Copo de 3

15 novembro 2008

Branco da Gaivosa Reserva 2006

Branco da Gaivosa Reserva 2006
Castas: Malvasia Fina, Arinto e Gouveio - Estágio: n/d - 12,5% Vol.

Tonalidade amarelo dourado ligeiro de concentração.

Nariz a indicar que estamos presentes um vinho delicado de aromas, com a fruta madura (citrinos, melão e pêssego) com frescura ligeira a ser sentida logo de inicio, ao lado de ligeiro aroma floral (laranjeira) e alguma resina de esteva. Madeira discreta e muito equilibrada, num conjunto que prima por uma prova elegante e bastante harmoniosa, com frescura cuidada, em fundo descoberto de toque fumado com ligeiro mineral.

Boca a prestar uma prova que confirma a prova de nariz, tudo no mesmo plano de harmonia e de delicadeza, sem grandes concentrações. Com espacialidade moderada, tem uma boa dose de frescura que transmite durante toda a prova de boca, onde a fruta se mostra mais uma vez muito bem ao lado de toque de relva fresca e ligeiro mineral. O final de boca é de persistência moderada.

É um vinho que primando pela elegância de conjunto, dá a clara sensação de que lhe falta um pouco mais de expressão e vivacidade. O preço anda na casa dos 18€, o que não o transforma num alvo muito apetecível se pensarmos por exemplo no Alves de Sousa Reserva Pessoal Branco, se bem que este último apresenta um perfil completamente diferente.
15,5

14 novembro 2008

Redoma branco 2006

Redoma branco 2006
Castas: Rabigato, Codega, Donzelinho, Viosinho e Arinto - Estágio: 8 meses em barricas carvalho francês - 13,5% Vol.

Tonalidade amarelo citrino com leve nuance dourada.

Nariz a mostrar-se com fruta (citrinos, pêra e alperce) bem madura e de frescura dominante, com suave madeira presente e muito bem integrada com o restante conjunto. É no seu todo um vinho de boa complexidade, com um segundo plano a ser complementado por notas florais que se fundem com uma elegante e fina tosta, dando por momentos uma sensação de ligeiro amanteigado ao conjunto que se mostra fresco e com pendor mineral a dominar o seu final.

Boca onde se sente um vinho harmonioso, com fruta muito presente a dialogar muito bem com a madeira presente mas em grande harmonia e guiada por uma belíssima acidez, que nos guia durante toda a passagem de boca. No fundo sente-se um toque mineral que sustem o conjunto, aprumado e de final médio/longo.

É um vinho muito equilibrado e harmonioso, onde a fruta marca presença ao lado de uma madeira muito bem integrada e bastante subtil pela maneira como se mostra. Envolvendo todo o conjunto temos uma acidez bastante presente que aporta uma belíssima frescura que guia o vinho durante toda a prova, culminando com num final mineral, num todo de bela complexidade. O preço ronda os 18€ numa boa garrafeira.
16,5

13 novembro 2008

Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2005 conquista 3º lugar Top 10 Wine Spectator

Todos os anos a conceituada Wine Spectator, lança uma lista dos 100 melhores vinhos do ano, onde o mais aguardado como será de prever é o anúncio do seu Top 10, sempre seguido com bastante atenção e algum entusiasmo por parte da comunidade enófila.
Durante anos, questionou-se o para quando a presença de um vinho Português nesse tão cobiçado Top 10, muitos não acreditavam e pensavam que seriam lugares destinados a nomes conceituados de outros lados, outros lugares.
A verdade é que o trabalho dentro de portas tem sido cada vez mais e melhor e os resultados começaram a aparecer ainda que tímidos ao principio. Hoje em dia, cada vez mais o mundo do vinho coloca os olhos em Portugal, e desta vez as atenções vão ser ainda maiores, pois é com a maior das satisfações que anuncio que um vinho Português consta no Top 10 de 2008 da Wine Spectator.

