Copo de 3: Caves São João
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19 abril 2016

Luiz Costa Pinot Noir-Chardonnay Bruto 2010

Mais um belíssimo espumante, desta vez da autoria das Caves São João (Bairrada) num lote da colheita de 2010 composto por duas castas que Luiz Costa era admirador confesso, a Pinot Noir e a Chardonnay. Com preço a rondar os 18€, é daqueles espumantes que não nos deixa indiferentes face à qualidade que apresenta. Para além da frescura que lhe percorre todo o conjunto, mostra uma enorme delicadeza no trato, tudo em modo filigrana desde a fruta (citrinos) aos aromas de ligeiro fruto seco e pão torrado.Envolvente e de grande harmonia com ligeira cremosidade a envolver o palato, a frescura percorre cada recanto em final longo e persistente. 93 pts

02 março 2016

Frei João Reserva branco 2009

O vinho é das Caves São João (Bairrada), um Frei João Reserva em modo branco da colheita 2009, um vinho que quando foi colocado no mercado até pelo simpático preço se mostrou merecedor de louvores e chamadas de atenção deste ou daquele interlocutor mais esclarecido. O tempo foi passando, como sempre, teimei em guardar uma garrafa para memória futura na tentativa de ver o resultado. Durante esse tempo que foi passando vozes avisavam que o vinho estaria a perder virtudes, desgaste, sinais de uma morte anunciada. Pois chegou o tempo de abrir a última que por aqui morava e o resultado foi o ter encontrado um bom vinho mas com sinais evidentes de cansaço, a nível de aromas e mesmo de sabor. Apesar da frescura que ainda mostra ter, todo o conjunto se mostra seco e parco de vida, como que tolhido e triste. Por vezes tentamos esticar a corda e arriscamos na esperança de ter alguma surpresa, não foi o caso. 

18 fevereiro 2016

Caves São João

Blend-All-About-Wine-Caves Sao Joao-Logo caves são joão Frei João, a Bairrada das Caves São João Blend All About Wine Caves Sao Joao Logo

A história das Caves São João é longa e rica em detalhes, tudo começou com o nome Sociedade dos Vinhos Irmãos Unidos, fundada em 1920 por três irmãos viticultores da Bairrada: José, Manuel e Albano Ferreira da Costa. Durante largos anos prosperou a venda a granel, tendo sido apenas a partir de 1950 quando se juntou Caves São João à denominação da firma. Mas apenas em 1959, já com os descendentes de um dos fundadores, Alberto e Luís Costa nos comandos das Caves, iriam surgir as marcas que lançaram as Caves São João para o estrelato – o Frei João (Bairrada) e o Porta dos Cavaleiros (Dão). Alberto e Luís Costa eram exímios negociantes de vinho, sabiam como poucos escolher e comprar os melhores lotes, direi mesmo que souberam como poucos criar e educar grandes vinhos que ainda hoje perduram e mostram com galhardia toda a potencialidade das duas regiões que abraçaram, o Dão e a Bairrada.

O Dão - Porta dos Cavaleiros

Sem possuírem qualquer vinha no Dão, eram escolhidos e comprados os melhores lotes e na colheita de 1963 surgiram os primeiros Porta dos Cavaleiros, tanto o Colheita como o Reserva Seleccionada. Uma marca que tal como a sua congénere na Bairrada, teve o dom de quase “criar” um perfil a que hoje associamos de Clássico a cada uma das regiões. De notar que os Reserva Seleccionada mostram mais frescura que os Colheita, devido a que as uvas dos Reserva eram provenientes dos contrafortes da Serra da Estrela num perfil mais fresco a que se poderá apelidar de “Dão Serrano”, enquanto os Colheita as uvas eram provenientes de zonas mais baixas e porventura mais quentes. Sobre os Reserva Seleccionada sabe-se que o vinho passava quatro anos nos enormes depósitos de cimento e posteriormente mais um ano em garrafa. Vinhos sabiamente educados e de traçada clássica, sérios com toque acetinado tão característico que nos mostram aquilo que a região pode e deve fazer.

Visitar as Caves São João e ter o prazer de contemplar mais de um milhão de garrafas que resistiram à passagem do tempo é uma rara oportunidade para os apreciadores. Esta foi uma prova que ficou na memória, em tudo especial até pelo facto de alguns vinhos não se encontrarem já disponíveis para venda face ao reduzido número de garrafas existentes, estes vinhos em prova vão surgir posteriormente com post individual. O primeiro vinho foi o Porta dos Cavaleiros 1964, este branco com 51 anos é arrebatador em todos os sentidos. Notável a evolução no copo, claramente a precisar de decantação. Inicialmente algo preso e contido, a mostrar alguma rezina, desenvolvendo uma complexidade notável com destaque para a fantástica acidez que envolve e segura todo o conjunto. Profundo, floral com nota de cera, untuosidade com fruto seco e ainda alguma fruta madura de caroço. Boca com muita frescura, mostra garra e nervo, grande presença e profundidade, sério, educado, a untuosidade que mostra ter combina em grande com a frescura que refresca o palato terminado longo e persistente.

