Copo de 3

26 abril 2012

Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2007


No mundo do vinho há casos em que só muito dificilmente não gostamos do que temos no copo... o vinho de que vou falar é um desses casos. Nascido na Quinta do Crasto, o Reserva feito de Vinhas Velhas é um sucesso, a sua produção ultrapassa a centena de milhar, o preço tem sido quase uma constante e bem comprado rondará os 20-25€, valor correto. O vinho em si é todo ele bastante apelativo, pode ser alarmante a facilidade com que cativa os mais incautos e "batidos" nisto das marcas e dos nomes... mas consegue, tem carisma o malandro, charme na goela pela maneira como graceja com a gente. Com o Douro na alma, mostra na sua atitude já os tiques sofisticados da nova era, vinho mais universal e com capacidade de falar outras línguas... perdeu o sotaque, ganhou em visibilidade. É inconfundível e transformou colheita após colheita numa pedra firme no que a qualidade e acima de tudo, consistência diz respeito  e que Portugal tem para oferecer dentro e fora de portas.

É com um bom conjunto de aromas a mostrar frescura e complexidade, que nos cumprimenta inicialmente causando imediata empatia com fruta rechonchuda e limpa, madura e fresca, depois a madeira bem integrada a dar todo o amparo. Mais morno no segundo plano, especiaria doce, alguma compota e a sensação de volume e arredondamento, baunilha, chocolate de leite, debita boa quantidade de esteva e violetas, tudo bem acomodado. Embora a complexidade seja satisfatória não atinge um nível de elevada performance, não será vinho de grande guarda ou de grandes tiradas uma vez que lhe falta mais nervura para tal.  Na fruta todo ele com boa estrutura, médio corpo, fruta redonda e madura, suculento, especiaria com pimenta preta, muito boa espacialidade a preencher bem o palato com harmonia e macieza, conseguindo mostrar algum  peso e frescura. Final de boca de média persistência com rasgos de mineralidade, todo ele bem composto a dar uma prova de qualidade acima da média. 92 pts

24 abril 2012

Quinta da Leda 2007


Distante deste infernal teclado vou derrubando algumas garrafas, rebuscando na memória aqueles bons momentos que passaram e onde por vezes gostaria de voltar a estar, locais que já não há com gente que já não está, o vinho dá para isto e para tanta coisa, também dá para parar, pensar... sonhar. 


Um desses vinhos do qual gosto muito é o Quinta da Leda (Casa Ferreirinha), vinho que nasce no berço dourado do Barca Velha, a Quinta da Leda, feito com um lote de castas tradicionais do Douro,  Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz. No Leda sempre lhe encontrei mais pujança e maturação que nos irmãos mais velhos, clássicos abastados (Reserva Especial e Barca Velha), mostrando-se nesta ordem mais vinho que o seu primo Callabriga. O Quinta da Leda  nasceu lá para o ano de 1995, recordo nos meus inícios de enofilia os seus belíssimos lançamentos versão Touriga Nacional, pejados de pujança e estrutura, cheirosos e raçudos que nos dias de hoje e em condições deslumbram uma mesa. Tive o prazer de acompanhar o crescimento desta marca com alguma atenção e insistência nas suas provas, terei falhado eventualmente algumas colheitas, mas recordo com alegria o 1999, 2001 e mais para a frente o 2003. Entretanto a mudança de rótulo e garrafa afastou-me do vinho, quase por birra enófila de ver desconstruir algo de que se gosta... voltei a ele na colheita 2007, dos que já bebi até hoje não andará muito longe de ser o que mais me preencheu as medidas, encontrei no 2007 um Leda adulto, raçudo, com força e sabedoria no trato, um vinho muito bonito cheio de frescura, fruta, estrutura e todo ele muito Douro para estar e durar... sim este é dos que duram.

