Copo de 3: Herdade do Perdigão
Mostrar mensagens com a etiqueta Herdade do Perdigão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Herdade do Perdigão. Mostrar todas as mensagens

01 fevereiro 2017

Herdade do Perdigão Reserva, grandes vinhos com nova imagem


A Herdade do Perdigão, propriedade de Carlos Gonçalves desde 2003, fica situada em Monforte. A história dos Reserva remonta outros tempos e começou na colheita de 1999 com o lançamento do primeiro Herdade do Perdigão Reserva tinto. Com a mudança de proprietário a qualidade dos vinhos manteve-se inalterada e têm conseguido até aos dias de hoje manter uma consistência assinalável. As mudanças apenas se têm reflectido nos rótulos, sempre num registo muito sóbrio e formal, para que agora surjam novamente renovados. É caso para dizer que muda a camisola mas a qualidade mantém-se inalterada a como sempre nos acostumou. Em prova as duas novas colheitas do Herdade do Perdigão Reserva, tinto 2014 e branco 2015.


Herdade do Perdigão Reserva branco 2015: um 100% Antão Vaz que passou por barrica durante seis meses. Se nas primeiras colheitas a barrica se fazia notar em demasia e tirava todo o protagonismo à fruta e entusiasmo ao vinho, agora temos precisamente o contrário. É a fruta que manda durante toda a prova, ganhando ligeira untuosidade do tempo que esteve na barrica, mas de resto é um conjunto dotado de uma bela frescura que o envolve e lhe dá a energia suficiente durante toda a prova. Será sempre um branco que combina bem com pratos de peixe assado no forno ou com carnes brancas. 92 pts



Herdade do Perdigão Reserva 2014: o lote mantém-se fiel às castas Trincadeira, Aragonez e Cabernet Sauvignon com passagem durante 12 meses em barricas novas de carvalho francês. Num perfil mais clássico sente-se o bom vigor da juventude marcado pela fruta (ameixa, bagas) ainda muito viva e pela madeira, tosta, baunilha, que pede algum tempo em garrafa para estar em plena harmonia. Em fundo uma boa nota de pimenta preta, num conjunto amplo e estruturado com muito tempo pela frente. No palato é marcado pela fruta, travo vegetal fresco, algo de terroso em pano de fundo com final persistente. Um belíssimo tinto, ronda os 15€ e que merece ser apreciado mas sobretudo guardado pois é com tempo que ele melhor se mostra à mesa. 93 pts

17 março 2014

Herdade do Perdigão 20 anos 2008

Será um dos produtores do Alentejo que sigo atentamente, colheita após colheita, Reserva após Reserva... este último em formato tinto curiosamente sempre foi aparecendo à mesa de alguns dos bons momentos da minha vida e este não fugiu à regra. Não sendo propriamente uma novidade, será para muitos, este Herdade do Perdigão (Monforte) edição comemorativa é proveniente da colheita 2008 e mostra uma vez mais que um grande vinho é e tem de ser feito para durar e aguentar as curvas do tempo. Relembro da mesma forma que a frescura não é nem nunca foi um artefacto exclusivo de uma qualquer tribo perdida algures nas montanhas.
Este Perdigão de fina estirpe é dominado pela Alicante Bouchet aliada à Trincadeira, a Touriga Nacional apenas se fica nos 5% do lote, tinto robusto e complexo a invocar as notas verdes e florais de uma Trincadeira adulta que complementa com um inicial químico costumeiro na Alicante. Rodopio no copo e alarga os ombros, cresce, ganha complexidade e torna-se envolvente, fruta sumarenta e rechonchuda bem limpa e sim está fresca, o vinho mostra-se fresco com uma muito bom aconchego da madeira. Na boca é conquistador, harmonioso e a tratar muito bem palato, cacau, cereja, leve apimentado, tudo seguro pela estrutura de um grande vinho. Tem um custo que rondará os 40€ mas onde o prazer está mais que assegurado e a longevidade também. 94 pts

