Copo de 3

14 setembro 2012

Protocolo 2010

Porque sempre gostei de conhecer o que por cá se faz e se foi fazendo, conhecer o passado para melhor entender o presente, também é verdade que sempre tive o gosto e a curiosidade em provar e descobrir o que outras paragens têm para oferecer. É devido a essa procura e a esse prazer da descoberta que em determinado momento da minha vida enófila encontrei o vinho que agora falo, não esta mas outra colheita mais antiga. É um vinho que nasce sobre a chancela de uma das mais importantes famílias do vinho em Espanha, Eguren, cujos "caldos" são de notável qualidade, desde os seus topos de gama (Alabaster, El Puntido, La Nieta, Amancio, Finca El Bosque ou o branco Organza) até este vinho de entrada de gama de nome Protocolo. O Protocolo é produzido no Domínio de Eguren, uma adega pensada para produzir vinhos ao melhor preço, abastecida por 15 vinhas espalhadas por Castilla-La Mancha, localizadas a cerca de 700 metros de altitude com idades compreendidas entre os 30-70 anos e produção controlada. A produção é alta, tal como o rigor do trabalho efectuado, este Protocolo (100% Tempranillo) custou-me numa pequena garrafeira do sul de Espanha a módica quantia de 2,50€ e teve direito a estágio em barrica de carvalho americano de 1-3 anos durante 3 meses.

Mostra pela prova que a fama e o proveito do nome Eguren não é um acaso, o vinho tem brilho próprio e pelo preço revela-se assustadoramente apelativo e arrebatador, direi mais, será muito complicado arranjar rival no seu patamar de preço/qualidade. O aroma é limpo e tipicamente varietal embora nada rectilíneo, limpo e fresco, com muita fruta vermelha (framboesa, frutos bosque) embrenhada no aconchego da madeira (baunilha) que lhe dá algum volume, terminando com especiaria. Boca de corpo mediano, bem delineado e estruturado, saboroso, dentro do que oferece sente-se a fruta, sente-se frescura, no fundo taninos conferem-lhe ainda tempo de vida, quiçá 1 ou 2 anos pela frente, o vinho vai desaparecendo dos copos e da garrafa, olhamos e não há mais... a boa prestação à mesa é de louvar.

É compra obrigatória para todos aqueles que o conseguirem encontrar,  esgota rapidamente e o preço a isso ajuda. 89 pts

13 setembro 2012

Dócil Loureiro 2011

Aquele a que antes chamaram de GiroSol viu em 2010 o nome mudar para Dócil,  agora na segunda colheita o que temos é um Loureiro manso, com menos açúcar e mais traço ao nível da fruta como da boa dose de mineralidade que aparenta ter, tudo por um preço que rondará os 7,80€. O vinho tem a chancela Niepoort Projectos e basicamente tenta transmutar a casta Loureiro para uma dimensão ligeiramente diferente daquela a que normalmente estamos acostumados. Sem mostrar grande exuberância, é algo tímido mas muito preciso naquilo que mostra, elegância e frescura, doçura suave, fruta (lima, maçã verde) limpa e delineada, toque de mineralidade em fundo, corpo redondinho com mediana persistência. A baixa graduação e também baixa temperatura a que deve ser servido transforma-o num miminho bom que se tem antes ou no início da refeição, a minha opção foi acompanhar com sushi do mais variado, aguentou-se mais que bem. 90 pts

07 setembro 2012

Quinta de Linhares... os meus Verdes de Verão.