Dando entrada nos anos 70 onde curiosamente são poucos os vinhos das Caves São João que me têm ficado na memória, salvo erro o branco Reserva de 1973 em Magnum e o tinto também Reserva 1975. Este Porta dos Cavaleiros branco 1979 não fugiu à regra, cordial a mostrar-se com vida, fruta já em passa, mineralidade com alguma secura de final de boca. Nos brancos da década de 80 o melhor de todos é o Reserva 1985, este Porta dos Cavaleiros Reserva branco 1984 é um grande branco em idade adulta, mas se comparado peca pela falta de garra tanto na boca como no nariz onde mostra menos frescura e acutilância ou limpeza de aromas. De resto goza de uma belíssima harmonia de conjunto, conjugando a sensação de untuosidade com acidez e presença da fruta ainda vivaz e madura.

No campo dos tintos a entrada não poderia ser melhor, o Porta dos Cavaleiros Reserva 1966 é a meu ver o melhor de todos, afirmando-se como um dos melhores vinhos de sempre da região. Pura classe num vinho de compêndio, cheio de caruma e pinhal, muito bosque, frutos silvestres, cerejas, folha de tabaco, eucalipto, couro. Puro veludo num tom que combina austeridade com a gulodice de um vinho cheio de vida e frescura, longo e com final persistente. De passagem pelos anos 70 foi provado o Porta dos Cavaleiros Reserva 1974, novamente o que menos brilhou entre os tintos, com a região bem evidenciada no perfil e a dar uma prova de muito bom nível. Perdeu em poder de afirmação mostrando-se mais delgado e espaçado tanto em complexidade aromática como em presença de boca.

Termino com o segundo melhor tinto, o Porta dos Cavaleiros Reserva 1985, que é um dos que mais prazer me tem dado nas últimas vezes que o tenho tido no copo. Literalmente é daqueles vinhos que está num momento muito alto da sua vida, conjuga toda a frescura da fruta com a complexidade que apenas o tempo consegue oferecer. Por entre os aromas a pinhal e bosque, cogumelos, terroso ligeiro, abre para fruta madura e suculenta, tudo embalado em enorme frescura, limpo com caixa de charutos, especiarias variadas. Na boca é acetinado e ao mesmo tempo vigoroso, com a fruta a explodir de sabor, muita personalidade com ampla presença, profundo e final persistente. Um grande vinho do Dão e do Mundo.

A Bairrada das Caves São João - Frei João


O vinho cujo perfil se poderá afirmar como o mais clássico de toda a Bairrada, o Frei João. Para tal convém reavivar a memória e recuar aos idos anos 50 onde a dupla, Luís e Alberto Costa decide começar a seleccionar, comprar e envelhecer vinhos de grande qualidade nas caves da empresa. É desses vinhos que surgiram marcas emblemáticas como os Porta dos Cavaleiros em 1963, ou em 1945 o primeiro Caves São João Reserva Particular. Em 1960 iria surgir o primeiro Bairrada, o Frei João cujo nome serve de homenagem ao frade carmelita Frei João Baptista (Convento de Santa Cruz do Buçaco) um dos primeiros a plantar vinha na região.

Os primeiros Frei João teriam como origem lotes comprados pelos dois irmãos, junto a produtores da região sendo as Adegas Cooperativas de Mogofres e Cantanhede dois dos principais fornecedores na altura. O Frei João Reserva, ainda em garrafa Borgonhesa, iria nascer na colheita de 1963 e teria o condão de afirmar o seu perfil como o mais clássico de toda a Bairrada. Factores como a tipicidade e a importante consistência geográfica dos lotes adquiridos ano após ano foram determinantes, tal como uma vinificação onde a fermentação com engaço era uma realidade contribuíram para a afirmação ao longo das décadas de um perfil clássico, representativo do melhor que se fazia em toda a região. Nos anos 70 de certo modo assistimos a uma revolução que se manifestou no perfil dos vinhos, na mudança de garrafa do Frei João para bordalesa ou até na própria região com a demarcação da Bairrada em 1979. Em 1972 é adquirida a propriedade Quinta do Poço do Lobo, que com produção própria começa a dar o seu contributo para os lotes aos quais se junta cada vez com maior presença lotes provenientes da zona de Vilarinho do Bairro.