Perfil a que gosto de chamar clássico moderno do Douro, mostrou-se em excelente fase da sua longa vida com vigor e boa dose de esteva e as ervas de cheiro do campo, as ditas cujas violetas da Touriga logo de inicio, fumo, vai crescendo com tempo no copo, muito  bom na sua complexidade e compostura, notável densidade de aromas quase que por camadas de boa espessura. Fruta escura em modo bagas e pomar com cereja, ameixa, bem fresca e sumarenta, compota ligeira, bálsamo pelo meio a dar lugar a especiaria, chá preto, tabaco em segundo plano. Boca ainda com ligeira secura dada por taninos presentes mas sociáveis, aquela austeridade que lhe assenta bem e lhe permite ter garra para acompanhar pratos mais elaborados, todo ele a começar a mostrar e bem grande elegância de conjunto e mesmo harmonia com a prova de nariz, bom preenchimento do palato com bom volume e frescura, profundidade assinalável com a fruta madura e fresca a fazer-se sentir, vegetal, especiaria e final de boca com persistência média/alta. O preço longe de ser escandaloso rondará quase sempre a casa dos 30€... a meu ver bem merecido para o vinho que é e continuará a ser durante uns bons anos. 94 pts

17 abril 2012

Quinta das Carrafouchas 2008


A Quinta das Carrafouchas está situada em Loures, mais propriamente em A-das-Lebres e se o conhecimento da sua existência é pouco, o saber que ali se produz vinho ainda é menor. No meu caso não faz muito tempo que fiquei a conhecer esta Quinta, os vinhos já os tinha abordado anteriormente via mão do enólogo Hugo Mendes, também o responsável pelos vinhos da Quinta da Murta. Ali nas Carrafouchas o vinho é levado como um projeto intimista e apaixonado, minimalista e com veia tradicional, sem base em projetos mirabolantes ou enologias de ponta... é vinho simples, bem feito, apontado diretamente para a mesa e para um agradar fácil sem no entanto se tornar enfadonho ou demasiadamente óbvio, é disto que o consumidor procura...

O tinto em prova da colheita 2008, Touriga Nacional com Aragonês, mostrou-se antes de tudo em muito boa forma, mediano na intensidade aromática com frutos do bosque a mostrar qualidade mas também um toque adocicado sem exagero e que se enquadra bem com a boa frescura que o vinho tem. Por momentos cheira a canela, baunilha, algum toque de caramelo com vegetal/floral em fundo. Boca com corpo médio, boa acidez que lhe confere frescura de bom nível, fruta a fazer um bom balanço entre a prova de nariz e a prova de boca. Saboroso e com boa estrutura, sentem-se os taninos ainda que de mansinho, harmonioso e com boa passagem no palato. Nunca caindo em facilitismos embora dentro da sua aparente simplicidade mostra-se mais sério do que parece, em final de boca de persistência média.

O preço mostra-se adequado, ronda os 5.50€ para um vinho que dá uma boa prova de si, não sendo apenas mais um tem na personalidade o suficiente para se demarcar dos restantes, muito virado para ser bebido à mesa a acompanhar pratos de bom tempero, mostrou que tem estrutura suficiente para tal. O produtor tem ainda um branco de igual qualidade que também merece ser bebido e conhecido, estando ainda no segredo do proprietário um novo lançamento. 90 pts.

16 abril 2012

Gravato Vinhas Velhas 2008


Luís Schepers Roboredo, produtor da marca Gravato, lançou no mercado mais uma novidade, depois de ter ressuscitado o Palhete e do sucesso que alcançou com o seu Touriga Nacional, vem também ele da Beira Interior um  tinto de Vinhas Velhas com tudo misturado... castas brancas e tintas onde entre a rebaldaria das vinhas com mais 60 anos, nos surgem a Rufete e a Síria Velha (Códega do Larinho). O vinho invoca memórias de outros tempos, precisamente porque as vinhas eram por vezes essa tal rebaldaria de brancas e tintas misturadas... este saiu como tinha de ser, saiu com a vontade de relembrar como outros no antigamente terão saído... 