Factores como preço (ronda os 25€), qualidade (pontuado na WS com 95 pontos), quantidade produzida e o factor entusiasmo, fizeram com que o vinho Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2005 conquistasse este ano o 3º lugar no Top 10 2008, um vinho que é o primeiro vinho de mesa Português a entrar no Top 10 da Wine Spectator.

Os meus parabéns à Quinta do Crasto.

12 novembro 2008

Flor das Maias 2005

A história da Quinta das Maias, já vem de longe, remontando ao ano de 1897. Desse tempo pouco resta, ficou a adega antiga e as maias, ramos de giesta em flor, que todos os anos anunciam a Primavera, símbolo adoptado pelo produtor, que podemos encontrar no rótulo dos seus vinhos.
Situada entre Nabais e S.Paio de Gouveia, mesmo no sopé da Serra da Estrela e dentro do perímetro do Parque Natural, conta, actualmente, com uma área total de cerca de trinta e cinco hectares, dos quais treze com vinhas velhas e dois com vinhas recentemente plantadas. O encepamento das vinhas velhas é o característico da região, pontificando o Jaen e a Tinta Amarela nas tintas e a Malvasia Fina nas brancas. O encepamento das vinhas novas é diferente, obedecendo a uma estratégia que se pretende inovadora na produção de vinhos do Dão. Nas castas brancas dominam o Verdelho, o Barcelo e o Encruzado, enquanto nas tintas pontificam o Jaen, o Tinto Cão, a Tinta Roriz, Touriga Nacional e o Alfrocheio Preto.
O vinho em prova é o novo topo de gama desta casa, o Flor das Maias 2005.
(foto retirada deste site http://momentoseolhares.blogs.sapo.pt )

Flor das Maias 2005
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro e Jaen - Estágio: n/d - 14% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração alta.

Nariz a mostrar um vinho que se sente fresco e com fruta (frutos silvestres) bem madura adornada de leve compota, socorrida de imediato de aromas florais num belo ramalhete a lembrar giestas, esteva e outras tantas. Sente-se o reconforto da madeira, que não marca em demasia o conjunto, coloca um leve chocolate preto, especiaria,tabaco e toque balsâmico, tudo muito aconchegado e quase que a dar aquela sensação de ambiente morno. Na boa complexidade que apresenta, o vinho transmite elegância e acima de tudo bastante prazer, com fundo mineral tal como a serra que o viu nascer.

Boca que indica um vinho bem estruturado, tem entrada com presença sentida de fruta em vertente silvestre, em tom fresco e bem apaladado, deambula pelos toques florais novamente acompanhado de perto com alguns derivados da madeira. Tem uma secura derivada de alguns taninos ainda mais marotos, que apesar de presente não incomoda em nada a prova, de bela espacialidade e de maioritária harmonia. O final fica entre uns ligeiros balsâmicos e um firme fundo mineral, em final de bela persistência.

É um vinho que tanto se pode beber agora com bastante prazer, como se pode deixar na garrafeira por mais alguns anos e deixar que o tempo faça a sua magia. Uma bela estreia, este Flor das Maias, que beneficiou claramente ao ser decantado 30 minutos antes de ser servido. O preço indicado ronda os 30€.
17

Quinta das Maias Malvasia Fina 2007

Quinta das Maias Malvasia Fina 2007
Castas: 100% Malvasia Fina - Estágio: 10% fermentou em barricas de carvalho francês -13% Vol.

Tonalidade amarelo citrino pálido de baixa concentração.

Nariz fresco, com aromas delicados a revelar uma fusão entre a a componente vegetal (espargo e relva cortada) que parece perdurar durante toda a prova ao lado da fruta madura e delicada, bem fresca (citrinos e algum toque de alperce) com alguma geleia presente. Conjunto envolvido num toque floral que perfuma e aporta mais um pouco de complexidade, ao mesmo tempo que se sente um abraço de leve tosta que ampara todo o conjunto, assente em recordação mineral.

Boca com entrada média, moderado na acidez presente em toda a passagem de boca, o vegetal presente com fruta (citrinos) lado a lado, sensação de leve tosta, mostra um perfil bastante afinado e muito prazenteiro, com fundo de rasgo mineral.

