A Herdade do Esporão tem à disposição desde o ano passado na sua Loja da Herdade um conjunto de três vinhos a que chamaram de Testes, são experiências que viram a luz do dia e casos pontuais cheios de interesse. O lote é composto por três Testes em formato vinho branco. O 1 resulta de um Sauvignon Blanc proveniente da Quinta dos Murças (Douro), vinha do Assobio de uma parcela com 26 anos. O Lote 2 e 3 tem como origem a vinha dos Andorinhos (Herdade do Esporão) e permite ao enófilo comparar dois vinhos resultantes da mesma vinha, variando apenas o modo de produção: biológico vs integrada. Um exercício bastante interessante e que vale muito a pena. Os preços salvo erro rondam na loja os 7/8€ unidade.
15 março 2014
07 março 2014
Vila dos Gamas Antão Vaz 2012
Assiste-se com entusiasmo ao ressurgir daquela que foi uma das grandes Cooperativas no que a vinho diz respeito no Alentejo, a Adega da Vidigueira. Nas últimas colheitas tem vindo a reformular toda a roupagem, incluindo um refinar no que aos vinhos diz respeito. As terras da Vidigueira são conhecidas pelos seus brancos, berço da famosa casta Antão Vaz e nos vinhos da Cooperativa as marcas Navegante e Vila dos Gamas são exemplares de altíssima rotação. O que agora me calha no copo é o Vila dos Gamas Antão Vaz 2012, vinho que por coisa de 2,60€ preenche com mérito os requisitos da mais básica petisqueira ao consumo diário e descomprometido. Vinho este onde a casta se mostra fresca e nada pesada, solta, estão lá os toques de ananás com a respectiva calda, numa estrutura que mostra vivacidade suficiente para a cozinha regional. Sirva-se fresco a acompanhar umas simples iscas com elas. 88 pts
Monte da Ravasqueira Sangiovese 2012
Inserido na gama de monovarietais do Monte da Ravasqueira (Arraiolos), surge o novo Sangiovese produzido em 2012 a partir da respectiva casta Italiana. Um produção de 3.460 garrafas com preço unitário a rondar os 12€, mostrando-se afável e pronto a beber, muito elegante, envolve com uma bonita e refinada complexidade que ganhou nos nove meses de estágio em barrica e outros tantos em garrafa.
Debita aromas gulosos, mostrando-se fresco e de corpo mediano mas desde já equilibrado com muita harmonia, ganha com tempo de copo, evolução muito boa e em crescendo, sempre fresco é certo mas com bom temperamento de taninos que no fundo mostram alguma secura. É vinho para boa companhia e boa mesa, um Assado de Borrego nesta Páscoa que se avizinha por exemplo. Com o nariz enfiado no copo lembra por uns breves instantes outras paragens, é o tal viaje para fora cá dentro, sai diferente do que por regra a planície Alentejana nos tem acostumado. 91 pts
Debita aromas gulosos, mostrando-se fresco e de corpo mediano mas desde já equilibrado com muita harmonia, ganha com tempo de copo, evolução muito boa e em crescendo, sempre fresco é certo mas com bom temperamento de taninos que no fundo mostram alguma secura. É vinho para boa companhia e boa mesa, um Assado de Borrego nesta Páscoa que se avizinha por exemplo. Com o nariz enfiado no copo lembra por uns breves instantes outras paragens, é o tal viaje para fora cá dentro, sai diferente do que por regra a planície Alentejana nos tem acostumado. 91 pts
06 março 2014
Vinha do Monte rosado 2013
É a estreia da tonalidade rosada na marca Vinha do Monte (Herdade do Peso) pertença da Sogrape por terras do Alentejo. Surge então na colheita de 2013 o primeiro rosado Vinha do Monte, lote de Touriga Nacional e Syrah, onde se destaca o carácter bem vincado da fruta madura e limpa, muito morango e muita amora, toque vegetal fresco com especiaria de fundo, todo ele envolto num conjunto de corpo mediano e equilibrado. Boa estreia deste rosado nascido em terras da Vidigueira, companheiro ideal de esplanada e grelhador em altura de tempo mais quente. 89 pts
05 março 2014
Loios branco 2013
O Loios é o entrada de gama dos vinhos produzidos por João Portugal Ramos no Alentejo (Estremoz) e dispensa grandes apresentações ou floreados à sua volta, é um vinho fresco, jovem e com uma boa presença da fruta. Mais que isto era estar a repetir uma e outra vez o que já todos sabem, que estamos perante um verdadeiro vinho de alta rotação, vendido a menos de 3€ e de fácil agrado. Dito isto apenas a registar a mudança nesta colheita de 2013 para uma nova garrafa que não a da fotografia, que se apresenta mais leve embora menos bonita, mas com menos custos para o produtor e para o meio ambiente. É daqueles que não falha e felizmente se encontra um pouco por todo o lado. 88 pts
24 fevereiro 2014
LA BOTA DE PEDRO XIMÉNEZ Nº12
Os vinhos feitos com base na casta Pedro Ximenez são em muitos casos excessivos, autênticos sequestradores de palato onde perduram por tempo sem fim, muitos deles quase que se mastigam tal a sua densidade. Entre extremos encontramos os melhores exemplares, vinhos de puro deleite capazes de nos catapultar para outra dimensão, onde a complexidade adquirida ao longo de décadas alia-se a uma frescura e elegância muito própria. O resultado de tudo isto só podia resultar na excelência de vinhos únicos e em muitos casos, raros e preciosos.