O vinho apenas sentiu a frieza do inox, durante 2 anos diga-se, só lhe fez bem, amaciou e acertou tudo para que quando for levado ao copo o resultado seja o esperado, pinga pronta para ir à mesa em boa companhia. Neste caso não é vinho com grandes segredos de complexidades muito rendilhadas ou rebuscadas, aqui o segredo são aqueles 5% de Síria Velha, são os solos onde as vinhas estão situadas, é a saudável teimosia de um produtor em fazer vinho à moda de outros tempos. Neste caso e mais uma vez com a sua dose de interesse, não deslumbra mas mostra-se muito correto, todo ele direto e simples,  muita fruta vermelha e ácida, quase que com travo verdasco pelo meio, talos verdes acabados de cortar, depois floral e mineralidade em fundo conferindo alguma austeridade no conjunto. No bom volume de boca, não chega a ser pesado, é harmonioso e de trato leve e fresco... Tinto Fresco para ser servido fresco, tinto para ir à mesa e beber descontraidamente, grelhada mista em tempo quente no terraço com os amigos. 89 pts

15 abril 2012

Cedro do Noval 2007


Volto aos vinhos do Douro, volto aos vinhos de mesa deste mítico produtor de Vinho do Porto, a Quinta do Noval, desta vez por mais uma excelente razão, o Cedro do Noval da colheita de 2007. Este é o segundo vinho, logo abaixo do vinho com nome da Quinta, o Quinta do Noval, o Cedro é vinho que perdeu o DOC para passar a ser Regional Duriense, a razão é a  casta Syrah ter sido incluída no lote a 35% mais Touriga Nacional, Touriga Franga e Tinto Cão. Vão nadar em  carvalho francês durante 18 meses até que ficam na clausura da garrafa e pronto a ser consumido ou guardado.

A qualidade está mais que patente, janela escancarada para um Douro com toques de clássico, duro e austero mas ao mesmo tempo um Douro carismático e charmoso, mais moderno e sedutor onde a frescura lhe enche a alma. No seu bonito toque de modernidade, fruta escura muito madura, limpa e pura, cereja e groselha, carregado de especiaria e mineralidade, madeira a caminho do ponto certo (está quase) com os seus contributos de qualidade acima da média, fumado, cacau e leve tabaco. Vinho cheio, profundo, um gozo a cheirar e a rodopiar no copo, por entre o rendilhado da fina e bem composta rede de aromas, uma nota de bálsamo... ali mesmo dos Cedros da Noval. Leve-se à boca para na sua entrada com fruta cheia de força e energia, um vinho cheio, que mostra vigor e garra, ao mesmo tempo um embalo prazenteiro, leve ponta de geleia pelo meio, alguma ameixa mais tocada, um vinho que na companhia de um cabrito no forno nos delicia. Vai buscar a ligação com as ervas e as especiarias, a acidez controla a gordura do assado. Vem refinando com o tempo, todo ele muito aperaltado e envolvente, passagem de boca com harmonia, alguns taninos ainda presentes em final médio/longo, mostrando-se um excelente vinho para a qualidade e preço apresentado, relembro que o preço ronda os 15€ tornando a compra bem apetecível. Mais aberto e dialogante que o seu irmão mais velho, não deixa de ser aquilo que é... um belíssimo vinho do Douro. 93 pts

14 abril 2012

Fiuza 3 Castas e 1 Sauvignon 2011

São os brancos mais recentes da Fiuza no mercado, o Sauvignon Blanc e o 3Castas, vinhos de 2011 a cheirar a novo, frutados e prontos para o dia a dia. São na sua essência vinhos formatados para um consumidor que procura vinho bem feito, que saiba bem e acompanhe de igual modo a refeição, vinhos corretos. 