É sem delongas um dos melhores exemplares de Malvasia Fina que podemos encontrar em Portugal. Bastante afinado e delicado no fruto que o acompanha, um vinho a beber em novo para aproveitar toda a sua frescura, mas que não deixará de ser curioso averiguar a sua evolução em garrafa, durante 1 a 2 anos. Servir a 12ºC a acompanhar por exemplo, umas Amêijoas à Bulhão Pato.
15,5

05 novembro 2008

PROVA TEMÁTICA: Denominação de origem Dão 100 anos de grandes vinhos!

É verdade que a prova temática, respectiva ao mês de Outubro não chegou a ser publicada, tudo se deve às provas especiais organizadas pela Revista de Vinhos, inseridas no programa deste ano do Encontro com Vinho e Sabores, motivo suficientemente forte pelo que optei por colocar como provas temáticas as duas provas especiais onde tive o prazer de participar.
Desta maneira a prova alusiva ao mês de Outubro será a Denominação de origem Dão 100 anos de grandes vinhos!, e a prova de Novembro os 100 Anos do Moscatel de Setúbal.

É no presente ano que se comemoram os 100 anos da Denominação de Origem do Dão, foi no passado dia 18 de Outubro que a data foi comemorada, mas têm sido vários os eventos alusivos à efeméride.
A Revista de Vinhos, organizou uma prova especial onde daria ênfase a essa mesma celebração, uma prova que foi guiada pelo director da Revista de Vinhos, Luís Ramos Lopes, responsável pela escolha dos vinhos em prova.
(na foto ao lado, a fantástica tonalidade do Centro de Estudo de Nelas 1963)

A introdução foi breve e focou essencialmente a história da região, com uma alusão quase que obrigatória sobre o Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão (Centro de Estudo de Nelas).
O Centro de Estudo de Nelas, nasceu no ano de 1964 com a necessidade de se fazer um estudo mais detalhado sobre o vasto património de castas que o Dão tinha e tem actualmente.
É no ano de 1948, que se começa a dar atenção a uma casta branca, que tem vida difícil nos primeiros anos de vida, mas que se torna depois uma grande mais valia, conhecida pelo seu grande equilíbrio álcool/acidez, que lhe conferem características de bom envelhecimento, esta casta é a Encruzado.
Uma casta que seria olhada, contrariamente às restantes, como a única capaz de se dar bem em versão solitária/varietal, sendo a opinião que no Dão o vinho de lote terá sempre como mais valia o facto de poder aproveitar as características das várias castas que dele fazem parte.
Na foto ao lado pode-se reparar no cuidado que se tinha já naquela altura no Centro de Estudo de Nelas, em optar por colocar rolhas de alta qualidade, pois entendia-se que seriam (e são) um garante de longevidade para os vinhos. A prova que se segue disso é testemunha.

A primeira ronda de vinhos em prova, foi constituída por brancos, com destaque para os dois exemplares provenientes do CEN, ambos vinho de lote com a sua base a incidir claramente no Encruzado. Os restantes vinhos foram como que uma amostra do bom trabalho que se faz hoje em dia na região, apresentando-se 3 diferentes perfis para a mesma casta (Encruzado).
Irei colocar breves comentários sobre cada um dos vinhos, sendo que apenas os vinhos do Centro de Estudo de Nelas vão ter direito a nota de prova independente.