 Se nunca ouviu falar em Quinta de Linhares (Vinhos Verdes) não sabe o que anda a perder, foi para mim sem sombra de dúvida a surpresa e revelação mais fresca deste Verão. Primeiro estranhamos, rótulos diferentes do que estamos acostumados a ver e a ouvir falar, por ali moram nomes que raramente nos batem no copo a solo, Azal ou Avesso são exemplo. O receio que nos apareça no copo mutantes travestidos de monos com tamanha acidez capaz de derreter o melhor cristal soprado começa a percorrer a nossa mente, felizmente não passa de uma ideia rocambolesca pois os vinhos mal entram no copo mostram todo o seu esplendor com  frescura, limpeza e mineralidade... sim, daquela que não parece um amontoado de pedras sujas e sem gracinha nenhuma. O preço aqui torna-se também ele um aliciante, rondará os 5€ ou algo menos por cada exemplar, poderei estar ligeiramente errado mas penso que não devem fugir muito disto. Caramba gostei mesmo... 
Quinta de Linhares Loureiro 2011
Pelo primeiro impacto mostra ser um loureiro pacato, apesar de ligeiro e delicado é ultra compacto e fresco, de todos claramente o que menos se mostra e menos exuberância tem. Reinam as sensações citrinas com toque vegetal característico do Loureiro, boa secura em boca com final algo curto. 87pts

Quinta de Linhares Azal 2011
Não é dos que mais fruta mostra, a casta talvez não dê para mais, a que tem é da boa com toques de toranja, lima, todo ele muito mais virado para o toque herbáceo e mineralidade. Vinho fresco e bastante agradável, entra a saber a fruta, quiçá com toque de algum doce da mesma, depois vira-se para o vegetal e mineral até ao final, onde uma secura que pede comida por perto impera. 90pts

Quinta de Linhares Avesso 2011
Gostei da maneira como os aromas (de boa expressão) de fruta tropical se misturam com a secura e austeridade mineral, pelo meio ligeiro floral que resulta num vinho fresco e com alguma amplitude, este em conjunto com o Colheita Seleccionada foram os que mais gostei, ambos emparelharam com a bicheza do mar, salteada, grelhada ou acondicionada no tacho e nunca se deram por vencidos. Mais houvesse na mesa e no copo... 91pts

Quinta de Linhares Colheita Seleccionada 2011
Por razões óbvias do lote é o que se mostra mais complexo e também mais vinho, mais sério e composto. A frescura de boca torna-o bastante apetecível, tudo muito limpo e arrumado, bem detalhado e a limitar-se apenas ao que as castas têm de melhor para oferecer. Talvez por isso consigamos diferenciar e bem todos os 4 sem que a paleta de aromas seja igual de um para outro. 91pts

06 setembro 2012

Periquita Reserva 2009

O Periquita foi reinventado, surge com novo disfarce, nova roupagem que o transforma noutro vinho mais ao gosto das línguas estrangeiras. Daquele vinho que ganhou nome da "Cova" onde nasceu pouco nos resta, daquele vinho que deu nome à casta por ser feito da mesma... pouco resta, tudo muda e tudo passa. Hoje o que nos cai no copo em jeito de Reserva é um tinto moderno, cheio de tiques massificados pela urbe e tanto que eu gostava de ter encontrado aqui um 100% Castelão de vinhas velhas. Deste Reserva o que salta à vista é um vinho moderno, pleno de equilíbrio e lascivo apontamento adocicado combinado pela fruta e barrica. Na boca replica tudo o encontrado no nariz, boa presença, gordo, redondo e com frescura, tudo muito tentador mas não deixo de pensar como o Periquita Clássico me deixa saudades. 90pts

04 setembro 2012

Vineaticu branco 2011

Um bom branco da Quinta da Nespereira (Dão) que nasceu pela primeira vez na colheita de 2009, agora estamos com o 2011 no copo, um branco fresco, resultante do casamento entre a Encruzado e o Verdelho com núpcias em Carvalho Francês. Mostra secura do conjunto com bom desembaraço à mesa, destaque para a prestação da fruta (citrinos) com notável austeridade mineral em fundo, tudo limpo e bem fresco com madeira sem se dar por ela. Pouco amontoado a nível de aromas o que é bom sinal, mais algum tempo de garrafa e a coisa vai certamente desembrulhar-se e desenvolver-se no bom sentido. O preço indicado é considerado simpático e ajustado face ao que se encontra, rondará os 5€, pessoalmente penso que o vinho merecia melhor sorte no rótulo. 88 pts