Começo por destacar a qualidade que se destacou um pouco acima das colheitas que já tinha provado, por falar naquele que mais gostei, o Fiuza 3 Castas 2011 onde a combinação de Chardonnay, Arinto e Vital embrulha todo um conjunto de  preço acessível a rondar os 3.50€ que se revela assente nos aromas primários, apesar de pouco expressivo mostra-se correto e sem grande complexidade, toque floral com fruta madura e um ligeiro rebuçado. Na boca a mostrar frescura, passagem suave sem grandes atropelos onde a fruta marca presença em final mediano. É um vinho firme e hirto, quase recto, simplex mas catita, não complica, não é tão forçado como o outro e por tudo isto mostra-se ligeiramente mais genuíno86 pts

No outro copo tinha o Sauvignon Blanc 2011, vinho que mais uma vez não me enche as medidas e que pessoalmente não lhe vejo grande mais valia ou sequer piada... beba-se apenas como branco que é. O preço é mais elevado e sobe para uns 4.50€ sem que o seu comportamento durante a prova o consiga justificar. Vinho correto, simples e que se resume de forma simples a uma presença ligeira de fruta fresca e madura com leve herbáceo, cumpre se servido fresco e sem pensar muito no que se tem no copo... 84 pts

29 março 2012

Soalheiro 2011

Escrever sobre este vinho começa a ser costumeiro, não apresenta nada de novo a quem o conhece bem e para quem não o conhece apenas digo que está a perder a oportunidade de beber um dos melhores brancos feitos em Portugal e no mundo... sim no Mundo. Pelo preço que nos custa a roçar os 9€, um pouco menos, ainda por cima vendido em grande superfície comercial que o coloca bastante acessível, depois é dizer que são mais de 25 anos de marca com consistência e um potencial de envelhecimento mais do que provado e comprovado (o 2007 está algo de fantástico), é por tudo isto uma RPQ explosiva de um vinho de terroir, identidade marcada e e que apenas se consegue feito onde é feito. Pessoalmente a minha escolha recai neste Soalheiro, o normal, o mais "simples", mas o que me continua a dar as garantias da tal boa longevidade, deixando de lado o Soalheiro Primeiras Vinhas que ainda não me conseguiu convencer plenamente da excelência que muitos lhe apontam... poderei estar enganado, mas apenas o tempo o poderá demonstrar. 

Dito isto esta colheita 2011 foi bebida, não provada, com as triviais Ameijoas à Bulhão Pato,  acho que já é ritual cá em casa a primeira garrafa de Soalheiro da nova colheita ser bebida com as ditas. A ligação continua a ser fantástica, o vinho tem as variantes normais dos anos de colheita, a de 2011 foi declarada clássica pelo produtor, mais preciso, equilibrado e com exuberante fruta tropical e citrina bem viva e fresca com mais pureza tanto no nariz como no palato, mais definido, acidez limonada, mineralidade presente num conjunto que mostra raça, músculo e nervo. Gosto da combinação entre a fruta madura, o seu toque doce natural com a aquela acidez que lhe confere uma enorme frescura que se prolonga no final... acompanha lindamente as ameijoas com o toque do alho e dos coentros frescos, com algum vegetal fresco que o vinho também mostra ter... harmonia de sabores e aromas refrescantes num final de tarde amornado e Primaveril. Não falha, nem na prova que dá nem cá por casa, tornará a ser uma vez um ponto obrigatório quando entrarem em campo bichezas do mar de grande ou pequeno porte. Afinal de contas beber um grande vinho é mais acessível do que parece... 93pts

27 março 2012

Mercados de Portugal e Gosto de Portugal no 24Kitchen


Aqui deixo o meu apoio a estes 3 novos projetos que vão estrear em breve no canal 24Kitchen, serei seguidor atento de cada um deles, colocarei a notícia tal como a recebi, na íntegra...
Depois da estreia de ‘Papa-Quilómetros’ (dia 29 de março), o 24Kitchen traz ao ecrã mais duas produções portuguesas que nos trazem o melhor do nosso país. ‘Mercados da Minha Terra’ (dia 02 de abril) e ‘Gosto de Portugal’ (dia 04 de abril) são dois programas a cargo do jovem cozinheiro Sebastião Castilho e do ex-concorrente do Masterchef, Rodrigo Meneses, que mostram as maravilhas da gastronomia portuguesa.