Brancos:
Os dois primeiros brancos em prova foram o Centro de Estudo de Nelas 1964 e o Centro de Estudo de Nelas 1980 (foto ao lado).
O primeiro foi uma grata surpresa, um vinho que deu uma prova interessante mais pela idade e pelo que aporta na perspectiva didáctica do que propriamente pela qualidade em si, a destacar os seus 14% Vol. Já o 1980, fruto de um grande ano na região e também mais novo, apresentava-se de outra forma, mais jovem, mais fresco, com ligeiros toques petrolados e uma mineralidade muito interessante no final.
Se pudesse escolher uma garrafa para ter e beber com um pargo assado no forno, seria sem dúvida alguma o 1980.
Entrando naqueles que se podem denominar os novos brancos do Dão, começou-se com um belo exemplar de Malvasia Fina, o Quinta do Cerrado Malvasia Fina 2007, muito fresco, com notas florais e minerais a ampararem toda a fruta que dele faz parte. Uma casta que parece tem melhores resultados no Dão que no seu vizinho Douro.
De seguida entraram 3 vinhos em que se pretendia mostrar diferentes abordagens para uma mesma casta, a Encruzado, seriam servidos o Munda 2007, um vinho novo na região que claramente se mostra marcado pela madeira onde fermentou, mas não uma madeira pesada e dominadora, é mais uma madeira que envolve a fruta, muita baunilha, tosta, amanteigado e a sentir-se toda a frescura e jovialidade do Encruzado lá ao fundo. Já o Quinta dos Roques Encruzado 2007 é um clássico dos vinhos do Dão e uma referência a nível nacional no que toca a brancos, e um dos meus brancos de eleição, por todo o seu conjunto e harmonia entre acidez, alcool e o toque ligeiro de madeira que lhe aporta aquela complexidade suave e ligeira mas que lhe assenta que nem uma luva, mas sempre com uma mineralidade muito viva e presente. Por último o Condessa de Santar 2007, onde se junta ao Encruzado a casta Cerceal, resultante um conjunto que lembra um cocktail de fruta fresca com toque floral, uma boa dose de perfume, com a presença da madeira a dar polimento a um conjunto de grande nível e finura.

Tintos:
A prova teve início com dois vinhos de respeito, pela sua história e pela sua idade, o primeiro foi o Centro de Estudo de Nelas 1963, um vinho marcante por tudo aquilo que tem (reparem que podia ter escrito ''ainda tem''). Apresentado com pompa e circunstancia pelo orador de serviço, este vinho foi capaz de mexer com tudo aquilo que eu não estava ou talvez estivesse à espera para um vinho com 45 anos de vida. A realçar toda a sua acidez, mostrando-se alguma fruta ainda presente, rodeada de toques de verniz, com a tonalidade que apresenta sem uma marca muito pesada dos seus 45 anos de idade, um vinho marcante bem mais pelo seu lado didáctico do que pelas virtudes apresentadas. Nota curiosa com o álcool a fugir dos tão aclamados 12,5% para uns 15,4% Vol (que durante a prova nem sinal deles). O segundo vinho seria um autêntico clássico da região e dos vinhos antigos de Portugal, falo do Porta de Cavaleiros Reserva 1970, um vinho que pela tonalidade bem mais atijolada se mostrava uma mais clara passagem do tempo. Mesmo a nível de aromas e prova de boca, o vinho em comparação com o anterior mostrava-se já, bem mais desgastado, com menos para dizer, mas mesmo assim com uma forma bastante respeitável para os seus 38 anos.
Deu-se passagem para dois varietais, um Quinta dos Carvalhais - Tinta Roriz 1998, fino, fresco e bastante elegante, invocando nos seus aromas claramente a casta, mas com todo o background característico dos vinhos do Dão. O segundo varietal foi o Quinta das Maias - Jaen 1997, que impressionou pela exuberância farta no nariz, uns toques adocicados, semelhante a uma tarde de iogurte com frutos silvestres, e o rol de aromas desfilava no copo cada vez mais e melhor, o que me leva pessoalmente a gostar mais deste Jaen que do Tinta Roriz.
O seguinte lote de vinhos servido não foi completamente provado (Quinta das Marias Garrafeira 2005, Paço dos Cunhas de Santar - Vinha do Contador e Carrossel - Álvaro Castro ), pois por ter outros compromissos e com uma prova tão extensa no tempo tornou-se impossível permanecer até ao final da mesma. Fiquei-me pela prova do Quinta da Garrida Reserva Touriga Nacional 2005, que deu um salto qualitativo (parece que em preço também) enorme em relação às colheitas anteriores. É talvez um dos melhores exemplares de Touriga Nacional que tenho provado nos últimos tempos, jovem, cheio de garra, a transbordar aromas pelo copo fora, transpira exuberância e frescura. É daqueles vinhos que é uma flor de cheiro, mas na boca confirma tudo aquilo que poderiamos esperar ou querer que fosse, e ele consegue ser, firme, cheio, redondo, fresco e bastante equilibrado, um Touriga Nacional no seu melhor.