Um passeio pela história de um ícone da Bairrada, apenas possível realizar nas Caves São João, um local mágico que nos dá este enorme privilégio de poder provar vinhos com mais de 40 anos em perfeito estado de conservação, que não mostram sinais de decadência ou cansaço e que a prova que dão proporciona verdadeiros momentos de glória com alguns dos melhores vinhos que se fizeram em Portugal e no mundo.

Frei João Branco 1966: A caminho do meio século de vida com uma complexidade fantástica, muito fechado e a pedir decantação, sério com frescura e profundidade, limpo com rezina, tom melado, vegetal, fruta branca, boa untuosidade com fruto seco a fazer-se notar. Boca com grande frescura a ligar com untuosidade ligeira a envolver o conjunto sempre muito coeso, tenso e com final a mostrar uma surpreendente austeridade mineral.Para durar. 95 pts

Frei João Branco 1974: Uma enorme surpresa, arrebatador a todos os níveis e fico com a sensação que terá sido dos melhores da Bairrada provados até à data. Aroma de enorme complexidade, flores amarelas, notas meladas, fósforo, vegetal, aqui o tom de frutos secos menos intenso e mais fino. Boca envolvente com a acidez muito viva, fruto de polpa branca presente e com vivacidade, longo e persistente, amplo, profundo a mostrar garra e a afirmar a sua presença. 96 pts

Frei João Branco 1990: À primeira impressão o que se pode dizer é que o tempo não passou por ele, tenso, nervoso, cheio de garra com notas de resina e esteva, fruta branca ainda presente. Muita energia, com uma acidez acutilante numa passagem de boca saborosa mas tensa, a mostrar-se ainda austero e com muita vida pela frente. 93 pts

Frei João Reserva 1966 (magnum): Um vinho que é obrigatório conhecer e provar. Um tinto enorme que exala Bairrada por todos os cantos, dono de grande complexidade onde a fruta (cerejas, framboesas) ainda surge com ligeiro apontamento maduro acompanhada de licor… delicioso, cacau, caixa de charutos, chá preto a dar sensação de secura. Boca de luxo, amplitude, frescura, nervo, grande presença e passagem com frescura e fruta, muita classe em final longo e apimentado. 97 pts 

Frei João Reserva 1980: Um belíssimo tinto cheio de frescura e jovialidade, ampla complexidade marcada pela fruta redondinha e ácida (bagas silvestres, mirtilos) com toques caruma, caramelo, café, esteva, coeso, amplo e muito estruturado, cheio de vigor mas com grande finesse. Boca com sabores vincados, fabulosa acidez, longo final e quase que ficamos a mastigar a fruta. 94 pts

31 outubro 2015

Quinta do Poço do Lobo Rosé Reserva 2014

Só os grandes têm a capacidade de se reinventar com o passar do tempo, só os grandes têm a capacidade de deixar saudade e de certo modo ficarem reféns de décadas de glória onde lavraram a letras douradas o que de melhor se produziu em determinadas regiões. As Caves São João (Bairrada) são um exemplo disso mesmo, um gigante que se deixou adormecer e parece estar a acordar calmamente do sono profundo a que foi submetido no inicio da década de 90. Este vinho rosado junta a Baga com Pinot Noir, com fermentação parcial em barrica avinhada e batonnage que o catapultou para outro nível de sensações. É com todas as palavras um grande rosé, fresco, delicado e ao mesmo tempo muito elegante que junta a fruta vermelha muito limpa com flores e ligeira sensação de arredondamento a embalar o conjunto. É delicado mas na boca confirma além da frescura a boa secura que um conjunto muito bem estruturado, saboroso e de enorme prazer. O preço ronda os 12€ em garrafeira num vinho rosado que ombreia com os melhores exemplares nacionais. 92 pts

03 dezembro 2014

Porta dos Cavaleiros Reserva Seleccionada 1985


Sem produção própria ou sequer vinificação na região do Dão, as Caves São João limitavam-se a comprar vinhos nas adegas cooperativas e em algumas quintas da região para posterior estágio e loteamento na sua sede localizada na Bairrada. O grande conhecimento que os irmãos Alberto e Luís Costa detinham sobre a região nos anos 60, permitiu durante esse tempo adquirir/abastecer de forma continuada com alguns dos melhores vinhos de toda a região. A mestria com que dominavam a arte do lote e tendo em conta a qualidade da matéria-prima disponível, permitiu criar vinhos de enorme qualidade com um cunho muito próprio aliado a um perfil marcadamente clássico da região. Vinhos que perduraram na sua grande totalidade até aos dias de hoje, no silêncio das caves, onde residem nos dias de hoje mais de um milhão de imaculadas garrafas que resistiram à passagem do tempo. É pois todo um privilégio e uma rara oportunidade para os apreciadores poderem entrar nos dias de hoje em contacto com toda a glória e esplendor de tempos que já não voltam.

