Copo de 3: Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2006

22 maio 2009

Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2006

Desta colheita foram engarrafas 77.420 garrafas, com um preço que ronda os 27€ na maioria das garrafeiras a nível nacional, relembro que há excepções onde o vinho se encontra a um preço bem inferior, digamos que ao mesmo nível do se consegue encontrar em Espanha, ficando na casa dos 18€, o que faz com a diferença de preço ande sensivelmente em menos 10€ por garrafa.
Isto faz-me perguntar, até que ponto alguns dos preços praticados em Portugal limitam a compra apenas para aquela suposta gama alta de consumidores ?
Andamos a pagar o real valor dos vinhos que compramos, ou por outro lado andamos a encher os bolsos a alguns "gulosos" ?
Este Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas ao preço que tenho como referência (18€), é sem dúvida alguma, das melhores relações preço/qualidade que temos em Portugal.

Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2006
Castas: Vinhas Velhas com mais de 70 anos - Estágio: 18 meses em barricas de carvalho francês (85%) e carvalho americano (15%) - 14,5% Vol.


Tonalidade ruby escuro de concentração moderada.

Nariz
de aroma inicialmente frutado, com bastantes frutos silvestres bem maduros e de grande qualidade, com alguma ameixa em tom fresco. Mostra um toque de gulodice com notas compotadas, que se entrelaçam com notas vegetais/florais/bálsamo a lembrar esteva e rosmaninho. A madeira presente mas subtil, vem aprofundar um pouco mais o bouquet deste vinho, seja na ligeira baunilha, café, especiarias e ligeira tosta que apresenta.

Boca elegante e harmoniosa, conjunto coeso e a apresentar uma boa espacialidade com acidez a conferir frescura durante toda a passagem de boca, madeira fina e toque da fruta madura, alguma compota, em conjunto com vegetal seco, em final de boca com persistência média/alta.

Fruto de uma invejável consistência colheita após colheita, este vinho garante uma qualidade muito acima da média, com a garantia de prazer imediato ou a médio/longo prazo. Ganhou claramente com uma breve decantação (30 minutos), e abrilhantou um assado de borrego no forno. É um Douro que se mostra sério mas bem confortável, capaz de proporcionar bons momentos e que é como o algodão, não engana.
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5 comentários:

Miguel Carola disse...

Caro João Pedro...

Obrigado por visitar o "pontão".. Desde já fica aceite a troca de link´s o editor do pontão vai tratar de colocar Copo de 3 na nossa "Garrafeira" ... Quanto ao vinho... Conheço.. já ouvi dizer maravilhas mas ainda ñ provei... Espero provar numa próxima tarde de tertúlia do "pontão"..

porrA disse...

'Andamos a pagar o real valor dos vinhos que compramos, ou por outro lado andamos a encher os bolsos a alguns "gulosos" ?'
E a economia, será uma 'ciência'?

Copo de 3 disse...

Dou como exemplo o preço do Barca Velha que no Clube 1500 ronda os 75€ e que depois se encontra bem acima dos 120€.

Ora quem lucra com isto não é certamente o produtor, nem o consumidor. Será o que alguns chamam a lei da oferta e da procura, e quando a procura é muita e a oferta é pouca, então é normal que o preço suba, porque há na realidade quem esteja disposto a pagar essas margens.

Centrando no vinho em questão, será lógico dizer que o real preço do vinho em causa está mais próximo dos 18€ que dos 27€, nestas margens alguém lucra, e mais uma vez não é nem produtor nem consumidor.

O que tudo isto leva a questionar se o preço de prateleira é o preço que deveríamos pagar efectivamente, ou em muitos casos a mão da gulodice de alguns fala mais alto ?

Pedro Rafael Barata (Blog Os Vinhos) disse...

Grande, grande vinho João!

Mesa de Baco disse...

Caro Confrade João Pedro,

Ontem, reunido com o "Grupo dos Tops", aqui no Rio de Janeiro, degustei um exemplar desse Quinta do Crasto 2006. Concordo inteiramente com você, quanto à excelência desse vinho e quanto aos descritores do mesmo. Portugal continua imbatível na elaboração de grandes vinho. Gongratulações.

Neri Cavalheiro

 
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