Em geito de despedida, o centenário Dão está de parabéns, é cada vez mais uma região que aprecio, pelos seus brancos frescos e minerais, marcados pela terra que os vê nascer, e tintos capazes de mostrar uma elegância entre fruta, acidez e alcool muito boa. O melhor de tudo isto é que os exemplos de evolução ao longo do tempo são muito positivos o que nos retira o medo de poder deixar alguma garrafa esquecida na garrafeira por muito tempo.

30 outubro 2008

Quinta do Soque Reserva 2005

Situada na margem esquerda do Rio Torto, no concelho de São João da Pesqueira, a Quinta do Soque, é propriedade da família Vicente há mais de 20 anos, contando com cerca de 20 hectares, dos quais, 17 são ocupados por vinhas.
Foi em 1990 que se tomou a decisão de modernizar a vinha, sendo que a primeira replantação teve lugar numa parcela de 5 hectares de meia encosta virada a sul e de conhecidas potencialidades, denominada ''Soque''. A vinha foi plantada no início de 1992 e, durante 5 anos tomou-se a decisão de não produzir quaisquer quantidades por forma a favorecer apenas o desenvolvimento vegetativo da planta.
Em 1996 procedeu-se à segunda fase de replantação da vinha em mais 12 hectares, ficando a Quinta do Soque com um total de 17 hectares de vinha. Em 2005 construiu-se o centro de vinificação. A enologia está a cargo da dupla Pedro Sequeira e António Rosas (2PR).

Quinta do Soque Reserva 2005
Castas: Touriga Nacional (60%), Touriga Franca (15%), Tinta Roriz (25%) - Estágio: barricas carvalho francês - 14% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.

Nariz a mostrar um aroma de frutos negros (amora, cereja) bem madura com toques de geleia em boa dose com algum melado. Deixando a gulodice de lado, o conjunto mostra-se harmonioso, e é com aromas vegetais e algum floral que nos remete para o segundo plano, onde se desdobra nos aromas resultantes da passagem por madeira. Chocolate preto, especiarias com pimenta jamaica e caramelo derretido. O fundo é forrado em tom mineral que de certa forma lhe dá uma despedida fresca e prazenteira.

Boca com frescura a ser sentida desde a entrada de boca até ao final. Em grande sintonia com a prova de nariz, revelando-se de estrutura média/alta, elegante e com toque de ligeira cremosidade. O vinho ganhou claramente desde a primeira vez que foi provado na sua apresentação, razão pela qual se dá a conhecer nesta fase de grande elegância, em que se mostra claramente mais afinado. A fruta marca presença, banhada pelas notas de tosta, cacau, especiaria e ligeira secura vegetal que se prolonga até ao final, de persistência média/alta.

Um vinho do Douro bastante bem conseguido e que acima de tudo dá prazer ao ser consumido desde já, mas não vira a cara a mais um tempinho em garrafa. Um projecto muito bem delineado, com vinhos agradáveis e de imagem cuidada. Já se encontra no mercado com um preço recomendado a apontar para os 19€.
16,5

Quinta do Soque 2004

Quinta do Soque 2004
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Barroca - Estágio: n/d - 14,5% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média/alta.

Nariz de média intensidade, bastante coeso, mas nunca sendo bruto ou agreste nos modos, a fruta negra e madura (cerejas) marca presença com alguma compota e toque vegetal que parece dominar todo o segundo plano e recorda a esteva em flor. Mostra algumas brincadeiras à volta de cacau, chocolate negro e algum balsâmico que se pode associar à esteva.

Boca a indicar um vinho de estrutura mediana, perfil com boa dose de harmonia e frescura, a fruta muito presente com toque vegetal seco a lembrar esteva, pois claro. Espacialidade mediana num vinho que mostra uma ligeira secura no final de boca, em persistência média.

