Copo de 3: Herdade do Esporão
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12 janeiro 2020

Esporão Reserva 1999


Uma double-magnum (3 Litros) de Esporão Reserva 1999 foi o vinho que decidi abrir pela passagem de ano. Este é sem dúvida alguma o formato e a altura ideal para ser aberto num jantar com um número alargado de amigos. Abertura com alguma antecedência revelando desde logo um vinho adulto e em grande forma, dando uma prova ao nível do melhor que os Esporão Reserva me têm acostumado. Não foi necessário esperar muito por ele, apesar das idas e vindas para atestar o decanter, afinal a maior volumetria da garrafa atrasa o efeito da passagem do tempo permitindo que o vinho se aguente por muito mais tempo na sua melhor fase de consumo. Muita fruta silvestre ainda com frescura a passear pelo copo, ao lado aromas de caixa de especiarias com folha de tabaco, travo de canela, pimenta e compota de ameixa numa toada mais gulosa. Já aveludado no trato, cheio de finesse e uma frescura que lhe percorre todo o corpo. Muita classe neste tinto que mereceu os maiores elogios de todos os presentes, os grandes vinhos são assim.

02 dezembro 2015

Herdade do Esporão Verdelho 2004


Muito recentemente decidi resgatar um vinho que tinha na cave, o Esporão Verdelho 2004. Um branco com 11 anos de idade, um atrevimento ou até loucura dirão alguns, mas a verdade é que este Verdelho conseguiu a proeza de atingir aquele momento "wow" reservado para vinhos que de alguma maneira nos causam surpresa pela qualidade acima da média que mostram ter. Neste caso um vinho que bebi vezes sem conta na altura em que foi colocado à venda, gostava tanto que na altura resolvi guardar umas garrafas para ver como se iria comportar com algum tempo de guarda. Esta terá sido a última resistente deste Verdelho 2004 que mostrou ainda uma invejável frescura de boca e de nariz, toda a fruta que antes era fresca agora está envolta em calda e ligeiramente adocicada, toques vegetais com tisana, ramalhete de flores, tudo muito bem composto num vinho sério e adulto, com as ideias muito bem delineadas. Na boca frescura, ponta de untuosidade a enrolar a fruta no palato, mostra-se com consistência e muito boa presença, muito prazer a beber e a voltar a beber, sem cansar. É este um dos motivos que me leva a guardar vinho, acima de tudo a curiosidade mas também a satisfação de posteriormente os poder partilhar com gente que lhes sabe dar o respectivo valor. O único senão é quando a garrafa fica vazia e nos questionamos por que razões na altura não se guardaram mais. 94 pts 

29 julho 2015

Esporão Reserva branco 2014

Chega ao mercado o Reserva branco 2014 da Herdade do Esporão mais uma vez a envergar um bonito rótulo, desta vez da autoria do artista plástico João Queiroz. O cuidado e o bom gosto sempre andaram de mãos dadas na Herdade do Esporão, não vem de agora e foi algo que nasceu logo com o projecto vai para mais de 40 anos. Quanto ao perfil destes "novos" Reserva pouco muda, apenas ligeiras flutuações oriundas do ano de colheita, mas de resto é notável a todos os níveis o trabalho de toda a equipa de enologia. O vinho é daqueles que impõe a sua presença, com corpo muito bem estruturado envolto em ampla dose de frescura, passada larga com aromas e sabores marcantes envoltos num notável trabalho de barrica. Um verdadeiro clássico Alentejano ao melhor nível que a marca nos tem acostumado. 92 pts

11 abril 2015

Esporão Reserva 2012


São poucos os produtores de vinho de mesa em Portugal que se podem orgulhar de ter uma marca de sucesso com quase três décadas de presença constante no mercado, de facto vinhos como os da Herdade do Esporão são nos dias que correm verdadeiros clássicos da mesa dos Portugueses. Aqui na mais recente colheita que chegou ao mercado, o Reserva tinto 2012 mostra-se cheio de energia e vigor, fruta muito densa e bem madura envolta em frescura, a madeira por onde passou faz-se notar ligeiramente e a complexidade está ainda a começar a desenvolver-se. Na boca o vinho é amplo, conquistador, embora com taninos algo presentes que o remetem para um descanso na garrafeira por mais algum tempo. Para os que gostam destes encontros mais aguerridos então é abrir e servir a acompanhar prato de tempero forte, como um pernil de porco assado no forno. 92 pts

