Copo de 3: Espanha (Castilla y León)
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07 janeiro 2013

Leione 2005

Domínio DosTares é o nome da adega do Grupo Domínio de Tares (Bierzo) instalada e dedicada à variedade local Prieto Picudo, na zona de León e Zamora. O vinhedo é velho, entre os 80 e os 110 anos de idade, o vinho em causa Leione, é da colheita 2005 e encontra-se neste momento em grande forma. A casta Prieto Picudo é quase desconhecida da totalidade dos enófilos, os vinhos a que dá origem são como não poderia deixar de ser, diferentes. A casta imprime um toque que lembra por vezes um Tempranillo, neste caso com a fruta bastante madura, concentrado e com laivo guloso, sensação de volume e fumo. Depois são as notas de cacau morno, alfarroba, floral, a conversa continua entre amigos e os narizes enfiados no copo deambulam por novos cheiros, novos sabores. A fruta opulenta embebida em compota, apesar de frescura que o suporta, mostra um vinho mais gordo e guloso que o seu primo do Bierzo. Boca com presença bem marcada, redondo e suculento, harmonioso com uma boa acidez em longo final onde a fruta parece que se mastiga. Aprecio a potência controlada que imprime durante toda a prova, gosto da maneira como evolui no copo, gostei da maneira como se ligou com uma carne de novilho na grelha, ligeiramente caramelizada e no ponto de sal. Uma ligação em cheio com o vinho em causa, vinho que conquista pela facilidade com que se deixa beber, com que nos atrai pela diferença e qualidade. O preço ronda os 12€ mais uma vez em loja online. 91pts

14 setembro 2012

Protocolo 2010

Porque sempre gostei de conhecer o que por cá se faz e se foi fazendo, conhecer o passado para melhor entender o presente, também é verdade que sempre tive o gosto e a curiosidade em provar e descobrir o que outras paragens têm para oferecer. É devido a essa procura e a esse prazer da descoberta que em determinado momento da minha vida enófila encontrei o vinho que agora falo, não esta mas outra colheita mais antiga. É um vinho que nasce sobre a chancela de uma das mais importantes famílias do vinho em Espanha, Eguren, cujos "caldos" são de notável qualidade, desde os seus topos de gama (Alabaster, El Puntido, La Nieta, Amancio, Finca El Bosque ou o branco Organza) até este vinho de entrada de gama de nome Protocolo. O Protocolo é produzido no Domínio de Eguren, uma adega pensada para produzir vinhos ao melhor preço, abastecida por 15 vinhas espalhadas por Castilla-La Mancha, localizadas a cerca de 700 metros de altitude com idades compreendidas entre os 30-70 anos e produção controlada. A produção é alta, tal como o rigor do trabalho efectuado, este Protocolo (100% Tempranillo) custou-me numa pequena garrafeira do sul de Espanha a módica quantia de 2,50€ e teve direito a estágio em barrica de carvalho americano de 1-3 anos durante 3 meses.

Mostra pela prova que a fama e o proveito do nome Eguren não é um acaso, o vinho tem brilho próprio e pelo preço revela-se assustadoramente apelativo e arrebatador, direi mais, será muito complicado arranjar rival no seu patamar de preço/qualidade. O aroma é limpo e tipicamente varietal embora nada rectilíneo, limpo e fresco, com muita fruta vermelha (framboesa, frutos bosque) embrenhada no aconchego da madeira (baunilha) que lhe dá algum volume, terminando com especiaria. Boca de corpo mediano, bem delineado e estruturado, saboroso, dentro do que oferece sente-se a fruta, sente-se frescura, no fundo taninos conferem-lhe ainda tempo de vida, quiçá 1 ou 2 anos pela frente, o vinho vai desaparecendo dos copos e da garrafa, olhamos e não há mais... a boa prestação à mesa é de louvar.

É compra obrigatória para todos aqueles que o conseguirem encontrar,  esgota rapidamente e o preço a isso ajuda. 89 pts

10 fevereiro 2011

Mauro 2006

Alguns graçolas gostam de dizer à boca cheia que eu sou uma pessoa que defende muito o vinho Espanhol... ora como se assumir o que se gosta fosse um enorme pecado ou mesmo um acto de infidelidade vínica para com o vinho feito em Portugal. Afinal de contas, Enófilo que se preze deve gostar de todos os bons vinhos independentemente da sua região, casta ou país, eu assim o continuarei a fazer, assumindo sempre os que mais gosto.   Dito isto vou falar de um vinho feito do outro lado da fronteira, feito por um dos grandes senhores do vinho, não só de Espanha mas do Mundo, um nome que aprendi a respeitar desde muito cedo, os seus vinhos são exemplares e tudo respira qualidade. O nome das Bodegas Mauro, criadas por volta do ano de 1980, é sinal de prestígio e de Castilla y León (ficam à porta da D.O. Ribera del Duero), também sinal de modernidade e de vinhos feitos com mestria pelas mãos de Mariano Garcia. O vinho que comento é a entrada de gama deste produtor, um blend de Tempranillo com Syrah, vinificação das castas em separado e estágio entre 12 a 14 meses em barricas novas de carvalho francês (75%) e americano (25%).