Um vinho do Douro com preço a rondar os 5€, a mostrar-se um pouco introvertido inicialmente, é preciso puxar por ele na hora de servir, dando algum tempo no copo para que possa mostrar o que vale. Na sua essência é um vinho que poderei chamar de ''serrano'' pois nos seus aromas lembra um passeio pela serra em dia de chuva. Tem a sua personalidade, tem o seu ritmo e consegue cativar por isso mesmo.
15,5

Monte da Peceguina branco 2007

Monte da Peceguina branco 2007
Castas: Antão Vaz, Arinto e Verdelho - 13% Vol.

Tonalidade amarelo citrino em rebordo de toque esverdeado

Nariz de boa intensidade, espalhando aromas de fruta madura e fresca, com toques de alperce, figo, melão, ananás e citrinos. Complementa-se com as correspondentes geleias que lhe dão um suave toque melado, floral ligeiro e alguma pimenta branca a fundir com ligeiro travo mineral em fundo.

Boca de entrada fresca e bem frutada, gentil no trato, sentido-se por vezes como que um certo arredondamento suave e com a frescura a marcar toda a passagem pela boca, de espacialidade mediana e final de boca fresco em ligeiro travo mineral, em boa persistência.

É um branco bastante aprumado, com a prova de boca a complementar a provar de nariz, revelando-se fresco e com certa dose de elegância. Transmite uma prova sólida e bastante coesa, num perfil que se torna muito apetecível nos tempos mais quentes. É um vinho que ganha bastante se consumido durante o seu primeiro ano de vida, foram produzidas 29,412 garrafas, com preço a rondar os 7€.
15,5

Monte da Peceguina tinto 2007

Monte da Peceguina tinto 2007
Castas: Aragonês (50%), Alicante Bouschet (25%), Touriga Nacional (9%), Cabernet Sauvignon (8%) e Tinta Caiada (8%) - Estágio: 7 meses em carvalho francês - 14% Vol.

Tonalidade ruby escuro de concentração média.

Nariz de boa intensidade, mão cheia de fruta (framboesas, morangos, ameixas) bem limpa e madura, com notas compotadas e frescas. Complementa-se o conjunto com notas de chocolate preto, café e algum caramelo de leite que lhe dá um ar de cremosidade muito leve, dando outra complexidade a todo o conjunto. O fundo é marcado por um toque balsâmico (menta) e ligeira mineralidade no final.

Boca bem estruturada de entrada frutada e com bastante frescura, é um vinho guloso no sentido em que dá bastante prazer durante a sua prova, em grande sintonia com a prova de nariz. Passagem de boca afinada, elegante com toques ligeiros de cremosidade, a lembrar por instantes um mocaccino, dando seguimento a toque balsâmico (menta) que termina com ligeiro mineral.

Um vinho que dá uma prova muito acima da média, onde a fruta e madeira se entendem bastante bem, deixando o brilho e destaque para a primeira, o que se agradece sempre. Está numa fase cheia plena de vivacidade, frescura e jovialidade, pelo que o seu consumo nesta fase é mais que recomendado. É para o meu gosto, a par do 2003, o melhor Monte da Peceguina feito até hoje. São 85.633 garrafas com preço a rondar os 8,50€.
16

28 outubro 2008

Altas Quintas 2005

Altas Quintas 2005
Castas: Trincadeira, Aragonez e Alicante Bouschet - Estágio: balseiros de madeira e barricas novas de carvalho francês durante 12 meses. - 14,5% Vol.

Tonalidade granada escuro de bela concentração

Nariz com a madeira ainda que por pouco tempo, em lugar de destaque, mas numa menor intensidade a quando da sua saída para o mercado. Médio de intensidade, com mediana complexidade a nível de aromas, que joga entre as iniciais notas de tosta, chocolate preto, café moído, e especiaria. A fruta (framboesa, amoras) bem madura e fresca, junta-se ao conjunto, com sensação ligeira de geleia, em fundo balsâmico (eucalipto) e toque mineral.

