Rocim Clay Aged 2016 

Sobremesa
Quinta do Cardo Colheita Tardia 2015
Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos
Messias Porto 10 Anos
H.M. Borges Verdelho Madeira 20 Anos
Monsaraz Licoroso Premium tinto 2015

10 dezembro 2018

Ansgar Clüsserath Trittenheim Apotheke Riesling Beerenauslese 2007


Desde a sua fundação em 1670 que o produtor Ansgar Clüsserath (Alemanha) localizado em Trittenheim (Mosel) é gerido pela mesma família. Nos dias de hoje é Eva Clüsserath-Wittmann, que com o seu pai, toma conta dos destinos desta secular casa. Pode-se dizer que o Riesling está enraizado na alma destas pessoas, tal como o marido de Eva, o produtor Philip Wittmann. Beerenauslese (BA) indica um vinho de colheita tardia onde as uvas foram escolhidas criteriosamente para a sua elaboração, o que quase sempre implica o custo elevado deste tipo de vinhos, este rondará a casa dos 60€.

Um vinho de sobremesa, delicado, harmonioso e conquistador. Mostra ligeiramente o toque da botrytis que se mistura com os tons mais melados e de fruta amarela madura em calda, gengibre fresco ralado, profundo e cativante. Na boca mostra-se com uma bela concentração num balanço com a frescura  a dar vida ao final de boca. Com os 11 anos de vida talvez tenha perdido uma ponta de frescura e de definição, ganhou na complexidade e é puro prazer no copo, quando damos conta já acabou. 95 pts

08 dezembro 2018

Monte da Cal Saturnino Grande Reserva Branco 2013


A Herdade Monte da Cal fica localizada no concelho de Fronteira, na freguesia de São Saturnino, a cerca de 40 km de Portalegre. Com uma imagem diferente para melhor do que aquela que conheci dos seus primeiros lançamentos, agora com enologia de Osvaldo Amado, a gama sofreu um reposicionamento dos seus vinhos tal com a dita mudança de visual. O Vinha de Saturno continua a ser o topo de gama apenas lançado em anos de excepcional qualidade e abaixo desse surgem os Saturnino, com o branco 2013 aqui em prova. Compra-se por 10,90€ e é produzido com as castas Alvarinho, Antão Vaz e Arinto, passando 6 meses em barricas com direito a battonage e repouso de 6 meses em garrafa. 

O resultado final é um vinho com notas de pão torrado a dar sensação de cremosidade inicial para depois se encontrar notas de fruta amarela e ligeiro tropical com alguma geleia de citrinos, especiarias, muito equilibrio num tom cativante e de grande qualidade. Na boca é envolvente, acidez presente e cheio de sabor, mistura o toque mais acutilante dos citrinos com a cremosidade dada pelo tempo e pela barrica. Um belíssimo branco para levar à mesa. 92 pts

03 dezembro 2018

Murganheira Czar Grand Cuvée Rosé Bruto 2013


Inserido na linha dos mais luxuosos espumantes das Caves da Murganheira, este Czar Grand Cuvée vai buscar a casta Pinot Noir para a sua elaboração. O preço ronda os 27€ e faz justiça à qualidade que encontramos num espumante de elevada qualidade e que no seu patamar não se deixa vergar perante a denominação Champagne. A palavra de ordem é equilibrio, prazer mais que assegurando num perfil onde reina a elegância, notas de frutos vermelhos limpos e gulosos, ligeiro praliné de avelã com muita frescura a rodear todo o conjunto. Na boca uma belíssima mousse a envolver o palato, bom volume com toque de cereja ácida a prolongar-se num belo e prolongado final. 94 pts
 
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