Sobre este 1985 que se mostra com um aroma clássico da região, quase que em forma de compêndio, mais fresco e definido que o 1983, menos denso embora de igual patamar de qualidade, aqui com a energia de uma fruta vermelha (bagas silvestres) muito viva, tabaco seco, fumo, ameixa seca, pinhal, cheio de finesse. Boca cheia de fruta viva e suculenta que apetece trincar, acetinado no palato, um autêntico prazer a beber, fantástico o equilíbrio e a frescura invejável. Um hino ao que de melhor o Dão e Portugal têm para oferecer. As condições de guarda têm muito a dizer sobre o estado de saúde do vinho, pelo que se recomenda a compra na loja do produtor onde deverá rondar os 35€.  96 pts

Porta dos Cavaleiros Reserva Seleccionada 1983



A par do 1985 este 1983 fará parte do lote restrito dos grandes clássicos da nação e que com o passar dos tempos tem sido exemplar de prova obrigatória para todos aqueles que desejam entender a grandiosidade da região e do produtor em causa. Mostra o aroma clássico que de imediato nos remete para a sua região de origem, o Dão. Precisa de tempo no copo, complexo e profundo com muito mato, caruma, ervas de cheiro, fruta negra (cereja, framboesa) sumarenta, bem limpa e fresca a ser acompanhada por notas de violeta, fumado, terroso e especiado (pimenta). Mais compacto que o 1985 com uma presença vegetal mais acentuada, pleno de harmonia na boca com muita fruta madura, cereja em destaque, pinheiro e especiaria, frescura que se destaca e que se conjuga de uma forma bonita com a fruta, corpo médio numa passagem acetinada pelo palato com muita vivacidade, final longo e persistente. Sirva-se com um cabritinho assado no forno. 95 pts

06 novembro 2013

Quinta do Poço do Lobo Bruto 2008

Fruto de uma recente visita às Caves São João (Bairrada), tive oportunidade de conhecer este espumante, Quinta do Poço do Lobo 2008, um Bruto elaborado em partes iguais de Arinto/Chardonnay. Já aqui tinha falado acerca do Caves São João Reserva, a diferença começa neste que agora falo pela entrada da casta Chardonnay em troca pela Bical e Maria Gomes com o estágio em garrafa, sobre borras, neste caso a ser de 36 meses. O resultado é um espumante elegante e fresco, marcado por citrinos bem maduros, frescura com mousse fina  envolta em toques de fermento, pão torrado. Conjunto com alguma evolução no bom sentido, aconchega mais durante a sua prova, todo ele bem balanceado e a proporcionar bastante prazer à mesa. 91 pts

09 janeiro 2013

Caves São João Reserva Bruto 2007 e 2008

O vinho espumante é cada vez mais um costumeiro da minha garrafeira, direi mais, um inquilino do meu frigorífico na secção que o próprio tem destinada aos vinhos. Ao melhor estilo rapper, com muito bling bling, tenho sempre uma garrafita pronta a abrir, as escolhas são Espumantes nacionais e alguns Cava (Espanha) com um target de preço a rondar os 5€. Vejo neles a capacidade de serem vinhos descontraídos e divertidos que nos fazem cócegas no nariz, saltitam no palato e são sempre consumidos bem frescos, a ligação à mesa é feita em modo tranquilo, quase sempre para inicio de refeição ou até para acompanhar uma entrada. Quando a escolha não agrada não há grande preocupação porque umas codornizes regadas com espumante ficam de estalo. Já me esquecia, a escolha recai sempre no modo Bruto.
Recentemente bebi dois espumantes das históricas Caves São João, o Reserva Bruto 2007 e o Reserva Bruto 2008, cada um custou menos de 5€ em grande superfície comercial.

Enquanto o Caves São João Reserva Bruto 2007 se mostrou com grande classe, já a evidenciar sinais de nobre evolução tão características do grandes brancos da Bairrada. Foi um deleite para todos os presentes, a evolução que debita no copo aguça a atenção, uma belíssima acidez com fruta entre o maduro e a geleia, boa envolvência na boca, algo de cremosidade, secura, leve fruto seco, grande persistência. Pelo preço foi uma excelente compra, pena que fosse filha única naquela prateleira. 92 pts

A prova do Caves São João Reserva Bruto 2008 foi ligeiramente diferente, o vinho não se mostrou tão aguerrido como na colheita anterior, alguma falta de força e de nervo, mais espaçado e com menos detalhe nos aromas e sabores que apresentava. Ainda assim boas notas de flor de laranjeira com citrinos. A acidez continua bem presente, um pouco mais contido na boca, mais coeso e menos falador. Depois da prova do 2007 a fasquia ficou alta, aqui neste caso o vinho continua a ser muito bom. 90 pts
 
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