03 setembro 2012

.Beb Premium 2009

Este é um dos vinhos que mais prazer me tem dado nos últimos tempos, falo do .Beb Premium 2009 do Tiago Cabaço (Estremoz). São vinhos agora com nova "casa" que cativam pela maneira como falam com quem os aborda tal como o seu mentor e dono, que com a Enologia de Susana Estéban tem vindo a conseguir vinhos sérios mas de fácil empatia, uma fórmula de sucesso que foi encontrada e que se espalha um pouco por toda a gama deste jovem produtor do Alentejo onde se mistura com mestria o traço da modernidade com a da tradição. Uma visita foi já realizada,os vinhos foram apresentados em conjunto com os da sua mãe, Margarida Cabaço, num momento que irei dar o devido e merecido destaque nos próximos dias. Por agora falo do que tenho no copo, num vinho acessível pelo preço a rondar os 6/7€ a proporcionar uma prova muito apelativa que convida a beber, fruta limpa e madura, bem casada com a barrica (2º e 3º ano), redondo, concentrado e com frescura suave num conjunto que apresenta complexidade e elegância. 91 pts

12 agosto 2012

Abreu Callado branco 2008

Vem de Benavila (Avis) da Fundação Abreu Callado, este branco de 2008 perfil bem Alentejano a revelar-se nobremente evoluído, o bouquet que debita é bastante interessante e ainda com saúde, a tudo isto temos de juntar o preço que a menos de 4€ o torna algo bastante apetecível de ter por perto. Foram-se buscar as castas Arinto, Roupeiro e Tamarez para um vinho que apenas conhece o inox, a presença do álcool ronda os 12,5% Vol. e o resto é merecedor de atenção e até algum elogio,.principalmente à mesa a acompanhar peixe no forno. 

A fruta que sem abundar em  grande quantidade está por lá, o aroma mostra-se limpo sem amontoado de cheiros, sente-se já com algum toque de geleia, tem frescura e uma fina dose de acidez que lhe percorre o corpo, toques de petrolina marcam a prova inicial, rodopia-se o copo e vai acalmando. Completa-se com flores brancas, citrinos, alperces. Na boca complementa-se, sereno mas a dar boa prestação, sem modas  este branco vale por si mesmo. Uma aposta segura de um vinho que mostra com brio a terra que o viu nascer. 88pts

10 agosto 2012

Domingos Soares Franco Colecção Privada Moscatel Roxo Rosé 2011

Este é certamente o mais sofisticado e exclusivo vinho rosé feito em Portugal, a cagança com que rodopia no copo debitando aromas de Moscatel Roxo fazem com que o vinho produzido pela José Maria da Fonseca se torne lascivo desde o primeiro instante. De graduação contida a rondar os 12% Vol. o vinho mostra-se fresco com uma fina mas rendilhada complexidade, os aromas da casta mostram-se de forma ordeira num todo equilibrado, harmonioso, delicado e fresco. Dá uma boa prova conseguindo balancear leve docinho com ponta de secura, mediano no corpo, fruta e flores, sem exageros é delicado mas com boa presença. O preço entende-se face à exclusividade que obviamente se tem de pagar, ronda os 10€ cada garrafa. Se na anterior colheita não me tinha dito grande coisa, nesta nova versão deixou-me satisfeito. Foi bebido em ambiente festivo como abertura de uma noite fantástica... 

09 agosto 2012

Tons de Duorum branco 2011

É difícil não se gostar deste branco, torna-se complicado não o comprar ainda por mais com a crise em cima das costas e com o preço mais do que sensato para a qualidade que o vinho em causa apresenta, recordo os 3.99€. Na primeira edição conquistou pela maneira simples mas séria com que se manifestou no copo, a frescura aliada a uma prova descontraída mas com muito boa qualidade fez deste um dos meus vinhos de Verão. Agora volto a ele na colheita 2011 que voltou a dar muito boa conta de si, ligeiramente mais fresco, com a fruta mais delineada, afinou ligeiros detalhes e consegue mostrar-se ligeiramente melhor. Desta vez acompanhei com uma sopa de peixe aromatizada com hortelã e coentros, servido fresco fez as delícias de todos os presentes. Uma das melhores relação preço/qualidade made in Portugal ? Sem dúvida.