27 dezembro 2014

Esporão Private Selection 2008

Dispensa grandes apresentações ou conversas este vinho do Esporão (Reguengos de Monsaraz) que ano após ano garante o estatuto entre os grandes, este 2008 coloca-se por direito muito próprio entre os melhores dos melhores. Diga-se de passagem que o rótulo terá sido dos mais bem concebidos até à data, tudo isto ajuda a engalanar ainda mais este memorável líquido de traço marcadamente alentejano, com uma evolução notável nesta altura do campeonato. O vinho conquista de imediato pela complexidade, denso, profundo, maduro e bem fresco com bouquet de qualidade a vincar bem a memória de quem o bebe, desde o cacau, à fruta bem sólida, limpa e madura com caixa de charutos, todas as especiarias costumeiras dos grandes vinhos da planície Alentejana, ligeiramente terroso. 

Implora por comida, por queijos e enchidos, por pratos bem condimentados tão nobres como uma perdiz estufada ou uma lebre com feijão branco. Na boca o prazer continua, saboroso com a fruta a explodir de sabor, bonita rusticidade numa estrutura que lhe confirma longos e bons anos de vida, vinho feito para durar pois claro. Um vinho que na altura do lançamento estava rijo, tenso, pouco falador e era um acto de cruel tirania abrir um vinho tão novo e promissor. Ainda que só tenham passado 6 anos, continua firme, a prova que dá é enorme e ter uma garrafa destas em casa sem a abrir é uma verdadeira tentação... eu não consegui resistir mais. 96 pts

15 março 2014

Os "testes" do Esporão

A Herdade do Esporão tem à disposição desde o ano passado na sua Loja da Herdade um conjunto de três vinhos a que chamaram de Testes, são experiências que viram a luz do dia e casos pontuais cheios de interesse. O lote é composto por três Testes em formato vinho branco. O 1 resulta de um Sauvignon Blanc proveniente da Quinta dos Murças (Douro), vinha do Assobio de uma parcela com 26 anos. O Lote 2 e 3 tem como origem a vinha dos Andorinhos (Herdade do Esporão) e permite ao enófilo comparar dois vinhos resultantes da mesma vinha, variando apenas o modo de produção: biológico vs integrada. Um exercício bastante interessante e que vale muito a pena. Os preços salvo erro rondam na loja os 7/8€ unidade.

28 novembro 2013

Esporão Private Selection branco 2009

A Herdade do Esporão (Alentejo) celebrou recentemente os seus 40 anos, desde sempre teve por costume convidar um artista para lhe "decorar" os rótulos, terá sido pois o primeiro vinho a nascer em Portugal onde a Arte e o Vinho andam de mãos dadas. Não faz muito tempo lançou para o mercado uma série de rótulos da autoria da artista plástica Joana Vasconcelos, que serão dos mais belos que me lembro em Portugal. A cair no copo tenho o Private Selection branco de 2009 (pvp 24€), um vinho que não gosto de beber no imediato quando é colocado no mercado (provado recentemente o Private Selection branco 2011), gosto de lhe dar algum tempo em garrafa, para serenar todo aquele conjunto cheio de frutas (alperce, pêra, coco) com ligeira calda, tosta... Por agora o aroma mostra-se complexo, a madeira mais acomodada, muita elegância da fruta bem presente. Relembro que o lote deste vinho é tudo menos Alentejo, nele moram coisas como Semillon, Marsanne e Roussanne, um conjunto de hippies que veio de fora e lhe deu origem. Na boca  cativa pela sua envolvente, untuoso com sabor a fruta fresca e gorda, roliço sem cair no enjoo salvo por uma acidez mais que suficiente, todo ele com muito sabor e longo final. 93 pts 

07 junho 2013

Esporão Reserva 2009

O Esporão Reserva é daqueles vinhos que desde cedo me acostumei a ver à mesa, colheita após colheita goza de uma consistência qualitativa respeitável. Um verdadeiro clássico oriundo das terras de Reguengos de Monsaraz (Alentejo) onde fica situada a Herdade do Esporão. Por ali tudo começou em 1985, com a passada do tempo o Reserva soube-se adaptar, mostrando desde sempre uma boa capacidade de guarda e uma tremenda apetência para a mesa. É daqueles vinhos que nunca nos deixa ficar mal, com preço a rondar os 15€ e o fácil acesso ao mesmo a ajudar à festa. 