Num aroma de mediana intensidade, em que primeiro mostra fruta vermelha e negra (morango, amora, framboesa) madura e de suave frescura com ligeira geleia das mesmas, tudo delicado e muito apetecível. Envolve-se com toques de regaliz, a madeira mostra-se muito afinada e refinada, em grande entrosamento com todo o conjunto e sempre de grande qualidade, apanágio desta casa, baunilha, charuto, café em grão e leve apimentado no fundo. Pelo meio parece saltitar um ligeiro apontamento de bálsamo vegetal que confere ao conjunto uma graça suplementar, mas tudo isto embrulhado com mestria embora sem uma complexidade que se destaque em demasia. Ficamos como que à espera de um pouco mais.

Boca com entrada frutada, melhor aqui que no nariz, passagem calma e harmoniosa com ligeira secura a meio palato, corpo médio com boa largueza de ombros, frutado e fresco com embate especiado e vegetal em fundo, acompanhado por toque de café torrado.

O resultado final não terá sido o mais esperado, pelo que conheci de outras colheitas esperava algo mais na forma como se mostrou, notei uma quebra no que a complexidade diz respeito, fiquei preso naquela falta de indefinição que o vinho mostrou pois quer ser e não mostra maneiras de o ser... até pelo preço que pedem por ele, nada barato são 23€ em garrafeira. Depois deste Mauro vem o VS que custa o dobro (45€), e no topo da casa espreita o Terreus cujo preço aponta para o dobro do preço do VS, (90€) portanto sempre em crescendo tanto em preço como em qualidade. Fiquemos contentes pois então, que pelos tais 23€ ou menos, há vinhos feitos em Portugal que dão muito mais prazer a beber. Este marchou em beleza com um assado de borrego, ninguém se queixou mas também não deslumbrou. 16,5 - 91 pts

03 novembro 2009

De Puta Madre 2005

A Bodega Jacques & François Lurton, situada na região de Toro y Rueda (Espanha), é propriedade dos dos filhos, Jacques e François, de André Lurton (Châteaux Bonnet, La Louvière, Dauzac...). São a quinta geração de uma das famílias com mais renome da viticultura de Bordéus, e que nos últimos 20 anos tem percorrido muitos quilómetros por todo o mundo em busca de novos desafios. Foi assim que da mão destes dois "flying winemakers" surge um vinho de mesa, da zona de Castilla y Léon, de nome bastante peculiar: De Puta Madre.
O nome peculiar com que foi baptizado este vinho, mais não é que uma expressão utilizada em Espanha para mostrar enorme agrado sobre algo. Neste caso foi a expressão utilizada pelos enólogos quando provaram uma barrica "esquecida" de verdejo em plena adega. Um vinho aromático e refrescante, com 20 g/l de açúcar, cujo objectivo é fazer ressurgir um tipo de vinho tradicional de Rueda (Castilla). É um colheita tardia, sem botrytis, fermenta em barrica a baixa temperatura e estagia posteriormente em barrica "sur lie" durante 24 meses.

J&F Lurton De Puta Madre 2005
Castas: 100% Verdejo - Estágio: 24 meses em barricas - 15,5% Vol.


Tonalidade amarelo latão, com toque esverdeado.

Nariz claramente fora do normal, é um aroma que de imediato nos leva a pensar em amendoim torrado, ao qual se juntam frutas cristalizadas e ligeira fruta em calda (pêssego), arranjo floral com gengibre fresco, especiaria e uma boa dose de frescura que contrabalança todo o conjunto.

Boca a revelar um vinho de travo doce, mas com uma acidez presente que lhe confere uma boa frescura durante toda a passagem de boca, evita cair em algum possível enjoo. De perfil redondo e com sensação de untuosidade, espacialidade média, com toques de gengibre, frutos secos, fruta em calda e cristalizada... tudo em harmonia, com final de boa persistência.

É um vinho cheio de carácter e personalidade, nunca tinha provado nada semelhante, se é que existe. A destacar a maneira como se entrelaçam açúcar/acidez, a fruta ainda fresca mas com boa parte já em calda, um vinho quase com duas caras, direi mesmo que parecem duas almas presas no mesmo co(r)po. Deu mostras de uma boa evolução, não se importa muito com a subida de temperatura e consegue aguentar-se muito bem durante todo o final da refeição. O preço varia bastante, pode ser aqui encontrado por quase 39€. 16,5 - 91 pts
 
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