O Equipo Navazos lançou em Fevereiro de 2008 duas versões de Pedro Ximenez, o Nº11 proveniente de Jerez e o Nº12 proveniente de Montilla-Morilés. Do Nº12 apenas foram engarrafas 1400 garrafas, 10,5% Vol. de um caldo com aproximadamente 27 anos de estágio, proveniente da mais antiga Solera de Pedro Ximénez da Bodega Pérez Barquero. Resulta menos pesado e de enorme elegância, com menos traçado de oxidação que outros vinhos desta natureza, porventura pelo facto de ter estagiado/repousado em botas completamente atestadas ao contrário do seu primo de Jerez. Embrulha-nos numa fina e rendilhada complexidade, lascivo nos aromas que já são conhecidos e repetidos pelos seus conhecedores (fruta passa, café, melado, figo seco) apenas neste caso estão melhor delineados, tudo limpo e capaz de seduzir o mais rabugento consumidor. Na boca repete a festa, entra amplo, conquistador, palato preenchido e a transbordar de fruta em passa, especiarias doces, caixa de charuto, tudo delicado, derrete-se no palato num final quase eterno. Sirva-se fresco a acompanhar chocolate negro do mais puro, a festa está garantida. Na mesma onda de excelência e de mais fácil acesso recomendo o Pérez Barquero La Cañada Pedro Ximénez. 95 pts
20 fevereiro 2014
Quinta das Bágeiras Garrafeira branco 2011
Nascido e criado pela mão de sábios na Quinta das Bágeiras (Bairrada), onde Mário Sérgio Alves Nuno à muito elevado a produtor de culto, sediado em Fogueira e que desde 1989 nos fascina com vinhos fora de modas, com um perfil vincado por uma tradição que não é esquecida dentro daquelas paredes.
O Garrafeira branco estreou-se em 2001 e é daqueles vinhos que implora por tempo de garrafa, apesar do tempo que já esperou ele pede sempre mais, porque é com o tempo que ganha complexidade e requinte, é no tempo que se torna grandioso e único, adquire toda uma decadência Outonal que tão bem liga com grandes e nobres peixes assados no forno.
Faz a festa em copo largo este 2011 (garrafa 2891 de 3213), transpira Bairrada desde que nos cai no copo, muito citrino e algum alperce, com leve rezina, flores, ervas aromáticas com nota fumada da madeira por onde passou contribui com sensação de arredondamento, serenou-lhe o espírito. Boca a condizer com nariz, suculento com acidez presente onde se nota boa secura final, vinho que vai em crescendo. A revisitar daqui por um par de anos e que por coisa de 12€ a garrafa merece estar na garrafeira de todos aqueles que gostam de um grande vinho branco. 92 pts
18 fevereiro 2014
Terra a Terra Reserva branco 2011
Irmão mais novo do Quanta Terra, pertença do mesmo projecto liderado pela dupla Celso Pereira e Jorge Alves. Aqui temos um branco cujo preço aponta para coisa de 8/9€, colheita de 2011 com direito a passagem/fermentação em madeira, lote de castas tradicionais da zona como o Rabigato, Códega do Larinho, Gouveio e Viosinho. Centrado numa fruta opulenta e fresca, muito citrino com fruta de polpa branca, flores amarelas, todo ele muito pronto, até no tropical que desponta com o tempo de copo passando para o travo de leve baunilha que a barrica lhe deu. Na boca é macio, corpo mediano com toque da fruta mas um pouco espaçado e esquecido a meio do palato... um vinho convidativo a pedir comida por perto, que nesta colheita ficou um pouco abaixo da edição de 2009. 89 pts
13 fevereiro 2014
Quinta da Murta Clássico 2012