Estes dois jovens amantes da cozinha começaram o seu percurso profissional no mundo da publicidade, mas aperceberam-se que o mundo da gastronomia é o que realmente lhes enche as medidas. Agora no 24Kitchen, estes dois cozinheiros viajam por Portugal para nos mostrar os melhores ingredientes e os melhores lugares para se experimentar a verdadeira comida tradicional portuguesa com um toque moderno.

Mercados da Minha Terra’, que estreia em episódio duplo no dia 02 de abril, é apresentado por Sebastião Castilho que visita os maiores e melhores mercados tipicamente portugueses – Aveiro (Mercado do Peixe e Mercado Manuel Firmino), Braga, Almeirim, Caldas da Rainha (Mercado das Frutas e Legumes e Mercado do Peixe), Cartaxo, Cascais, Castelo Branco, Coimbra, Covilhã, Évora, Figueira da Foz, Guimarães, Lagos, Lisboa (Mercado da Ribeira), Loulé, Mangualde, Nazaré, Olhão, Peniche, Portalegre, Porto (Mercado do Bolhão), Reguengos de Monsaraz, Santarém, Setúbal, Sines, Torres Vedras, Viana do Castelo, Vila Franca de Xira, Vila Nova de Gaia, Vila Nova de Milfontes e Vila Viçosa. Em cada mercado o cozinheiro prepara uma deliciosa refeição confecionada com os ingredientes mais frescos e saudáveis acabados de comprar no mercado.

 Gosto de Portugal’ é um programa para amantes de boa comida. Rodrigo Meneses viaja pelo país para nos mostrar as melhores tascas e os melhores restaurantes que nos apresentam a rica gastronomia nacional. Este programa dá a conhecer não só os melhores sítios para uma refeição em família, com amigos ou até mesmo sozinho, como também os pratos e sabores mais característicos do nosso país. O foodie Rodrigo Meneses vai descobrindo lugares assim como diferentes estilos de comida. Durante os episódios vamos poder conhecer os melhores restaurantes e tascas de Cascais, Campo de Ourique, Setúbal, Porto, etc, assim como vamos poder ver o que servem alguns dos melhores restaurantes de Lisboa na temática ‘Lisboa Deluxe’ ou descobrir os melhores sítios vegetarianos.

26 março 2012

Há qualidade abaixo dos 3€ ?

Fotografia: Diogo Rodrigues
Já tem o seu tempo mas é agora que a retiro do baú das notas, falo de um prova que se realizou dia 5 de Outubro 2011 na Quinta das Carrafouchas (Loures) e teve como mote provar vinhos abaixo dos 3€, por norma os mais baratos são vinhos que estão espalhados no circuito, são campeões de vendas mas mesmo assim são vinhos que fogem das mesas dos apreciadores encartados, da malta que diz que prova... basicamente são os vinhos que se bebiam quando se era estudante e havia pouco no bolso para pagar por uma garrafa de vinho ao jantar. O grupo de prova foi formado no animado grupo do facebook TWA que na pessoa do enólogo Hugo Mendes ficou responsável pela logística da coisa, juntamente com os restantes provadores (8 no total). Objectivo apenas um, verificar a qualidade do que é feito naquele patamar abaixo dos 3€.

Em regime de prova cega, os vinhos foram sendo servidos com uma bateria de 8 brancos... direi que metade dos vinhos em prova a meu ver estavam completamente desinteressantes e sem grandes notas de qualidade. Colocarei a lista de todos os vinhos provados com um pequeno comentário sempre que considere oportuno, a preto meto em destaque os 3 melhores de cada prova.


