Copo de 3

30 abril 2018

Justino’s Sercial 1940


Pela alta acidez que a casta Sercial transporta para os vinhos, é a que mais tempo necessita para se desenvolver e mostrar em garrafa. Um belíssimo exemplar da casta, a mosrar-se com muitas notas de iodo, muita amêndoa salgada, laca, complexidade e elegância, caramelo com casca de limão cristalizada ao mesmo tempo que debita uma frescura bem afiada a embalar toda a prova. Grande presença no palato com ligeira untuosidade de frutos secos salgados, iodo, raspas de citrinos, muita emoção e sabor, mais uma vez a acidez em destaque num vinho a todos os níveis inesquecível. O preço de uma garrafa ronda os 390€ 96 pts

26 abril 2018

Herdade do Rocim branco 2017


O mais recente lançamento do Herdade do Rocim branco, feito a partir das castas Antão Vaz, Arinto e Viosinho. Na nova e bonita imagem surge a figura da Linária, uma planta endémica da Cuba alentejana e que se encontra em perigo de extinção. Um alerta e ao mesmo tempo um sinal que simboliza a paixão e compromisso pelo ambiente por parte do produtor. Quanto ao vinho, aparece melhor que nunca, foi de todas as edições a que mais gostei, mais afirmativa pela frescura e nervo, cheio de fruta madura e limpa, muito equilibrado e ao mesmo tempo sem quebras. Um branco pronto para a mesa que acompanha em grande um arroz de tamboril. O preço ronda os 7,50€ no que revela ser uma excelente aposta. 90 pts

24 abril 2018

Barros Colheita 1974


Em vésperas do 25 Abril, Dia da Liberdade, deixo a sugestão desta edição comemorativa, um Barros Colheita 1974. Num delicioso momento de forma, caracteriza-se pela elegância e delicadeza de todo o seu conjunto, rico na complexidade. Aroma dominado pelo aroma de frutos secos, muito bolo inglês acompanhado de caramelo salgado, madeira velha, conjunto com boa frescura e precisão. Na boca é mais seco e delicado, portanto menos untuoso e com menos "gordura" que outros vinhos do estilo, perde com isto largueza e presença. O preço ronda os 99€ e é um vinho para comemorar, sozinho ou com amigos, à liberdade. 93 pts

22 abril 2018

Henriques & Henriques Solera Century Malmsey 1900


Este vinho é um dos Soleras da Henriques & Henriques (Madeira) que surge de uma solera criada na colheita de 1900 e que no ano seguinte viu um décimo do seu volume ser substituido pela nova colheita. Este processo foi repetido mais 9 vezes e o casco foi fechado e deixado em repouso, para o lote final apenas ser engarrafado em 1999, cerca de 1000 garrafas. Tudo isto são detalhes que apenas enriquecem e aguçam a vontade de o ter no copo e contemplar este precioso e raro vinho. Transborda na complexidade, madeira antiga das barricas, frutos secos, passas de figo com nozes, mel, aconchego dado pela sensação de untuosidade. Caixa de charutos, desdobra-se como que por finas camadas de aromas e sabores, boca de veludo marcada pela frescura, concentração e uma tremenda elegância. Há vinhos que não se esquecem e este é certamente um deles. O preço ronda os 800€. 96 pts

Quinta de Baixo Vinhas Velhas branco 2015


Da paixão que Dirk Niepoort tem pela região da Bairrada, à colaboração com produtores da região ou distribuição de alguns dos seus vinhos, o caminho levou à compra da emblemáica Quinta de Baixo (Cantanhede). São no total 14 hectares que têm dado origem nos últimos anos vinhos como o Poeirinho Garrafeira ou este Vinhas Velhas. Neste caso as castas Bical e Maria Gomes terminaram a fermentação em fuders/foudres usados de 1000 litros, provenientes da Alemanha, onde ficaram durante 20 meses. Marcado pela austeridade e frescura, profundo e cheio de nervo com aroma de giz, citrinos e fruto de caroço, flores brancas e uma ligeira nota de resina. No palato é a acidez que o comanda, grande finesse de um conjunto que tem tanto de preciso como de coeso, austeridade mineral em fundo a marcar o ponto de secura que se prolonga por muito tempo. Um grande branco, demasiado novo e a pedir tempo para poder crescer em garrafa, ronda os 26,50€. 94 pts

20 abril 2018

Cálem Colheita 1961


Fundada em 1859, por António Alves Cálem, a Porto Cálem manteve-se na mesma família durante quatro gerações e sempre prestou grande atenção à produção de Vinhos do Porto de qualidade, resultando num reconhecimento por parte de todo o Mundo do Vinho. Este Colheita 1961 é um belíssimo vinho a mostrar uma faceta mais seca no seu perfil. Aroma concentrado e envolvente, bastante coeso, cheio de notas de frutos secos, figo em passa, caramelo salgado com uma fina nota especiada. Na boca a mostrar um belo equilibrio com aquele toque envolvente das madeiras velhas, amêndoa torrada, muita frescura, ligeiro caramelo amargo, enorme final de boca de um vinho complexo, fresco e que gosta de ter tempo no copo para se mostrar. Preço a rondar os 160€. 95 pts