Em Bucelas (Lisboa), na Quinta da Murta os vinhos ganharam nova roupagem mas também ficaram mais airosos, limpos e arrumados. O branco Clássico não é sequer novidade no Copo de 3, já aqui andou numa colheita anterior e se teve em prova aquele que lhe deu origem. Este vinho será aquele que mais detalhe mostra e mais atenção precisa dos brancos produzidos por este produtor. Nele mora a inquietude do enólogo Hugo Mendes em conjunto com a beleza da casta Arinto de Bucelas, demarcando-se pela diferença e cativando por isso mesmo. É um vinho arisco, formoso, apetecível e com um travo exótico/misterioso qual odalisca das arábias. Exala um perfume que se mantém colheita após lançamento, numa muito sua complexidade bem delicada e aqui nesta nova colheita a madeira nota-se bem menos, porque é essa a vontade de quem o faz, no entanto o vinho arredonda nos cantos, ganha aquele balanço bonito na boca, sempre com a acidez muito presente que prolonga e revitaliza o prazer em todo o palato. Mantém o registo a que me vem acostumando, perdendo peso da madeira mas ganhando pelo conjunto mais afinado e limpo de aromas. Vale certamente os 9€ que custa na loja do produtor e o envelhecimento será bastante satisfatório, caso consigamos guardar algumas. 91 pts
12 fevereiro 2014
Dominio del Bendito Las Sabias 2008
Será este um dos vinhos da vizinha Espanha e neste caso da sua D.O. Toro que mais prazer me dá no copo. É das mãos do Anthony Terryn no seu Dominio del Bendito que vão saindo estas maravilhas sendo o apogeu alcançado no El Titán. Aqui neste caso damos um salto em frente para encontrar novamente um vinho muito sério (como todos os que cria) mas ao mesmo tempo divertido, envolvente com bastante harmonia de conjunto, potente e com muita vida pela frente. Não estará tão pronto nem tão macio como o El Primer Paso, aqui ligeiramente mais rústico, taninos mais afiados e presentes, continua a ter toda a fruta madura e ligeiramente em passa lá no fundo, mistura-se com especiaria e tosta, apontamento de regaliz embrulha o restante conjunto com ramo de cheiros. Quase que apetece lamber o copo, trincar a fruta e lamber os dedos, a frescura que o envolve serve de batuta. Com preço a rondar os 19€/20€ é vinho para a mesa, para assados, para grandes e nobres pedaços de carne grelhada, é daqueles vinhos que se bebe com os amigos em amena cavaqueira, por curiosidade é daqueles que raramente sobra. 93 pts
08 fevereiro 2014
Mengoba branco 2011
O projecto pessoal do enólogo Gregory Pérez teve origem em 2007 no Bierzo, dá pelo nome de Bodegas Mengoba, ali dominam a Mencia, Godello e Doña Blanca. O que agora me cai para o copo, o Mengoba branco 2011, lote resultante de Godello que fermenta em foudres de 5000 litros e Doña Blanca em inox, estágio 6-7 meses sobre as borras (sur lies). O vinho em nada denota a tonalidade amarelo dourado com que outros "companheiros" da mesma casta (Godello) apresentam. Aqui tudo muito mais desafogado, sem notas pesadas ou untuosidade excessiva associada, subtil complexidade assente num conjunto bem fresco, longo e persistente. Mostra boa limpeza da fruta madura e exótica, a madeira onde nadou imprime ligeiramente a sua marca, arredondamento ligeiro nos cantos. Harmonia mas a conseguir mostrar que tem nervo e garra no palato, presente com mineralidade e fruta de qualidade, ligeira gordura a meio num conjunto todo ele de grande gabarito. Custou não mais de 15€ e foi um deleita a acompanhar um queijo no forno com oregãos. 93 pts
03 fevereiro 2014
Quinta da Murta branco 2012
No reino da casta Arinto (de Bucelas), leia-se Bucelas, a Quinta da Murta destaca-se cada vez mais pela qualidade e pureza dos seus vinhos, neste caso falo do Quinta da Murta branco 2012 vinho que apenas passa pelo frio do inox. Brilha aqui a casta Arinto em todo o seu esplendor, num vinho quase que de compêndio no que à casta diz respeito. Sem grandes exuberâncias, dominado por aromas limpos de fruta (maçã verde, lima, limão), camomila, apontamento vegetal (erva), todo ele tenso e acompanhado por uma boa carga mineral em fundo. Na boca continua a boa prestação, bem seco com acidez muito presente, envolto em sabores de fruta indo de encontro ao já destapado no nariz, mostrando-se com nervo e firmeza. Promete uma boa evolução em garrafa, como comprovado em anteriores colheitas, mostrando desde já uma grande apetência para a mesa, neste caso a rondar os 5€ na loja do produtor. 90 pts
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