Beyra Quartz 2011

Mais um vinho da Beyra, novo projecto do enólogo Rui Reboredo Madeira, na Vermiosa. No impacto do rótulo destaca-se a altura das vinhas mas não a idade das mesmas e ficando também a saber-se o solo onde as ditas assentam, entre os xistoso e o granítico com filão de quartzo pelo meio. Quartzo o mineral mais abundante na Terra, está um pouco por todo o lado e até no rótulo onde marca de forma determinante ou não o suposto terroir deste vinho. Foi-se buscar a Síria e a Fonte da Cal, pela informação técnica não cheira sequer a madeira, apenas conheceu o frio do inox. O resultado é um branco seco e mineral, a acidez desponta e os aromas citrinos com toque de pederneira são aquilo que mais se destaca no nariz. Na boca há  frescura inicial, uma acidez cítrica acompanhada por frutinha e mineralidade, num conjunto algo amontoado em perfil moderado que se esvazia ligeiramente em final com acidez um pouco "em pontas".

O vinho não me deixou fascinado, esperava algo um pouco mais afinado e equilibrado, mas entendo os que se agarram a ele qual bóia salva vidas num mar de igualdade... De resto e entrando no campo do (des)gosto pessoal, limita-se a ser um bom vinho, não apreciei a falta de definição que apresenta. Na realidade até o vejo algo forçado no seu conteúdo, dispenso a conversa da altitude, do quartzo e todo esse romantismo enológico. Pelos 5€ que custa não vou voltar a ele, apesar de cumprir aquilo a que se destina (pedir mais seria absurdo), pode ser que melhore, pode ser que não, vou ficar atento... 

08 agosto 2012

Quinta do Cardo Síria 2011

Mais um vinho da Companhia das Quintas a chegar ao copo, desta vez da Beira Interior (Figueira de Castelo Rodrigo) mais propriamente da Quinta do Cardo. O vinho em questão é o branco Quinta do Cardo Síria 2011, vinho sem debitar grande complexidade que se torna simples e directo, centrado nos aromas citrinos que tanto o caracterizam com sugestões de tangerina e limão. É rematado por toque floral e alguma mineralidade, tudo delicado e a evidenciar boa frescura. Boca com boa acidez, boa dose de secura, corpo médio e concentração moderada, centrado no que encontramos no nariz. 

Não é vinho que me faça dar os 5€ que pedem por ele, bem feito apenas mas não me conquista com o aquilo que me mostrou. Com as respectivas limitações da casta acabou por ficar um bocado abaixo do esperado, é um bom vinho e nada mais que isso. Peixe grelhado com salada foi o acompanhamento após a prova, encaixou sem queixumes o que revela a apetência para a mesa. Para os mais distraídos a casta Síria é a que no Alentejo chamam de Roupeiro. 86 pts

02 agosto 2012

Rembert Freiherr von Schorlemer Spatlese 2011



O vinho que se segue foi comprado no Aldi, custou menos de 2€ o que para um suposto colheita tardia é quase sobrenatural, também estranho como é que o vinho foi aprovado como tal. A apresentação é pobre tal como o vinho, nada de novo, nada que deslumbre ou mereça deslocação forçada para se comprar, não é um vinho que apeteça bater palmas mas também não desgostei. Está no limiar do sofrível, tipo água com sabores,, sabe bem mas nunca mais compramos outra. Isto é o puro vinho de chinelo, daqueles que apetece bem fresco à hora de almoço acabado de chegar da praia, é que não estou para abrir nada de grande especialidade e muito menos que tenha muito álcool, coisa leve portanto. Não passa pois de um  genérico simplório que nem sequer informa as castas de que é feito, cumpre à rasquinha desde que não se abuse no tempero, que acidez e corpo é coisa que por ali não mora com abundância.

Para o acompanhar investi numa pita shoarma versão alface ripada e temperada, queijo Gouda, peito de frango grelhado e tomate cereja com o trivial molho de iogurte. Depois foi refastelar-me um bocado até ser hora de pegar na toalha e voltar para dentro de água... 
 
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