Quando os imprevistos acontecem, um Private Selection Branco que havia estado na cave durante largos anos à espera de acompanhar um Bacalhau Especial de Natal, eis que o vinho branco se apresentou sem alma nem vida, um desalento. Sem muito que pensar recorri a este Soalheiro Granit 2016, um Alvarinho de fina estirpe que se mostra mais mineral e seco que os restantes da companhia. O resultado foi pleno de satisfação, mostra um lado gastronómico muito interessante e permitiu uma ligação perfeita com os lombos de bacalhau e seus acompanhamentos, mesmo a couve galega regada com azeite desafiou por momentos embora a ligação tenha continuado numa grande harmonia de sabores/aromas. Não é o mais exuberante, nem o mais untuoso, fora de ser o mais complexou ou o mais cristalino, é aquele que pela acidez e nervo, pelo tom da fruta mais calma e serena, custa coisa de 11€ e ajudou a abrilhantar a véspera de Natal. 93 pts
27 dezembro 2018
26 dezembro 2018
Deu La Deu Terraços Alvarinho 2016
A marca Deu La Deu (Adega Coop. de Monção) foi comprada na altura à Real Companhia Vinícola do Norte de Portugal. Desde então que se tornou um sucesso de vendas e presença assídua à mesa de muitos consumidores, os motivos explicam-se pela sua consistência aliada a uma belíssima relação preço/satisfação. Com a colheita de 2016 nasceu topo de gama da casa, o Terraços, que vai buscar as uvas das vinhas mais velhas e perfila-se com preço a rondar os 28,89€. É um Alvarinho com austeridade, mais seco e mineral com grande equilibrio apesar da juventude que domina o final de boca, pelo caminho encontramos o toque de uma fruta muito pura e cristalina. Belíssima presença tal como a complexidade, marca pela frescura e acutilancia, tem aquele nervo que nos guia até um final longo e seco, como que a pedir uns carabineiros grelhados por perto. Está para durar. 94 pts
23 dezembro 2018
Vinhos para o Natal e Passagem de Ano.
São algumas sugestões, agrupadas em 5 tipos, para acompanharem o Natal e a Passagem de Ano. São vinhos com diferentes patamares de preço nos mais variados estilos e perfis, vinhos que se diferenciam pela identidade, frescura, qualidade, muito gastronómicos e pensados para a mesa. São estes, como podiam ser tantos outros, que podem ajudar a engrandecer momentos especiais junto da nossa família e amigos.
Entradas/Queijos/Bichos do Mar
Marquês de Marialva Bical e Arinto Reserva Bruto
Murganheira Czar Grand Cuvee Rosé Bruto 2013
Bacalhau e Amigos
Quinta de Pancas Reserva Arinto 2016
Monte da Cal Saturnino Grande Reserva branco 2013
Marquês de Borba Vinhas Velhas 2017
Maçanita Os Caniveis 2016
Kompassus Reserva 2016
Anselmo Mendes Contacto 2017
Perú/Cabrito
Mouchão Ponte das Canas 2014
Lagar de Baixo Baga 2015
Mamoré Vinho de Talha tinto 2016
Herdade do Rocim Clay Aged 2016
Sobremesa
Mouchão Ponte das Canas 2014
Lagar de Baixo Baga 2015
Mamoré Vinho de Talha tinto 2016
Herdade do Rocim Clay Aged 2016
Sobremesa
Quinta do Cardo Colheita Tardia 2015
Alambre Moscatel de Setúbal 20 Anos
Messias Porto 10 Anos
H.M. Borges Verdelho Madeira 20 Anos
Monsaraz Licoroso Premium tinto 2015
Monsaraz Licoroso Premium tinto 2015
10 dezembro 2018
Ansgar Clüsserath Trittenheim Apotheke Riesling Beerenauslese 2007
Desde a sua fundação em 1670 que o produtor Ansgar Clüsserath (Alemanha) localizado em Trittenheim (Mosel) é gerido pela mesma família. Nos dias de hoje é Eva Clüsserath-Wittmann, que com o seu pai, toma conta dos destinos desta secular casa. Pode-se dizer que o Riesling está enraizado na alma destas pessoas, tal como o marido de Eva, o produtor Philip Wittmann. Beerenauslese (BA) indica um vinho de colheita tardia onde as uvas foram escolhidas criteriosamente para a sua elaboração, o que quase sempre implica o custo elevado deste tipo de vinhos, este rondará a casa dos 60€.