Prova Régia 2010 Preço: 2,49€ Classificação Média dos Provadores: 14,6/20
Fonte do Nico 2010 Preço: 1,49€ Classificação Média dos Provadores: 14,4/20
Couteiro-Mor 2010 Preço: 1,99€ Classificação Média dos Provadores: 13,9/20
Adega de Pegões Colheita Selecionada 2010 Preço: 2,49€ Classificação Média dos Provadores: 13,6/20
Quinta da Arrancada 2010 Preço: 2,99€ Classificação Média dos Provadores: 13,2/20
Contemporal Bairrada 2009 Preço: 1,99€ Classificação Média dos Provadores: 12,9/20
Encostas de Pias 2010 Preço: 1,65€ Classificação Média dos Provadores: 12,1/20

Sobre os brancos em prova o claro destaque para o Prova Régia, um 100% Arinto que deixou de ser D.O.C. Bucelas pois as uvas face ao aumento de produção começaram a vir de fora da  D.O.C. Frescura, secura na boca, sabores citrinos batidos na lima limão com mineralidade. O Couteiro Mor a mostrar mais uma vez que é sempre uma aposta ganha a sua compra, até mesmo ao nível do tinto, direto, fresco, simples e frutado. Completo desatino com o que o Pegões Colheita Selecionada mostrou, esperava mais deste vinho, bastante mais até porque vai para alguns anos tinha sido compra insistente face à qualidade, depois aumentaram a produção o lote mexeu, a qualidade tremeu e o vinho deixou de ser bem aquilo que era... nos finalmente nota menos para o Contemporal que não tem por onde pegar, faz no entanto confusão como surge o Aníbal Coutinho a dar a cara por um vinho destes... não havia necessidade, ou haveria...

Na prova dos tintos aumento o número de vinhos em prova mas a nível de qualidade não se notou um aumentar da mesma, curiosamente 4 dos tintos tiveram apreciação colectiva abaixo de todos os brancos provados. Não sendo uma amostra do completo panorama vínico nacional, seria alarve pensar nesses modos, deu para fazer uma ligeira brincadeira e coloquei as 3 grandes referências provenientes das Cooperativas do Alentejo, autênticos campeões de vendas, pecando apenas por não estar o Porta da Ravessa esgotado na grande superfície perto da minha casa.


Vale do Rico Homem 2009 Preço: 2,98€ Classificação Média dos Provadores: 14,6
Encostas de Pias Reserva 2010 Preço: 2,49€ Classificação Média dos Provadores: 13,8/20
Cardal 2009 Preço: 2,79€ Classificação Média dos Provadores: 13,6/20
Quinta da Arrancada 2008 Preço: 2,99€ Classificação Média dos Provadores: 13,2/20
Conde De Vimioso 2010 Preço: 2,08€ Classificação Média dos Provadores: 13,1/20
Convento da Vila 2009 Preço: 1,99€ Classificação Média dos Provadores: 12,9/20
Terra de Lobos 2009 Preço: 2,99€ Classificação Média dos Provadores: 12,9/20 
Audaz 2010 Preço: 2,89€ Classificação Média dos Provadores: 12,8/20
Real Lavrador 2010 Preço: 1,58€ Classificação Média dos Provadores: 12/20 
Terras D'el Rei 2010 Preço: 1,58€ Classificação Média dos Provadores: 11,7/20
Pingo Doce Vinho Regional Alentejano 2010 Preço: 1,24€ Classificação Média dos Provadores: 10,4/20
Faro 2008 Preço: 1,99€ Classificação Média dos Provadores: 10/20
D. Fuas Reserva 2003 Preço: 2,85€ Classificação Média dos Provadores: 8/20 
Don Simon Tempranillo Preço: 0,99€ Classificação Média dos Provadores: 7,4/20