Boca onde se sente um vinho bem estruturado, com afinação sentida em toda a sua prova de boca. É um vinho com frescura bem presente, com fruta presente bem ao lado de notas derivadas da passagem por madeira. Chocolate preto, torrado, café e balsâmico, tudo em boa envolvência com bafo especiado (pimenta em grão) em fundo de persistência média/alta.

Vem claramente na linha do 2004, que por sinal se encontra num excelente momento de consumo, apesar de uma frescura um pouco mais sentida neste 2005, ao mesmo tempo que a barrica também se dá um pouco mais a notar. A apetência para uma guarda mais prolongada faz-se sentir, podendo também ser consumido desde já com bastante prazer assegurado.
16,5

23 outubro 2008

Herdade das Servas - Vinhas Velhas 2005

As vinhas velhas são no mundo do vinho, um símbolo de respeito e admiração, são elas sem dúvida alguma as responsáveis pela maioria dos grandes vinhos a nível mundial.
Na grande maioria dos casos, a produção de uva é cada vez mais reduzida conforme a idade vai avançando e os anos passando, se até aqui a conversa pode não agradar, a coisa melhora ao saber-se que com a idade a produção que é mais reduzida, fica bem mais concentrada e com uma capacidade muito maior de exprimir o ''terroir'' onde se encontra. São estas uvas que aportam aos vinhos, uma maior complexidade a todos os níveis, e portanto são na sua vertente mais pura, a essência dos grandes vinhos.
Toda esta conversa surge no seguimento da apresentação do novo vinho proveniente da Herdade das Servas, propriedade da família Serrano Mira, e que deve o seu nome às vinhas plantadas na ''Vinha da Judia'', vinhas essas que como o nome indica, são velhas.
Obviamente que este não é o momento para discutir quantos anos são precisos para que uma determinada vinha seja considerada ''vinha velha'', neste caso são vinhas com mais de 60 anos??? e seria retirar as atenções a um vinho que arriscando a dizer, em estreia absoluta, aqui se dá a conhecer a todos vós:

Herdade das Servas - Vinhas Velhas 2005
Castas: Touriga Nacional (40%), Alicante Bouschet (30%) e Shyraz (30%) - Estágio: 12 meses em carvalho francês (80%) e americano (20%) - 15% Vol.

Tonalidade ruby bastante escuro, de concentração alta sem ser retinto.

Nariz mostra que temos um vinho ainda fechado, coeso mas não adormecido, apenas bastante sonolento. É com vagar e calma, não fosse de alma e coração Alentejano, que vai mostrando uma fruta muito madura e perceptível com recordações simples a lembrar uma torta saída do forno, recheada de geleia de ameixa e amora, com as sensações torradas leves bem integradas e sem queimar. Na profundidade que demonstra ter, ainda se vislumbram toques especiados, chocolate preto e ramo de cheiros, com toda a sua vertente balsâmica num caminho de terra húmida muito ténue mas que nos guia até ao final fresco e com relevo mineral.

Boca a dar mostras de um vinho amplo e estruturado, boa concentração capaz de mostrar a sua juventude com força mas sem ser bruto. A fruta é uma presença assegurada num perfil maduro e de muito boa qualidade, podendo dizer que quase se mastiga (atenção que disse quase). Aporta lote de especiarias, chocolate preto e tosta com toque de ligeira secura a surgir em jeito de abalada, tudo isto guiado por uma frescura muito presente e que dá a este vinho uma ligeireza peculiar face aos seus 15% Vol. que se notam apenas e só, quando a temperatura sobe para níveis a roçar a alarvidade (18ºC-20ºC). O final é longo e de boa persistência.

A pergunta que se pode fazer, é se o vinho se pode beber desde já ? Claro que pode, mas asseguradamente não se irá tirar todo o partido do que ele tem ainda para mostrar. É um vinho que precisa de tempo e paciência para crescer, afinar o que tem e para acordar do sono que ainda mostra, depois disso voltaremos à conversa com ele. São 11.000 garrafas com preço a rondar os 25€ (indicado pelo produtor)
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