Um vinho de sobremesa, delicado, harmonioso e conquistador. Mostra ligeiramente o toque da botrytis que se mistura com os tons mais melados e de fruta amarela madura em calda, gengibre fresco ralado, profundo e cativante. Na boca mostra-se com uma bela concentração num balanço com a frescura a dar vida ao final de boca. Com os 11 anos de vida talvez tenha perdido uma ponta de frescura e de definição, ganhou na complexidade e é puro prazer no copo, quando damos conta já acabou. 95 pts
Um vinho de sobremesa, delicado, harmonioso e conquistador. Mostra ligeiramente o toque da botrytis que se mistura com os tons mais melados e de fruta amarela madura em calda, gengibre fresco ralado, profundo e cativante. Na boca mostra-se com uma bela concentração num balanço com a frescura a dar vida ao final de boca. Com os 11 anos de vida talvez tenha perdido uma ponta de frescura e de definição, ganhou na complexidade e é puro prazer no copo, quando damos conta já acabou. 95 pts
08 dezembro 2018
Monte da Cal Saturnino Grande Reserva Branco 2013
A Herdade Monte da Cal fica localizada no concelho de Fronteira, na freguesia de São Saturnino, a cerca de 40 km de Portalegre. Com uma imagem diferente para melhor do que aquela que conheci dos seus primeiros lançamentos, agora com enologia de Osvaldo Amado, a gama sofreu um reposicionamento dos seus vinhos tal com a dita mudança de visual. O Vinha de Saturno continua a ser o topo de gama apenas lançado em anos de excepcional qualidade e abaixo desse surgem os Saturnino, com o branco 2013 aqui em prova. Compra-se por 10,90€ e é produzido com as castas Alvarinho, Antão Vaz e Arinto, passando 6 meses em barricas com direito a battonage e repouso de 6 meses em garrafa.
O resultado final é um vinho com notas de pão torrado a dar sensação de cremosidade inicial para depois se encontrar notas de fruta amarela e ligeiro tropical com alguma geleia de citrinos, especiarias, muito equilibrio num tom cativante e de grande qualidade. Na boca é envolvente, acidez presente e cheio de sabor, mistura o toque mais acutilante dos citrinos com a cremosidade dada pelo tempo e pela barrica. Um belíssimo branco para levar à mesa. 92 pts
03 dezembro 2018
Murganheira Czar Grand Cuvée Rosé Bruto 2013
Inserido na linha dos mais luxuosos espumantes das Caves da Murganheira, este Czar Grand Cuvée vai buscar a casta Pinot Noir para a sua elaboração. O preço ronda os 27€ e faz justiça à qualidade que encontramos num espumante de elevada qualidade e que no seu patamar não se deixa vergar perante a denominação Champagne. A palavra de ordem é equilibrio, prazer mais que assegurando num perfil onde reina a elegância, notas de frutos vermelhos limpos e gulosos, ligeiro praliné de avelã com muita frescura a rodear todo o conjunto. Na boca uma belíssima mousse a envolver o palato, bom volume com toque de cereja ácida a prolongar-se num belo e prolongado final. 94 pts
28 novembro 2018
Maçanita 2016
Passo a passo algumas marcas vão surgindo no panorama nacional e conquistam o merecido lugar junto dos consumidores. Este é um dos mais recentes casos, um projecto digamos recente, feito no Douro por dois irmãos, o António e a Joana Maçanita. Os vinhos falam por si, levam a região na alma mas também o cunho muito pessoal e diferenciado dos seus autores. Um tinto fiel ao Douro, colheita após colheita a consistência vai dando lugar à fidelidade, um saber com o que podemos contar quando o abrimos e colocamos no copo. É aquela conjugação de austeridade com fruta saborosa e limpa, toque de esteva, grafite que lhe dá sensação de secura em fundo. Tem o corpo suficiente para pratos de bom tempero onde um javali guisado com batatas serve na perfeição. Um tinto sem excessos e que se mostra bem fiel à região, resta-me saber como será o efeito do tempo em garrafa, é que não consigo guardar nenhuma. O preço ronda os 10€ em garrafeira, num belo vinho pronto a fazer-nos companhia à mesa. 90 pts
14 novembro 2018
Quinta de Pancas Grande Reserva 2013