Neste Reserva 2009, boa intensidade e complexidade que mostra uma madeira (tosta e baunilha suave) em harmonia com a fruta negra bem madura (bagas a ameixa), pimenta verde e outras especiarias, bom equilíbrio. Na boca mostra-se bem estruturado, amplo mas com saber estar, com boa dose de elegância (a dar mostras de algum arredondamento). Palato fica entretido com fruta fresca e suculenta num fundo especiado e de persistência final média. Com preço a rondar os 15€, é daqueles vinhos que nunca nos deixa ficar mal. 91 pts

06 dezembro 2012

Esporão Reserva Branco 2011

Clássico de longa data e daqueles que por menos de 10€ (excelente opção para o Natal) nos enche de satisfação em formato branco que ora se bebe em novo, ora podemos dar-lhe uns anos em cima que não se chateia minimamente. Tem havido por aqui alguma agitação no perfil, afinação aos tempos que correm talvez, o vinho em si já se mostrou de maneira diferente, talvez a minha maneira de olhar para ele fosse outra. Fala-se que é da madeira, mas essa sempre  dele fez parte, sempre a teve, sempre por lá passou... tal como na minha garrafeira. É Reserva 2011, branco, com os aromas e sabores dos vinhos brancos do Alentejo, o trio Antão Vaz, Arinto e Roupeiro mostram-se à grande com toque de Semillon à mistura. Frutas frescas, doidivanas, com a madeira a meter ordem na sala e a aconchegar tanto nariz como palato. Todo ele fresco, muita fruta, alguma mais fresca (citrinos) outra mais madura com carga de tropical, depois o amanteigado ligeiro, rebola no palato com algum peso, frescura muito boa que o faz perdurar a bom termo no final de boca. Gosto de brancos assim... 91 pts

20 junho 2012

Verdelhou....

Puxei dois brancos fresquinhos da parte cimeira da cave climatizada, a temperatura nos 10ºC indicava que estavam prontos para consumir, sem medos, foi puxar das rolhas e servir nos copos dois Verdelhos, ambos 2011, um do Alentejo e outro de Setúbal. O Verdelho que por vezes ficamos sem saber se o que temos no copo é o Verdelho da Madeira se o Verdelho que é o mesmo que o Gouveio ou se é o Verdelho chamado Verdejo que mora em Rueda (Espanha). Na sua grande maioria raramente o resultado mete uma pessoa  com vontade de bater palmas, bebe-se e está pronto para a próxima... Enquanto ia rodopiando os vinhos em jeito de comparação, no tacho ia fervendo um arroz de tomate em modo malandrinho para acompanhar uns carapauzitos fritos. 

O primeiro vinho é do Alentejo, o V lembra-me logo a série dos lagartos que passava na TV, o EsporãoVerdelho 2011 que em comparação com o outro mostra aromas ligeiramente mais expressivos e centrados na tropicalidade da fruta, redonda e opulenta, algum maracujá, lima, limão, toque verdasco de talo cortado. Frescura presente mas sem uma acidez cortante ou vibrante, passagem de boca com sabor vincado da fruta embalada em corpo mediano e final também mediano. O preço ronda os 7,50€ e é de caras o branco menos interessante da gama Esporão. 89 pts

No outro copo um Regional Península de Setúbal, Domingos Soares Franco Colecção Privada Verdelho 2011, bem melhor que a primeira colheita deste vinho e em comparação com o Esporão este DSF é bem menos exuberante, mais polido de aromas, muita finura entre aromas, fruta (citrino e leve tropical), todo ele com vontade de se mostrar mas ao mesmo tempo algo acanhado. Na boca começa melhor do que acaba, em corpo para o mediano mostra bom entendimento entre fruta, vegetal e acidez. O final de boca invoca os citrinos em persistência moderada, custa quase 10€ o que o torna caro para a brincadeira que é. 88 pts

24 maio 2012

Esporão 2 Castas 2011 & 4 Castas 2010

Um dos desafios que mais aprecio é o de conjugar um vinho com determinado prato, para muita gente o vinho apenas serve para acompanhar no meu caso gosto de cozinhar para o vinho, ou seja, tendo em conta aquilo que encontro no vinho tento preparar algo que esteja em harmonia com o dito cujo. Num destes desafios mais recentes estava perante os dois exemplares mais descontraídos e irreverentes de toda a linha de vinhos do Esporão, falo do 2 Castas branco e do 4 Castas tinto. Tinha convidados para almoçar e teria de elaborar dois pratos com base nos dois vinhos que já tinha escolhido... a coisa foi mais ou menos assim:

Na altura fazia um calor danado e não apetecia mesmo andar de roda do forno, o Esporão 2 Castas branco 2011 vinho  irreverente no lote de Semillon e Viosinho iria ser acompanhado por um clássico da cozinha Italiana, Spaghetti ai frutti di mare. O seu toque calmo e arredondado de vinho feito na planície conjugado com boa dose de acidez (não muita) iria ligar muito bem com o conjunto massa/tomate/marisco/erva aromática. A vivacidade da fruta bem fresca e com algum peso (laranja, alperce, pêssego) depois vegetal fresco a lembrar ervas aromáticas davam o toque final e alegravam a boca e o nariz. Tudo muito bem disposto, pequena colherada de mel a conferir untuosidade, mais mineralidade e novamente a frescura com sensação de arredondamento a meio e ao mesmo tempo fresco, com boa secura em final médio. O preço ronda os 8€ em grande superfície. 90 pts

Para o Esporão 4 Castas 2010, preço a rondar os 10€, fiz umas Bochechas de novilho estufadas em vinho tinto, acompanhadas com puré de batata e cebola pérola caramelizada. O vinho é bom de cheirar, puxado nos aromas com muita fruta madura e algo adocicada, a madeira marca com toque baunilhado, num todo redondo e fresco, sensação gulosa e de harmonia com vegetal, bálsamo, especiaria e fumo. Volta à recordação a fruta escura, a ameixa e a amora. Na boca com bom volume, alguns taninos a enrugar, algo que um prato bem temperado ajuda a eliminar, mediano de corpo com boa passagem e saboroso, muito guloso e bom final. Quando dei por ele já não havia mais... 91 pts

09 fevereiro 2011

Esporão 4 Castas 2009


Para todos aqueles que costumam beber vinho de baixo custo e num dia de festa, ou porque se faz anos ou mesmo no Natal, desejam meter na mesa uma vinhaça com nível sem ter de hipotecar a casota do cão, da Herdade do Esporão em Reguengos de Monsaraz sai este Esporão 4 Castas, um daqueles vinhos em que se deve apostar, o preço não é alto rondando os 10€ e revela-se uma excelente aposta para a qualidade que oferece. A versão 2009 foi produzida a partir das quatro melhores castas dessa mesma colheita, Alicante Bouschet (confere estrutura, acidez e longevidade), Aragonês( estrutura e taninos sólidos), Touriga Franca (equilíbrio e frescura) e Touriga Nacional (aroma e complexidade do palato), plantadas em solos franco-argilosos. Fermentação feita em separado, cada uma das 4 castas estagiou nove meses em barricas de carvalho americano e francês, seguindo-se o loteamento, seguido de mais seis meses em garrafa antes de sair para o mercado.

Ora este 4 Castas mostrou-se bem apelativo no nariz, vinho cheiroso de boa complexidade, agrada facilmente aos convivas mais selectos, frescura dos frutos silvestres (amora, framboesa) alguma ameixa, na totalidade frutos maduros com um leve toque da sua compota, pelo meio um leve floral com bálsamo vegetal, a barrica por onde passou sente-se de maneira que não incomoda, muito bem integrada, com notas fumadas, chocolate de leite algum caramelo, baunilha e especiarias de fundo.

Na boca mostra alguma garra, ainda que sem incómodos, está muito pronto a beber, bem estruturado num todo que se apresenta com bom corpo, sente-se alguma cremosidade na sensação que dá ao passar na boca, baunilha e fruta bem fresca. A jogar claramente no campo da elegância o vinho espelha em grande forma o que foi encontrado na prova de nariz, complementando-se em grande harmonia.

A preço de Hiper este vinho fica a menos de 10€, tem entrada directa nos Melhores vinhos tintos abaixo dos 10€ do Copo de 3 que irei publicar proximamente. É uma aposta mais que recomendável para dias de festa sem ter de gastar muito euro... tem a mais valia de se comportar muito bem à mesa, quer a solo ou mesmo acompanhado. 16 - 90 pts
 
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