Aqui no canto dos tintos os vencedores foram 2 vinhos do Alentejo e 1 vinho Ribatejano, três apostas mais que convincentes para o dia a dia ou mesmo a servirem de refúgio na escolha em carta de restaurante. Destaco a nível pessoal o Convento da Vila que mesmo não tendo ficado nos lugares cimeiros, rondou de muito perto, mostrando que os grandes volumes também podem mostrar uma qualidade bastante interessante. O destaque negativo para o Espanhol Don Simon que será o pior vinho de que tenho memória ter provado na vida... é um autêntico frasco de defeitos e um compêndio daquilo que não deve ser vinho, para aula didática fica a minha recomendação, sempre podem no final pedir o dinheiro de volta uma vez que eles devolvem o dinheiro se não estivermos satisfeitos com a qualidade.

23 março 2012

Torre de Menagem Alvarinho/Trajadura 2011


Este foi um dos brancos que preencheu quase toda uma noite plena de bicheza do mar, porque eram muitos convivas, porque não se queria algo muito pretensioso e capaz de agrado fácil aos palatos mais esquisitos, porque apetecia um vinho de grande relação preço/qualidade para se poder comprar umas caixas e ir abrindo noite fora. Esta conversa tinha sentido na altura da passagem de ano em que acabou por ser o meu primeiro vinho de 2011 provado, mas terá ainda mais sentido neste momento. Numa altura em que se procuram aromas e sabores da Primavera, falo de um vinho para ir bebendo e conversando com os amigos na maior das calmas, esparrachado na esplanada ou no terraço. O blend que este vinho produzido na região dos Vinhos Verdes debita é na maioria dos casos uma escolha perfumada e ao mesmo tempo refrescante, falo da dupla maravilha qual Antão Vaz e Arinto no Alentejo, aqui reinante com Alvarinho e Trajadura. É nas Quintas de Melgaço que nasce, preço a rondar os 3€ e pico, pouco grau alcoólico e fácil de encontrar em grandes superfícies. 

É um branco fresco, direto, que se mostra bem composto e bonito, que cheira bem, torna-se refrescante, jovial, frutado com aromas a fazer lembrar fruta bem madura e sumarenta, citrinos, polpa branca, tropical, com destaque para a Alvarinho que se encontra em maioria no lote. Tem por lá um toque mineral num perfil delicado e cheio de energia, com a boca a corresponder com fruta madura, o toque mineral com leve pico verde (também o mostra no nariz) é aqui mais presente embora a presença em boca o torne ligeiro, não vale a pena pedir milagres. Suave persistência num vinho que se bebe com prazer sem saturar, muito vocacionado para a mesa, seja em modo aperitivo seja em modo companheiro de bicheza do mar, em formato peixe ou marisco, na grelha ou em salada que pode ser adornada por fruta.

Mais uma vez volto a falar de um vinho produzido na Região dos Vinhos Verdes, novamente no copo um exemplar sem tiques estranhos e fiel às suas origens, o preço torna-o ainda mais apetecível, podem dizer que não será dos melhores exemplares onde este dueto Alvarinho/Trajadura se apresentam, mas sem dúvida que não perde o interesse e qualidade que tem. A beber... 87 pts

22 março 2012

Apegadas Qta. Velha Tinto 2007


Numa fase da vida em que ando a encadernar pensamentos falta-me certo tempo que desejaria para escrever tudo aquilo que tenho para contar... e é tanto. Deste modo resta-me ir saboreando alguns vinhos que vou abrindo e que me vão acompanhando ao longo do passar dos dias. Este é daqueles de meia estação, impecável para o antes e o durante o jantar, o antes é com um petisquinho tirado na cozinha enquanto se pensa no que se vai fazer para mais logo... não gosto de pensar de estômago vazio e é mais um pretexto para consoante a prova que o vinho me dá poder mais ou menos equilibrar com o que se serve mais tarde. Neste caso temos o resultado das vinhas mais antigas da Quinta Velha (Quinta das Apegadas), com as tradicionais castas do Douro a comporem o lote final que ainda nadou em barrica.