03 setembro 2013

Herdade do Perdigão Reserva branco 2010

Não haverá grande volta a dar quanto ao perfil apresentado pelo topo de gama branco da Herdade do Perdigão (Monforte). O vinho é um Alentejano de gema, 100% Antão Vaz que decidiram estagiar  em barrica que por sua vez o marcou o suficiente para lhe conferir arredondamento e alguma gordura a mais, o ano em si também não me parece que tenha ajudado muito. No nariz destaque para aroma de creme de pasteleiro, limão e ananás, tosta a conferir-lhe o peso e arredondamento, floral tímido com sensação de untuosidade que nos deixam empanturrados caso o consumo seja feito fora da zona de conforto, ou seja, fresco. Na boca entra moderado na acidez, flores, corpo arredondado com peso da fruta sumarenta e anafada em harmonia com a prova de nariz. O vinho não cambaleia, é um gigante anafado de passada larga que carrega uma às costas uma enorme e pesada caixa de madeira cheia de fruta. O preço situa-se junto dos 12€ num vinho que certamente não sendo do agrado de todos (longe dos que procuram vinhos com acidez vincada) mostra qualidade, ainda que ligeiramente abaixo do Reserva branco 2008. 90 pts

11 fevereiro 2011

Herdade do Perdigão Reserva branco 2008


O que leva alguns vinhos a serem maiores que outros ? Afinal de contas porque razão certo tipos de vinhos são mais cotados no mercado e junto dos consumidores que outros ? A meu ver o saber envelhecer é uma enorme virtude e algo que se deve exigir enquanto consumidor a vinhos apelidados de grandes... tudo o resto é fogo de vista. Mas esta conversa surge quando lado a lado tinha dois brancos, um de 2002 e outro de 2003, o 2002 um puro Riesling Alemão, tonalidade imaculada pelo tempo, fresquíssimo de aromas com complexidade ainda por desembrulhar... o 2003 um Arinto ali de Bucelas, ouro velho como velho nos aromas, flores murchas e secas, palha, melado... branco velho, arinto velho já sem grande vivacidade e obviamente sem grande vida pela frente. Questionei-me sobre que grandes brancos moram em Portugal, que brancos são feitos em Portugal que ganhem de maneira inequívoca com o tempo ? Afinal de contas para se ser grande não o basta ser cá dentro, há que o ser também lá fora.

Enquanto pensava na resposta, dediquei-me a um dos melhores brancos do Alentejo, produzido na Herdade do Perdigão (Monforte), desde 2003 nas mãos do produtor Carlos Gonçalves, anteriormente propriedade de João Lourenço (Altas Quintas) que teria por sua vez comprado a Alfredo Saramago. Em prova o topo de gama deste produtor no que a brancos diz respeito, um puro Antão Vaz que fermenta em barricas novas de carvalho francês e ali se fica por 6 meses com direito a battonage. Salta da garrafa com 13% e compra-se por menos de 12€ na Garrafeira Nacional.

Com um aroma de boa intensidade e envolvido de forma harmoniosa pela madeira que lhe confere boas sensações de untuosidade/cremosidade ainda que ligeiras, baunilha, tudo isto aliado a uma quantidade bem fresca e madura de fruta tropical com toques de pêssego e citrino (tangerina, limão). Tem a sua dose de flores, com rasgos de mineralidade em fundo, num perfil fresco, personalizado e fiel à terra, fiel ao Alentejo. Tudo bem delineado, com boa concentração mas sem esforços suplementares, boa frescura e elegância entre acidez/fruta/barrica.

Boca de boa amplitude, frescura a acomodar-se ao ritmo da fruta bem madura entre tropicais e frescuras citrinas em conjunto com a barrica, que vem conferir algum peso ao vinho, arredondamento, harmonia, leve travo especiado e algum vegetal/floral no fundo em que a sensação de ligeiro mineral volta a surgir.

Um Alentejano de muito boa estirpe, nasce com a Serra de São Mamede como pano de fundo, mostra uma frescura de fruta muito interessante acompanhadas por notas minerais em fundo, foge obviamente aos Antão Vaz pesados e adocicados que antes reinaram em terras Alentejanas... ainda bem digo eu. A versão 2009 já deve andar no mercado, mas este 2008 com o tempo que levou de garrafa fez as minhas delícias e fez excelente companhia a um pargo no forno. 16,5 - 91 pts
 
Powered By Blogger Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-Noncommercial-No Derivative Works 2.5 Portugal License.