Adega Regional de Colares Chão Rijo 2015



Quando na região de Colares as vinhas passam das areias para o denominado "Chão Rijo" o vinho deixa de ser classificado como DOC Colares e passa a Regional Lisboa como é o caso deste tinto da Adega Regional de Colares. Feito com Castelão e Tinta Roriz, desengace apenas a 50% com fermentação em inox e passagem por pequenas barricas, preço recomendado de 4,50€. No copo um tinto muito fresco, tonalidade mais aberta que o normal, muito focado na fruta vermelha (bagas silvesres)com fina capa doce, especiaria fina e fundo mais vegetal com travo de pinhão. Na boca destaca-se uma ligeira austeridade, para além da frescura e da carga vegetal, que lhe aguça a vertente gastronómica. Perfeito para a petiscada pura e dura ao final da tarde. 89 pts

19 abril 2018

H.M. Borges Verdelho 20 Anos


Chegou à mesa para simplesmente tomar conta da festa. Neste caso um 20 Anos da H. M. Borges feito a partir da casta Verdelho, onde o lote mais velho remonta o ano de 1940. Boa intensidade num conjunto profundo com concentração e complexidade. No nariz começa num toque mais fumado, seguido de rezina para dar lugar ao iodo com toque salino, fruta cristalizada (damasco), algum tropical fresco com maracujá e especiarias: sotolon/caril. Boca com grande presença e frescura, untuosidade com um toque doce a lembrar geleia de fruta, bem elegante e com secura a projectar-se no final longo e muito persistente. Compra-se por coisa de 38€ e vale cada cêntimo. 94 pts

16 abril 2018

Dona Maria Reserva 2003

Em 2006 quando provei este vinho escrevi o seguinte: Há mais de 130 anos que se produz vinho na Quinta Dona Maria ou Quinta do Carmo, é na colheita de 2003 que vemos o regresso ao activo daquele que é o seu actual proprietário, Júlio Tassara Bastos depois de nos ter deixado no passado com os famosos Quinta do Carmo Garrafeira 1985, 1986 e 1987, reconhecidos pela sua grande qualidade. Com um lote composto com Alicante Bouschet (50%), Aragonês, Cabernet Sauvignon e Syrah, com direito a fermentação em lagares de mármores e um ano de estágio em barrica de carvalho francês, sendo engarrafas 17.300 garrafas.

Doze anos depois volto a ele, agora em formato Magnum, para me deliciar com um vinho adulto, cheio de vida e num excelente momento do forma. O que se destaca é a finesse de todo o conjunto, a fruta surge ainda fresca e vivaça com uma capa acetinada de geleia que lhe confere um toque guloso, especiarias e um ligeiro balsâmico a meio. O fundo mantém o mesmo toque terroso e austero, prometendo que irá continuar em forma durante mais alguns anos em grande. Bebe-se e dá vontade de continuar, demasiado apelativo para que se consiga resistir em servir mais um copo. A noite era festiva e o vinho fez parte dela. 96 pts

15 abril 2018

Adega Regional de Colares Chão Rijo Branco 2016


Nasce na Adega Regional de Colares este branco feito a partir das castas Malvasia (60%), Galego Dourado, Jampal e Fernão Pires. Plantadas em “Chão Rijo”, expressão local para identificar os solos argilo-calcários da região, a cerca de 10 km da Costa Atlântica e a uma média de 130 m de altitude. É daqueles brancos que se torna um tiro certeiro, pela que se paga a rondar os 3,50€ e pelo prazer que se retira no momento de o beber. Muito fresco, cheio de notas citricas com apontamentos florais, perfumadinho, com laivos de fruta tropical a piscarem o olho a comida mais oriental. Perfeito a acompanhar uns bichos do mar, seja qual for a maneira, que no seu toque meio salino, tem nervo suficiente para lhes acompanhar o ritmo sem quebras. Porque uma garrafa acaba sempre por ser curta quando o calor mais aperta, aproveitar a visita a Sintra e depois dar um salto por Colares a abastecer na loja da Adega. 89 pts

13 abril 2018

José de Sousa 2015


Nascido e criado em Reguengos de Monsaraz na emblemática adega José de Sousa, este tinto resulta de um lote de Grand Noir, Trincadeira e Aragonez com fermentação em talhas de barro e posterior afinamento em barricas. Assente numa boa frescura com fruta (ameixa) sumarenta e redonda, fino na complexidade, travo vegetal com folha de tabaco, especiaria e o aconchego leve da madeira. Na boca complementa-se com o nariz, assenta amarras na elegância de conjunto com fruta que se esmaga ao comprido, tudo isto sem nunca perder aquele toque de rusticidade que sempre lhe encontrei e gosto, bom de corpo (mediano) com travo apimentado e final médio. 89 pts

Monsaraz Reserva 2015


Vinho da Adega Cooperativa de Reguengos de Monsaraz (CARMIM), produzido a partir das castas Alicante Bouschet (50%), Trincadeira (30%) e Touriga Nacional (20%), com estágio em barricas durante 9 meses. Por um preço que ronda os 6€ temos um vinho bastante directo e de boa expressão nos aromas de frutos silvestres bem maduros, cacau, especiarias, toque vegetal a lembrar ervas aromáticas. Vincado na boca pela fruta, travo vegetal com alguma austeridade que se esbate num final seco e prolongado. 89 pts
 
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