É um vinho que já me tinha deixado uma boa recordação quando o provei na sua primeira colheita, agora mais adulto e afinado na colheita 2007 voltou com mais e melhor coisas que contar... fico feliz, pois é um vinho bonito. Tem os traços do Douro vincados no seu perfil, não o acho nada moderno, é vinho sério e rijo dentro das suas capacidades, no que mostra é sincero e sem nada a esconder, gosto de vinhos assim, que nos colocam com o pensamento na zona onde nasceram e cresceram. A intensidade de aromas é boa, frutado (frutos vermelhos e bosque), limpo, rejubila energia com cerejas e mirtilos, rijo, solo mineral com presença da madeira no toque fumado que apresenta, apimentado e muito bem composto, alguma austeridade vegetal de bom tom. Na boca continua a bom ritmo, entrada fresca de passagem sem grandes precalços e com boa presença, boa estrutura e frescura, é a fruta sem doçura que comanda com madeira e algum herbáceo, seco, especiaria novamente, final mediano. É bom saber que há vinhos assim, que descomplicam as coisas, que dão uma prova fácil mas de qualidade, toda a gama deste produtor merece destaque com preços sensatos para a qualidade oferecida, neste caso e se não me falha a memória o preço deverá rondar os 7,50€. 90 pts

19 março 2012

Quinta de Gomariz Loureiro Colheita Seleccionada 2010

Estamos a entrar na primavera... é já amanhã, começam a apetecer brancos mais cheirosos e airosos, vinhos que pelos aromas e frescura nos colocam na varanda ou na esplanada em amena cavaqueira com os amigos. Se há um tipo de vinho que nos podemos orgulhar de ter como nosso, como algo com identidade exclusiva é o chamado "Vinho Verde". Enquanto se fazem tintos e brancos noutros lados a imitar por sua vez outros lados, ali na região dos Vinhos Verdes, faz-se vinho genuíno igual a si próprio... não precisa de ir buscar tiques à Borgonha ou a Rueda, não precisa de ir buscar castas a outras regiões para poder brilhar e chamar atenções. Por incrível que pareça, esta poderosa arma de arremesso no mercado internacional é a meu ver muito mal explorada, enquanto muito consumidor procura vinhos com identidade e por autismo passa ao lado desta região vista como menor mas que nos últimos tempos tem sido responsável por alguns dos melhores brancos a nível nacional. 
O vinho de que falo é feito na Quinta de Gomariz, um 100% Loureiro que orgulhosamente ostenta algumas medalhas de ouro de por onde tem passado, sinal de reconhecimento de que agradou por onde andou. Não foi caro, pois nem aos 5€ chegou, apesar de esperar encontrar o 2011 no mercado acabei por ficar com o 2010, a casta já me deu mostras de que quando bem trabalhada dá longa vida aos seus vinhos. Neste Gomariz encontrei um vinho com perfil mais moderno e trabalhado para um agradar mais alargado, bem assente na essência da casta nota-se que há um esforço em tornar o vinho o mais agradável possível, mais fruta madura, mais direto, menos pensativo e mais falador, esperava para o meu gosto de encontrar um pouco mais de nervo, de energia, aquele rasgar de mineralidade em fundo que teimou em não surgir, tem boa exuberância com aromas de citrinos (lima, limão), toque de flores brancas e algum vegetal fresco... todo ele afinado e com boa frescura. Na boca leve pico, acidez citrina, fruta que peca um pouco na presença mediana como no final curto onde lhe falta mais energia e profundidade. É um vinho que se acaba por beber com satisfação, bom amigo da mesa e que acompanhou muito bem uns camarões grelhados na chapa. 88 pts
 
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