É o topo de gama da Quinta de Pancas (Lisboa) e surge para dar continuidade ao Grande Escolha, agora chama-se Grande Reserva. É feito com Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Petit Verdot, o preço ronda os 25€ e é o regressso deste produtor à ribalta com um grande vinho. É complexo, amplo e com um aroma maduro de fruta silvestre, amoras, ameixa, nota de chocolate preto, especiado com um fino recorte balsâmico a envolver o conjunto. Ainda jovem, mostra sinais de ligeira austeridade em pano de fundo, alguma tosta da barrica. Boca com grande estrutura suportada pela frescura e qualidade da fruta, saboroso e opulento, mas já a querer mostrar alguma elegância e harmonia, final persistente. Desde já tem tudo para agradar, mas o tempo em garrafa só lhe vai fazer bem. 95 pts
13 novembro 2018
Mouchão Tonel 3-4 2013
Para os lados da Herdade do Mouchão (Alentejo) o tempo parece gostar de passar devagar, afinal de contas a pressa sempre foi inimiga da perfeição e os vinhos ali criados nunca gostaram de correrias. Este é o topo de gama, o Tonel 3-4, um tinto oriundo das melhores uvas da casta Alicante Bouschet que nascem na Vinha dos Carapetos, o vinho estagia posteriormente nos toneis que lhe dão o nome. Este ano o Tonel surge com nova roupagem, muito sóbrio e senhorial, mostrando as razões por que é sem dúvida alguma um dos melhores tintos feitos em Portugal.
Concentrado e fresco, este monolito de fruta silvestre negra com compota, ervas de cheiro, chocolate preto, ligeiro balsâmico de fundo, ainda tudo muito novo mas cheio de energia. Cresce no copo e como que por camadas os aromas vão surgindo, limpos mas ainda muito compactos. Na boca é uma explosão de sabor, um colosso que conquista todo o palato no imediato, largo e profundo, com a fruta bem suculenta a dominar e a fazer perdurar a festa. O final pede calma, pede que o deixemos evoluir durante mais uns anos, que tem ainda muito para crescer em garrafa. Se já tinha ficado rendido ao 2011, este 2013 consegue ser ainda superior. 98 pts
Concentrado e fresco, este monolito de fruta silvestre negra com compota, ervas de cheiro, chocolate preto, ligeiro balsâmico de fundo, ainda tudo muito novo mas cheio de energia. Cresce no copo e como que por camadas os aromas vão surgindo, limpos mas ainda muito compactos. Na boca é uma explosão de sabor, um colosso que conquista todo o palato no imediato, largo e profundo, com a fruta bem suculenta a dominar e a fazer perdurar a festa. O final pede calma, pede que o deixemos evoluir durante mais uns anos, que tem ainda muito para crescer em garrafa. Se já tinha ficado rendido ao 2011, este 2013 consegue ser ainda superior. 98 pts
Marquês de Marialva Baga Reserva 2010
Um 100% Baga da Adega de Cantanhede (Bairrada) com preço a rondar os 6€ e que se revela uma aposta vencedora para beber no dia a dia, ou para guardar durante uns bons anos. Este é da colheita de 2010 e mostra-se numa fantástica forma, cheio de vida mas a mostrar que os 8 anos que passaram ajudaram a afinar o conjunto. Um tinto pleno de harmonia e equilibrio, frescura da fruta fresca e carnuda, cerejas e bagas silvestres, toque fumado com cacau em fundo e tom herbáceo. Com o tempo acomoda-se ao copo e fica sedutor e convidativo. 90 pts
12 novembro 2018
Monsaraz Colheita Tardia 2016
Da CARMIM (Alentejo) sai este colheita tardia criado a partir da casta Semillon, com o vinho a estagiar durante 12 meses em barricas usadas de carvalho francês. A estreia não podia ser melhor, o vinho é guloso e muito fresco, de aromas bem definidos com destaque para os citrinos, ligeira calda a envolver tudo com um ponto mais untuoso e gordo dado pela fruta de polpa amarela. Na boca encontramos o mesmo timbre, untuoso e fresco, prolongado e com grande equilibrio entre doçura/frescura. Marca o palato pelo sabor da fruta, num final de boa persistência. Custa coisa de 10€ na loja do produtor e é uma aposta tentadora para acompanhar os doces da época Natalícia. 92 pts
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